Portaria n.º 247/98 — Aprova o Regulamento do Internato Complementar de Medicina Legal
Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.
2 atos modificativos · 2007-08-30, Portaria n.º 1002/2007 — Aprova o Regulamento do Internato Médico da Especialidade de Med…
Aprova o Regulamento do Internato Complementar de Medicina Legal
15.2.1 - A avaliação contínua do desempenho realiza-se durante o decorrer de cada ano de formação ou de estágio de formação complementar ou opcional e visa permitir aos internos ou ao orientador de formação conhecer a evolução formativa e o nível de desempenho atingidos, com base no acompanhamento permanente e personalizado da formação.
15.2.2 - Para a avaliação contínua do desempenho, o orientador de formação tem em conta, obrigatoriamente, os seguintes parâmetros, com a ponderação que se apresenta:
15.2.2.1 - Capacidade de execução técnica e de interpretação dos dados tanatológicos, clínicos e laboratoriais observados - ponderação 4;
15.2.2.2 - Interesse pela valorização profissional - ponderação 3;
15.2.2.3 - Responsabilidade profissional - ponderação 4;
15.2.2.4 - Relações humanas e de trabalho - ponderação 3;
15.2.2.5 - Interesse pelo funcionamento dos serviços e participação nas actividades da instituição - ponderação 4.
15.2.3 - A classificação da avaliação contínua do desempenho tem como base a informação do orientador de formação.
15.2.4 - A classificação a que se refere o número anterior é expressa numa escala de 0 a 20 valores. Uma classificação negativa, inferior a 10 valores, obriga à repetição do ano de formação ou do estágio.
15.3 - A avaliação no fim de cada período de 12 meses de formação tem como objectivos:
15.3.1 - Avaliar o conhecimento e atitudes adquiridos, de acordo com o programa de formação definido para o ano ou estágio;
15.3.2 - A avaliação de conhecimentos referida no número anterior é expressa numa escala de 0 a 20 valores, com arredondamento às décimas, e inclui:
15.3.2.1 - A elaboração obrigatória de um relatório anual de actividades;
15.3.2.2 - Uma prova teórico-prática de clínica médico-legal ou de tanatologia.
15.4 - A avaliação final consta de três provas eliminatórias: curricular, prática e teórica, de acordo com o Regulamento do Internato Complementar de Medicina Legal.
ANEXO N.º 2 — Programa de provas para ingresso no internato complementar de medicina legal
I - Âmbito de intervenção médico-legal.
Organização dos serviços médico-legais
1 - Conceito lato de medicina legal:
1.1 - A medicina como actividade social;
1.2 - Relação médico/indivíduo.
2 - Conceito estrito de medicina legal:
2.1 - A medicina legal pericial ou forense;
2.2 - A justiça como entidade requisitante;
2.3 - O médico como entidade executante; os meios;
2.4 - Áreas de intervenção da medicina legal;
2.5 - Serviços laboratoriais de apoio à intervenção médico-legal.
II - Traumatologia médico-legal
1 - Agentes traumáticos e lesões que provocam. Tipologia das lesões provocadas por:
1.1 - Instrumentos mecânicos (natureza: contundente, cortante, perfurante e mista);
1.2 - Agentes físicos (calor, frio, electricidade e radiações);
1.3 - Agentes químicos (ácidos e bases);
1.4 - Agentes báricos;
1.5 - Armas de fogo.
2 - Lesões resultantes de acidentes de viação.
3 - Lesões resultantes de desastres de massa.
4 - Lesões resultantes de violência no meio familiar: síndromes da criança e mulher seviciadas.
III - Clínica médico-legal
1 - Ofensas à integridade física:
1.1 - Conceito;
1.2 - Crimes contra a integridade física: tipos legais;
1.3 - Materialidade da prova em casos de ofensas à integridade física: sua importância e efeitos no âmbito do direito penal e direito civil.
2 - Principais situações clínicas com implicações médico-legais:
2.1 - Traumatismos voluntários: agressões, automutilações e tentativas de suicídio;
2.2 - Traumatismos involuntários: acidentes e agressões.
3 - Elaboração de relatórios de clínica médico-legal:
3.1 - Clínica médico-legal do direito penal;
3.2 - Clínica médico-legal da reparação do dano em direito civil;
3.3 - Importância da informação clínica na elaboração dos relatórios médico-legais.
4 - Âmbito da intervenção do médico não perito:
4.1 - Identificação das situações com implicações médico-legais;
4.2 - Recolha da informação relevante;
4.3 - Avaliação e registo das lesões e sua evolução;
4.4 - Utilização de conceitos médico-legais;
4.5 - Elaboração de relatórios e conclusões para fins médico-legais;
4.6 - Colaboração com outras entidades: institutos de medicina legal, peritos, autoridades judiciárias e órgãos de polícia criminal.
IV - Sexologia forense
1 - Situações em que habitualmente são requisitados exames sexuais.
2 - Situações menos comuns em que se podem justificar exames sexuais.
3 - Crimes sexuais: tipos e pressupostos legais.
4 - Normas para execução de exames sexuais.
5 - Relatório de exames sexuais: interpretação dos termos e locuções mais frequentemente utilizados nesta matéria.
V - Tanatologia forense
1 - Conceito de morte somática, intermédia e absoluta.
2 - Diagnóstico da morte: sinais de ausência de vida e positiva de morte. Importância de uns e de outros. Critérios de morte cerebral.
3 - Disposições legais quanto à colheita de tecidos e órgãos para fins terapêuticos e relativas à lícita dissecação de cadáveres para fins de ensino e investigação científica.
4 - Verificação do óbito e preenchimento do respectivo certificado.
5 - Autópsia médico-legal:
5.1 - Situações obrigatórias de autópsia médico-legal;
5.2 - Autópsia médico-legal completa e exames complementares de autópsia;
5.3 - Técnica geral e técnicas especiais ou particulares;
5.4 - Objectivos gerais e particulares da autópsia;
5.5 - Elaboração dos relatórios de autópsia;
5.6 - Autópsia branca e autópsia negativa.
6 - Morte violenta:
6.1 - Tipologia, causas e mecanismos;
6.2 - Morte por acidente: etiologia, epidemiologia e tipologia;
6.3 - Morte por suicídio: etiologia, epidemiologia e meios mais frequentemente utilizados;
6.4 - Morte por homicídio: definição e meios mais frequentemente utilizados;
6.5 - Asfixias mecânicas:
6.5.1 - Definição: as asfixias mecânicas como anoxias anóxicas;
6.5.2 - Classificação das asfixias mecânicas: quanto à localização do obstáculo e quanto ao mecanismo da morte;
6.5.3 - Fisiopatologia das asfixias. Sinais gerais e sinais locais;
6.5.4 - As diferentes modalidades de asfixias mecânicas:
Enforcamento;
Estrangulamento;
Esganadura;
Afogamento-submersão e etiologia médico-legal;
6.6 - Morte violenta na criança: etiologia e epidemiologia:
6.6.1 - Infanticídio:
Disposições legais e sua evolução;
Determinação da idade intra-uterina;
Estudo das docimasias;
Morte natural e morte violenta no recém-nascido.
6.7 - O aborto:
6.7.1 - Definição;
6.7.2 - Da exclusão e ilicitude no aborto;
6.7.3 - Aborto precoce e tardio; perícia precoce e tardia;
6.7.4 - Objectos sobre que pode recair a perícia;
6.7.5 - Diagnóstico de aborto;
6.7.6 - Diagnóstico de certeza de aborto provocado.
7 - Morte súbita:
7.1 - Conceitos;
7.2 - Implicações médico-legais;
7.3 - Etiologia, causas determinantes e ocasionais intrínsecas;
7.4 - Morte súbita no adulto: etiologias mais frequentes e importância da autópsia;
7.5 - Morte súbita no lactente: incidência, frequência e importância da autópsia médico-legal.
8 - Morte por inibição:
8.1 - Definição;
8.2 - Importância e problemas diagnósticos.
VI - Bioantropologia forense
1 - Investigação de paternidade:
1.1 - Estabelecimento de filiação;
1.2 - Leis de transmissão de caracteres genéticos e sua aplicação nos casos de investigações;
1.3 - Sistemas de marcadores genéticos utilizados nos exames de investigações de paternidade;
1.4 - Interesse médico-legal dos exames de investigação de paternidade.
2 - Identificação médico-legal:
2.1 - Noções elementares de medicina dentária forense, osteometria e somatometria; sua aplicação prática;
2.2 - Classificação dentária universal e realização de odontogramas;
2.3 - Relevância das informações somatométricas das fichas habitualmente utilizadas na prática clínica;
2.4 - Noções elementares sobre impressões digitais;
2.5 - Estudo de manchas e outros vestígios;
2.6 - Outros elementos de identificação médico-legal.
VII - Toxicologia forense
1 - Conceito de veneno e tóxico.
2 - Situações de interesse médico-legal:
2.1 - Crimes de homicídio e de ofensas corporais com utilização de veneno: pressupostos legais;
2.2 - Suicídios por ingestão;
2.3 - Intoxicações acidentais;
2.4 - Condução sob a influência do álcool ou de substâncias estupefacientes e psicotrópicas;
2.5 - Toxicomanias;
2.6 - Doping.
3 - Intervenção médica no âmbito da toxicologia médico-legal:
3.1 - Em articulação com os serviços médico-legais;
3.2 - Na medicina de controlo:
3.2.1 - Medicina do trabalho: intoxicações profissionais;
3.2.2 - Medicina do tráfego: álcool e substâncias estupefacientes e psicotrópicas;
3.2.3 - Medicina desportiva: doping.
3.3 - Modelos de requisição de exames toxicológicos e de protocolos de exames clínicos em casos de exames de controlo.
4 - Intoxicações mais frequentes (etiologia, fisiopatologia, clínica e exames toxicológicos):
4.1 - Medicamentos;
4.2 - Álcool etílico;
4.3 - Monóxido de carbono;
4.4 - Pesticidas.
VIII - Psiquiatria forense
1 - Conceito e âmbito da psiquiatria forense.
2 - Conceitos de responsabilidade, culpabilidade e imputabilidade penal.
3 - Artigos do Código Penal e do Código de Processo Penal com especial relevância no domínio da psiquiatria forense.
4 - Situações em que habitualmente são solicitados exames mentais - no foro penal e no foro cível.
5 - Principais incidências médico-legais dos grandes grupos nosológicos psiquiátricos.
6 - Conceito de inimputabilidade em razão de anomalia psíquica, de perigosidade e de internamento.
Medidas de segurança. Internamento compulsivo por anomalia psíquica.
Avaliação clínico-psiquiátrica.
ANEXO N.º 3 — Modelo de diploma a que se refere o artigo 64.º, n.º 2
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