Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça n.º 7/2025 — «1 ― O apuramento do capital devido ao segurado, ao abrigo do contrato de seguro desportivo, por situação de invalidez…

Tipo Acordao-Supremo-Tribunal-Justica
Publicação 2025-05-13
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Supremo Tribunal de Justiça
Fonte DRE
artigos Não indexado

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«1 ― O apuramento do capital devido ao segurado, ao abrigo do contrato de seguro desportivo, por situação de invalidez permanente parcial, nos termos do artigo 16.º, alínea d), do Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12 de janeiro ― determinado em função do grau de incapacidade fixado e tendo como parâmetro o montante mínimo de capital previsto no citado artigo 16.º, atualizado nos termos do artigo 18.º (ou superior, se contratualmente acordado) ―, resulta da multiplicação da percentagem do grau de incapacidade fixado pelo montante desse capital, independentemente do valor do dano efetivo sofrido pelo lesado. 2 ― A cobertura do contrato de seguro mencionado no ponto 1 não abrange a reparação dos danos não patrimoniais sofridos pelo segurado».

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V - A imposição da contratação do seguro desportivo obrigatório (art. 2.º do DL n.º 146/93, de 26-04) radica na necessidade de garantir que os praticantes desportivos e outros agentes por ele abrangidos disporão de recursos financeiros para custear as despesas em que incorram com tratamentos ocasionados por lesões decorrentes do desporto ou assegurar-lhes o pagamento de um valor em caso de óbito ou invalidez permanente. Trata-se de um seguro que visa acautelar a responsabilidade objectiva inerente à actividade desportiva.

VI - Resultando da interpretação do clausulado de um contrato de seguro de acidentes pessoais ocasionados pela prática desportiva que a determinação do quantitativo da atribuição patrimonial devida à pessoa segura se acha estritamente correlacionada com o grau de invalidez de que aquela ficou a padecer em consequência do sinistro, é forçoso considerar que, para a determinação da importância a liquidar pela recorrida, não deve o intérprete ater-se nos critérios usualmente empregues na jurisprudência para fixar a indemnização pelos danos patrimoniais decorrentes da incapacidade permanente, tanto mais que não nos encontramos no domínio da obrigação a responsabilidade civil por factos ilícitos (n.º 1 do art. 483.º e art. 562.º, ambos do CC) e que essa atribuição patrimonial é uma mera decorrência do funcionamento desse contrato, desprovida de natureza indemnizatória e impassível de autonomização face à prestação de suportação de risco a cargo da seguradora.

VII - Situando-se a incapacidade de que o recorrente passou a sofrer em consequência do sinistro em 15 % e posto que, nos termos clausulados, a atribuição da totalidade do capital seguro dependia da verificação de uma invalidez permanente de grau igual ou superior a 66 %, é da mais elementar justiça que a atribuição patrimonial a cargo da recorrida diste significativamente da integralidade do capital seguro, inexistindo motivos para censurar a fixação do seu quantitativo em termos proporcionais.

VIII - Tendo o seguro referido em VI sido celebrado por uma associação de futebol e não por um ente federativo, o DL n.º 146/93 não lhe é, sem mais, irrestritamente aplicável, sendo certo que, em todo o caso, a circunstância de o seguro desportivo obrigatório ficar aquém da previsão do seu art. 4.º não determina a nulidade da cláusula ou do contrato de seguro em que ela se insira mas antes a responsabilização da tomadora do seguro firmado nessas condições nos precisos termos em que a seguradora responderia se esse ajuste houvesse respeitado os ditames desse preceito (art. 10.º desse diploma).

IX - O propósito legislativo subjacente à criação do seguro desportivo obrigatório não implica que sejam, nesse âmbito, compensáveis os danos não patrimoniais sofridos pelo segurado, o que, aliás, não é reconhecido no art. 4.º do DL n.º 146/93.

X - Respeitando a franquia constante do contrato de seguro referido em VI aos sinistros que apenas dêem lugar ao pagamento de despesas de tratamento e repatriamento, é de considerar que a redução da atribuição patrimonial que a mesma opera não tem aplicação quando esteja em causa a fixação do quantitativo devido pela seguradora em função do grau de invalidez.”

É de referir que, neste caso, o regime jurídico aplicável foi o contido no Decreto-Lei n.º 146/93, de 26 de abril, mas a argumentação poderá ser transposta para o regime atualmente vigente.

“I - Se para fundar a responsabilidade das seguradoras demandadas o autor invocou na petição inicial um contrato de seguro em regime de co-seguro que vincula todas elas, não fazendo a mínima alusão a um outro contrato de seguro, com âmbito de cobertura diferente, que houvesse sido celebrado apenas com uma delas, e não tendo alterado validamente a causa de pedir no decurso da acção, não pode em sede de recurso invocar como fundamento dos seus pedidos a apólice deste último contrato.

II - No cálculo da indemnização devida por incapacidade permanente resultante dum acidente desportivo será de atender às normas constantes da apólice de seguro de grupo que fora celebrado entre a Associação de Futebol de CC e as seguradoras demandadas, ao abrigo do DL n.º 146/93, de 26/4, diploma que veio estabelecer os termos da reparação dos acidentes sofridos por um atleta amador no exercício da actividade desportiva, e regulamentado pela Portaria n.º 757/93 de 26 de Agosto, quanto à fixação dos capitais mínimos obrigatórios para o seguro desportivo, nas suas várias modalidades.”

Neste caso, estava previsto, nas condições particulares do contrato, para além do mais, que “[s]e o grau de invalidez permanente for [...] inferior a 66 %, será paga à Pessoa Segura uma indemnização na proporção do respectivo grau de invalidez permanente” e “[s]e o grau de invalidez permanente for igual ou superior a 66 %, será considerado exclusivamente para efeitos de indemnização um grau de invalidez de 100 %, sendo pago à Pessoa Segura a totalidade do capital seguro previsto para a respectiva cobertura”, tendo a Relação considerado que o valor a arbitrar a título de invalidez permanente se devia encontrar procedendo a um cálculo aritmético que fizesse equivaler a IPP de 66 % à totalidade do capital garantido.

Foi neste contexto factual que o STJ, no mencionado acórdão, sem expressamente se pronunciar sobre a questão decidenda no âmbito do presente RUJ, deixou escrito: “Argumenta ainda que no artigo 37.º da sua petição inicial refere a fórmula de cálculo da indemnização devida por incapacidade permanente resultante dum acidente e que é proposta pela Relação de Coimbra no seu acórdão de 04 de Abril de 1995, publicado na Colectânea de Jurisprudência, ano XX, tomo II, pág. 23. Mas esta argumentação também improcede, pois trata-se de doutrina aplicável em sede de acidente de viação, onde a questão da reparação da incapacidade permanente se coloca em termos muito diferentes. Na verdade, estando-se perante um acidente ocorrido no âmbito da prática desportiva como atleta amador, cuja reparação está definida no DL n.º 146/93, de 26 de Abril, regulamentado pela Portaria n.º 757/93 de 26 de Agosto, quanto à fixação dos capitais mínimos obrigatórios para o seguro desportivo, nas suas várias modalidades, não pode deixar de se aplicar as regras constantes do contrato de seguro titulado pela apólice de n.º ... que foi celebrado, ao abrigo destes diplomas legais, entre a Associação de Futebol de CC e as seguradoras DD, II, S. A., actual GG, EE-…, e a FF, e que prevê regras próprias para se proceder ao cálculo da indemnização que corresponde a uma incapacidade permanente resultante de um tal acidente. Por isso a mencionada doutrina não pode ser transposta para o presente caso, pelo que improcede esta questão.”

“I - O contrato de seguro desportivo obrigatório regulado no DL n.º 10/2009, de 12-01, pelo menos nas vertentes de cobertura do risco por morte e por invalidez permanente, absoluta ou parcial, assume a natureza de um contrato de seguro de acidentes pessoais inerentes a atividade desportiva.

II - Nessa base, tal contrato pode garantir prestações de valor predeterminado não dependente do efetivo montante do dano e prestações de natureza indemnizatória, conforme o preconizado no n.º 2 do art. 175.º da Lei do Contrato de Seguro (LCS) aprovada pelo DL n.º 72/2008, de 16-04.

III - Assim, as coberturas dos montantes mínimos de capital devido por morte ou por invalidez permanente, absoluta ou parcial, estabelecidas, respetivamente, nas als. a), c) e d) do art. 16.º do DL n.º 10/2009, devem ser configuradas como prestações de capital predeterminadas em função exclusiva da natureza dessas lesões e do grau de incapacidade fixado no caso de invalidez permanente parcial, independentemente do valor do dano efetivo.

IV - Nesses casos, atender ao valor do dano efetivo, incluindo dos danos não patrimoniais, poderá eclipsar a diferenciação da atribuição patrimonial devida por invalidez permanente absoluta e a devida por invalidez permanente parcial e, no quadro desta, a que for devida em função dos graus de incapacidade fixados, diferenciação essa, de cariz objetivo, que se encontra bem patente no art. 16.º, als. c) e d) do DL n.º 10/2009.

V - Não se afigura, por isso, que as exclusões previstas no art. 6.º desse diploma devam ter um alcance tal que conduzam à obliteração dessa diferenciação legal.

[...]”

Na jurisprudência dos Tribunais da Relação, nesse mesmo sentido, pronunciaram-se diversos arestos16, a saber: RP de 07-04-2016, Processo n.º 335/10.4TTOAZ.P1; RP de 12-10-2020, Processo n.º 6075/15.0T8VNG.P1; RG de 08-07-2020, Processo n.º 489/17.9T8AVV.G1; RP de 24-10-2023, Processo n.º 106/14.9TBARC.P1.

Ainda, especificamente no sentido de que os danos não patrimoniais não deverão ser considerados na determinação do capital devido ao segurado, pronunciou-se o Supremo Tribunal de Justiça nos Acórdãos acima mencionados.

E na jurisprudência dos Tribunais da Relação, para além dos arestos também já acima citados, pronunciaram-se ainda os seguintes Acórdãos17: RL de 12-05-2016, Processo n.º 660/13.2TVLSB.L1-2; RE de 11-04-2019, Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1; RL de 25-03-2021, Processo n.º 2490/15.8T8CSC.L1-2.

3.2 - Por sua vez, no sentido do acórdão fundamento - de que o capital devido ao segurado em caso de invalidez permanente parcial é determinado em função do valor do dano efetivo sofrido pelo lesado, apresentando como limite o capital mínimo legalmente estipulado (ou o capital convencionado, se superior) - pronunciou-se o Supremo Tribunal de Justiça:

“I - A alínea d) do art. 16.º do DL n.º 10/2009, de 12-12, ao estabelecer como montante mínimo de capital para o caso de invalidez permanente parcial “25000 euros, ponderado pelo grau de incapacidade fixado”, deve interpretar-se no sentido de que determina, tão-só, o montante máximo de capital devido pela seguradora.

II - A compensação devida ao segurado deverá atender aos danos não patrimoniais decorrentes de um acidente pessoal inerente à actividade desportiva.

III - As cláusulas constantes das condições gerais ou das condições particulares de uma apólice de seguro desportivo obrigatório por que se estipule que as indemnizações por lesões corporais serão calculadas sem ser tomada em linha de conta a actividade profissional da pessoa segura são nulas por aplicação conjugada do art. 6.º do DL n.º 10/2009, de 12-01, e do art. 294.º do CC.”

Na jurisprudência dos Tribunais da Relação, nesse mesmo sentido, pronunciou-se o Acórdão da RG de 03-10-2019, Processo n.º 225/17.0T8CBC.G1 19;

E, no sentido da atendibilidade dos danos não patrimoniais (com o mencionado limite máximo), pronunciaram-se os seguintes Acórdãos do STJ:

“I - O acidente sofrido pelo autor quando jogava futebol nas instalações da 1.ª ré está coberto pelo contrato de seguro celebrado com a 2.ª ré, cujo objecto abrange a actividade desportiva explorada pela tomadora do seguro nas infra-estruturas públicas - art. 5.º do DL n.º 1/2009, de 12-01.

II - O valor de € 12 500 mostra-se adequado a compensar os seguintes danos não patrimoniais, em consequência da rotura do tendão de Aquiles: o autor teve dores e traumatismos psíquicos, a saber, sujeição a exames e tratamentos, a internamento hospitalar, a imobilização em casa com a perna engessada, a prejuízo estético, a perda de capacidade e a perda de alegria de viver.

III - O valor de € 12 713,33 mostra-se adequado a indemnizar os seguintes danos patrimoniais: (i) o autor ficou com défice funcional de 3 pontos; (ii) as sequelas são impeditivas do exercício da sua actividade profissional habitual ou de outra na área de preparação técnico-profissional; (iii) exigem esforços acrescidos em tarefas não laborais; (iv) atenta a sua idade, o autor tem período previsível de vida de cerca de 36 anos; (v) suportou os valores de € 106,18 em medicação, € 60, em consulta de ortopedia, € 8,36 em relatórios clínicos e de alta, € 160,18 em consulta de ortopedia e medicação e € 150 em relatório de avaliação da incapacidade.”

“I - Os danos sofridos pelo autor encontram-se incluídos no âmbito de cobertura do contrato de seguro celebrado entre a seguradora e o 2.º réu.

II - A posição da recorrente da exclusão do seguro dos danos sofridos pelo autor não é correcta, não só porque contraria os termos da cobertura do seguro imposta pelo DL n.º 10/2009, de 12-01, mas, também, porque dos próprios termos do contrato celebrado pelas partes, a sua responsabilidade não poderá ser excluída, estando, antes, claramente aí incluída.”

Na jurisprudência dos Tribunais da Relação, pronunciaram-se, nesse mesmo sentido, os seguintes Acórdãos 23: RC de 08-09-2009, Processo n.º 165/06.8TBGVA.C1 (este no âmbito do antecedente Decreto-Lei n.º 146/93); RL de 09-07-2014, Processo n.º 1118/2002.L1-2 (este no âmbito do antecedente Decreto-Lei n.º 146/93); RG de 08-10-2015, Processo n.º 1449/11.9TJVNF.G1 (este no âmbito do antecedente Decreto-Lei n.º 146/93); RE de 22-10-2015, Processo n.º 42/11.0TBFZZ.E1 (este no âmbito do antecedente Decreto-Lei n.º 146/93); RG de 01-02-2018, Processo n.º 4575/15.1T8BRG.G1; RG de 03-10-2019, Processo n.º 225/17.0T8CBC.G1; RG de 28-11-2019, Processo n.º 2541/17.1T8BCL.G1; RG de 14-05-2020, Processo n.º 641/11.0TBCMN.G1; RE de 30-01-2020, Processo n~8818/17.9T8STB.E1.

4 - Feita a mencionada resenha cumpre apreciar e tomar posição.

Será a prestação garantida pelo art. 16.º, al. d), do Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12 de janeiro, uma prestação que, atendendo ao grau de incapacidade fixado, tem como parâmetro de cálculo um valor predeterminado ou, ao invés, o efetivo montante do dano?

4.1 - A fixação do sentido e alcance da norma em análise depende necessariamente do resultado da atividade interpretativa desenvolvida a seu respeito.

Para tanto, há que lançar mãos dos fatores hermenêuticos previstos no art. 9.º do CC24, apelando aos elementos gramatical, teleológico (consistente no fim visado pelo legislador ao elaborar a norma), sistemático (que compreende a consideração das outras disposições que formam o complexo normativo em que se integra a norma interpretanda) e histórico (que abrange elementos relativos à história do preceito, desde logo a história evolutiva do regime em causa) 25. De acordo com o comando previsto no art. 9.º do CC, há que partir da letra da lei - do seu enunciado linguístico - para perscrutar o pensamento (espírito) que lhe está subjacente, funcionando o elemento gramatical simultaneamente como limite, uma vez que não pode ser considerado como compreendido entre os sentidos possíveis da lei o pensamento legislativo “que não tenha na letra da lei um mínimo de correspondência verbal, ainda que imperfeitamente expresso” (n.º 2 do art. 9.º do CC) 26.

4.2 - No caso, o elemento gramatical da lei, aponta, a nosso ver, e de modo muito incisivo, no sentido da interpretação acolhida no acórdão recorrido, ajustando-se, quanto a nós de forma clara, ao entendimento de que a atribuição patrimonial da seguradora deverá ser calculada tendo por referência um coeficiente numérico - que materializa a ponderação do grau de incapacidade fixado - multiplicado pelo valor do capital garantido pela apólice a que se reporta o art. 16.º (€25.000,00, atualizável nos termos do art. 18.º, ou superior, se convencionalmente acordado).

Com efeito:

Está em causa o sentido a atribuir ao segmento “ponderado pelo grau de incapacidade fixado” a que se reporta a alínea d) do citado art. 16.º

Podemos dizer que, entre outros sentidos que não relevam ao caso, grau é “uma unidade de medida” 27, ou “cada uma das partes em que se divide uma escala” 28, ou, em medicina, “a gravidade relativa da lesão” 29.

O grau de incapacidade, em sentido corrente ou no que a ele, habitualmente, se associa, designadamente pelo cidadão normal, medianamente instruído e sagaz, é a medida da falta de capacidade, medida essa representada por uma expressão numérica.

E é também o que resulta da utilização, pelo art. 16.º do RJCSD, do conceito de “invalidez”, o qual nos remete para o conceito previsto no Decreto-Lei n.º 187/2007, de 10.05 30, diploma que define e regulamenta o regime jurídico de proteção nas eventualidades de invalidez e velhice do regime geral de segurança social, em que tal terminologia é utilizada, nele se ponderando os graus de incapacidade em função de um determinado coeficiente numérico, conforme infra melhor se explicitará.

Por fim, se tivesse sido outro o entendimento do legislador, certamente que outra seria a redação da norma, designadamente dizendo-se que na invalidez permanente parcial a atribuição do capital seria feita em função da ponderação do dano efetivo, sendo certo que dano efetivo e incapacidade são realidades distintas, sendo aquele mais amplo do que esta.

Em suma, afigura-se-nos que o elemento literal - “grau de incapacidade fixado” previsto no art. 16.º, al. d) - não pode deixar de estar associado aos mencionados conceitos de invalidez /incapacidade e a uma representação numérica (grau), numa escala de 0 a 100 (sendo que 100 corresponde à invalidez absoluta), determinando tal preceito que a ponderação seja feita tendo em conta esse coeficiente/grau de incapacidade e, não, outros fatores relativos ao dano efetivo, traduzindo uma ponderação proporcional e objetiva, em função desse concreto grau de incapacidade aplicado ao montante máximo de capital garantido em caso de invalidez absoluta (que é igual ao da morte).

No sentido da interpretação que preconizamos pronuncia-se FRANCISCO RODRIGUES ROCHA 31 ao dizer que “[a] lei é também clara no sentido de que o cálculo do pagamento do capital de €25.000, no caso de invalidez permanente parcial, é feito não em função do efectivo dano, mas do “grau de incapacidade fixado” (artigo 6.º d) do RJSDO), ou seja, por valor predeterminado não dependente do efectivo montante do dano (artigo 175.º/2 do RJCS). À mesma conclusão chegamos em caso de morte ou invalidez permanente absoluta: os capitais são, em ambos os casos, de €25.000 e em nenhum deles se manda ter em conta o montante efectivo do dano: não é necessário o cálculo em função do grau de incapacidade pelo simples facto de estarmos perante eventos que esgotam o capital seguro”.

E, ainda de acordo com elemento literal, acompanhamos também o Acórdão do STJ de 07.11.2019 32, já acima mencionado, quando diz que é “[d]e salientar que o artigo 5.º, n.º 2, alínea a), do Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12-01, tal como o artigo 4.º, n.º 1, alínea a), do antecedente Decreto-Lei n.º 146/93, de 26-04, estabelece a cobertura mínima abrangida pelo seguro desportivo para o pagamento de um capital (sublinhado nosso) por morte ou invalidez permanente, total ou parcial, por acidente decorrente da atividade desportiva, o que se afigura não equivaler, juridicamente, a pagamento de indemnização propriamente dita em função do dano efetivo ainda que limitada àquele capital” 33.

4.2 - Quanto à específica teleologia do contrato de seguro em apreço, sublinha Ana Brilha “preocupação universal das sucessivas Leis de Bases do Desporto, a institucionalização de um sistema de seguro obrigatório visa cobrir os riscos a que estão sujeitos os praticantes desportivos e os demais agentes desportivos procurando garantir a existência de meios financeiros para que aqueles possam fazer face às despesas em que tenham de incorrer com tratamentos ou facultando o pagamento de um valor relativo a morte ou invalidez permanente, total ou parcial.” 34

Segundo o que dispõe o art. 5.º, n.º 1, do RJSDO, “o seguro desportivo cobre os riscos de acidentes pessoais inerentes à respectiva actividade desportiva, nomeadamente os que decorrem dos treinos, das provas desportivas e respectivas deslocações, dentro e fora do território português.”

Inserindo-se no âmbito não vida, a doutrina não é unânime relativamente à qualificação do seguro desportivo: enquanto ANA BRILHA o configura como um misto de seguro de pessoas e de bens - uma vez que visa cobrir danos provocados por eventos que afetam a vida, a saúde ou a integridade física dos agentes desportivos, mas igualmente os riscos derivados de qualquer evento que provoque danos no património do segurado (como é o caso da cobertura de despesas de tratamento e internamento do agente desportivo35) -, PAULO CARDOSO DE MOURA, perspetiva-o como um seguro pessoal ou sobre pessoas. 36 Como sublinha este autor, “os seguros pessoais, também designados como seguros sobre pessoas, têm como objectivo cobrir os riscos que incidam sobre a integridade física ou corporal das pessoas, sendo fundamentalmente seguros de capitais, o que significa que a indemnização não é calculada em função do dano concreto.” 37

FRANCISCO RODRIGUES ROCHA salienta que se trata “de um seguro próximo do de acidentes de trabalho, de tal modo que o artigo 13.º da versão originária do RJSDO previa em relação àquele a sua natureza complementar. Todavia, com ele não se confunde: um agente desportivo (artigo 7.º do RJSDO) não tem de estar ligado ao tomador do seguro desportivo - v. g. uma federação - por um contrato de trabalho e, consequentemente coberto pelo correspondente seguro de acidentes; o mesmo vale para um praticante desportivo no regime de alto rendimento.” 38 39

E, segundo o mesmo autor, que alinha pela tese defendida pelo acórdão recorrido, o seguro desportivo assume uma natureza mista ou híbrida, compreendendo, quanto ao capital devido por morte ou invalidez permanente, absoluta ou parcial, de prestações de valor predeterminado, não dependentes do montante efetivo do dano, características dos seguros de capitais e abrangido pelos arts. 175.º e 210.º da LCS, e prestações indemnizatórias, características dos seguros de danos (no caso de despesas de funeral, de tratamento e repatriamento) 40.

A nosso ver, o elemento teleológico da norma compagina-se com uma e outra tese. Cremos que a justificação social da lei41 que criou um seguro desportivo, a que acima já se fez referência - e que diretamente se prende com a garantia de meios financeiros ao lesado, através do mecanismo de socialização do risco - admite a liquidação por parte da seguradora de um capital seguro calculado por qualquer uma das formas.

Com efeito, não acompanhamos o argumento, que se encontra subjacente ao acórdão fundamento, de que o elemento teleológico impõe uma interpretação da norma em causa no sentido de que o apuramento do montante de capital devido ao segurado seja determinado pela extensão do dano. E isto porque a interpretação contrária - de que o cálculo daquele montante tem como parâmetro referencial o montante de capital estabelecido para o caso de invalidez permanente parcial - não deixa o lesado numa situação de ausência de tutela. Esta é conferida em função, e de modo proporcional, ao concreto grau de incapacidade tendo como referência o capital máximo previsto para uma situação de invalidez absoluta, ou seja, de incapacidade absoluta, de 100 % (ou morte), não deixando o beneficiário totalmente desprotegido, correspondendo a medida da proteção, de forma objetiva e proporcional, à medida da sua incapacidade tendo como referência o limite do capital máximo que o legislador entendeu ser o devido para os casos de maior gravidade (morte ou invalidez permanente absoluta).

4.3 - Já quanto ao elemento sistemático, assume ele, a par do elemento gramatical, um caráter decisivo na obtenção de um resultado interpretativo útil nesta sede.

Como destaca Oliveira Ascensão, a interpretação deve ter em conta “a unidade do sistema jurídico” (art. 9/1 do Código Civil). Repetidamente acentuámos já que toda a fonte se integra numa ordem, que a regra é modo de expressão dessa ordem global. Por isso a interpretação duma fonte não se faz isoladamente, quiçá atendendo a um texto como se fosse válido fora do tempo e do espaço. Resulta pelo contrário da inserção desse texto num contexto dado.” 42

Ora, o âmbito das relações que se estabelecem entre as normas, perfilam-se as relações de conexão. Com efeito, “nenhum preceito pode ser interpretado isoladamente do contexto. É natural que cada trecho duma lei surja como um momento do desenrolar lógico dum plano; não se presume colocado casualmente dentro daquele conjunto. Cada número dum artigo só é compreensível se o situarmos perante todo o texto do artigo, cada artigo perante os que o antecedem ou imediatamente o seguem. Atender ao contexto é situar uma disposição.” 43

PIRES DE LIMA E ANTUNES VARELA salientam o contributo dos “lugares paralelos”, que compreendem as disposições reguladoras de problemas ou institutos afins dos disciplinados pela norma cujo sentido se pretende fixar, afirmando que “sempre que aquelas disposições sejam mais claras e explícitas do que esta norma, nada impede que as utilizemos como elemento de interpretação, pois é de presumir que o legislador seja uma pessoa coerente, que para problemas afins ou análogos, consagre disciplinas afins ou análogas também” 44.

A utilização do termo “invalidez” nas alíneas c) e d) do artigo 16.º do RJCSD não pode, pois, ser interpretada sem ter presente o conceito de invalidez previsto no já acima citado Decreto-Lei n.º 187/2007, de 10.05, que, como vimos, define e regulamenta o regime jurídico de proteção nas eventualidades de invalidez e velhice do regime geral de segurança social, em que tal terminologia é utilizada, e nos termos do qual:

Ou seja, serve o referido para daí se concluir que os graus de incapacidade que integram o conceito de invalidez são expressos por um determinado coeficiente numérico, fazendo-se a ponderação em função dos mesmos.

Por outro lado, a fixação do sentido interpretativo do segmento “ponderado pelo grau de incapacidade” da alínea d) do artigo 16.º do RJCSD não pode deixar de ter em conta o que, como tal e com esse sentido, é utilizado em legislação conexa ou com alguma proximidade ao RJCSD, tendo em conta a unidade e harmonia da ordem jurídica e da sua terminologia.

Reportamo-nos, concretamente, ao regime jurídico em matéria de reparação dos danos emergentes de acidente de trabalho, aprovado pela Lei n.º 98/2009, de 04.09 (regime geral), que sucedeu à Lei n.º 100/97, de 13.09 e, esta, à Lei n.º 2127, de 03.08.65, e aos regimes específicos de acidentes de trabalho dos praticantes desportivos profissionais, então constante da Lei n.º 27/2011, de 16.06 (bem como da Lei n.º 48/2023, de 22.08, que lhe sucedeu), e dos trabalhadores independentes constante do Decreto-Lei n.º 159/99, de 11.05.

Em todos eles, tal como nos regimes que os antecederam, visa-se o risco do exercício de uma determinada atividade, em todos foi instituído um regime de seguro obrigatório e, no que ora importa, em todos eles a reparação assenta num determinado grau de incapacidade numericamente expresso e avaliado de acordo com a Tabela Nacional de Incapacidades (TNI) respetiva (aprovada pelo Decreto-Lei n.º 352/2007, de 2007, de 23.10, Anexo I, diploma que também aprovou a Tabela Indicativa para a Avaliação da Incapacidade em Direito Civil - Anexo II). Como decorre do art. 21.º da citada Lei n.º 98/2009, embora reportada aos acidentes de trabalho: “1 - O grau de incapacidade resultante do acidente define-se, em todos os casos, por coeficientes expressos em percentagens e determinados em função da natureza e da gravidade da lesão, do estado geral do sinistrado, da sua idade e profissão, bem como da maior ou menor capacidade funcional residual para o exercício de outra profissão compatível e das demais circunstâncias que possam influir na sua capacidade de trabalho ou de ganho. 2 - O grau de incapacidade é expresso pela unidade quando se verifique disfunção total com incapacidade permanente absoluta para todo e qualquer trabalho. [...].3 - O coeficiente de incapacidade é fixado por aplicação das regras definidas na tabela nacional de incapacidades por acidentes de trabalho e doenças profissionais, em vigor à data do acidente. [...]”.

E, também de acordo com a avaliação do dano em direito civil este é, nos termos da respetiva Tabela (Anexo II ao Decreto-Lei n.º 352/2007), graduado por pontos, ou seja, traduzindo uma representação numérica da incapacidade.

4.4 - Acresce que, neste conspecto, e como fez notar o acórdão do STJ de 07-11-2019 45, a interpretação da norma em causa nos moldes defendidos pelo acórdão fundamento redundaria na anulação da diferenciação legalmente estabelecida entre a atribuição patrimonial devida pela seguradora em situação de invalidez permanente absoluta e a devida em caso de invalidez permanente parcial e, no quadro desta, entre as exigíveis em função dos diversos graus de incapacidade fixados.

Com efeito, a adoção de tal entendimento permite que um lesado que apresente uma invalidez permanente absoluta venha a receber da seguradora um capital igual a outro lesado que apresente um grau de invalidez permanente substancialmente mais baixo, determinativo, de forma típica, de um dano patrimonial efetivo inferior.

A interpretação normativa propugnada pelo acórdão fundamento para além de, em nossa perspetiva, desconsiderar a imprescindível unidade do sistema jurídico, poderá bulir com o princípio da igualdade na aplicação do direito, que, como sublinha Gomes Canotilho 46, é uma das dimensões básicas do princípio da igualdade constitucionalmente garantido (art. 13.º da CRP). Tal entendimento, segundo cremos, não dá cumprimento à exigência de obtenção de uma igualdade material, tratando de forma igual - através da concessão de valores de capital equivalentes - situações de incapacidade permanente desiguais.

5 - O recorrente argumenta que a solução defendida pelo acórdão recorrido viola “os direitos constitucionalmente protegidos dos praticantes de desporto, nomeadamente o direito à saúde e o direito à integridade física, plasmados no artigo 70.º, n.º 1, do Código Civil, em conjugação com o artigo 25.º, da Constituição da República Portuguesa.”

Anote-se que o princípio da interpretação das leis em conformidade com a Constituição “é fundamentalmente um princípio de controlo (tem como função assegurar a constitucionalidade da interpretação) e ganha relevância autónoma quando a utilização dos vários elementos interpretativos não permite a obtenção de um sentido inequívoco dentre os vários significados da norma. Daí a sua formulação básica: no caso de normas polissémicas ou plurissignificativas deve dar-se preferência à interpretação que lhe dê um sentido em conformidade com a constituição” (J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7.ª edição, Coimbra, Almedina, p. 426);

Ainda que se defenda - não é o nosso caso, como se procurou demonstrar - que a utilização dos vários elementos interpretativos não permite uma obtenção de um sentido inequívoco a respeito do alcance da norma do art. 16.º, al. d), do RJSDO, e se advogue que, nesta situação, o princípio da interpretação conforme a Constituição deverá assumir relevância autónoma, entendemos que a posição sustentada pelo acórdão recorrido neste particular não se revela contrária ao texto ou ao programa do art. 25.º, n.º 1, da CRP.

Sendo insofismável que o direito à integridade física vale contra o Estado, repercutindo-se no plano da legislação, a interpretação normativa que ora se propugna salvaguarda o núcleo irredutível do direito em causa (art. 18.º, n.º 2, da CRP) porque não implica que o praticante desportivo que enfrente uma situação de invalidez permanente parcial fique sem tutela patrimonial. O modo de cálculo de tal tutela, nos termos descritos, ao abstrair-se do quantum do dano efetivamente sofrido, não poderá ser configurado como uma restrição desproporcional ou arbitrária do direito à integridade física do lesado desportivo, tendo em conta que se funda num critério materialmente fundado - supra explicitado - e que a lógica da cobertura em causa escapa ao princípio indemnizatório da ressarcibilidade integral do dano. Isto acontece, de resto, com todos os casos em que, no âmbito do contrato de seguro de pessoas, sejam garantidas prestações de valor predeterminado, não dependentes do efetivo montante do dano, tal como admitido no n.º 2 do art. 175.º do RGCS.

A este propósito, é também de chamar novamente à colação o regime jurídico em matéria de reparação dos danos emergentes de acidente de trabalho, aprovado pela Lei n.º 98/2009, de 04.09, em que, conforme o seu art. 23.º, para além da reparação em espécie (contemplando as prestações necessárias e adequadas ao restabelecimento do estado de saúde e da capacidade de trabalho ou de ganho do sinistrado e da sua recuperação para a vida ativa) 47, se prevê também a reparação em dinheiro (“indemnização” pelas incapacidades temporárias e “pensão anual e vitalícia” ou correspondente “capital de remição”, pelas incapacidades permanentes), esta, porém, limitada ao dano patrimonial decorrente da perda da capacidade de ganho, calculada mediante a aplicação do coeficiente de desvalorização/grau de incapacidade à remuneração anual do sinistrado, com abstração de outras componentes que poderão integrar o dano efetivo, mormente o habitualmente designado dano biológico e os danos não patrimoniais, como decorre dos arts. 19.º, 20.º, 21.º, 23.º, alínea b) e 48.º da citada Lei.

E só assim não será nos casos em que, conforme o seu art. 18.º, n.º 1, o acidente de trabalho haja sido provocado pelo empregador (ou demais entidades referidas no preceito) ou resultar de falta de observação, pelos mesmos, das regras sobre segurança e saúde no trabalho, situações em que “a responsabilidade individual ou solidária pela indemnização abrange a totalidade dos prejuízos, patrimoniais e não patrimoniais, sofridos pelo trabalhador e seus familiares, nos termos gerais”, isto é, caindo no âmbito da responsabilidade civil extracontratual por facto ilícito prevista no domínio do Código Civil 48 e na qual não se enquadra o regime previsto no RJSDO.

Igualmente o regime jurídico da reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho dos praticantes desportivos profissionais então constante da Lei n.º 27/2011, de 16.06 (bem como da Lei n.º 48/2023, de 22.08, que lhe sucedeu), prescindem, no cálculo da reparação, da consideração do dano efetivo, atendendo apenas a fórmulas aritméticas tendo por base o grau/percentagem de incapacidade.

E assim também no âmbito do seguro obrigatório de acidentes de trabalho para os trabalhadores independentes, regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 159/99, de 11.05.

Em suma, serve o referido para salientar, por um lado, que o uso da expressão, “ponderação pelo grau de incapacidade fixado”, se prende, nos regimes jurídicos apontados, com um concreto coeficiente (numérico) de incapacidade, não se afigurando que outra deva ser a interpretação da expressão no contexto do art. 16.º, al. d), do RJSDO, sob pena de perda da unidade e harmonia da ordem jurídica e da interpretação da terminologia e conceitos legalmente utilizados.

E serve também para demonstrar que a não atendibilidade, pelo art. 16.º, al. d), do RJSDO, de outras componentes do dano que não o grau de incapacidade em que se traduz a invalidez parcial (na terminologia do citado preceito) não constitui regime estranho à ordem jurídica, vigorando igualmente em sede da reparação devida por acidentes de trabalho. Não se pode, igualmente, deixar de notar a alguma afinidade da reparação existente entre os sinistros sofridos pelo praticante desportivo amador e os acidentes de trabalho, designadamente o acidente de trabalho sofrido pelo praticante desportivo profissional.

É certo que a proteção é maior no que respeita aos trabalhadores abrangidos pelo regime legal dos acidentes de trabalho (quer dos trabalhadores em geral, quer dos praticantes desportivos profissionais), diferença que assenta na ratio subjacente ao regime mencionado [dispensando-nos de aprofundar a sua teleologia, a diversidade dos regimes resulta essencialmente da circunstância de o acidente de trabalho ter por base uma relação de trabalho entre o tomador do seguro/ “empregador” e o “trabalhador” beneficiário 49].

Mas, quer no contrato de seguro desportivo, quer no contrato de seguro de acidentes de trabalho, o legislador entendeu ser de conferir a proteção dos danos decorrentes do sinistro tendo em conta o “grau de incapacidade”.

E, em ambos os casos o legislador abstraiu do dano efetivo, ainda que partindo de bases de cálculo distintas: no RJCSD tendo por base um capital previamente definido (no montante que teve por adequado), e, nos regimes dos acidentes de trabalho, tendo por base a remuneração do trabalhador (e uma dilatação no tempo da reparação por via do estabelecimento de uma pensão vitalícia ou, em substituição, de um capital de remição - cf. arts. 48.º, n.º 3, al. alínea c) e 75.º da Lei n.º 98/2009 50).

Por fim, pelas mesmas razões, também entendemos que a interpretação em causa não provoca o esvaziamento do objeto do contrato de seguro, vedada pelo art. 6.º do RJSDO, sendo a reparação pela incapacidade maior ou menor em consonância, e de modo objetivamente proporcional, ao grau dessa incapacidade e tendo como referência, em ambos os casos, a situação mais grave, de invalidez permanente absoluta (e morte) 51.

6 - Cremos, em suma, que a revelação do sentido da norma constante da alínea d) do art. 16.º do RJSDO, a partir dos elementos de interpretação - especialmente dos seus elementos gramatical e sistemático - aponta para que a atribuição patrimonial a cargo da seguradora seja contabilizada através de um cálculo, de cariz objetivo e desprovido de natureza indemnizatória.

Note-se ainda que, no âmbito do seguro desportivo obrigatório em apreço, a atribuição do capital não depende de o dano ter sido causado por facto ilícito e culposo de outrem, bastando, para acionar o seguro, que tenha ocorrido um acidente pessoal inerente aos riscos decorrentes da prática da atividade desportiva (cf. art. 5.º, n.º 1, do RJSDO).

O direito ao capital seguro não assenta, pois, na responsabilidade civil extracontratual, de onde decorra a ressarcibilidade do dano efetivo, mas sim na responsabilidade contratual emergente do contrato de seguro (obrigatório), nos moldes neste previstos (sem prejuízo de as entidades obrigadas à contratação do seguro responderem nos moldes previstos no RJCSD em caso de incumprimento dessa contratação - art. 20.º).

A este propósito, são pertinentes as seguintes considerações de Francisco Rodrigues Rocha 52:

“[...] no seguro desportivo não é a responsabilidade que é coberta, que pode nem existir. [...]. Contribui, ainda, ao entendimento a que nos opomos a confusão frequente entre responsabilidade civil e seguro. [...]. O problema reside, sim, em transpor-se, sem mais, para o seguro uma regra da responsabilidade civil. O seguro é um contrato, com base no qual, verificado o sinistro, se constitui na esfera do segurador um dever de “realizar a prestação convencionada (artigo 1.º do RJCS), que é um dever primário de prestar, não secundário de indemnizar. [...].

É por fim importante para compreender a tese contrária, ter em conta a dimensão sinépica do problema. Se o virmos doutro prisma, notamos que os tribunais portugueses procedem, na verdade, a correcções. Em causa está, as mais das vezes, a cobertura do risco de invalidez permanente parcial - em geral variável mas via de regra abaixo de 15 % [...]. A forma de cálculo da prestação segura pela referida invalidez leva a que os lesados percebam um montante relativamente parco, em comparação com o que receberiam caso fosse a prestação da seguradora de jaez indemnizatório. [...]. É verdade que os mínimos legais são, passe a redundância, mínimos, baixos, mas há, todavia, limites para sua correcção. As apólices acolhem e baseiam-se na solução legal. A fonte da injustiça reside, portanto, não na prática seguradora, mas na lei e, consequentemente, no legislador.” [realce a negrito da nossa autoria]

Assim também no Acórdão deste Supremo Tribunal de Justiça de 07.11.2019 (Proc. 654/16) já acima citado, em que se diz: “[p]oderá discutir-se, de jure condendo, se não seria mais adequado ou justo atender ao dano efetivo como fator complementar na fixação da prestação devida, mas o certo é que este fator não foi erigido como critério legal, nem era imperioso que o fosse, tanto mais que o contrato de seguro de pessoas pode garantir prestações de valor predeterminado não dependente do efetivo montante do dano, como se preconiza no artigo 175.º, n.º 2, da LCS.”

Por outro lado, a exclusão da reparação do dano efetivo não é exclusivo do RJSDO. E, tendo em conta a alguma similitude entre os regimes dos acidentes de trabalho dos trabalhadores em geral e dos acidentes de trabalho do praticante desportivo profissional, afigura-se-nos que a não atendibilidade do dano efetivo é a interpretação que melhor se coaduna com a unidade e harmonia do sistema jurídico.

Na verdade, dificilmente se compreenderia que, no âmbito de um acidente de trabalho sofrido por um trabalhador ou, mormente, de um acidente de trabalho desportivo sofrido por desportista profissional, não seja contemplado o dano efetivo (incluindo o dano não patrimonial), mas o seja em acidente desportivo sofrido por desportista amador. Frise-se que, com todo o respeito por entendimento diferente, o eventualmente baixo montante do capital devido em caso de acidente de que resulte uma invalidez permanente parcial, de pequeno grau, não se nos afigura, pelos motivos já expostos, que constitua, à revelia do RJSDO, motivo fundado ou suficiente para diferente interpretação. O baixo montante do capital a receber decorre, como já referido, da menor incapacidade, aliado ao capital mínimo obrigatório previsto no seu art. 16.º para os casos mais graves, sendo-lhe proporcional. Não parece, pois, aceitável que um beneficiário, com uma invalidez permanente parcial menor, pudesse vir a receber, por via da atendibilidade de outros fatores que não o concreto grau de incapacidade, um capital igual ou próximo do capital máximo legalmente previsto àquele que o beneficiário com uma invalidez absoluta, de 100 %, tem direito (sem atendibilidade, pois, de qualquer outro fator que não uma incapacidade de 100 %). E, concretamente no que aos danos não patrimoniais se reporta, que um beneficiário com um grau de incapacidade inferior, possa ser “ressarcido” pelos danos não patrimoniais até ao limite do capital previsto no art. 16.º, mas um beneficiário com uma invalidez permanente absoluta, em que certamente tais danos serão superiores, não o possa ser na medida em que viu atingido o limite máximo desse capital.

Cremos também não ser de acolher o argumento da tese sufragada no acórdão fundamento de que o RJSDO, mormente o citado art. 5.º 53, não faz a distinção ou restrição quanto à natureza dos danos. A atendibilidade do dano consubstanciado apenas no grau/percentagem de invalidez permanente (absoluta e parcial) nos termos que já apontámos, é feita pela conjugação desse art. 5.º com o art. 16.º, preceito este que expressamente estipula as garantias mínimas previstas que são objeto do contrato de seguro a que o n.º 2 do art. 5.º se reporta.

Acresce que se do preâmbulo do Decreto-Lei n.º 10/2009 não resulta a inatendibilidade do dano efetivo, dele também não resulta que este deva ser tido em conta. O que dele decorre é que, visando embora “cobrir os riscos através da instituição do seguro obrigatório”, tal cobertura tem, contudo e apenas, a extensão que o diploma fixou no seu texto, concretamente a prevista no seu art. 16.º, do qual resulta, nos termos já apontados, a exclusão da ponderação do dano efetivo.

Aliás, a própria expressão “dano” não é sequer utilizada seja no texto do Decreto-Lei n.º 10/2009, seja no seu preâmbulo, antes se aludindo apenas aos “riscos” da atividade, à previsão do pagamento de “um capital” [nos montantes fixados nos termos do art. 16.º, als. a), c) e d)] para cobertura dos “riscos de acidentes pessoais”, ao “grau de incapacidade fixado” e a uma ponderação de acordo com esse grau. E, por outro lado, os conceitos de dano e de “capital” não são confundíveis.

O cálculo do capital devido em caso de invalidez parcial deverá, pois, ser unicamente parametrizado pelo montante mínimo de capital previsto no art. 16.º (ou superior, se contratualmente previsto), ponderado o grau de incapacidade fixado ao lesado, sendo-lhe espúria a contabilização do valor do dano patrimonial e não patrimonial efetivo sofrido.

Em suma, acompanhamos o entendimento do Acórdão recorrido e do citado Acórdão do STJ de 07.11.2019 (Processo n.º 654/16) de acordo com o qual a obrigação do pagamento de um capital por morte ou invalidez permanente, total ou parcial, por acidente decorrente da atividade desportiva a que se reportam os arts. 5.º, n.os1 e 2, e 16.º, als. a), c) e d), do RJSDO emerge de «um “contrato de seguro de pessoas” que, nos termos conjugados dos artigos 175.º, n.º 1, e 210.º da Lei do Contrato de Seguro (LCS), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 72/2008, de 16-04, cobre o risco da verificação de lesão corporal, invalidez, temporária ou permanente, ou morte da pessoa segura, por causa súbita, externa e imprevisível. E, conforme se dispõe o n.º 2 do indicado artigo 175.º, tal contrato pode garantir prestações de valor predeterminado não dependente do efetivo montante do dano e prestações de natureza indemnizatória.»

7 - Especificamente quanto à questão da atendibilidade, ou não, dos danos não patrimoniais e da fixação de uma compensação pelos mesmos, agora autonomizada para efeitos de decisão no presente recurso, foi a mesma e, como se viu, objeto de ampla dissensão jurisprudencial:

No sentido da sua atendibilidade, o acórdão fundamento, na linha do que já havia sido defendido pelo mencionado acórdão do STJ de 09-05-201954, sustentou que a lei não distingue entre o dano patrimonial e o dano não patrimonial e que, reconduzindo-se o seguro desportivo a um seguro de acidentes pessoais, os danos corporais são nesta sede considerados como danos não patrimoniais. Acrescentou o acórdão fundamento que, sendo o contrato de seguro omisso sobre o tipo de danos a ressarcir, deve prevalecer o sentido mais favorável ao aderente (in dubio contra proferentem ou contra stipulatorem), mais transcrevendo, em abono, a síntese feita por Francisco Rodrigues da Rocha e que já acima deixámos consignada (no ponto V.2.3.2. do presente acórdão).

Decorre porém do que já acima deixámos exposto, para onde se remete, que a reparação dos danos não patrimoniais não está, ao que cremos, abrangida pela cobertura do contrato de seguro conferida pelos arts. 5.º, n.º 2, e 16.º do RJSDO, apenas se relembrando e salientando, em jeito de síntese:

O entendimento propugnado no acórdão recorrido é, assim, o que mais congruente se afirma com uma interpretação normativa adequadamente valorizadora do princípio da unidade e harmonia do sistema jurídico e do princípio da igualdade, não provocando, como já referido, um esvaziamento do objeto do contrato de seguro proscrito pela norma do art. 6.º do RJSDO, sendo o capital devido, em caso de invalidez permanente parcial, objetivamente proporcional ao grau de incapacidade, nem a violação dos direitos à saúde e à integridade física, consagrados nos arts. 25.º, n.º 1, da CRP e 70.º, n.º 1, do Cód. Civil.

Há, pois e também como já dito, que acompanhar o acórdão do STJ de 07-11-201958 na seguinte asserção: “Poderá discutir-se, de jure condendo, se não seria mais adequado ou justo atender ao dano efetivo como fator complementar na fixação da prestação devida, mas o certo é que este fator não foi erigido como critério legal, nem era imperioso que o fosse, tanto mais que o contrato de seguro de pessoas pode garantir prestações de valor predeterminado não dependente do efetivo montante do dano, como se preconiza no artigo 175.º, n.º 2, da LCS.”

8 - Assim, e em face do que ficou exposto, é de uniformizar a jurisprudência no seguinte sentido:

“1 - O apuramento do capital devido ao segurado, ao abrigo do contrato de seguro desportivo, por situação de invalidez permanente parcial, nos termos do art. 16.º, alínea d), do Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12 de janeiro - determinado em função do grau de incapacidade fixado e tendo como parâmetro o montante mínimo de capital previsto no citado art. 16.º, atualizado nos termos do art. 18.º (ou superior, se contratualmente acordado) -, resulta da multiplicação da percentagem do grau de incapacidade fixado pelo montante desse capital, independentemente do valor do dano efetivo sofrido pelo lesado.

2 - O valor destinado a compensar os danos não patrimoniais sofridos pelo segurado não é considerado na determinação de tal capital.”

9 - Revertendo ao caso concreto, tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a posição adotada pela uniformização efetuada (precedente ponto 8), deverá o mesmo ser confirmado na sua integralidade [tendo o A. sofrido uma invalidez permanente de 2 pontos (numa escala de 100) e sendo de €30.000,00 o capital máximo previsto para a situação de invalidez permanente absoluta, é de €600,00 o capital devido ao Autor/Recorrente em consequência do sinistro sofrido, tal como decidido no Acórdão recorrido].


VI. Decisão

Em face do exposto, acordam os Juízes que constituem o Pleno das Secções Cíveis e Secção Social do Supremo Tribunal de Justiça em:

a)

Confirmar o Acórdão recorrido;

b)

Estabelecer a seguinte uniformização de jurisprudência:

“1. O apuramento do capital devido ao segurado, ao abrigo do contrato de seguro desportivo, por situação de invalidez permanente parcial, nos termos do art. 16.º, alínea d), do Decreto-Lei n.º 10/2009, de 12 de janeiro - determinado em função do grau de incapacidade fixado e tendo como parâmetro o montante mínimo de capital previsto no citado art. 16.º, atualizado nos termos do art. 18.º (ou superior, se contratualmente acordado) -, resulta da multiplicação da percentagem do grau de incapacidade fixado pelo montante desse capital, independentemente do valor do dano efetivo sofrido pelo lesado.

2 - A cobertura do contrato de seguro mencionado no ponto 1 não abrange a reparação dos danos não patrimoniais sofridos pelo segurado.

Custas do presente recurso pelo recorrente.

Notifique e, após trânsito em julgado, remeta certidão do acórdão para publicação na 1.ª série do Diário da República.

1 Observa-se, na redação da autoria da ora relatora, a ortografia constante do novo Acordo Ortográfico.

2 Pronunciando-se no sentido exposto, vejam-se, a título meramente exemplificativo, os seguintes acórdãos do STJ para uniformização de jurisprudência: de 19-09-2019, Proc. n.º 28438/16.4T8LSB.L1.S1-A; de 12-09-2019, Proc. n.º 2146/16.4T8LRA.C2.S1-A; de 19-03-2019, Proc. n.º 6233/10.4TBCSC.L2.S1-A; de 28-03-2019, Proc. n.º 60/13.4TBCUB.E1.S1-A; de 29-01-2019, Proc. n.º 2303/01.8TVLSB.L2.S1-A; e de 10-01-2019, Proc. n.º 1522/13.9TBGMR.G1.S2-A.

3 Abreviatura de Lei do Contrato de Seguro aprovada pelo DL 72/2008, de 16.04.

4 E não, como refere, “danos não patrimoniais”, o que decorre de lapso manifesto como se constata do confronto com o acórdão ora recorrido e respetivas alegações de revista.

5 De referir que a reparação dos danos emergentes de acidente de trabalho sofridos por praticantes desportivos profissionais rege-se pelo regime jurídico constante da Lei n.º 48/2023, de 22.08, que sucedeu à Lei n.º 27/2011, de 16.06.

6 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, p. 296.

7 De referir que, no caso, não está em causa o regime dos arts. 11.º e 17.º, relativos ao seguro do praticante desportivo de alto rendimento.

8 Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1.S1, disponível em: https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442

9 Atualizável nos termos já indicados.

10 Que aprovou o regime jurídico do contrato de seguro, adiante designado por LCS (Lei do Contrato de Seguro).

11 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, pp. 306-307.

12 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, pp. 305-306.

13 Com texto integral disponível em:

https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/-/86F72EF448890B838025802C003C4B79

14 Com texto integral disponível em:

http://www.gde.mj.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/3572ffe2b8215652802581000031d8df?OpenDocument

15 Com texto integral disponível em:

https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442

16 Todos disponíveis em www.dgsi.pt.

17 Todos disponíveis em www.dgsi.pt.

18 Com texto integral disponível em:

https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/38772505767ab0c3802583f5005910ba?OpenDocument

19 Disponível em www.dgsi.pt.

20 Com texto integral disponível em:

https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/-/86F72EF448890B838025802C003C4B79

21 Com texto integral disponível em:

https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/-/2FAD0A9BBC6FE3308025814600553BFB

22 Não publicado.

23 Todos disponíveis em www.dgsi.pt.

24 Abreviatura de Código Civil.

25 João Baptista Machado, Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, Coimbra, Almedina, 1996, pp. 181-184.

26 João Baptista Machado, Introdução ao Direito e ao Discurso Legitimador, Coimbra, Almedina, 1996, pp. 188-189.

27 Infopédia - Dicionários Porto Editora, In https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/grau.

28 In https://dicionario.priberam.org/grau.

29 In https://dicionario.acad-ciencias.pt/pesquisa/?word=grau.

30 Objeto de alterações posteriores, que ora não relevam.

31 “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais?”, em Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Ano LXI, 2020, Número 2, p. 308.

32 Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1.S1, disponível em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442

33 Sublinhado constante do texto do acórdão.

34 Ana Brilha, “O novo regime do seguro desportivo - Verdadeira inovação”, Desporto & Direito - Revista Jurídica do Desporto, ano VI, n.º 17, janeiro/abril de 2009, Coimbra, Coimbra Editora, p. 293.

35 Ana Brilha, “O novo regime do seguro desportivo - Verdadeira inovação”, Desporto & Direito - Revista Jurídica do Desporto, ano VI, n.º 17, janeiro/abril de 2009, Coimbra, Coimbra Editora, p. 294.

36 Paulo Cardoso de Moura, “Seguros obrigatórios nas actividades desportivas e de lazer”, Desporto & Direito - Revista Jurídica do Desporto, ano III, n.º 8, janeiro/abril de 2006, Coimbra, Coimbra Editora, p. 226.

37 Paulo Cardoso de Moura, “Seguros obrigatórios nas actividades desportivas e de lazer”, Desporto & Direito - Revista Jurídica do Desporto, ano III, n.º 8, janeiro/abril de 2006, Coimbra, Coimbra Editora, p. 226.

38 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, p. 298.

39 O citado art. 13.º, relativo ao seguro do praticante profissional, dispunha que “O seguro desportivo em favor do praticante profissional tem natureza complementar relativamente ao seguro de acidentes de trabalho”, preceito esse que foi revogado pela Lei n.º 27/2011, de 16.06, que aprovou o regime relativo à reparação dos danos emergentes de acidentes de trabalho dos praticantes desportivos profissionais e revogou a anterior Lei n.º 8/2003, de 12 de Maio.

40 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, p. 303.

41 A expressão é de José de Oliveira Ascensão, O Direito - Introdução e Teoria Geral, 13.ª Edição, Coimbra, Almedina, 2020.p. 414.

42 José de Oliveira Ascensão, O Direito - Introdução e Teoria Geral, 13.ª Edição, Coimbra, Almedina, 2020, p. 409.

43 José de Oliveira Ascensão, O Direito - Introdução e Teoria Geral, 13.ª Edição, Coimbra, Almedina, 2020, p. 410.

44 Noções Fundamentais de Direito Civil, Volume I, 6.ª Edição revista e ampliada (reimpressão), Coimbra, 1973, p. 166.

45 Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1.S1, disponível em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442

46 J. J. Gomes Canotilho, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, 7.º edição, Coimbra, Almedina, p. 426.

47 No RJSDO prevê-se, na alínea e) do art. 16.º, o pagamento das despesas de tratamento e repatriamento até limite dele constante, atualizável nos termos do art. 18.º

48 E já assim era no domínio da Lei 2127, de 03.08.65 (cf. Bases IX, XVI e XVII) e da Lei n.º 100/97, de 13.09 (cf. arts. 10.º, 17.º e 18.º), diplomas que precederam a Lei n.º 98/2009.

49 Por regra um contrato de trabalho, mas sem prejuízo das demais situações equiparadas previstas na citada Lei n.º 98/2009 (cf. art. 3.º, n.º 3).

50 Assim contemplando, parcialmente, a perda do rendimento futuro.

51 E, isso, sem prejuízo das garantias previstas nas als. b) e e) do art. 16.º do RJSDO, relativas a despesas de funeral, de tratamento e de repatriamento.

52 In “Seguro Desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais?”, ob. cit., pp. 311 a 314.

53 O qual, relembrando, dispõe que: “1. O seguro desportivo cobre os riscos de acidentes pessoais inerentes à respectiva actividade desportiva, nomeadamente os que decorrem dos treinos, das provas desportivas e respectivas deslocações, dentro e fora do território português. 2. As coberturas mínimas abrangidas pelo seguro desportivo são as seguintes: a) Pagamento de um capital por morte ou invalidez permanente, total ou parcial, por acidente decorrente da actividade desportiva; [...]”

54 Processo n.º 1751/14.8TBVCD.P1.S1, disponível em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/38772505767ab0c3802583f5005910ba?OpenDocument

55 Processo n.º 1311/11.5TJVNF.G1.S1, disponível em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/86f72ef448890b838025802c003c4b79?OpenDocument

56 Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1.S1, consultável em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442?OpenDocument

57 Francisco Rodrigues Rocha, “Seguro desportivo. Cobertura de danos não patrimoniais? Sports insurance. Non-financial losses cover?”, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano LXI, 2020, pp. 307-308.

58 Processo n.º 654/16.6T8ABT.E1.S1, disponível em https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/c2fc90ada0263e22802584ab005d6442

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