Lei n.º 74/93 — Aprova as Grandes Opções do Plano para 1994
Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.
Aprova as Grandes Opções do Plano para 1994
- Apoio à criação e modernização de pequenas e médias empresas nas regiões com atrasos estruturais, cobrindo todos os sectores de actividade, sendo privilegiados os projectos empresariais que valorizem os recursos endógenos.
Acções Específicas de Reequilíbrio
- Acções Estruturantes de Reequilíbrio Regional, abrangendo a preparação de planos ou projectos de infraestruturas de especial relevância regional e apoios à criação de novas estruturas organizativas regionais vocacionadas para a mobilização dos actores locais de desenvolvimento e para a promoção dos potenciais endógenos das regiões;
- empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva, envolvendo a construção de uma barragem, central hidroeléctrica, sistema de adutores e redes primárias e secundárias de rega.
Cooperação e desenvolvimento transfronteiriços
INTERREG
- Prosseguimento das grandes prioridades da sua intervenção, capitalizando o êxito alcançado com a primeira fase actualmente em curso, orientando os seus recursos para as vertentes prioritárias de melhoria das acessibilidades fronteiriças, gestão comum dos recursos hídricos internacionais e apoio à cooperação transfronteiriça nos domínios institucional (cooperação entre municípios e instituições regionais) e económico.
REGIS
- Prosseguimento das principais acções actualmente em curso, nos domínios das acessibilidades externas (em que releva a ampliação do Aeroporto de Santa Catarina), ambiente e apoio à actividade económica, com vista ao reforço progressivo da sua inserção no mercado europeu.
Apoio aos investimentos de finalidade estrutural promovidos pelas Autarquias Locais no Continente e pelos Governos Regionais nos Açores e na Madeira.
Continente
- Lançamento de acções de incidência local, contemplando investimentos de iniciativa municipal cujo âmbito geográfico não ultrapasse um município, correspondendo no essencial a opções autónomas das Autarquias Locais;
- lançamento de acções de impacte supra-municipal ou regional, promovidas regra geral pelas autarquias locais, desejavelmente em associação inter-municipal ou com outros parceiros, que operacionalizem a articulação entre prioridades nacionais/sectoriais e prioridades municipais, numa óptica de selectividade de acordo com regras de acesso, a estabelecer previamente, para empreendimentos nas áreas das acessibilidades, das escolas básicas integradas, dos loteamentos industriais, das estações de tratamento de águas residuais, dos sistemas de abastecimento de água, da reabilitação urbana, etc;
- lançamento de acções de dinamização das actividades económicas, orientadas para o apoio a iniciativas de mobilização e valorização dos recursos endógenos das regiões.
Região Autónoma dos Açores
- Dinamização da actividade económica, acessibilidades, energia, defesa e valorização dos recursos humanos, do ambiente e do património regional, trabalho, emprego e formação profissional, desenvolvimento agrícola e desenvolvimento das pescas.
Região Autónoma da Madeira
- Construção de infra-estruturas avançadas de apoio ao desenvolvimento económico, desenvolvimento da indústria e do artesanato, valorização e aproveitamento do potencial turístico, desenvolvimento agrícola e rural, modernização da pesca e desenvolvimento de actividades marinhas, formação profissional e valorização dos recursos humanos, protecção do meio ambiente, e mobilização do potencial de iniciativa endógena.
ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E SISTEMA URBANO
A política de ordenamento do território assumirá um papel relevante na concretização do objectivo de preparar Portugal para o século XXI e será norteada por um conjunto de objectivos de carácter englobante:
- reestruturar e modernizar o sistema urbano, reforçando o equipamento dos centros mais dinâmicos, estimulando a sua base económica e favorecendo as suas comunicações, tendo por objectivo o fomento de uma rede de centros de média dimensão;
- modernizar e reforçar a competividade internacional das Áreas Metropolitanas, pelo desenvolvimento de serviços de nível superior, pela modernização das suas estruturas, pelo aprofundamento das relações internacionais e pela projecção das suas iniciativas culturais e científicas;
- promover a integração espacial na Comunidade, promovendo a internacionalização da base produtiva dos centros urbanos, o desenvolvimento das regiões transfronteiriças e a absorção dos défices de equipamentos e infra-estruturas relativamente à média comunitária;
- valorizar os recursos naturais e revitalizar o mundo rural, mediante o reforço de uma rede de centros urbanos de apoio rural, a implementação de acções de renovação de aldeias, a protecção e gestão racional dos recursos e património naturais e o estímulo à diversificação de actividades.
As dinâmicas territoriais e as acções em curso ou programadas, designadamente a implementação do próximo Plano de Desenvolvimento Regional e as alterações a nível das acessibilidades, irão provocar profundas transformações na organização do espaço. Neste contexto, o Ordenamento do Território será, prioritariamente, o plano material de convergência de múltiplas políticas e de compatibilização das intervenções dos diversos actores e o quadro de referência espacial para a programação das grandes intervenções sectoriais.
Em 1994, as principais acções a implementar integram-se em três áreas de actuação:
- o prosseguimento do esforço de planeamento territorial, quer no que respeita à conclusão dos Planos Directores Municipais e à elaboração de Planos Regionais de Ordenamento do Território, quer, sobretudo, quanto à criação de condições que dêem plena eficácia aos planos aprovados e o fomento de mecanismos de cooperação Administração Central/Administração Local, tendo em vista o desenvolvimento de acções estruturantes de ordenamento do território;
- o lançamento do Programa de Consolidação da Rede Urbana Nacional, visando a promoção de uma rede de centros de média dimensão, através da mobilização de meios materiais e reforço das capacidades organizativas para a revitalização económica dos centros urbanos, para a melhoria dos equipamentos sociais e económicos de carácter estratégico, para a requalificação e melhoria do ambiente urbano e para uma inserção nacional e internacional mais vantajosa das áreas urbanas;
- acções de reforço das relações de vizinhança e cooperação entre as cidades por forma a que a criação de complementaridades e o aproveitamento do potencial de interacção entre centros urbanos supram as limitações da sua reduzida dimensão demográfica e económica;
- o apoio às câmaras municipais em operações de reabilitação ou renovação de áreas urbanas degradadas, designadamente nos domínios das infra-estruturas, dos equipamentos de utilização colectiva, dos espaços de utilização colectiva, da imagem urbana e do património construído.
3ª OPÇÃO - PREPARAR PORTUGAL PARA UMA VIDA DE MAIS QUALIDADE
melhorar o ambiente, apoiando um desenvolvimento sustentável;
renovar as cidades, promovendo a qualidade de vida urbana;
melhorar as condições de saúde e de protecção social, combatendo a exclusão;
adequar a Administração Pública às tarefas de um Estado moderno, redimensionando-a e promovendo a qualidade.
Melhorar o ambiente, apoiando um desenvolvimento sustentável
AMBIENTE
A política do ambiente constitui o veículo impulsionador de acções que garantam que a satisfação das gerações presentes não comprometa a das gerações vindouras. Ora tal só é possível num espírito de responsabilidade partilhada entre os diferentes agentes económicos e sociais e pela integração das preocupações ambientais nas restantes políticas sectoriais. Por isso, ir-se-á promover, implementar e desenvolver um conjunto de acções com um triplo objectivo:
- prevenir, impedindo a degradação ambiental
- preservar, potenciando a boa qualidade ambiental
- recuperar, reparando as situações degradadas
Será dada especial atenção à gestão dos recursos hídricos, à preservação das áreas protegidas e à qualidade do ambiente nas grandes concentrações urbanas, como forma de traçar uma estratégia que responda ao desafio do «desenvolvimento sustentável».
As principais áreas de actuação são as seguintes:
- Melhoria da qualidade ambiental nas grandes concentrações urbanas
- Aumento dos níveis de atendimento e serviço dos sistemas de saneamento básico
- Aumento das disponibilidades hídricas
- Conservação e valorização do património natural
- Melhoria do impacte ambiental da actividade produtiva
- Informação e formação ambiental
Estas áreas de actuação deverão considerar, quer o início da aplicação de um novo quadro de instrumentos legislativos no domínio dos recursos hídricos, quer o funcionamento de um novo regime enquadrador da exploração de sistemas de saneamento básico que conduzirá à abertura destes mercados, de uma forma regulada e «atraente» para os operadores económicos.
Assim, e dentro do quadro atrás indicado, as principais acções, em 1994, são as seguintes:
Melhoria da qualidade ambiental nas grandes concentrações urbanas
- Construção e ampliação, de sistemas multimunicipais de abastecimento de água em alta, a concretizar pelas Empresas Concessionárias e com apoio do Fundo de Coesão, designadamente no Grande Porto, na Grande Lisboa e Médio Tejo e Algarve;
- construção e ampliação, de sistemas integrados de saneamento, a empreender pelas Câmaras Municipais ou Empresas Concessionárias e com o apoio do Fundo de Coesão, designadamente o Ave, Grande Porto, Alviela, Costa do Estoril e Trancão;
- construção de sistemas multimunicipais de tratamento de resíduos sólidos, a empreender pelas Empresas concessionárias e com o apoio do Fundo de Coesão, designadamente a LIPOR, o Baixo Mondego e a Grande Lisboa;
- acções complementares de requalificação de áreas envolventes com um elevado património natural e de acções mobilizadoras da qualidade do ambiente urbano.
Aumento dos níveis de atendimento e serviço dos sistemas de saneamento básico
- Apoio, mediante contratualização com as Câmaras Municipais, a projectos de saneamento básico que visem maximizar os investimentos nos sistemas multimunicipais referidos e acções apoiadas pelas Intervenções Regionais.
Aumento das disponibilidades hídricas
- Construção de aproveitamentos hidráulicos de apoio a sistemas multimunicipais de abastecimento de água, designadamente de Odeleite-Beliche e Odelouca-Funcho;
- continuação da construção de infra-estruturas hidráulicas de fins múltiplos, designadamente Baixo Mondego e Cova da Beira e início de execução de outras, tais como o Enxoé, com o objectivo de aumentar as disponibilidades hídricas para o abastecimento público e actividade produtiva permitindo contrariar as carências espaciais e as variações sazonais e anuais dos recursos hídricos.
Conservação e valorização do património natural
- Apoio, por um lado, a estudos de inventariação de ecossistemas e habitats e a estudos orientadores da intervenção destes domínios e, por outro, a infra-estruturas e equipamentos vocacionados para a protecção e valorização destas áreas sensíveis e, ainda, a acções de reflorestação na Rede Nacional de Áreas Protegidas.
Melhoria do impacte ambiental de actividade produtiva
- Criação de um Sistema de Apoios à Requalificação Ambiental da Actividade Produtiva, mediante a concessão de subsídios às unidades industriais para instalação de equipamentos de despoluição terminal (tecnologias de fim de linha) de efluentes líquidos e gasosos e de resíduos sólidos a funcionar em articulação com o PEDIP II, destinando-se prioritariamente a áreas onde existam soluções integradas de saneamento e a sectores com acordos voluntários de controlo de poluição;
- início da execução do sistema nacional centralizado de tratamento de resíduos sólidos industriais.
Informação e formação ambiental
- Apoio à criação e ao reforço de infra-estruturas de informação, designadamente a rede nacional de informação atmosférica e a rede de monitorização e controle do domínio público hídrico;
- promoção de acções de formação e educação ambiental, em particular as vocacionadas para os recursos humanos da Administração do Ambiente.
Renovar as cidades, promovendo a qualidade de vida urbana
HABITAÇÃO E RENOVAÇÃO URBANA
As cidades constituem os principais centros de actividade económica, de inovação e de cultura. As condições de vida urbana são, por sua vez, determinantes para o bem-estar e a qualidade de vida de uma parte substancial da população. E, cada vez mais, a posição internacional dos países não se pode separar hoje do lugar ocupado pelas suas principais cidades, na hierarquia urbana da Europa.
Se cabe às Autarquias Locais a responsabilidade principal pelo melhoramento das cidades, várias intervenções da Administração Central, já referidas noutros sectores, contribuem decisivamente para a melhoria da qualidade de vida e/ou para a projecção internacional das cidades. Tal é o caso das infra-estruturas de abastecimento de água e saneamento básico, de transportes e comunicações, bem como das infra-estruturas educacionais e culturais.
Para além destas intervenções sectoriais da Administração Central, é necessário responder, em estreita ligação com as Autarquias Locais, a um aspecto central da qualidade de vida nas cidades - o da habitação e da renovação urbana. A intervenção neste campo tem como objectivos prioritários:
- a renovação das áreas ocupadas por barracas;
- o reordenamento e recuperação de zonas urbanas degradadas;
- a melhoria das condições habitacionais, em termos quantitativos e qualitativos.
Por sua vez, realizações da dimensão da Exposição Internacional de Lisboa de 1998 implicam grandes operações de reordenamento urbano e de infra-estruturação do espaço, que irão ter grande impacto na Área Metropolitana de Lisboa, pelo que se justifica um destaque específico.
As principais linhas de actuação neste domínio são:
- Reabilitação de zonas degradadas e de zonas ocupadas por barracas
- Ampliação da oferta de habitação e melhoria das suas condições
- Reordenamento e reabilitação da Zona Oriental de Lisboa
Em 1994 as principais acções a empreender são:
Renovação das zonas ocupadas por barracas
- Reforço da descentralização da promoção habitacional, privilegiando a elaboração de Acordos entre a Administração Central e as Autarquias Locais, quer para a erradicação total das barracas, nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, quer para realojamento gradual das famílias de fracos recursos que habitam em condições deficientes, através do financiamento a fundo perdido e de linhas de crédito especialmente criadas para o efeito.
Reabilitação de zonas degradadas
- Aquisição e infra-estruturação de terrenos necessários à concretização dos Planos Integrados de Renovação Urbanística de Almada, Setúbal, Zambujal, cuja elaboração foi já promovida pelo IGAPHE, e também na Área Metropolitana do Porto;
- Incentivo à recuperação do parque habitacional com vista à obtenção de melhores condições de habitabilidade dos moradores, preservando o património arquitectónico das cidades em favor da revitalização urbana.
Ampliação da oferta de habitação e melhoria das suas condições
- Revitalização do mercado de arrendamento, através de um continuado e dinâmico sistema de incentivos;
- promoção da oferta de solos a preços reduzidos, integrada no Programa da Habitações Económicas, para a construção a custos controlados, proporcionando às empresas do sector uma oportunidade de participar em condições extremamente favoráveis num projecto inovador, colocando posteriormente no mercado habitações a preços compatíveis com os rendimentos da generalidade da população;
- afectação de um crescente volume de recursos para a construção de equipamento social, que complemente as áreas habitacionais e que permita uma integração cada vez maior do cidadão no local em que habita;
- reforço do apoio aos promotores públicos ou privados, de habitação a custos controlados, através da criação de condições institucionais e técnico-financeiras que permitam uma eficaz afectação de recursos à construção pelas Autarquias, Cooperativas, Empresas e Instituições Privadas de Solidariedade Social.
Reordenamento e reabilitação da Zona Oriental de Lisboa.
Em apoio à realização da Exposição Internacional de Lisboa de 1998 irá iniciar-se em 1994:
- a deslocação de algumas actividades de interesse público, que não são compatíveis com as novas finalidades da zona de intervenção;
- a infra-estruturação da zona envolvente do recinto da Exposição;
- a realização de grandes investimentos em acessibilidades à zona, por parte dos operadores de transportes colectivos, da JAE e dos municípios.
Melhorar as condições de saúde e de protecção social, combatendo a exclusão
SAÚDE
A implementação de um sistema de saúde moderno e eficiente, adequado às necessidades da população, com qualidade e assente nas relações humanas que contem, e baseado no humanismo e qualidade, constitui um poderoso alicerce para novos e mais ambiciosos graus de apoio ao cidadão, assegurando o seu direito à protecção da saúde e privilegiando o seu benefício.
Os objectivos prioritários para a área da saúde são, assim:
- garantir a igualdade de acesso aos cuidados de saúde, independentemente da sua condição económica e local de residência, melhorando a distribuição de infra-estruturas pelo território nacional e organizando-as de molde a conseguir o equilíbrio, aos vários níveis (nacional ou supra-regional, regional e local), entre a oferta e a procura de cuidados;
- melhorar o nível de saúde da população, intervindo de forma específica em certas situações associadas a elevadas taxas de mortalidade, morbilidade e combatendo a exclusão social;
- melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, modernizando, humanizando os serviços, dotando-os de meios técnicos modernos e adequados ao seu tipo de intervenção.
Estes objectivos têm tradução em quatro áreas de intervenção:
- Construção, ampliação remodelação de instalações de saúde
- Formação de pessoal de saúde
- Programas dirigidos a grupos específicos, combatendo a exclusão social
- Promoção da qualidade e optimização da gestão de serviços
Neste sentido, em 1994, será desenvolvida uma actuação com destaque para:
Construção, ampliação e remodelação de instalações de Saúde
- Construção/apetrechamento dos novos Hospitais Distritais de Leiria, Matosinhos, Amadora/Sintra e Viseu, e lançamento dos Hospitais Distritais de Santa Maria da Feira, Tomar, Vale de Sousa, Barlavento Algarvio, Cova da Beira, Torres Novas e Lamego.
- ampliação/apetrechamento de cerca de 40 Hospitais Distritais, do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha e do Sanatório de Torres Vedras, concluindo-se mais de 30 unidades;
- ampliação/apetrechamento de mais de 20 Hospitais e Maternidades Centrais, do Centro Materno-Infantil do Norte e Instituto de Oftalmologia Gama Pinto, concluindo-se cerca de 10 unidades;
- construção/apetrechamento de cerca de 60 Centros de Saúde e Extensões, concluindo-se mais de 30 unidades;
- remodelação e apetrechamento de cerca de 30 outras Instituições de Saúde, nomeadamente nas áreas de histocompatibilidades, toxicodependência, saúde materno-infantil, visão, audiofonologia, saúde mental, oncologia, sangue e investigação, ficando concluidas mais de 15 unidades;
- construção das Centrais de Incineração de Resíduos Sólidos Hospitalares de Lisboa e Porto.
Formação de pessoal de saúde
- Construção/apetrechamento da Escola Técnica do Serviço de Saúde de Lisboa e das Escolas de Enfermagem Artur Ravara, de Viana do Castelo e de Faro;
Programas dirigidos a grupos específicos, combatendo a exclusão social
- Intensificação de programas de saúde nas áreas materno-infantil, apoio à 3ª idade, oncologia, tóxico-dependência e combate à SIDA, tabagismo e alcoolismo.
Promoção da qualidade e optimização da gestão dos serviços
- Constituição de «Unidades de Saúde» através da reorganização e agrupamento dos Centros de Saúde, em ligação com os hospitais;
- aplicação do novo sistema de financiamento do Serviço Nacional de Saúde e implementação do Seguro Alternativo de Saúde;
- aperfeiçoamento da gestão económico-financeira dos serviços;
- revisão da legislação sobre actividades farmacêuticas;
- instalação do Laboratório Oficial de Certificação de Qualidade;
- implementação de acções visando a optimização do Serviço Nacional de Saúde;
- apoio a trabalhos de investigação em curso, incentivando novas iniciativas;
- desenvolvimento do sistema de fármaco-vigilância;
- regulamentação de diversas profissões na área da saúde;
- revisão dos quadros de pessoal das instituições e serviços de saúde;
- execução do projecto de identificação da população através do «Cartão de Saúde».
PROTECÇÃO SOCIAL E COMBATE À EXCLUSÃO
O sistema de segurança social constitui um instrumento fundamental para garantir níveis de rendimentos adequados às exigências básicas dos cidadãos e susceptíveis de impedir situações de marginalização e de carência. A dimensão do seu efeito redistributivo, pela garantia e diversidade das situações das pessoas que dela beneficiam, determina efeitos positivos na actividade empresarial, no aparelho produtivo e no tecido social.
Neste sentido, considera-se indispensável que o sistema actue tendo em atenção um conjunto de objectivos de que importa salientar:
- a dinamização da estratégia social face à política de desenvolvimento económico, por forma a contribuir para uma sociedade sensível às necessidades sociais e que active as solidariedades;
- a necessidade de contribuir para a prevenção e eliminação das situações de exclusão e marginalização económica e social das pessoas e dos grupos em situação de risco, nomeadamente os mais desfavorecidos;
- a necessidade de assegurar um compromisso adequado entre o papel redistributivo da segurança social na promoção da justiça social e o seu peso relativo no conjunto das despesas públicas.
O papel do Estado neste domínio não deve, porém, limitar-se a garantir um nível adequado das prestações sociais concedidas pelo sistema público. Compete-lhe também favorecer o desenvolvimento das iniciativas em matéria de esquemas privados de prestações complementares. Neste sentido, o Estado deve garantir condições adequadas de liberdade de escolha e de igualdade de condições de oferta de produtos e de serviços prestados numa perspectiva de maior contratualização social.
Em 1994, estes objectivos traduzem-se em duas áreas de actuação:
- Melhoria dos esquemas de segurança social
- Integração socioeconómica de grupos mais desfavorecidos
Melhoria dos esquemas de segurança social
- Revisão da legislação dos regimes de segurança social, tendo em vista aperfeiçoar o enquadramento das situações socio-profissionais das diferentes actividades, à luz das necessidades sociais, nomeadamente pela reformulação do âmbito pessoal do regime geral, pelo desenvolvimento do regime do seguro social voluntário e pela reformulação do regime não contributivo;
- reformulação, melhoria e racionalização dos esquemas de benefícios, tendo em vista o reforço da eficácia económica e social das prestações e a melhoria nas condições do controlo da respectiva atribuição;
- estudo de soluções alternativas ao financiamento do sistema de segurança social, bem como revisão global e aperfeiçoamento da legislação referente à relação jurídica contributiva, à luz da evolução do sistema fiscal, incluindo a harmonização das taxas contributivas em consequência da publicação do Decreto-Lei que estabelece a desagregação da taxa social única do regime geral de segurança social;
- acompanhamento da aplicação técnica e gestionária e avaliação das repercussões, designadamente financeiras, dos recentes Decretos-Lei sobre desagregação da taxa social única, enquadramento dos membros dos orgãos estatutários das pessoas colectivas no regime geral de segurança social dos trabalhadores por conta de outrem, regime de segurança social dos trabalhadores independentes e regime de protecção na velhice e na invalidez dos beneficiários do regime geral de segurança social;
- aperfeiçoamento do enquadramento legal e estímulo à criação de esquemas privados complementares de segurança social e ao desenvolvimento das instituições particulares de solidariedade social;
- consolidação e aperfeiçoamento do processo de regionalização do sistema de segurança social, aliado ao desenvolvimento e racionalização dos seus métodos de gestão.
Integração socio-económica de grupos mais desfavorecidos
- pela promoção de medidas globais e integradas a favor das pessoas idosas e das pessoas com deficiência, privilegiando a sua permanência no meio em que vivem, criando condições para a sua participação efectiva na vida comunitária, fomentando e recorrendo primordialmente ao apoio proporcionado pela família, pela vizinhança e animando a solidariedade entre gerações;
- por medidas orientadas para a prevenção e integração social das pessoas, famílias e grupos com necessidades especiais, e/ou socialmente excluidas, nomeadamente crianças em risco, jovens com dificuldades de inserção na vida escolar e profissional, toxicodependentes e minorias étnicas;
- pela implementação de projectos de desenvolvimento na comunidade, que enquadrem as perspectivas multidisciplinares dos diferentes parceiros sociais, económicos e culturais e o envolvimento da população, visando a supressão dos vectores geradores de exclusão social ou de redução da participação dos cidadãos na sociedade e estimulando a intervenção da sociedade civil.
Adequar a Administração Pública às tarefas de um Estado moderno, redimensionando-a e promovendo a qualidade
JUSTIÇA
A garantia do acesso à Justiça constitui um direito básico em que qualquer Estado moderno tem que se empenhar com particular afinco. A acção do Estado nesta área constitui também elemento promotor do desenvolvimento da criatividade e do espírito de iniciativa da sociedade civil, condicionando fortemente a estrutura económica.
A política de Justiça tem, assim, como objectivo:
- a aproximação da Justiça aos cidadãos, facilitando-lhes acesso ao conhecimento dos seus direitos e garantias, à forma de os tornar efectivos e à resolução dos problemas de forma eficiente e com elevado nível de qualidade;
- a dinamização da celeridade nos procedimentos, através das leis de organização judiciária, de estruturas logísticas adequadas e do uso intensivo das novas tecnologias da informação, por forma a que o sistema dê resposta pronta e correcta às solicitações de que é objecto.
Estes objectivos serão prosseguidos em 1994 através de uma actuação que contemplará, nomeadamente, as seguintes áreas de intervenção:
- Actualização da legislação e do enquadramento normativo
- Modernização dos modelos de organização territorial e funcional
- Reforma dos registos e notariado
- Prevenção e repressão da criminalidade e renovação do sistema prisional
Actualização da legislação e do enquadramento normativo
- Promoção da actualização legislativa, de forma a conferir aos textos legais maior eficácia e proximidade de uma realidade cultural dinâmica;
- promoção de um enquadramento normativo adequado a novos fenómenos jurídicos, nomeadamente, no que se refere à protecção do ambiente, à protecção dos consumidores e ao domínio das ciências da vida.
Modernização dos modelos de organização territorial e funcional
- Promoção de uma cada vez maior aproximação da justiça aos cidadãos, facilitando o acesso destes ao conhecimento dos seus direitos e garantias, à forma de tornar os mesmos efectivos e à resolução dos problemas de forma eficiente e com elevado nível de qualidade;
- dinamização dos procedimentos, através das leis de organização judiciária, de estruturas logísticas adequadas e do uso intensivo das novas tecnologias da informação, de forma a que o sistema possa fornecer uma resposta rápida e correcta às solicitaçãoes de que é objecto;
- prosseguimento da implantação dos círculos judiciais, criação de estruturas de atendimento continuado para a adopção de medidas de carácter urgente e instalação de tribunais de pequena instância;
- promoção da utilização intensiva das novas tecnologias da informação no sistema judiciário;
- desenvolvimento e apoio à instalação de novos Centros de Arbitragem de Conflitos, na linha do objectivo de desjudicialização do sistema;
- instalação, em todo o país, de Gabinetes de Consulta Jurídica Gratuita;
- continuação da informatização do sistema judiciário e dinamização da utilização dos sistemas de gravação audio já instalados;
- prosseguimento da instalação das Comissões de Protecção a Menores;
- recuperação e alargamento continuados do parque judiciário, prosseguindo a construção dos Tribunais Judiciais de S. João da Madeira, Ponta do Sol, Braga, Cantanhede, Fundão, Matosinhos, Moita, Portimão, Seixal, Vila Nova de Gaia, Loulé, Marinha Grande e Vila Real de Santo António, do Tribunal do Círculo de Faro, do Edifício polivalente de Coimbra, a adaptação do Edifício Funchal 2000 e a elaboração do projecto da Cidade Judiciária de Lisboa.
Reforma dos registos e notariado
- Reformulação global dos serviços dos registos de notariado, autonomizando e descentralizando serviços, suprimindo formalidades, racionalizando as estruturas e recursos, e acelerando a informatização do Registo Civil, dos Registos Predial, Comercial, de Automóveis e de Navios, assim como dos Serviços de Notariado.
Prevenção e repressão da criminalidade e renovação do sistema prisional
- Prosseguimento das acções de prevenção e repressão da criminalidade, em especial no que se refere à criminalidade violenta e organizada, ao tráfico de estupefacientes, à corrupção e às fraudes anti-económicas, e ainda, no âmbito do reforço da cooperação internacional, ao combate a formas de criminalidade transnacional;
- prosseguimento da obtenção de estruturas logísticas adequadas para a Polícia Judiciária, através da instalação da Directoria do Porto;
- renovação do sistema prisional, recuperando o parque prisional através da construção de pavilhões prisionais-tipo, para regime aberto, e desenvolvimento da política de ressocialização dos reclusos.
SEGURANÇA INTERNA
A política de segurança interna tem como fim último, a protecção dos cidadãos, dos seus bens das instituições, como forma de assegurar as condições essenciais à normalidade e estabilidade da vida da comunidade nacional, ao reforço da coesão e solidariedade e ao desenvolvimento económico e progresso social. A acção nesta área terá também que ter em conta as obrigações acrescidas do País no contexto da segurança interna da Comunidade Europeia.
Os objectivos prioritários para a segurança interna são, assim:
- contribuir para a melhoria das condições de vida e, em particular, para o exercício dos direitos fundamentais dos indivíduos;
- contribuir para a melhoria do clima económico, valorizando as oportunidades e a rentabilidade dos investimentos, tanto do ponto de vista interno como externo;
- dar resposta às responsabilidades do País na luta contra a criminalidade, a nível europeu e mundial;
- contribuir para a execução de uma política de imigração ao nível comunitário.
Estes objectivos têm tradução em seis áreas de intervenção:
- Sistema político e processo eleitoral
- Participação em acções conjugadas de âmbito internacional e de cooperação externa
- Reorganização, reequipamento e modernização das forças de segurança
- Segurança pública e protecção civil
- Segurança rodoviária
- Reforço dos meios de combate e prevenção dos fogos florestais
As principais acções a realizar, em 1994, são:
Sistema político e processo eleitoral
- Informatização do processo eleitoral em colaboração com os Municípios.
Participação em acções conjugadas de âmbito internacional e de cooperação externa
- Estabelecimento de medidas internas e comunitárias no âmbito do acordo de Schengen e do Sistema Europeu de Informação (SIRENE);
- reforço da cooperação policial no âmbito comunitário e a criação da estrutura EUROPOL;
- reforço das actividades e meios de controlo da fronteira externa comunitária atribuído à responsabilidade portuguesa;
- aplicação das novas disposições legais no âmbito da coordenação das políticas de imigração e do direito de asilo e aperfeiçoamento da lei da nacionalidade;
- cooperação com os países africanos de expressão oficial portuguesa no domínio dos actos eleitorais.
Reorganização, reequipamento e modernização das forças de segurança
- Consolidação das políticas de reestruturação das Forças de Segurança, com destaque para a nova Brigada Fiscal da Guarda Nacional Republicana e para a concretização da redistribuição do dispositivo;
- definição do regime jurídico das polícias administrativas municipais;
- construção de novas instalações e aquisição de equipamentos para as Forças de Segurança, nomeadamente, no que se refere às novas divisões da Polícia de Segurança Pública e aos sistemas de comunicação daquela instituição e da Guarda Nacional Republicana, assim como melhoria das instalações já existentes;
- acções no domínio da potenciação de meios e das actividades das forças e serviços de segurança, incluindo o prosseguimento da instalação das suas redes de telecomunicações.
Segurança pública, protecção civil e segurança rodoviária
- Prosseguimento de programas especiais de segurança dirigidos a objectivos específicos, como o programa para os estabelecimentos de ensino básico e secundário e as respectivas áreas circundantes;
- aperfeiçoamento das actividades preventivas, nos planos educacional e de sensibilização da opinião pública, nos âmbitos da protecção civil, dos fogos florestais e da segurança rodoviária;
- acções de implementação da nova legislação sobre a protecção civil, os Bombeiros e as actividades de Segurança Privada;
- regulamentação, divulgação e adopção das medidas necessárias à entrada em vigor do novo Código da Estrada;
- medidas complementares de combate à sinistralidade rodoviária, nomeadamente, a realização do «Ano Português da Segurança Rodoviária», o apoio a iniciativas aprovadas nas Comissões Distritais de Segurança Rodoviária e a consolidação do sistema das inspecções periódicas obrigatórias dos veículos automóveis.
Reforço dos meios de combate e prevenção dos fogos florestais
- Aquisição de helicópteros e de equipamento de apoio;
- arranque de novas políticas de prevenção dos fogos florestais.
MODERNIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
As tarefas de modernização da Administração Pública são imprescindíveis para o desenvolvimento e progresso do País, tanto pelo seu significado em termos da fruição plena dos direitos dos cidadãos, como pelo seu papel na melhoria da competitividade da economia (através sobretudo do apoio eficaz à concepção de políticas públicas e da desburocratização), acentuada pelo novo contexto europeu e pelos desafios internacionais.
Assim, são objectivos prioritários para a modernização administrativa:
- promover a qualidade no seio da Administração Pública, que é uma das exigências fundamentais das sociedades mais avançadas. A Administração Pública tem de incrementar acções que conduzam à realização deste objectivo, quer como prestadora de serviços públicos, quer como consumidora qualificada de serviços prestados pela iniciativa privada;
- envolver mais a sociedade no processo de mudança da Administração, através de novas formas de diálogo, informação e participação, criando um espaço mais alargado para a intervenção dos agentes económicos. A introdução de formas de desintervenção e de utilização dos mecanismos de mercado é igualmente uma via a explorar com prudência e gradualidade;
- dignificar o serviço público, reconhecendo-se que o resultado global da economia depende da forma harmoniosa como sectores público, social e privado trabalham juntos para a realização dos objectivos do desenvolvimento.
Estes objectivos serão prosseguidos, em 1994, por acções em três áreas de intervenção:
- Modernização e qualidade
- Formação da função pública
- Valorização da difusão da informação sobre a Administração Pública
Modernização e qualidade da administração pública
- Publicação e difusão de «Cartas de Qualidade Sectoriais» definindo um compromisso, nas diferentes áreas de Administração Pública, entre a Administração e os cidadãos;
- prosseguimento de medidas de flexibilidade gestionária, de racionalização e de desintervenção da Administração, centrando-as nas suas missões essenciais e dando sequência às recomendações da Comissão da Qualidade e Racionalização da Administração Pública;
- implementação de acções para criação de formas de «defesa dos direitos dos consumidores dos serviços públicos»;
- prosseguimento dos trabalhos de desburocratização dinamizados pela Comissão de Empresas-Administração;
- continuação da divulgação do Código do Procedimento Administrativo e acompanhamento da sua aplicação;
- aperfeiçoamento dos meios de comunicação e da utilização das novas tecnologias de informação, a realizar prioritariamente nos Registos e Notariado, Serviços Consulares e Centros de Juventude.
Formação da função pública
- Formação, aperfeiçoamento e especialização profissional dos funcionários da Administração Pública, continuando o esforço que tem vindo a ser prosseguido nesta área através da execução do novo programa PROFAP (Programa Integrado de Formação para a Modernização da Administração Pública);
- melhoria das instalações nos serviços centrais de formação: conclusão dos novos espaços do INA (Instituto Nacional de Administração) e beneficiação dos espaços de formação do CEFA (Centros de Estudos de Formação Autárquica).
Valorização da difusão da informação sobre a Administração Pública
- Desenvolvimento e aperfeiçoamento do projecto INFOCID (Sistema Interdepartamental de Informação Administrativa aos Utentes dos Serviços Públicos) e sua difusão territorial;
- atribuição de maior atenção ao valor «informação» na Administração Pública, reconhecendo-se que a informação é essencial para o desenvolvimento e o progresso das sociedades. Neste âmbito, dar-se-á sequência aos princípios consagrados na legislação sobre «Administração Aberta».
INFORMAÇÃO CIENTÍFICA E TÉCNICA
A informação estatística, disponibilizada em tempo útil, é um suporte importante da tomada de decisões pelos agentes económicos e um instrumento essencial para a condução e avaliação da política económica e social pela Administração.
Por outro lado, as necessidades de desenvolvimento do País e a dinâmica da modernização da Administração e da sociedade civil em geral requerem, também, a disponibilidade de informação cartográfica abundante, actualizada e facilmente acessível, bem como o recurso a meios de análise dessa informação, capazes de apoiar tomadas de decisão tão correctas, eficazes e oportunas quanto possível.
Os objectivos neste domínio são, assim:
- melhorar a produção das estatísticas, reforçando a coordenação técnica, revendo nomenclaturas e metodologias, reduzindo prazos de divulgação;
- reduzir os custos da produção estatística, nomeadamente aproveitando actos administrativos;
- criar um corpo de técnicos de estatística de grande qualidade;
- reformular o sistema cadastral e o referencial geodésico nacional;
- dotar o País de uma cartografia-base em formato digital.
Em 1994, estes objectivos traduzem-se em acções em três áreas:
- Melhoria da qualidade da produção estatística
- Desenvolvimento da formação em Estatística e Gestão da Informação
- Realização do cadastro predial, revisão do referencial geodésico e implementação da cartografia digital
As principais acções e medidas a levar a cabo, em 1994, estão contempladas nas seguintes áreas:
Melhoria da qualidade da produção estatística
- Desenvolvimento dos instrumentos técnicos de coordenação estatística (conceitos, ficheiros e nomenclaturas), reclassificação das unidades estatísticas do Ficheiro Central de Empresas e Estabelecimentos; adopção da nova CAE - revisão 2;
- normalização dos calendários de disponibilização das Contas Nacionais, tanto para dar resposta ao previsto na denominada Directiva PNBpm, como para assegurar a satisfação das necessidades das diferentes entidades nacionais e consolidação e aprofundamento da metodologia desenvolvida para a regionalização de algumas variáveis e agregados ao nível da NUTE II;
- desenvolvimento das Estatísticas das Empresas que deverá ter em conta o novo enquadramento legal comunitário, e a exploração de dados fiscais para obtenção de informação estatística com custos mínimos;
- intensificação da utilização da informação proveniente dos inquéritos às empresas e prosseguimento do desenvolvimento de painéis representativos que antecipam resultados com carácter provisório e/ou indicadores conjunturais;
- realização de inquéritos estruturais às explorações agrícolas, reestruturação das estatísticas agro-industriais e desenvolvimento das estatísticas florestais;
- reestruturação dos inquéritos anuais à Indústria e à Construção;
- reformulação da informação sobre Licenciamento e Construção de edifícios;
- concepção de um novo sistema integrado de indicadores de conjuntura (com realce para o novo Índice de Produção Industrial) e início do desenvolvimento do Índice de Preços na Produção;
- consolidação e avaliação da aplicação da metodologia definida para a informação estatística das trocas de bens entre os Estados Membros da CE (Sistema INTRASTAT), tanto do ponto de vista da qualidade da informação como dos suportes de recolha e de divulgação de dados;
- recolha de informação de carácter conjuntural, para elaboração dos Índices do Volume de Vendas no que se refere ao Comércio Interno;
- concepção de um novo Índice de Preços Turísticos;
- reformulação do sistema de medição das migrações externas;
- realização do Inquérito aos Orçamentos Familiares e elaboração de um Painel sobre o Rendimento das Famílias;
- construção de um modelo de produção integrada de séries estatísticas sobre o Ambiente e lançamento de novos inquéritos e aproveitamento de fontes de informação já existentes.
Reformular o sistema cadastral e o referencial geodésico nacional;
- Execução do cadastro geométrico da propriedade urbana para as Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa;
- reconhecimento da Nova Rede Geodésica e observação gravimétrica;
- criação de Nós Locais do Sistema Nacional de Informação Geográfica (SNIG) e desenvolvimento da rede informática entre os Núcleos Central, Regionais e Locais do SNIG e os serviços produtores de informação geo-referenciável;
- produção e actualização de cartografia em escalas grandes relativas às Áreas Metropolitanas do Porto e Lisboa;
- aquisição de meios para a exploração e para a actualização permanente da cartografia, nomeadamente «estações totais» para alguns dos municípios das áreas metropolitanas.
POLÍTICA DE INVESTIMENTO
PIDDAC 94
(Nota à margem: PIDDAC 94:
- 648 m.c. financiados pelo OE e fundos estruturais
- 64 m.c. de autofinanciamento dos Fundos e Serviços Autónomos)
O Programa de Investimento da Administração Central envolverá em 1994 um montante de 648 milhões de contos (m.c.), dos quais 345 m.c. provêm do Orçamento de Estado e 303 m.c. dos fundos estruturais da CE.
(Nota à margem: Crescimento real de 15%)
Este montante representa um crescimento, em termos reais, da ordem de 15%, o que traduz claramente a prioridade colocada pelo Governo na criação de infra-estruturas, no reforço dos factores de competitividade da economia e na qualificação dos recursos humanos - os principais objectivos dos programas.
A este valor acrescem ainda cerca de 64 m.c., no essencial provenientes de Fundos e Serviços Autónomos. Assim, o valor global previsto para o investimento e despesas de desenvolvimento da Administração Central, em 1994, é da ordem de 712 m.c.
(Nota à margem: O forte crescimento do investimento público em 1994 e o início do novo ciclo de desenvolvimento da economia portuguesa)
O forte crescimento do PIDDAC, traduzindo uma aceleração significativa em relação aos últimos anos, permitirá simultaneamente maximizar a absorção dos fundos comunitários do novo Plano de Desenvolvimento Regional (PDR) e aumentar significativamente o investimento em sectores em que o co-financiamento comunitário é nulo ou pouco significativo, lançando em 1994 as bases para o início de um novo ciclo de desenvolvimento para a economia portuguesa.
(Nota à margem: PIDDAC 94:
- contribuição de cerca de 3/4 pontos percentuais para o crescimento do produto
- 20 a 25% do investimento total)
O seu peso na economia aumentará consideravelmente, contribuindo em cerca de 3/4 de ponto percentual para a taxa de crescimento do PIB e assegurará uma percentagem entre 20 e 25% do investimento total.
Porém, é de salientar que, em virtude do aumento das taxas de comparticipação nos investimentos co-financiados pela CE, o aumento do valor global do PIDDAC traduzir-se-á num crescimento moderado da componente orçamental.
Dever-se-á ter em conta, no entanto, que os montantes efectivos de fundos estruturais, em 1994 dependerão do resultado final das negociações do PDR com a Comunidade, actualmente em curso, não só quanto ao seu montante global, mas também quanto à sua afectação plurianual, influenciada, em particular nos primeiros anos, pela modalidade de aplicação dos mecanismos de adiantamento previstos na Cimeira de Copenhaga («Bridge Facility»).
(Nota à margem: Nova forma de inscrição orçamental: separação entre contrapartidas nacionais e transferências comunitárias)
Coincidindo com este novo ciclo de investimentos, o Governo decidiu alterar em 1994 a forma de inscrição no Orçamento do Estado dos investimentos co-financiados, optando por separar de forma evidente as contrapartidas nacionais das transferências comunitárias.
Trata-se de generalizar uma prática iniciada em anos anteriores apenas no caso de alguns projectos, nomeadamente os cofinanciados através do Fundo de Coesão.
Assim, os organismos simples ou com autonomia administrativa passarão a ter os recursos comunitários inscritos em Capº 50, mas com compensação em receita, enquanto que os organismos com autonomia administrativa e financeira inscreverão as receitas comunitárias em Mapa XI-«Outras Fontes».
(Nota à margem: Maior transparência na inscrição)
Esta forma de inscrição orçamental do investimento e despesas de desenvolvimento do Estado traz vantagens sob o ponto de vista de transparência ficando simultaneamente mais evidente a adicionalidade dos financiamentos comunitários aos nacionais, na linha das exigências dos novos regulamentos dos fundos estruturais.
As prioridades do investimento (considerando o financiamento OE e fundos comunitários) reflectem claramente os objectivos fundamentais de estímulo à economia e promoção do emprego.
(Nota à margem: Apoios à modernização do tecido económico: cerca de 30% do total do PIDDAC)
Com efeito, os apoios à modernização do tecido económico, destinados a promover o investimento privado e a melhorar a competitividade das empresas, designadamente nos sectores da agricultura, pescas, indústria, comércio e turismo, representam cerca de 30% do total do PIDDAC
PIDDAC TRADICIONAL E APOIOS
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
(Nota à margem: Infra-estruturas de acessibilidade: 30% do total do PIDDAC)
Por outro lado, a construção de infra-estruturas de acessibilidade (essencialmente transportes e portos) continuam a manter um peso significativo da ordem de 30%, designamente no que se refere às infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias.
PIDDAC POR SECTORES
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
(Nota à margem: Qualificação dos recursos humanos: 12% do total do PIDDAC)
As despesas mais directamente relacionadas com a qualificação dos recursos humanos (educação, formação profissional e ciência e tecnologia) apresentam um peso de cerca de 12% do total, valor bem representativo da prioridade dada a este eixo estratégico de desenvolvimento, tanto mais que a generalidade dos programas e acções de formação profissional não se encontram incluídos em PIDDAC.
(Nota à margem: Qualidade de vida e sectores sociais: cescimentos acentuados)
Nos sectores mais ligados à satisfação das necessidades sociais e à melhoria da qualidade de vida apresentam particular relevo os investimentos na saúde (6,5%), na habitação e urbanismo (4%) e no ambiente (2,5%), com crescimentos muito acentuados.
(Nota à margem: Segurança, ordem pública e justiça: acréscimos significativos)
Também os sectores da segurança e ordem públicas (mais do que duplicando a sua dotação em relação a 1993) e da justiça (com um acréscimo da ordem de 30%) evidenciam claramente o esforço de investimento em sectores com nulo ou reduzido co-financiamento comunitário.
PIDDAC POR MINISTERIOS
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
Em termos institucionais, o MOPTC é naturalmente o ministério com mais peso, sendo responsável por cerca de 32% do total do investimento, seguindo-se-lhe os ministérios mais directamente ligados aos sectores produtivos (Agricultura e Indústria e Energia, respectivamente com 16% e 11% do total) e à qualificação dos recursos humanos, apresentando o Ministério da Educação também um peso de cerca de 9,5%.
PIDDAC 1994
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
SÍNTESE
PRESIDÊNCIA DE CONSELHO DE MINISTROS
O montante de 14,7 m.c. afecta à PCM (10,6 m.c. de financiamento nacional e de 4,2 m.c. de financiamento comunitário) distribui-se no essencial, entre a Secretaria de Estado da Cultura (10,8 m.c.) e o Instituto da Juventude (3,1 m.c.).
Na verba restante incluem-se 350 mil contos, dos quais 150 mil contos de financiamento comunitário, a afectar à Secretaria de Estado da Modernização Administrativa visando assegurar a comparticipação nacional no âmbito da formação e aperfeiçoamento profissional de funcionários da Administração Central, a continuação do estabelecimento de protocolos de modernização administrativa e a conclusão dos projectos de melhoria de instalações do Instituto Nacional de Administração e do Centro de Estudos e Formação Autárquica.
Refira-se ainda a dotação de 120 mil contos para instalações do Serviço Nacional de Protecção Civil e o montante de 240 mil para a continuação do programa de informatização do Governo.
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
A verba de 10,8 m.c., incluindo uma comparticipação comunitária de 2,7 m.c., permitirá intervenções de recuperação nos Palácios de Queluz e da Pena em Sintra (a 1ª fase tem vindo a ser apoiada pelo PRODIATEC), Palácio da Ajuda, Mosteiro da Batalha, Mosteiro de St.ª Clara-a-Velha, Cadeia da Relação do Porto, Fortaleza de Sagres, bem como nos Museus, designadamente, Soares dos Reis (1ª e 2ª fases apoiadas pelo PRODIATEC e PRORAMP), D. Diogo de Sousa, Machado de Castro, de Arte Antiga, de Arte Contemporânea e ainda no Teatro de S. João, no Porto. A informatização da rede nacional de museus continuará a desenvolver-se com co-financiamento através do programa de iniciativa comunitária TELEMATIQUE.
Dos projectos não co-financiados a cargo do IPPAR evidenciam-se os respeitantes à valorização do património cultural (renovação da rede nacional de museus, obras de recuperação de monumentos classificados, valorização dos grandes monumentos e palácios nacionais, protecção de estações arqueológicas). Quanto aos projectos da responsabilidade do IPM serão de referir os relativos à recuperação de museus (circuitos de visitas e áreas de exposição, melhoria das condições de segurança e dos serviços de apoio ao visitante).
Prevêem-se igualmente acções a cargo dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, sobretudo, para instalação e continuação de obras em diversos Arquivos Distritais (Porto, Aveiro, Braga, Faro e Leiria); do IBNL visando a prossecução do apoio às Autarquias Locais na construção de bibliotecas no âmbito da «Rede de Leitura Pública» incluindo o programa Bibliopolis vocacionado para o apoio a municípios de grande dimensão urbana e ainda para acções no domínio da promoção da literatura portuguesa; da D.G. Espectáculos e das Artes na adaptação e instalação de centros e espaços de animação cultural e apoios nas áreas da música e teatro e do IPC no apoio à exibição comercial de filmes. Através da Cinemateca Nacional prosseguirá a 2ª fase da construção do Arquivo Nacional das Imagens em Movimento e continuarão a ser desenvolvidas acções para a salvaguarda e conservação do património fílmico português.
A Fundação das Descobertas conta com uma verba que possibilitirá o equipamento do Centro de Exposições (Núcleo Museológico e Galerias de Exposições), do Centro de Espectáculos (Auditórios) e ainda a informatização das diversas áreas.
INSTITUTO DA JUVENTUDE
Os recursos financeiros de 3,1 m.c., dos quais 1,8 de financiamento nacional, afectos ao Instituto da Juventude, permitirão viabilizar a construção, recuperação e conservação de Centros e Pousadas de Juventude e apoiar as infra-estruturas associativas juvenis e o acesso de jovens à função empresarial.
Prosseguir-se-á o Programa de Pousadas de Juventude (algumas das quais com co-financiamento comunitário), com a conclusão das de Esposende, Lisboa, Almada e Ovar, o lançamento das do Porto, Viana do Castelo e Bragança e a recuperação de outras unidades, bem como a elaboração de projectos para novas.
No âmbito do Programa de Centros de Juventude a dotação prevista contempla a conclusão dos de Castelo Branco, Guarda, Leiria e Portalegre e o lançamento de Centros em Lisboa, Porto, Beja e Évora.
Serão ainda desenvolvidas acções dirigidas ao apoio a associações juvenis, a jovens empresários quer através de incentivos a projectos que visem a criação, expansão e modernização de empresas quer com a promoção de ninhos de empresas (conclusão do de Faro e lançamento de novos) e à sensibilização dos jovens a áreas da ciência e tecnologia.
MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL
A dotação para este Ministério, atinge 1,5 m.c. e destina-se fundamentalmente ao prosseguimento de acções em curso, designadamente no que se refere à remodelação e automatização da rede de sinalização marítima, aos sistemas de socorro e segurança marítima e à construção de capitanias e postos marítimos, ao desenvolvimento do sistema de informação geo-cartográfica e da capacidade de busca na ZEE e de salvamento de náufragos na costa portuguesa.
Prevê-se ainda o lançamento de novos projectos para reequipamento de laboratórios, acções de investigação e aquisição de salva-vidas para o Instituto de Socorros a Náufragos.
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS
Com a dotação 300 mil contos, pretende-se assegurar a continuação dos programas de informatização das Direcções-Gerais da Contabilidade Pública e do Tesouro, no âmbito do processo de modernização da Administração Pública assim como permitir a continuação de acções a nível da recuperação e conservação de imóveis através da D.G. do Património do Estado.
MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA
Os recursos afectos a este Ministério (4,2 m.c. completados com 1,8 m.c. de financiamento comunitário) darão resposta à prossecução das obras em curso em quartéis da GNR e esquadras da PSP, viabilizarão um conjunto significativo de acções no âmbito da reestruturação das Forças de Segurança não só no que se refere a instalações para novas divisões concentradas nas área metropolitanas de Lisboa e Porto mas também no domínio das telecomunicações. Contempla ainda projectos com o objectivo de melhorar as instalações e equipamento das delegações regionais da Direcção-Geral de Viação.
700 mil contos assegurarão a contrapartida interna da aquisição de helicópteros e outras infra-estruturas de apoio aéreos no âmbito da protecção das florestas contra incêndios a que acrescerá o financiamento comunitário acima referido.
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA
A dotação de 8,1 m.c., representando um forte aumento em relação à dotação de 1993, permitirá dar continuidade à construção de Tribunais (2,9 m.c.), designadamente os de S. João da Madeira, Setúbal, Braga, Coimbra, Fundão, Matosinhos, , Moita, Portimão, Seixal, Vila Nova de Gaia. No que se refere a estabelecimentos prisionais (2,5 m.c.) proceder-se-à não só à conclusão do novo Estabelecimento Prisional do Funchal e à continuação da construção do novo Corpo Prisional de Santa Cruz do Bispo, mas também a grandes obras de reparação nos estabelecimentos prisionais de Lisboa, Sintra e Linhó.
Merece também referência as verbas afectas à Polícia Judiciária, nomeadamente para a construção do novo edifício para a Directoria do Porto, continuação das obras de ampliação da Directoria de Coimbra, e implantação de uma inspecção em Leiria e continuação da construção do bloco social do Instituto Nacional de Polícia e Ciências Criminais.
Serão ainda adquiridos novos edifícios e recuperados outros para instalação de serviços de registo e notariado.
Note-se que à dotação de 8,1 m.c. deverá acrescer um financiamento adicional através do orçamento do Gabinete de Gestão Financeira sem o qual não se poderão concretizar grande parte das acções referidas.
MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS
Do investimento a realizar no valor de 1,6 m.c. (200 mil de co-financiamento comunitário), merece particular destaque o reequipamento do Departamento da Cifra e da Rede Diplomática (alargamento das redes rádio e de criptofaxes, criação de uma rede embrionária de criptofones e substituição de parte do equipamento de criptografia telegráfica) visando garantir comunicações rápidas e eficazes permitindo baixar substancialmente os custos de exploração, nomeadamente os custos com as comunicações dos serviços externos.
Será igualmente de destacar a instalação, remodelação e recuperação de Instalações para Serviços Diplomáticos e Consulares, bem como a melhoria dos seus equipamentos no que se refere à modernização do sistema de circulação e tratamento da informação, sobretudo a informatização dos consulados de Portugal.
Também se procerá à aquisição de equipamento informático para os serviços do Ministério e à concretização de obras de recuperação e adaptação do Palácio das Necessidades permitindo a eliminação de encargos com imóveis arrendados.
MINISTÉRIO DO PLANEAMENTO E DA ADMINISTRAÇÃO DO TERRITÓRIO
Os 54,3 m.c., dos quais 30,6 de origem comunitária, permitem a continuação dos programas TELEMATIQUE, RENAVAL, PRISMA, INTERREG, PERIFRA e RETEX e ainda o lançamento de dois novos programas: Sistema de Incentivos Regionais e Apoios ao Desenvolvimento Rural e Local.
O Sistema de Incentivos Regionais (SIR) tem por objectivo o desenvolvimento endógeno das regiões menos desenvolvidas enquanto o programa de Apoios ao Desenvolvimento Rural e Local contempla essencialmente medidas incentivadoras do investimento, artesanato, criação de emprego, recuperação de aldeias e dinamização local.
Na área da Ciência e Tecnologia, cabe destacar as acções de apoio ao desenvolvimento da base do sistema de C&T designadamente a conclusão dos projectos aprovados no âmbito do programa Ciência assim como o lançamento de grandes programas interdisciplinares e plurianuais de investigação e criação de novos laboratórios de I&D; no domínio da modernização da capacidade científica e tecnológica para a inovação continuar-se-ão acções incluídas nos Programas Ciência e STRIDE, nomeadamente o apoio à Agência de Inovação e à prossecução da instalação de infra-estruturas de base e uso comum nos «campus» de I&D dos Parques de Ciência e Tecnologia de Lisboa e Porto.
Ainda no conjunto de investimentos co-financiados será de realçar o lançamento do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva.
Neste Ministério cabe ainda referir as dotações para equipamentos de utilização colectiva (sociais, recreativos e culturais) e para o apoio à execução dos planos municipais de ordenamento do território e consolidação do sistema urbano no âmbito da DGOT a par de acções da responsabilidade do I.G. Cadastral (actualização do cadastro e cartografia digitalizada), do CNIG (Sistema Nacional de Informação Geográfica e Gestão informatizada dos PMOT), e do IGAT e DGAA (informatização de serviços).
Os recursos afectos ao INE visam, a prossecução de actividades decorrentes dos compromissos comunitários, no domínio da informação estatística, originados pelo Mercado Interno e a nova PAC.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA
Situa-se em cerca de 106 m.c. o montante afecto a este Ministério dos quais 35 m.c. asseguram o esforço financeiro orçamental interno, no essencial destinado à comparticipação nacional em programas cofinanciados pelo FEOGA e cerca de 71 milhões resultam de financiamento comunitário.
Continuar-se-ão a desenvolver projectos no domínio das infra-estruturas físicas, designadamente regadios tradicionais, novos regadios colectivos, reabilitação de perímetros de rega, grandes regadios (aproveitamentos da Marateca, Baixo Mondego, Cova da Beira, Barlavento e Sotavento Algarvio, Macedo de Cavaleiros e Minutos), drenagem e conservação de solos, construção e beneficiação de caminhos rurais, electrificação de explorações agrícolas e acções de emparcelamento rural integrado.
Na área dos apoios às explorações agrícolas a dotação permitirá o desenvolvimento de acções de apoio e incentivo nos domínios da modernização tecnológica e reorientação da produção, redimensionamento fundiário, desendividamento (refinanciamento dos créditos em dívida), indemnizações para compensação de desvantagens naturais de produção dos agricultores que exercem a sua actividade em zonas desfavorecidas e fundo de risco (mecanismo de cobertura de riscos que não se encontram cobertos pelo regime normal de seguros de colheita).
No âmbito da valorização do património florestal propiciará a continuação de acções visando a realização de investimentos na florestação de solos de aptidão florestal a rearborização de áreas ardidas e a protecção das florestas contra incêndios e poluição.
O desenvolvimento de projectos de investigação básica, aplicada e de demonstração, formação de quadros técnicos e de agricultores, o reforço da capacidade técnica e de gestão das associações e o apoio à criação e funcionamento de organizações de produtores são outras das acções contempladas.
Dotação significativa será afecta a acções na área da transformação e comercialização de produtos agrícolas e silvícolas, incluindo a satisfação de compromissos no âmbito do Reg.(CEE) 866/90 tendo por objectivos principais a modernização de estruturas e tecnologias de fabrico, a reestruturação do tecido industrial (propiciando concentrações e a obtenção de economias de escala), a melhoria da eficiência nos circuitos de distribuição, o incentivo aos produtos tradicionais regionais e o reforço da capacidade financeira das empresas (contribuição para a constituição de um fundo de capital de risco ligado a empresas agro-industriais em áreas de inovação de produtos e tecnologias).
Ainda nas acções com co-financiamento comunitário ganham significado as iniciativas comunitárias INTERREG e LEADER e as medidas veterinárias e sanidade animal.
A dotação prevista para as acções não co-financiadas, permitirá, sobretudo, a conclusão de instalações para os serviços regionais (DRA Entre Douro e Minho, DRA Ribatejo e Oeste, DRA Algarve) e de projectos em curso de investigação agrária assim como o prosseguimento do projecto Banco de Terras/emparcelamento e das acções no âmbito do PDRITM.
INISTÉRIO DA INDÚSTRIA E ENERGIA
O montante de 71 m.c., com uma componente nacional de 21 m.c., permitirá assegurar o cumprimento dos compromissos referentes aos incentivos no âmbito do PEDIP II e do SIBR e dar resposta a novas acções com e sem co-financiamento comunitário nos domínios da Dinamização do Ambiente de Eficiência Empresarial (desenvolvimento e consolidação de infra-estruturas de apoio à indústria e tecnológicas, fortalecimento das entidades do Sistema Português de Qualidade, reforço da capacidade técnica de entidades vocacionadas para prestar serviços de consultadoria e outros serviços de apoio à indústria e criação de condições que facilitem a realização de acções de inovação e reorganização empresarial através de sistemas de engenharia financeira para apoio às empresas); da Consolidação e Reforço das Estratégias Empresariais (visando acções para o desenvolvimento dos planos das empresas industriais a médio e longo prazos) e das Estratégias de Produtividade, Qualidade e Internacionalização integrando intervenções, sobretudo da Administração, com carácter voluntarista em áreas definidas como prioritárias no âmbito da política industrial.
No conjunto dos projectos com co-financiamento comunitário encontram-se ainda previstas verbas que permitirão dar continuidade aos projectos referentes aos laboratórios de metrologia de Lisboa e Porto bem como para a contrapartida interna para os incentivos à Utilização Racional de Energia e fomento da Utilização das Energias Renováveis.
As acções não co-financiadas desenvolvem-se nos campos da investigação científica e tecnológica, do equipamento e instalação dos serviços e da melhoria de sistemas de informação.
MINISTÉRIO DO EMPREGO E DA SEGURANÇA SOCIAL
A dotação de 4,5 m.c. destina-se a ser aplicada, na sua quase totalidade, (cerca de 88%), a intervenções na área da segurança social mediante programas de equipamentos e serviços sociais que obedecendo a uma definição de prioridades idêntica à de 1993, com um reforço nas áreas da 3ª idade (mais de 50% do investimento) e da toxicodependência; nos restantes programas (Equipamentos e Serviços para a 1ª e 2ª Infâncias, Centros de ATL para Crianças e Jovens, Equipamentos e Serviços para Menores Privados de Meio Familiar Normal, Educação e Integração Social de Menores Deficientes e Invalidez e Reabilitação) prosseguir-se-à o esforço de redução de lacunas ou insuficiências assim como o ajustamento da rede às assimetrias regionais detectadas e à evolução de outras redes de equipamentos colectivos com respostas de natureza complementar ou alternativa.
Prevê-se assim, a conclusão, durante o ano de 1994, de cerca de 4 mil novos lugares, preferencialmente dirigidos a idosos e deficientes e 1200 serão alvo de melhoria na qualidade da resposta oferecida.
Na Área do Trabalho, serão desenvolvidas acções de actuação e de informatização relacionadas com a melhoria das condições do trabalho, nos domínios da higiene e segurança.
A esta dotação acrescem montantes significativos financiados através de recursos próprios, designadamente no caso do IEFP e através do Orçamento da Segurança Social.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
O esforço financeiro nacional de 43 m.c. conjuntamente com cerca de 18 m.c. de financiamento comunitário viabilizara um investimento total da ordem de 61 m.c..
Nos Ensinos Básico e Secundário, continuará o desenvolvimento de infraestruturas, nomeadamente instalações, apetrechamento, conservação e remodelação de escolas e de áreas laboratoriais. São também de significativa importância as acções no âmbito do ensino profissional de modo a consolidar e desenvolver a actual rede de escolas profissionais, através da criação e apetrechamento de novas escolas e reequipamento das existentes.
Os recursos para o Ensino Superior (Universitário e Politécnico), visam sobretudo a construção, beneficiação e equipamento de infra-estruturas.
Ao nível do Ensino Superior Politécnico, destaca-se o início ou conclusão de diversas Escolas Superiores de Tecnologia e Gestão, nomeadamente dos Institutos Politécnicos de Bragança, Castelo Branco, Leiria, Portalegre, Tomar e Viseu, bem como dos investimentos no Instituto Superior de Contabilidade e Administração e no Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico do Porto.
No âmbito do Ensino Superior Universitário refira-se as acções incluídas nos projectos da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, da Unidade de Engenharia - 2ª fase do Pólo de Braga da Universidade do Minho, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, do ISEG e as novas instalações do Alto da Ajuda da UTL, bem como da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Relativamente ao Ensino Superior destaca-se ainda o investimento afecto à construção e recuperação de residências, cantinas e outros equipamentos e apoios de carácter social.
De referir os investimentos nas áreas da Educação Especial, e das infra-estruturas desportivas, designadamente, as destinadas a alunos do 2º e 3º ciclos e a construção do complexo de piscinas para alta competição, no Jamor.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
O valor de 42 m.c. (27 m.c. de financiamento nacional e 15 m.c. de financiamento comunitário) permitirá investimentos em que tem forte peso a construção/apetrechamento de novos Hospitais Distritais - Leiria, Matosinhos, Dr. Fernando da Fonseca - Amadora/Sintra, Viseu, Cova da Beira, Vale de Sousa, Tomar, Santa Maria da Feira, Torres Novas, Barlavento Algarvio, Lamego e ampliação do de Setubal.
Será possível proceder a intervenções de ampliação/apetrechamento em 40 Hospitais Distritais e no Centro Hospitalar das Caldas da Rainha, prevendo-se a conclusão de 13 bem como do Sanatório de Torres de Vedras; igualmente se prevêem investimentos em 21 Hospitais e Maternidades Centrais e no Centro Materno Infantil do Norte e Instituto de Oftalmologia Gama Pinto.
Assume ainda significado neste sector a continuação das acções de construção, ampliação e beneficiação envolvendo 58 Centros de Saúde e Extensões.
A formação na área da saúde beneficiará da construção/apetrechamento das Escolas de Enfermagem (Viana do Castelo, Faro e Artur Ravara em Lisboa) e da Escola Técnica do Serviço de Saúde de Lisboa.
Refira-se também a atribuição de verbas ao Instituto Português de Sangue, Serviços de Saúde Mental, Centros de Histocompatibilidade e aos Institutos de Oncologia.
Iniciar-se-á a construção das centrais de incineração de resíduos sólidos hospitalares de Lisboa e Porto, a co-financiar no âmbito do programa ENVIREG.
MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES
O valor de 209,7 m.c. (131,5 m.c. de financiamento nacional e cerca de 78 m.c. de financiamento comunitário) permitirá investimentos em que tem forte peso as verbas a afectar à JAE que atingirão cerca de 122 m.c. (80.8 m.c. de esforço orçamental) assegurando as principais intervenções na modernização da rede fundamental: IP1 (Ponte do Freixo e acessos; acessos à Ponte de Valença), IP2 (Soalheira-Castelo Branco; beneficiação EN256 - Vidigueira; Túnel da Gardunha), IP3 (Figueira da Foz-Santa Eulália; Raiva-Gestosa; Fail-IP5), IP4 (Bragança-Quintanilha,; Vila Real-Vila Verde; Vila Verde-Franco), IP6 (Alcanena-Atalaia; Atalaia-Abrantes; Abrantes-Mouriscas), IP7 (Vila Boim-Caia); na modernização da rede complementar - IC1 (Variante das Caldas da Rainha), IC2 (Var.EN10; Viadouros-Landiosa; Quebradas-Asseiceira), IC5 (Variante de Fafe), IC7 (Raiva-Catraia dos Poços), IC8 (Sertã-Proença-a-Nova; Pombal-Auto Estrada), IC10 (Santarém-Auto Estrada), IC13 (Ponte de Sôr- Alter do Chão), IC16 (Ranholas-Lourel; Radial da Pontinha), IC17-CRIL (Alto do Duque-Buraca; Pontinha-Olival de Basto), IC22 (Radial de Odivelas) e IC24 (Via Rápida de Matosinhos).
Para a Ferrovia, prevê-se um montante da ordem dos 59 m.c.(cerca de 33,5 m.c. de fundos comunitários) que permitirão investimentos da CP nas linhas do Norte e Beira Alta, Itinerário dos Granéis Sólidos e Terminal da Bobadela.
Permitirá também o desenvolvimento dos projectos da Linha de Sintra, Ramal de Alcântara e Linha do Oeste assim como do eixo ferroviário Norte-Sul da responsabilidade do GNFL.
Relativamente ao GNFP, os principais projectos a desenvolver são a Estação de Contumil, Troço Campanhã-Contumil e Ramal de Leixões.
Para o sector da Habitação prevê-se o montante de 19 m.c. (15,2 m.c. de esforço orçamental) para a renovação das zonas ocupadas por barracas no âmbito de acordos gerais de adesão com os Municípios das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto e a reabilitação de zonas degradadas nessas mesmas Áreas; possibilitará também acções de realojamento bem como a construção de habitações económicas a par da continuação do Programa RECRIA.
A restante dotação será dirigida em grande parte para a DGEMN a dispender na recuperação de edifícios públicos e na construção de quartéis e esquadras para as forças de segurança e ainda no Centro Cultural de Belém.
MINISTÉRIO DO COMÉRCIO E TURISMO
A verba de 13,2 m.c., em que se incluem 5,3 m.c. de financiamento nacional, permitirá apoiar os programas de Desenvolvimento Internacional de Comércio e Serviços (diversificação geográfica dos mercados de exportação, apoios a empresas para a sua internacionalização, promoção da imagem global de Portugal contemplando apoios quer a fundo perdido quer através de linhas de crédito protocoladas) e de Modernização do Comércio (através da aplicação de um sistema de incentivos), envolvendo montantes da ordem de 3,5 e 7 m.c., respectivamente.
Nas acções não co-financiadas dever-se-à realçar, a intervenção do ICEP visando a Promoção Externa de Portugal (1,5 m.c.) e a canalização de verbas para a inventariação dos recursos turísticos, informatização de serviços e melhoria da informação.
MINISTÉRIO DO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS
Com uma capacidade de investimento de 32,8 m.c. dos quais 16 m.c. de financiamento nacional e o restante proveniente de fundos comunitários, neste Ministério assumem peso significativo os investimentos em aproveitamentos hidráulicos, designadamente os de Odeleite-Beliche, Odelouca-Funcho, Macedo de Cavaleiros, Baixo Mondego, Cova da Beira e lançamento do de Enxoé; em obras de saneamento básico (construção e ampliação de sistemas integrados de saneamento, nomeadamente os da Costa do Estoril, Bacia do Ave, Bacia do Trancão, Bacia de Alviela, Ria de Aveiro e Grande Porto); na construção e ampliação de sistemas multimunicipais de abastecimento de água em alta, nomeadamente no Grande Porto, na Grande Lisboa e Médio Tejo e Algarve.
Através de contratos-programa com a Administração Local serão também apoiados projectos de saneamento básico, em particular os que visem maximizar os investimentos multimunicipais.
No domínio da conservação e valorização do património natural predominam acções no âmbito das áreas protegidas de que se destacam a reflorestação e instalação de uma rede de vigilância de fogos.
Na Protecção do Ambiente salienta-se a dotação a afectar ao Laboratório de Acreditação e Sistema Nacional e apoios a projectos regionais.
No âmbito da melhoria do impacte ambiental da actividade produtiva salienta-se a concessão, em articulação com o PEDIP II, de subsídios às unidades industriais para a instalação de equipamentos de despoluição terminal de efluentes líquidos e gasosos e de resíduos sólidos.
Quanto a acções não co-financiadas refira-se ainda a modernização das redes de meteorologia, a instalação de Serviços e intervenções na área da defesa do consumidor
MINISTÉRIO DO MAR
Os recursos financeiros afectos a este ministério - 21,5 m.c. dos quais 12,5 m.c. representam o esforço orçamental - contemplarão o sector portuário e de transportes marítimos e o sector das pescas.
Quanto à modernização de infra-estruturas, instalações e equipamentos portuários assumem particular relevo as grande reparações e obras complementares a infra-estruturas existentes sendo de salientar o projecto de prolongamento do cais do Terminal Norte do Porto de Aveiro, a conclusão das obras de regularização do Baixo Mondego integradas no programa de Melhoramento do Porto da Figueira da Foz, a concretização do plano de desenvolvimento do Porto de Sesimbra, a execução de dragagens de manutenção em Portos de Comércio, o aproveitamento e valorização da Ria de Alvor, a infra-estruturação básica de núcleos e docas de recreio e ainda a conclusão do projecto do terminal Roll-on Roll-off da Ford/VW, em Setúbal da responsabilidade da APSS.
Ainda na área portuária mas em acções vocacionadas para o apoio às pescas dever-se-ão referir as que ocorrerão no âmbito do Programa Melhoramento dos Portos Secundários - Pescas envolvendo intervenções relativas a grandes reparações.
Os apoios nacionais (sem co-financiamento comunitário) à modernização da frota de Marinha de Comércio contarão com uma dotação de 0,7 m.c..
No sector das pescas será dada continuidade à execução dos regulamentos comunitários em vigor dando cumprimento a compromissos assumidos em anos anteriores e apoiando novos projectos, designadamente no âmbito do ajustamento e redimensionamento da frota de pesca (adaptação de capacidades, modernização da frota, reorientação da actividade); desenvolvimento da aquacultura; melhoria da capacidade competitiva da indústria transformadora e eficácia dos circuitos de comercialização (reforço da competitividade da indústria de conservas de peixe, divulgação e promoção dos produtos da pesca); reforço das infra-estruturas e equipamentos portuários de apoio à pesca e da valorização social e profissional dos recursos humanos envolvidos no sector das pescas e actividades complementares.
Serão ainda concedidos apoios (não co-financiados) para a racionalização da exploração pesqueira (sobretudo para o segmento da frota artesanal), modernização da Indústria de Conservas, desenvolvimento empresarial (apoio à constituição de um fundo de capital de risco com a participação das organizações de produtores e das empresas de pesca e à criação de uma linha de crédito de apoio ao seu fundo de maneio) e a acções para a qualidade e regulação do mercado com o objectivo de reduzir os efeitos da sazonalidade da produção das principais espécies.
No âmbito da prospecção e investigação dos recursos marinhos serão desenvolvidas acções essencialmente pelo IPIMAR.
FUNDOS ESTRUTURAIS
Evolução do QCA 1989-93
1993 constitui o último ano de execução do QCA 1989-93 e consequentemente de conclusão das intervenções operacionais que o integram.
(Nota à margem: Balanço de execução do QCA I altamente positivo)
O balanço da execução do QCA revela-se altamente positivo prevendo-se que, no período em causa, sejam assumidos os compromissos financeiros na sua totalidade, as transferências correspondam a 85% do total previsto e a despesa pública efectiva co-financiada pelos fundos estruturais atinja 96%. Em 1994, quer as transferências, quer a despesa pública atingirão um grau de execução de 100%, conforme estabelecido nos regulamentos comunitários.
É de realçar que o QCA 1989-93 constitui a primeira experiência de execução programada das intervenções estruturais da Comunidade, facto que confere ainda maior significado aos resultados obtidos.
EVOLUÇÃO DOS FUNDOS ESTRUTURAIS
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
(Nota à margem: 1992, valor máximo dos compromissos assumidos, com repercussões no volume de transferências comunitárias de 1993)
No que se refere à execução das acções ao longo do período verifica-se que os compromissos atingiram o seu valor máximo no ano de 1992, o que corresponde, em termos relativos, a um maior volume de decisões de financiamento aprovadas, nesse ano, e que deram origem a um crescimento do montante das transferências comunitárias em 1993. Estes dois últimos anos correspondem deste modo ao período de maior absorção dos fundos comunitários.
QUADRO COMUNITÁRIO DE APOIO
EXECUÇÃO
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
Relativamente ao FEDER, representando mais de 50% do total de fundos estruturais, verificou-se uma evolução semelhante à do total dos fundos estruturais, isto é, o ano de 1992 registou um valor máximo em termos de compromissos, dado que se tratou de um ano de lançamento de projectos cuja realização ocorreu este ano.
O ano de 1993
(Nota à margem: Fundos estruturais: contributo para o crescimento do produto de cerca de 0,3 pontos percentuais)
No ano de 1993, foram assumidos os últimos compromissos do QCA, cerca de 440 milhões de contos; relativamente às transferências prevê-se um valor da mesma ordem de grandeza, (correspondendo a parte remanescente às subvenções finais a serem transferidas em 1994); quanto à despesa pública efectiva co-financiada pelos fundos estruturais, esta deverá ultrapassar 800 milhões de contos no corrente ano.
O contributo dos fundos estruturais para o crescimento do PIB em 1993 deverá atingir 0,3%.
EVOLUÇÃO DOS COMPROMISSOS
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
(Nota à margem: Apoio adicional no novo Instrumento Financeiro de Coesão, a partir do 2º trimestre)
Para além dos três fundos estruturais existentes, Portugal beneficiou também, em 1993, do apoio do Instrumento Financeiro de Coesão (IFC), cuja negociação e aprovação ocorreu no 1º trimestre permitindo, no cumprimento das conclusões do Conselho Europeu de Edimburgo, tendo entrado em vigor em 1 de Abril de 1993. O conjunto das candidaturas apresentadas até ao final do 3º trimestre totalizam 100 milhões de contos. As primeiras aprovações representaram 14 milhões de contos, esperando-se até final do ano cobrir o total do montante disponível para Portugal - 50 milhões de contos - deslizando para 1994 as restantes candidaturas.
(Nota à margem: Transferências do IFC em 1993: cerca de 25 milhões)
Relativamente às transferências , prevê-se um montante de cerca de 25 milhões de contos, em 1993.
(Nota à margem: Revisão dos regulamentos dos fundos estruturais e criação do IFOP)
No ano de 1993 verificou-se a revisão dos regulamentos dos fundos estruturais (FEDER, FSE e FEOGA-O) e a criação de um novo instrumento financeiro - o Instrumento Financeiro de Orientação da Pesca (IFOP) - destinado a apoiar financeiramente as acções estruturais no sector da pesca.
EVOLUÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
(Nota à margem: Principais alterações:
- duplicação dos recursos em 1999
- simplificação de procedimentos
- alargamento de elegibilidades
- aumento da taxa de cofinanciamento
- maior exigência em matéria de controle e avaliação)
As principais alterações introduzidas nos regulamentos dizem respeito à duplicação dos recursos em 1999 relativamente a 1992, à simplificação de procedimentos, de programação e execução, ao alargamento do âmbito de elegibilidade e ao aumento da taxa de cofinanciamento. Por outro lado, é feita uma maior exigência em matéria de controlo e avaliação e é dado maior ênfase ao acompanhamento físico das acções.
(Nota à margem: Os novos regulamentos: entrada em vigor em 1 de Agosto de 1993 e enquadramento para a 2ª geração de QCA)
Os novos regulamentos entraram em vigor no dia 1 de Agosto de 1993 passando a constituir o enquadramento para a acção estrutural da Comunidade no período 1994-99, traduzida no estabelecimento de uma 2ª geração de Quadros Comunitários de Apoio para os próximos seis anos.
O próximo Quadro Comunitário de Apoio
(Nota à margem: PDR: instrumento para a concretização das Opções Estratégicas)
A base para a negociação do futuro QCA é o Plano de Desenvolvimento Regional 1994-99 que foi apresentado, em 9 de Julho, pelo Governo Português à Comissão das Comunidades Europeias.
O PDR dá resposta às Opções Estratégicas, definidas pelo Governo, de preparação de Portugal para o novo contexto europeu, para a competição numa economia
Trata-se de documento de negociação dos apoios financeiros comunitários, pelo que apenas se reporta a uma parcela da actuação do Estado, no período em causa, assentando a sua estrtégia em dois pressupostos:
- a necessidade de basear o crescimento sustentado numa mudança na estrutura da economia e do emprego, mais compatível com a evolução nos mercados internacionais;
- a necessidade de dar maior significado às acções dirigidas à melhoria da qualidade de vida e que se concretizem em paralelo com as mudanças que assegurem a competitividade da economia.
As orientações de fundo do PDR são a redução do diferencial de desenvolvimento económico e social face aos países da Comunidade, mediante um crescimento mais acelerado do que a média comunitária, e a redução das assimetrias internas de desenvolvimento.
O PDR tem quatro grandes objectivos:
- Qualificar os recursos humanos e o emprego;
- Reforçar os factos de competitividade da economia;
- Melhorar a qualidade de vida e a coesão social;
- Fortalecer a base económica regional.
A operacionalização estratégica e programática desses objectivos é apresentada em quadro, no qual são também indicados os montantes financeiros envolvidos.
(Nota à margem: Negociação do QCA a três níveis:
- definição do montante financeiro global
- discussão técnica do conteúdo das áreas de actuação
- discussão dos mecanismos de transição)
A negociação do QCA decorre em três planos distintos: a negociação do montante financeiro global que será atribuído a Portugal no período 1994-99; a discussão, ao nível técnico, do conteúdo das diferentes áreas de actuação, à luz dos objectivos e das regras de aplicação da política estrutural comunitária, e, por último, a negociação do mecanismo de transição que se destina a apoiar o relançamento da economia comunitária, conforme acordado no Conselho Europeu de Copenhaga e que se traduz na posssibilidade de contracção de empréstimos junto da Comunidade, de modo a poder antecipar o financiamento de acções que, em princípio, seriam realizadas posteriormente.
Plano de financiamento previsional por eixo e por forma de investimento
([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1993/12/295a01/00020144.pdf))
Isto significa que em termos meramente financeiros as negociações com a Comissão Europeia incidirão não apenas no volume plurianual de recursos comunitários a transferir para Portugal mas igualmente na sua distribuição anual, o que desde logo condicionará o calendário de execução das acções previstas no PDR.
O ano de 1994
(Nota à margem: Transferências em 1994: cerca de 500 milhões de contos)
As transferências financeiras da Comunidade no próximo ano estão portanto dependentes da evolução das negociações do QCA, prevendo-se, no entanto, que venha a ser atingido um montante da ordem dos 500 milhões de contos.
O fecho das negociações do QCA até ao final de 1993 viabilizará o lançamento das novas intervenções operacionais no ínicio de 1994, conseguindo-se assim uma transição sem interrupções entre os dois QCA.
No arranque deste novo período de programação, com a grande dimensão dos meios envolvidos e para uma duração de seis anos, é oportuno proceder à definição de novas regras orientadoras para a promoção dos investimentos apoiados pelos fundos estruturais, que permitam:
(Nota à margem: Novas regras para a promoção dos investimentos)
- contemplar os aperfeiçoamentos que a experiência anterior aconselha;
- e introduzir parâmetros adicionais adaptados às novas prioridades, quer na área das elegibilidades quer nas técnicas ou procedimentos de programação e orçamentação, e gestão, avaliação e controle.
No domínio das novas elegibilidades é de assinalar a abertura a quatro novos sectores fundamentais para o nosso processo de desenvolvimento:
(Nota à margem: Novas elegibilidades)
- Ambiente - passa a beneficiar de uma intervenção própria com montantes muito significativos;
- Renovação urbana - orientada para a resolução das carências das zonas mais degradadas das Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto;
- Saúde e exclusão social - que passam a constituir uma componente importante de intervenção na área social;
- Mundo rural - com uma intervenção de fundo especificamente orientada para os problemas de desenvolvimento das zonas rurais, numa óptica de integração e coordenação inter-sectorial.
(Nota à margem: Reformulação organizativa dos instrumentos de intervenção)
Outra inovação importante é a reformulação organizativa dos instrumentos de intervenção do novo PDR, que envolve:
- a adopção de uma estrutura que permite que, para a maior parte dos sectores, regiões e prioridades, seja claramente enunciado o papel de cada fundo estrutural na estratégia delineada, aumentando a visibilidade das prioridades definidas;
- a significativa redução do número de programas operacionais, contribuindo assim para a melhoria do processo decisório e para a simplificação de procedimentos administrativos;
- a apresentação das acções das diferentes instituições de acordo com as competências e responsabilidades de cada nível da Administração, aumentando com isso a transparência dos tipos de actuações;
- a criação de um novo espaço de articulação das intervenções sectoriais e regionais, nomeadamente à escala supra-municipal e regional, reforçando as condições de diálogo e parceria.
(Nota à margem: Novas regras de acesso aos recursos comunitários)
São ainda estabelecidas novas regras de acesso aos recursos comunitários, que pretendem criar condições de rigor acrescido na sua aplicação, designadamente:
- a afectação de meios tendo em atenção não apenas as prioridades identificadas mas também a avaliação das capacidades de auto-financiamento dos promotores, dada a necessidade de redução do défice orçamental;
- a utilização generalizada das taxas máximas de financiamento permitidas pelos regulamentos dos fundos estruturais, «poupando» sempre que possível o esforço orçamental interno;
- a reorientação qualitativa dos principais instrumentos de apoio ao investimento privado, através do recurso a novas formas de engenharia financeira que minimizem a participação de subvenções a fundo perdido;
- a opção por empreendimentos de escala superior à média actual, que garantam impactos económicos duradouros, estabelecendo-se que os projectos de infra-estruturas deverão, em regra, ter uma dimensão mínima de cinquenta mil contos;
- a melhoria da qualidade da programação e orçamentação de investimentos, criando as condições técnicas e organizativas necessárias à intensificação da actividade de avaliação prévia de projectos, nas ópticas de viabilidade económica (em construção e exploração), soluções técnicas de engenharia de acordo com padrões pré-determinados (organização de espaços e materiais empregados), medições para orçamentos, auditoria energética, respeito pela legislação em matéria de ordenamento do território, etc.
Finalmente, no âmbito das estruturas de implementação, apontam-se os seguintes princípios globais:
(Nota à margem: Princípios globais das estruturas de implementação)
- descentralização gradual das funções de gestão, dentro do aparelho do Estado ou mesmo, em alguns casos, com entidades externas de reconhecida credibilidade, baseada em sistemas de contratualização de deveres e obrigações;
- reforço da participação dos agentes económicos na implementação das intervenções, através de órgãos próprios de acompanhamento da execução;
- valorização das funções de acompanhamento e avaliação, na dupla vertente de quantificação das realizações físicas e de análise sistemática dos impactos sócio-económicos esperados das intervenções estruturais;
- intensificação da acções de controle da aplicação dos recursos.
ELEMENTOS INFORMATIVOS
LINHAS DE ORIENTAÇÃO DOS PLANOS REGIONAIS
REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES
O desenvolvimento económico e social da Região Autónoma dos Açores está estreitamente ligada ao desenvolvimento da base produtiva regional, com o aumento do produto interno e do emprego e a diversificação do padrão de produção, à promoção do factor humano através de acções nas áreas da educação, saúde, formação profissional e lazer, à defesa e valorização do património regional, através da confiança e reforço da identidade cultural da região, à modernização das infra-estruturas de desenvolvimento, pela melhoria da operacionalidade das redes de transporte, telecomunicações e energéticas.
Para concretização destes objectivos, são as seguintes as principais áreas de acção:
- Dinamização da actividade económica
- Desenvolvimento dos recursos humanos
- Melhoria das infra-estruturas de transporte e energia
- Defesa do ambiente e promoção da qualidade de vida
- Modernização administrativa
Assim, em 1994, serão levadas a cabo as seguintes acções:
Dinamização da actividade económica
- concessão de apoios financeiros e de outra natureza a agentes privados e públicos, com vista ao fomento das actividades produtivas;
- criação de economias externas às empresas, através da dotação de infra-estruturas directamente ligadas às actividades, como são exemplo as zonas e parques industriais;
- realização de acções de promoção e comercialização diferenciada.
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