Lei n.º 39-A/94 — Grandes Opções do Plano para 1995

Tipo Lei
Publicação 1994-12-27
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 8

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 1995

Histórico de alterações JSON API

(nota à margem: - política económica combinando regulação conjuntural e políticas estruturais)

(nota à margem: - prosseguimento das reformas estruturais)

(nota à margem: - investimento público e apoio ao investimento privado)

(nota à margem: - investimento na formação e valorização do capital humano)

(nota à margem: - aumento da eficiência da Administração Pública)

Competitividade e redimensionamento sectorial

(nota à margem: - A melhoria da competitividade deve ser compatível com o aumento do rendimento real dos cidadãos)

40.

A melhoria da competitividade de uma pequena economia aberta como a portuguesa, entendida a competitividade como «o grau em que um País é capaz de, em condições de mercado livre e aberto, produzir bens e serviços que passem o teste dos mercados internacionais, mantendo e ampliando simultaneamente o rendimento real dos seus cidadãos», realiza-se através de um conjunto de processos paralelos.

(nota à margem: - O reforço da competitividade da economia exige redimensionamento de sectores ...)

Um dos que atrai naturalmente maior atenção, pelos seus potenciais efeitos sociais, é o redimensionamento de sectores ou subsectores que:

Este redimensionamento vai traduzir-se numa utilização mais eficiente de recursos e factores de produção, com os recursos e factores libertados em alguns sectores a serem absorvidos eficazmente pelos sectores estimulados pela abertura e concorrência.

(nota à margem: ... e a expansão da base produtiva da economia através:)

Para que esta absorção se dê e seja permanente é necessário que o redimensionamento de sectores ou subsectores seja acompanhado de um conjunto de quatro outros processos que representam a transformação estrutural do aparelho produtivo, no sentido de aproveitar as possibilidades de crescimento potenciadas pela dinâmica dos mercados internacionais:

(nota à margem: - da reestruturação dos sectores exportadores tradicionais)

(nota à margem: - da viragem para a exportação de empresas tradicionalmente orientadas para o mercado interno)

(nota à margem: - da atracção para Portugal de grandes projectos de investimento de empresas internacionais)

(nota à margem: - do desenvolvimento do sector de serviços, em especial dos que apoiam directamente a competitividade empresarial)

Torna-se, assim, mais claro que a melhoria da competitividade da economia não passa apenas pelo redimensionamento de certos sectores da agricultura, indústria e comércio.

(nota à margem: Os actuais Programas do QCA II permitem responder às complexas transformações associadas à melhoria da competitividade e à transformação da estrutura da economia)

41.

Para implementar a melhoria da competitividade, os programas sectoriais de modernização do tecido económico, na Agricultura e nas Pescas, na Indústria, no Turismo ou no Comércio, integram basicamente quatro tipos de instrumentos:

(nota à margem: - A melhoria da competitividade de um País periférico exige uma prioridade ao investimento em infra-estruturas de apoio à internacionalização da economia)

42.

Num País com uma localização periférica face ao resto da Europa e dependente de fornecimentos energéticos externos, o reforço da competitividade do conjunto da economia e o processo de reestruturação do aparelho produtivo têm que apoiar-se, também, num volumoso investimento infra-estrutural, com impacto multisectorial e dirigido:

Competitividade e redução do desemprego

(nota à margem: o redimensionamento sectorial para melhoria da competitividade libertará mão-de-obra, que será absorvida pelo desenvolvimento:)

43.

O processo de redimensionamento de sectores e empresas irá naturalmente criar excedentes de mão-de-obra que originarão desemprego ou reformas antecipadas. Para absorver estes excedentes, utilizar todo o potencial produtivo e promover a competitividade, há um conjunto de processos que decorrem em paralelo, que permitirão um aumento substancial da oferta de postos de trabalho, respondendo ao aumento da população activa e reabsorvendo gradualmente aquele desemprego:

(nota à margem: - do sector terciário orientado para o mercado interno e dos serviços internacionais)

(nota à margem: - dos novos sectores e empresas exportadoras de bens)

(nota à margem: - da construção de infra-estruturas)

(nota à margem: - de «iniciativas de desenvolvimento local»)

(nota à margem: São múltiplas as intervenções do Estado para apoiar a dinâmica de criação de emprego associada à melhoria da competitividade:)

44.

As intervenções directas do Estado para apoio a este processo de criação de emprego, que se situam para além das medidas de apoio ao investimento privado nos diversos sectores e dos grandes programas de investimento público, integram:

(nota à margem: - medidas que tornem mais atractiva a contratação de pessoal, e designadamente a flexibilização do mercado de trabalho.)

(nota à margem: - combate ao trabalho infantil)

(nota à margem: - estímulo da mobilidade do factor trabalho, através de acções de formação e reciclagem profissional e de medidas activas no mercado de trabalho)

(nota à margem: - apoio às micro empresas e às «iniciativas de desenvolvimento local»)

Ensino, formação e emprego

(nota à margem: - O investimento na formação e valorização do capital humano, aspecto central da estratégia de desenvolvimento)

45.

Uma das preocupações principais dos cidadãos é saber se o sistema de ensino e formação profissional tem condições para oferecer oportunidades de formação em quantidade, qualidade e diversidade adequadas às necessidades do mercado de trabalho. Esta questão central é decisiva para a competitividade futura do País, dado que o capital humano é o seu grande recurso estratégico e é a base da modernização e diversificação de actividades. Simultaneamente, a melhoria do sistema educativo desempenha um papel fundamental para a igualdade de oportunidades dos cidadãos, nomeadamente pela melhoria dos níveis de escolarização em todos os graus de ensino. Com o investimento maciço que está a ser realizado no sistema educativo e de formação profissional pretende-se atingir:

(nota à margem: Um processo global de melhoria das qualificações básicas da população activa)

(nota à margem: Aumento do número e qualidade dos quadros médios)

(nota à margem: Formação de quadros superiores e investigadores)

(nota à margem: Uma política para o ensino e formação profissional com prioridade para:)

46.

Os programas que se vão concretizar a partir de 1995, e que ampliam esforços e investimentos anteriores, irão dar prioridade:

(nota à margem: - reordenar a rede escolar de ensino básico e secundário)

(nota à margem: - melhorar a qualidade de ensino básico e secundário)

(nota à margem: - reforçar o comportamento tecnológico e profissionalizante do ensino secundário)

(nota à margem: - prosseguir o investimento no Ensino Superior, com destaque para o Ensino Politécnico)

(nota à margem: - apostar no sector de I&D, para a formação avançada)

(nota à margem: - desenvolver a Acção Social Escolar)

(nota à margem: - orientar o sistema de formação profissional para facilitar a inserção no mercado de trabalho)

Melhoria das condições de vida urbana

(nota à margem: Acumulação de problemas nas grandes áreas urbanas que afectam seriamente a qualidade de vida e que exigem:)

Melhoria das condições de vida urbana

47.

Na área social e do bem-estar, um dos aspectos centrais da actuação que ganhará nova dimensão em 1995, é a melhoria das condições de vida nas áreas urbanas, com destaque para as grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que viram acumular-se na última década, e com grande expansão, problemas não resolvidos em várias áreas - transportes, ambiente, habitação, paisagem urbana, etc. Essas intervenções incluem nomeadamente:

(nota à margem: - grandes investimentos em infra-estruturas de transporte, para vencer o congestionamento)

(nota à margem: - grandes investimentos na área do ambiente e recursos hídricos)

(nota à margem: - reforço da rede hospitalar e de centros de saúde)

(nota à margem: - eliminação das situações de habitação degradada)

Travar a desertificação do Interior

(nota à margem: - O desenvolvimento do Interior e o combate à desertificação mobilizam importantes meios e iniciativas públicas:)

48.

As dificuldades e o isolamento de populações que vivem em algumas áreas do Interior do País constituem uma das grandes preocupações da sociedade portuguesa. O combate à desertificação do Interior tem que se apoiar, naturalmente, na evolução para uma nova combinação de actividades, que tenham futuro e permitam fixar população, incluindo população jovem. Tal combinação incluirá, de modo variável conforme as regiões: a orientação da agricultura para produções em nichos de mercado agro-alimentares ou industriais rentáveis; a florestação e a valorização das actividades complementares da floresta; a instalação de fábricas, em especial nas áreas infra-estruturadas próximas dos grandes eixos de transporte interno e internacional; e o desenvolvimento do artesanato e a recuperação e valorização do património histórico, traduzindo-se numa grande aposta no turismo interno. Travar a desertificação do interior significa igualmente reduzir a pressão populacional sobre os principais centros urbanos.

Tendo em consideração este aspecto de enquadramento, os Programas que irão ser aplicados a partir de 1995, pretendem resolver gradualmente o problema, através da seguinte actuação:

(nota à margem: - na melhoria das acessibilidades)

(nota à margem: - no aproveitamento das oportunidades abertas pela reforma da PAC)

(nota à margem: - na atracção de investimentos)

(nota à margem: - no desenvolvimento do turismo rural)

(nota à margem: - na multiplicação das Iniciativas de Desenvolvimento Local)

(nota à margem: - no esforço de valorização das cidades de dimensão média)

(nota à margem: - no apoio aos investimentos municipais e supramunicipais)

(nota à margem: - nas intervenções em zonas específicas)

3.

LINHAS DE ACTUAÇÃO PARA 1995

A prossecução de uma estratégia de desenvolvimento económico e social pressupõe um conjunto de intervenções integradas e globalmente coerentes a implementar de forma progressiva, com vista à realização de objectivos definidos para um horizonte de médio/longo prazo.

Portugal viu aprovadas nas «Opções Estratégicas» as grandes linhas de actuação até ao final deste século, com vista a preparar o País para o século XXI, em que se assumem como prioritárias a convergência real entre as economias portuguesa e comunitária e a promoção da coesão económica e social no plano interno. Neste contexto as actuações a desenvolver implicam:

por forma a afirmar o País como uma das regiões euro-atlânticas mais dinâmicas e competitivas, reduzindo, simultaneamente, as assimetrias internas de desenvolvimento.

O ano de 1995 assumir-se-á como de importância fulcral para o processo de modernização do País, sendo fundamental prosseguir e aprofundar as actuações iniciadas em 1994, tendo em conta a plena implementação do Quadro Comunitário de Apoio 1994/1999. Assim, as Grandes Opções do Plano definidas para 1995, surgem justificadas à luz das «Opções Estratégicas» de médio prazo, adoptadas pelo Governo e aprovadas pela Assembleia da República, que importa prosseguir.

([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1994/12/298a01/00020149.pdf))

CULTURA

PRESERVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO PATRIMÓNIO HISTÓRICO-CULTURAL

DEFESA DOS VALORES CULTURAIS E PRESERVAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

DEFESA

FORTALECIMENTO DA VONTADE COLECTIVA DE DEFESA E MANUTENÇÃO DA SOBERANIA E DA INTEGRIDADE TERRITORIAL

COOPERAÇÃO COM OS PAÍSES AFRICANOS E COM O BRASIL

Continuação do desenvolvimento da Cooperação Técnico-Militar com os Países Africanos Lusófonos, no apoio à Política Externa:

PARTICIPAÇÃO EM ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS NO ÂMBITO DA SEGURANÇA EUROPEIA

RELAÇÕES EXTERNAS

COOPERAÇÃO COM OS PAÍSES E COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

MAGREBE

ÁSIA

TIMOR

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

([ver documento original](https://files.diariodarepublica.pt/1s/1994/12/298a01/00020149.pdf))

EDUCAÇÃO

EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

EDUCAÇÃO BÁSICA E ENSINO SECUNDÁRIO

ENSINO TECNOLÓGICO E ESCOLAS PROFISSIONAIS

ENSINO SUPERIOR

EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO ESCOLAR

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DESENVOLVIMENTO DA BASE DO SISTEMA CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO

MOBILIZAÇÃO DA CAPACIDADE CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA PARA A INOVAÇÃO

PROMOÇÃO DA FORMAÇÃO AVANÇADA EM RECURSOS HUMANOS

FORMAÇÃO PROFISSIONAL E EMPREGO

QUALIFICAÇÃO INICIAL E INSERÇÃO NO MERCADO DE EMPREGO

FORMAÇÃO E GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS

MELHORIA DA QUALIDADE E NÍVEL DE EMPREGO

INTEGRAÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DOS GRUPOS SOCIAIS DESFAVORECIDOS

JUVENTUDE

FORMAÇÃO PROFISSIONAL E EMPREGO

ACESSO À FUNÇÃO EMPRESARIAL

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

INFORMAÇÃO PARA OS JOVENS

MOBILIDADE E INTERCÂMBIO JUVENIL

COMBATE À EXCLUSÃO

HABITAÇÃO

APOIO AO ASSOCIATIVISMO JUVENIL

OCUPAÇÃO DE TEMPOS LIVRES E DESPORTO

AMBIENTE

APOIO À CRIATIVIDADE JUVENIL

DESPORTO

FORMAÇÃO E APOIO À PRÁTICA DESPORTIVA

DESPORTO DE ALTA COMPETIÇÃO

TRANSPORTES

TRANSPORTES RODO-FERROVIÁRIOS, FLUVIAIS E AÉREOS

ACESSO EXTERNO E INSERÇÃO DE PORTUGAL NAS REDES TRANSEUROPEIAS

MOBILIDADE INTERNA E COORDENAÇÃO INTERMODAL

DESCONGESTIONAMENTO DAS ÁREAS METROPOLITANAS

Área Metropolitana de Lisboa

Área Metropolitana do Porto

Área Metropolitana de Lisboa

Área Metropolitana do Porto

Transporte Fluvial:

Área Metropolitana de Lisboa

TRANSPORTES MARÍTIMOS E PORTOS

MELHORIA DOS TRANSPORTES MARÍTIMOS

MODERNIZAÇÃO DAS INFRA-ESTRUTURAS PORTUÁRIAS

COMUNICAÇÕES

SERVIÇOS DE CORREIOS

SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES

ENERGIA

INTRODUÇÃO DO GÁS NATURAL

Apoios no âmbito do Programa Energia (através de três Regimes de Apoio) e do REGEN II:

ENERGIAS RENOVÁVEIS

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

PESQUISA, PROSPECÇÃO E EXPLORAÇÃO DE HIDROCARBONETOS

Áreas de actuação principais:

SENSIBILIZAÇÃO/DINAMIZAÇÃO

ENQUADRAMENTO LEGAL E OPERACIONAL

AGRICULTURA E FLORESTAS

REFORÇO DA CAPACIDADE DE COMPETIR

INTEGRAÇÃO DE ACTIVIDADES E RENDIMENTOS NAS EXPLORAÇÕES

PRESERVAÇÃO DO AMBIENTE E ESPAÇO RURAL

COMPENSAÇÃO DOS EFEITOS DAS MUDANÇAS NOS MERCADOS

PESCAS

PROGRAMA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO DO SECTOR DAS PESCAS (PROPESCA)

INFRA-ESTRUTURAS PORTUÁRIAS DE PESCA

AJUSTAMENTO DO ESFORÇO DE PESCA

RENOVAÇÃO E MODERNIZAÇÃO DA FROTA DE PESCA

AQUICULTURA

DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL DO SECTOR

PROMOÇÃO DOS PRODUTOS DA PESCA

MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA NO MAR

INVESTIGAÇÃO MARÍTIMA

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

MINAS

CONHECIMENTO DO POTENCIAL GEOLÓGICO E MINEIRO

COMPETITIVIDADE DO SECTOR EMPRESARIAL

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL NA ÁREA GEOLÓGICA E MINEIRA

ENQUADRAMENTO LEGAL

PROTECÇÃO SOCIAL DOS TRABALHADORES

INDÚSTRIA

DINAMIZAÇÃO DO AMBIENTE DE EFICIÊNCIA EMPRESARIAL

CONSOLIDAÇÃO E REFORÇO DAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAIS

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