Portaria n.º 327/96 — Aprova os programas de formação do internato complementar das especialidades e áreas profissionais médicas de cirurgia…
Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.
2 atos modificativos · 2010-08-03, Portaria n.º 613/2010 — Actualiza o programa de formação da área profissional de especial…
Aprova os programas de formação do internato complementar das especialidades e áreas profissionais médicas de cirurgia plástica e reconstrutiva, ginecologia/obstetrícia, hematologia clínica, imuno-alergologia, nefrologia, oftalmologia, pneumologia e saúde pública
Actuação adequada nas situações de urgência mais comuns;
Orientação criteriosa para outros prestadores de cuidados de saúde.
5.2.2 - Objectivos de conhecimento:
Vigilância de saúde no adulto;
Promoção de estilos de vida saudáveis;
Terapêutica farmacológica e iatrogenia;
Diagnóstico, tratamento e seguimento das patologias crónicas mais comuns, incluindo, pelo menos:
d1) Hipertensão arterial;
d2) Dislipidemias;
d3) Cardiopatia isquémica;
d4) Insuficiência cardíaca;
d5) Acidente vascular cerebral;
d6) Insuficiência venosa dos membros inferiores;
d7) Obesidade;
d8) Diabetes;
d9) Doença péptica;
d10) Hepatopatia crónica;
d11) Obstipação crónica;
d12) Osteoartrose;
d13) Reumatismos, vasculites e colagenoses;
d14) Anemias, incluindo as hemolíticas;
d15) Doença pulmonar crónica obstrutiva;
d16) Tuberculose;
Processo de envelhecimento nas suas diversas vertentes;
Exame físico e mental do idoso;
Avaliação funcional do idoso;
Cuidados paliativos ao idoso.
5.3 - Estágio em imuno-alergologia geral:
5.3.1 - Objectivos de desempenho:
Anamnese e exame clínico do doente alérgico;
Execução e interpretação de técnicas complementares de diagnóstico específicas de alergologia, particularmente:
b1) Provas de sensibilidade cutânea: picada, intradérmicas, contacto;
b2) Provas cutâneas de hipersensibilidade retardada;
b3) Provas de provocação nasal inespecíficas e específicas;
b4) Provas de provocação oftálmica;
b5) Provas de provocação oral;
b6) Provas de provocação brônquica (específica e inespecífica);
Interpretação dos exames complementares de diagnóstico no âmbito das patologias ligadas à alergologia e imunologia clínica;
Interpretação do estudo funcional respiratório;
Programação terapêutica das diversas situações de alergologia e imunologia clínica;
Ensinamentos práticos para prevenção ambiental dos sintomas alérgicos;
Ensino de utilização correcta das diversas formas de medicação por via inalatória;
Prescrição e aplicação da imunoterapia específica;
Prestação de cuidados de saúde integrados (prevenção, rastreio, diagnóstico, tratamento e reabilitação) nas situações patológicas mais prevalentes, particularmente as que exigem indispensável intervenção urgente;
Apresentação e ou publicação de trabalhos científicos.
5.3.2 - Objectivos de conhecimento:
Estrutura e funcionamento do sistema imunológico;
Bases imunológicas da doença alérgica; mecanismos de hipersensibilidade;
Alergénios inalantes e alimentares mais comuns;
Prevenção ambiental da exposição alergénica;
Farmacoterapêutica das doenças alérgicas;
Broncodilatadores;
Anti-histamínicos;
Corticosteróides;
Outros inibidores da inflamação alérgica;
Imunomoduladores;
Imunoterapia específica;
Conceito, fisiopatologia, abordagem clínica e estratégias terapêuticas, preventivas e de reabilitação nas seguintes situações:
l1) Asma e equivalentes asmáticos;
l2) Rinite e rinossinusite;
l3) Conjuntivite alérgica;
l4) Otopatia serosa;
l5) Eczema atópico;
l6) Urticária e angioedema;
l7) Vasculites e colagenoses;
l8) Prurigo-estrófulo;
l9) Alergia medicamentosa;
l10) Alergia alimentar;
l11) Choque anafilático;
l12) Alergia ao veneno de himenópteros;
l13) Imunodeficiências.
5.4 - Estágio em imuno-alergologia dos grupos etários pediátricos:
5.4.1 - Objectivos de desempenho:
Aprofundamento global dos objectivos definidos para o treino básico de imuno-alergologia geral, agora na perspectiva dos grupos etários pediátricos;
Anamnese e exame clínico da criança alérgica nos diversos períodos etários;
Conhecimento da criança alérgica, suas necessidades e limitações impostas pelas situações patológicas e sócio-económicas;
Diagnóstico diferencial da patologia de fronteira com as alergopatias nas idades pediátricas;
Valorização dos resultados das diversas análises e testes de função imunitária nos diferentes períodos etários;
Cuidados de saúde e alimentação do lactente alérgico; avaliação nutricional;
Tratamento das alergopatias na criança, em função da idade do doente, sem esquecer os aspectos sócio-económicos e de custo-benefício.
5.4.2 - Objectivos de conhecimento:
História natural da doença alérgica na criança;
Prevenção da alergia; factores de risco genéticos e ambientais das doenças alérgicas;
Alergénios relevantes nas idades pediátricas;
O lactente atópico;
Alimentação do lactente alérgico ou potencialmente alérgico;
Leites hipo-antigénicos;
Alergia alimentar e medicamentosa na criança;
Eczema atópico nos diferentes períodos etários pediátricos;
Urticária e angioedema na criança;
Prurigo-estrófulo;
O lactente sibilante;
Particularidades da asma na criança;
Terapêutica inalatória;
Rinite e rinossinusite;
Otopatia serosa;
Alergia e cirurgia otorrinolaringológica;
Imunoterapia na criança;
A criança alérgica e a escola;
O adolescente alérgico;
Imunodeficiências; a criança com infecções de repetição.
5.5 - Estágio em imuno-alergologia do adulto:
5.5.1 - Objectivos de desempenho:
Aprofundamento global dos objectivos definidos para o estágio de imuno-alergologia geral na perspectiva do doente adulto;
Conhecimento do adulto alérgico, suas necessidades e limitações impostas pela idade e pelas situações patológicas e sócio-económicas;
Cuidados de saúde ao adulto alérgico;
Diagnóstico e tratamento das doenças do foro imuno-alérgico no adulto, tendo em atenção eventuais patologias concomitantes e interacções medicamentosas.
5.5.2 - Objectivos de conhecimento:
Aprofundamento dos conhecimentos obtidos no treino básico da especialidade;
Saúde ocupacional: identificação de riscos e prevenção de alergias;
Dermites de contacto: diagnóstico e tratamento;
Diagnóstico e tratamento das alergias profissionais;
Conhecimento da legislação respeitante às doenças profissionais;
Asma intrínseca;
Alveolites alérgicas extrínsecas;
Alergia ao veneno de himenópteros: diagnóstico e tratamento;
Alergia ao látex;
Urticária crónica;
Asma na grávida;
Iatrogenia da terapêutica anti-alérgica na gravidez e aleitamento;
Asma no idoso;
Terapêuticas antialérgicas em doentes com patologia concomitante;
Terapêuticas crónicas para outras patologias no doente alérgico;
Interacções medicamentosas das drogas antialérgicas;
Aspectos psicossociais da doença alérgica no adulto.
5.6 - Estágio em laboratório de imunologia:
5.6.1 - Objectivos de desempenho:
Observação das diferentes técnicas de estudo imunitário e discussão da sua relevância na clínica de imuno-alergologia;
Discussão dos limites e fiabilidade das diferentes técnicas e métodos;
Execução, a título exemplificativo, de algumas das técnicas da rotina do laboratório, quer de imunidade humoral quer de imunidade celular;
Realização ou colaboração num trabalho de investigação.
5.6.2 - Objectivos de conhecimento. - Neste estágio o interno deve tomar contacto, entre outras, com as seguintes técnicas aplicadas ao estudo dos doentes do foro da imuno-alergologia, seus fundamentos, indicações, limites, factores de erro e relação custo-benefício:
5.6.2.1 - Imunidade humoral:
Doseamento das classes e subclasses de imunoglobulinas;
Estudo do complemento;
Complexos imunes circulantes;
Pesquisa de auto-anticorpos;
Quantificação das proteínas de fase aguda;
Imunoelectroforese;
Pesquisa de anticorpos precipitantes;
Determinação de marcadores tumorais;
Estudo da inflamação e citoquinas;
Medição de anticorpos específicos para alergénios, auto-antigénios, aloantigénios e antigénios bacterianos.
5.6.2.2 - Imunidade celular:
Estudo das subpopulações linfocitárias;
Citotoxicidade dos linfócitos;
Avaliação funcional de linfócitos, macrófagos, neutrófilos, mastócitos, basófilos e eosinófilos.
5.6.2.3 - Este tempo de estágio deverá igualmente ser aproveitado para aprofundar os conhecimentos em imunologia e imunopatologia básica e fomentar o trabalho de pesquisa e investigação científica.
5.7 - Estágio em pneumologia:
5.7.1 - Objectivos de desempenho:
Anamnese e observação clínica do doente pneumológico;
Diagnóstico diferencial da patologia pulmonar de fronteira com as doenças imuno-alérgicas;
Aprofundamento do treino já adquirido nos estágios de imuno-alergologia no domínio da exploração funcional respiratória, designadamente o conhecimento e interpretação dos resultados das seguintes técnicas:
c1) Espirometria;
c2) Pletismografia;
c3) Provas de provocação brônquica, esforço e gasometria;
Contacto com algumas técnicas de diagnóstico específicas, designadamente exames endoscópicos, biopsias brônquicas e lavados bronco-alveolares;
Conhecimento das técnicas de cinesiterapia respiratória mais utilizadas nos doentes asmáticos.
5.7.2 - Objectivos de conhecimento:
Doença pulmonar crónica obstrutiva;
Patologia inalatória;
Fibroses pulmonares;
Pneumoconioses;
Tuberculose pulmonar;
Expressão pulmonar das vasculites e colagenoses;
Função respiratória.
5.8 - Estágio em dermatologia:
5.8.1 - Objectivos de desempenho:
Anamnese e observação clínica do doente dermatológico;
Desenvolvimento das capacidades de diagnóstico e orientação terapêutica das doenças imuno-alérgicas de expressão cutânea;
Diagnóstico diferencial da patologia cutânea de fronteira com as doenças imuno-alérgicas;
Provas de sensibilidade cutânea por contacto (aprofundamento da técnica aprendida nos estágios de imuno-alergologia);
Colheita e observação microscópia de material para exames micológicos e parasitológicos;
Biopsia cutânea (opcional).
5.8.2 - Objectivos de conhecimento:
Dermatoses eritemato-descamativas;
Micoses cutâneas superficiais;
Piodermites;
Celulites;
Parasitoses cutâneas;
Infecções víricas cutâneas;
Expressão cutânea das vasculites e colagenoses;
Modalidades de tratamento dermatológico:
h1) Fototerapia;
h2) Medicação tópica;
h3) Medicação sistémica.
5.9 - Estágio em otorrinolaringologia:
5.9.1 - Objectivos de conhecimento:
Anamnese e observação clínica do doente do foro otorrinolaringológico nos diversos grupos etários;
Desenvolvimento das capacidades de diagnóstico e orientação terapêutica das doenças imuno-alérgicas de expressão otorrinolaringológica;
Diagnóstico diferencial da patologia de fronteira com as doenças imuno-alérgicas;
Execução das seguintes técnicas:
d1) Rinoscopia anterior e posterior;
d2) Fibrorrinoscopia (opcional);
d3) Tamponamento nasal;
d4) Laringoscopia directa;
d5) Desobstrução do canal auditivo externo;
Conhecimento e interpretação dos resultados das seguintes técnicas:
e1) Timpanometria de impedância (timpanograma);
e2) Audiometria;
e3) Provas vestibulares (opcional);
e4) Rinomanometria (opcional).
5.9.2 - Objectivos de conhecimento:
Aprofundamento dos conhecimentos sobre diagnóstico e tratamento das alergopatias de expressão respiratória superior, patologia associada e de fronteira, designadamente:
a1) Rinites e rinossinusites;
a2) Desvio do septo nasal;
a3) Otites externas;
a4) Otites médias, designadamente otopatia serosa;
a5) Hiperplasia e ou infecção crónica das estruturas do anel de Waldeier;
a6) Laringites;
Indicações e contra-indicações para amigdalectomia e ou adenoidectomia.
5.10 - Estágio final em imuno-alergologia. - Pretende-se que nesta fase avançada da sua preparação, e uma vez cumpridas as valências de treino básico e específico no currículo da especialidade, o interno tenha oportunidade de treinar as suas aptidões clínicas e a sua capacidade de decisão, com toda a autonomia possível, embora tutelado, tomando a seu cargo uma lista de doentes e assumindo funções equiparáveis às de especialista.
5.10.1 - Objectivos de desempenho:
Responsabilidade na orientação clínica de uma lista de doentes no ambulatório de imuno-alergologia;
Responsabilidade na orientação da imunoterapia efectuada no serviço, se possível, pelo menos uma vez por semana;
Colaboração no ensino aos colegas mais novos e pessoal de enfermagem.
5.10.2 - Objectivos de conhecimento. - Aprofundamento e amadurecimento de todos os conhecimentos obtidos durante o internato.
5.11 - Serviço de urgência. - Deverão ser prestadas doze horas semanais no serviço de urgência, nas áreas correspondentes aos estágios frequentados em cada momento, com excepção dos estágios de imunologia laboratorial e de dermatologia, durante os quais será prestada na valência de imuno-alergologia. Caso não seja possível haver urgência própria em imuno-alergologia, esta deverá ser prestada numa equipa de medicina interna ou pediatria. Nos hospitais com urgência individualizada de pneumologia, poderá ser prestada numa equipa desta área.
6 - Avaliação:
6.1 - Avaliação de desempenho:
6.1.1 - Avaliação contínua de acordo com o previsto na Portaria n.º 695/95, de 30 de Junho.
6.1.2 - A ponderação a atribuir aos parâmetros da avaliação de desempenho é:
Capacidade de execução técnica - 3;
Interesse pela valorização profissional - 4;
Responsabilidade profissional - 3;
Relações humanas no trabalho - 3.
6.2 - Avaliação de conhecimentos:
6.2.1 - A avaliação de conhecimentos terá lugar no final de cada um dos estágios do internato e constará de:
Discussão do relatório de actividades do estágio efectuado pelo interno;
Discussão do relatório de observação de um doente;
Interrogatório livre sobre a matéria constante dos respectivos objectivos de conhecimento do estágio em avaliação.
6.2.2 - A avaliação de conhecimentos dos estágios no laboratório de imunologia, pneumologia, dermatologia e otorrinolaringologia e do estágio final de imuno-alergologia terá a forma de discussão de relatório de actividades.
7 - Disposições finais:
7.1 - O presente programa entra em vigor em 1 de Janeiro de 1997 e aplica-se aos internos que iniciarem o internato a partir dessa data.
7.2 - Pode, facultativamente, abranger os internos já em formação, e nesse caso os interessados deverão entregar na direcção do internato do seu hospital, no prazo de dois meses a partir da publicação deste programa, uma declaração em que conste a sua pretensão, com a concordância averbada dos respectivos director de serviço e orientador de formação.
PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO INTERNATO COMPLEMENTAR DE NEFROLOGIA
1 - Duração - 60 meses.
2 - Estrutura, sequência e duração dos estágios:
2.1 - Medicina interna. - Este estágio, com a duração de 12 meses, deverá realizar-se no 1.º ano do internato em serviço de medicina interna, por designação da direcção do internato médico, sob proposta conjunta do director do serviço de nefrologia e do orientador de formação.
2.2 - Intensivismo. - Com a duração de 3 meses, este estágio decorrerá em unidade de cuidados intensivos que assegure uma adequada formação, por designação da direcção do internato médico, sob proposta conjunta do director do serviço de nefrologia e do orientador de formação.
2.3 - Nefrologia. - Duração de 39 meses, repartidos do seguinte modo:
2.3.1 - Nefrologia clínica - 24 meses, seguidos ou intercalados.
2.3.2 - Transplantação renal - 6 meses.
2.3.3 - Hemodiálise (e outras técnicas de substituição da função renal) - 6 meses.
2.3.4 - Diálise peritoneal crónica - 3 meses.
2.4 - Estágios opcionais:
2.4.1 - Este período formativo terá a duração total de 6 meses e cada um dos estágios opcionais parcelares não poderá ter duração inferior a três meses.
2.4.2 - Os estágios opcionais poderão decorrer em:
2.4.2.1 - Áreas de nefrologia: nefrologia clínica, transplantação renal, hemodiálise, diálise peritoneal crónica e nefrologia pediátrica.
2.4.2.2 - Áreas de exames complementares de diagnóstico: imagiologia, medicina nuclear, patologia clínica e anatomia patológica.
2.4.2.3 - Áreas clínicas não nefrológicas: medicina interna, intensivismo, infecciologia, endocrinologia, cardiologia, reumatologia e urologia.
2.4.2.4 - Área de investigação básica: laboratório de investigação básica.
2.4.3 - Quando os estágios opcionais recaiam sobre área não contemplada com o reconhecimento de idoneidade formativa, a escolha do local de estágio será designado pela direcção do internato médico, sob proposta conjunta do director do serviço de nefrologia e do orientador de formação.
3 - Locais de formação:
3.1 - Serviços ou unidades de nefrologia, nefrologia pediátrica, imagiologia, medicina nuclear, patologia clínica, anatomia patológica, medicina interna, intensivismo, infecciologia, endocrinologia, cardiologia, reumatologia, urologia e laboratório de investigação básica.
3.2 - Os estágios de transplantação renal, de hemodiálise e de diálise peritoneal crónica poderão decorrer, no todo ou em parte, em unidades públicas ou privadas a quem tenha sido reconhecida idoneidade formativa para o efeito, após estabelecido protocolo de articulação entre estas unidades e o serviço ou unidade de nefrologia.
3.3 - Relativamente a áreas não abrangidas pelo reconhecimento de idoneidade formativa, o estágio deverá decorrer em local designado pela direcção do internato médico, sob proposta conjunta do director do serviço de nefrologia e do orientador de formação.
4 - Objectivos dos estágios:
4.1 - Aspectos gerais:
4.1.1 - Objectivos de desempenho. - Enunciam-se os objectivos considerados indispensáveis. O director de serviço e o orientador de formação definirão, se o entenderem, objectivos facultativos, que servirão de indicadores sobre as opções que o interno poderá tomar durante a evolução da sua formação.
Considera-se importante que o interno adquira ou desenvolva:
4.1.1.1 - Julgamento clínico adequado:
Capacidade de integração dos factos médicos e dados clínicos;
Ponderação dos riscos e benefícios para o doente de qualquer acto médico;
Capacidade de estabelecer um plano lógico para avaliação e tratamento imediato e a longo prazo do doente;
Autonomia na avaliação e resolução de situações de urgência do foro nefrológico, o que implica a sua inclusão em escala de urgência específica da especialidade.
4.1.1.2 - Qualidades humanas e ético-deontológicas:
Integridade, respeito e compreensão no contacto com o doente e sua família;
Capacidade de envolvimento e empatia, de ganhar a confiança do doente e respeitar os seus desejos e necessidades de informação;
Capacidade de compreensão e decisão face aos problemas psicológicos, sociais, económicos, éticos e deontológicos suscitados pela clínica e pela prática nefrológica.
4.1.1.3 - Capacidade técnica. - Resultará da integração das habilitações discriminadas nos objectivos de desempenho dos estágios e compreende o desenvolvimento de capacidade consistente para prestar cuidados médicos qualificados, para utilizar apropriada e eficazmente testes laboratoriais e técnicas diagnósticas e terapêuticas, tendo sempre em consideração o melhor interesse do doente e o seu bem-estar.
4.1.2 - Objectivos de conhecimento. - Durante o internato devem ser progressivamente adquiridos e aprofundados os conhecimentos teóricos relativos aos grandes capítulos da nefrologia. O interno deverá adquirir capacidade crítica e compreender as limitações do conhecimento disponível e a necessidade de manter uma actualização constante.
4.1.3 - O interno deve participar na elaboração e apresentação de trabalhos científicos. No final do internato, o interno deverá ter realizado pelo menos um trabalho, como primeiro autor, publicado ou apresentado em reunião científica de âmbito nacional ou internacional.
4.2 - Estágio em medicina interna:
4.2.1 - Objectivos de desempenho e conhecimento:
Treino na avaliação e tratamento de doentes com patologia médica diversificada. Treino na execução das diferentes técnicas semiológicas e terapêuticas;
Avaliação e tratamento de doentes em situações de emergência médica, pressupondo actuação em serviços de urgência hospitalar.
4.3 - Estágio em intensivismo:
4.3.1 - Objectivos de desempenho e conhecimento:
Contacto com doentes com falência múltipla de órgãos, sua avaliação e tratamento;
Avaliação, prevenção e tratamento das situações de insuficiência renal aguda em doentes com instabilidade hemodinâmica. Selecção, prescrição e execução das técnicas de substituição da função renal nesses doentes;
Treino nas técnicas invasivas habitualmente realizadas em unidades de cuidados intensivos.
4.4 - Estágio em nefrologia:
4.4.1 - Objectivos de desempenho:
4.4.1.1 - Nefrologia clínica. - O treino progressivo será adquirido através da actuação tutelada no internamento, consulta externa e interna e serviço de urgência específico da especialidade (urgência interna no serviço de nefrologia).
4.4.1.1.1 - O interno deve adquirir treino na prevenção, avaliação e tratamento das seguintes situações:
Perturbações dos balanços hidro-electrolítico, acidobásico e mineral;
Insuficiência renal aguda;
Insuficiência renal crónica e patologia associada. Tratamento conservador;
Hipertensão arterial;
Doenças glomerulares e vasculares do rim;
Infecções das vias urinárias;
Doenças túbulo-intersticiais;
Doenças sistémicas com repercussão renal;
Patologia renal da gravidez;
Nefropatias induzidas por tóxicos;
Situações urológicas com repercussão sobre a função renal (uropatia obstrutiva; litíase; tumores do aparelho urinário).
4.4.1.1.2 - Treino com aquisição de autonomia progressiva na realização das seguintes técnicas:
Biopsia renal percutânea (mínimo de biopsias a realizar até ao final do internato - 20 biopsias em rim próprio e 5 de enxerto renal);
Observação e interpretação do sedimento urinário;
Colocação de cateteres centrais para hemodiálise em veias jugulares, subclávias e femurais, e colocação de cateteres de lúmen simples e duplo (número mínimo de cateteres realizados no final do internato - 80);
Entubação oro-naso-traqueal.
4.4.1.1.3 - No final do estágio, o interno deverá conhecer as indicações, contra-indicações e complicações dos seguintes actos:
Análises laboratoriais relevantes para a clínica nefrológica;
Biopsia renal; treino na observação e interpretação de biopsias renais;
Ecografia renal;
Urografia de eliminação;
Angiografia renal; angioplastia; by-pass arterial;
Plasmaferese;
Estudos isotópicos (de imagem e de avaliação da função renal);
Tomografia computorizada e ressonância magnética do rim;
Nefrostomia percutânea;
Litotrícia extracorporal;
Cistoscopia.
4.4.2 - Objectivos de conhecimento:
Anatomia, fisiologia e fisiopatologia renal;
Alterações do metabolismo hidro-electrolítico, acidobásico e mineral;
Conhecimento preciso da história natural, patogénese e terapêutica das doenças do rim e aparelho urinário, quer congénitas quer adquiridas, assim como das doenças sistémicas com potencial agressão renal. Conhecimento dos princípios básicos da imunologia e mecanismos imunológicos de lesão renal;
Regulação normal da tensão arterial; patogenia, diagnóstico e tratamento da hipertensão;
Etiopatogenia, prevenção e tratamento das insuficiências renais aguda e crónica;
Farmacologia clínica: alterações farmacocinéticas relacionadas com as modificações da função renal e efeito dos fármacos sobre a estrutura e função renal;
Princípios dietéticos e nutricionais em nefrologia;
Aspectos éticos, deontológicos, psicológicos, económicos e sociais da prática nefrológica;
Noções de organização e gestão de um serviço de nefrologia hospitalar.
4.5 - Estágio em transplantação renal:
4.5.1 - Objectivos de desempenho. - O estágio nesta área deve contemplar a actuação no âmbito dos cuidados pré e pós-transplantação, com aquisição de treino específico nas seguintes áreas:
Avaliação e selecção de candidatos a transplantação renal;
Avaliação pré-operatória do receptor;
Abordagem clínica e terapêutica do doente transplantado no pós-operatório imediato (seguimento de pelo menos 10 doentes no pós-operatório imediato);
Diagnóstico clínico da rejeição, incluindo treino na interpretação dos exames complementares respectivos (laboratoriais, histológico e técnicas de imagem);
Tratamento médico da rejeição; treino na utilização de terapêutica imunossupressora;
Diagnóstico e tratamento médico das complicações cirúrgicas, infecciosas e outras;
Seguimento a longo prazo do doente transplantado (o interno deve seguir pelo menos 10 doentes transplantados durante um período mínimo de seis meses);
Realização e interpretação de biopsia percutânea do enxerto renal;
Interpretação dos estudos ecográfico, isotópico e angiográfico do enxerto renal.
4.5.2 - Objectivos de conhecimento:
Biologia da rejeição;
Indicações e contra-indicações para a transplantação renal;
Princípios da selecção de receptores e sua avaliação;
Princípios dos exames de histocompatibilidade;
Princípios da colheita de órgãos e sua preservação;
Complicações a curto e longo prazo da transplantação;
Modo de acção e utilização dos fármacos imunossupressores;
Histopatologia da rejeição;
Avaliação, selecção e manutenção de dadores, incluindo dador vivo;
Aspectos éticos, deontológicos, legais, psicossociais e económicos da doação de órgãos e da transplantação.
4.6 - Estágio em hemodiálise (e outras técnicas de substituição da função renal):
4.6.1 - Objectivos de desempenho. - O interno deverá saber avaliar correctamente as várias opções terapêuticas no tratamento do doente com insuficiência renal aguda ou crónica, ou com intoxicação, e tornar-se progressivamente autónomo na prescrição de cada tipo de tratamento. Durante o período de estágio de contacto com este meio terapêutico, o interno deverá adquirir experiência e autonomia progressiva em:
Prescrever e acompanhar cada tipo de técnica depurativa, incluindo a hemofiltração e técnicas afins, em todas as situações de insuficiência renal aguda ou crónica e intoxicações;
Avaliar a eficácia de cada tipo de tratamento;
Acompanhar uma sessão de hemodiálise, pressupondo uma actuação directa na sala de hemodiálise durante o período do estágio ou ao longo do internato;
Prevenir e tratar as complicações de cada tipo de diálise, incluindo as associadas ao tratamento de água e à reutilização de dialisadores;
Prevenir, avaliar e tratar complicações médicas do doente em tratamento de substituição da função renal, quer em situações de insuficiência renal agura quer em doentes em programa de hemodiálise a longo prazo. O interno deve ter a seu cargo o seguimento de pelo menos 10 doentes crónicos durante um período mínimo de seis meses;
Prescrever dietas e alimentação parentérica no doente em diálise;
Efectuar adaptações posológicas no doente em hemodiálise;
Colocação de cateteres centrais para hemodiálise e técnicas afins; reconhecimento e domínio das complicações.
4.6.2 - Objectivos de conhecimento:
Princípios físicos da hemodiálise e técnicas afins e da diálise peritoneal;
Conhecimento e familiarização com o modo de funcionamento dos monitores de hemodiálise e dos requisitos de purificação da água, assim como das características das várias membranas artificiais utilizadas;
Fisiopatologia das várias complicações médicas relacionadas com os vários tipos de diálise;
Influência dos vários tipos de diálise na farmacocinética;
Aspectos éticos, deontológicos, psicossociais e económicos relacionados com a diálise crónica;
Familiarização com a organização e gestão de um programa de tratamento de insuficientes renais ambulatórios.
4.7 - Estágio em diálise peritoneal crónica:
4.7.1 - Objectivos de desempenho:
Compreensão do processo prático da diálise peritoneal, designadamente da diálise peritoneal crónica ambulatória. Familiarização com a colocação de acessos peritoneais;
Capacidade de prescrição de diálise peritoneal e avaliação da sua eficácia;
Capacidade de reconhecer, diagnosticar e tratar as complicações da diálise peritoneal, incluindo a peritonite e as complicações relacionadas com o acesso;
Controlo nutricional do doente em diálise peritoneal crónica e adaptações posológicas;
O interno deve acompanhar directamente um número mínimo de cinco doentes em diálise peritoneal crónica ambulatória durante um período de três meses.
4.7.2 - Objectivos de conhecimento. - Ver, no apropriado, n.º 4.6.2.
4.8 - Estágios opcionais:
4.8.1 - Objectivos de desempenho e conhecimento. - Dentro dos estágios opcionais possíveis são definidos como objectivos mínimos:
4.8.1.1 - Áreas de nefrologia. - Aprofundamento dos conhecimentos e aperfeiçoamento na abordagem e na avaliação de doentes e nas técnicas diagnósticas e terapêuticas da especialidade.
4.8.1.2 - Áreas de exames complementares de diagnóstico. - Aprendizagem ou aprofundamento do conhecimento e das técnicas complementares de diagnóstico com relevância em doentes do foro nefrológico.
4.8.1.3 - Áreas clínicas não nefrológicas. - Aprofundamento dos conhecimentos das especialidades, em particular os referentes a patologia comummente observada em doentes com afecção renal, e aperfeiçoamento das técnicas utilizadas nas especialidades referidas.
4.8.1.4 - Área de investigação básica. - Contactar com a metodologia e com as técnicas de investigação básica aplicadas à nefrologia, como complemento da compreensão da fisiologia e da patologia renais e como desenvolvimento do espírito crítico na avaliação dos resultados obtidos.
5 - Avaliação:
5.1 - Avaliação de desempenho. - A avaliação de desempenho é feita de forma contínua no decorrer de cada estágio, no final do qual o interno será avaliado, na escala de 0 a 20 valores, levando em conta os seguintes parâmetros e respectivas ponderações:
Capacidade de execução técnica, com a ponderação de 4 pontos;
Interesse pela valorização profissional, com a ponderação de 3 pontos;
Responsabilidade profissional, com a ponderação de 2 pontos;
Relações humanas no trabalho, com a ponderação de 1 ponto.
5.2 - Avaliação de conhecimentos. - A avaliação de conhecimentos será efectuada anualmente, na escala de 0 a 20 valores, através de:
5.2.1 - Prova teórica, que incluirá:
Apreciação do relatório de actividades;
Discussão de um trabalho efectuado durante o ano e ou prova de resolução de problemas clínicos.
5.2.2 - Prova prática, que incluirá:
Entrevista e observação de um doente;
Elaboração de relatório escrito donde conste o diagnóstico, pedido de exames, discussão dos mesmos, prognóstico e terapêutica.
6 - Disposições finais:
6.1 - Este programa de formação aplica-se aos internos que iniciem o internato a partir de 1 de Janeiro de 1997.
6.2 - Para os internos que tenham iniciado o internato em data anterior à referida no número anterior manter-se-á o programa definido à data do início do internato, excepto se os internos manifestarem optar pelo programa agora aprovado. Nesta segunda hipótese, o tempo total de formação não poderá ultrapassar os 60 meses.
Neste caso, os interessados deverão entregar na direcção do internato do seu hospital, no prazo de dois meses a partir da publicação deste programa, uma declaração em que conste a sua pretensão, com a concordância averbada dos respectivos director de serviço e orientador de formação.
PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO INTERNATO COMPLEMENTAR DE OFTALMOLOGIA
1 - Duração - 48 meses.
2 - Estrutura. - Da estrutura do internato deverão constar as seguintes áreas de formação:
2.1 - Consulta geral.
2.2 - Cirurgia.
2.3 - Serviço de urgência.
2.4 - Enfermaria.
2.5 - Exames complementares de diagnóstico e terapêutica.
2.6 - Estágios em subespecialidades:
2.6.1 - Contactologia.
2.6.2 - Estrabismo.
2.6.3 - Glaucoma.
2.6.4 - Implanto-refractiva.
2.6.5 - Retina médica.
2.6.6 - Retina-vítreo.
2.6.7 - Neuroftalmologia.
3 - Sequência dos estágios. - A sequência dos estágios não é obrigatória, mas, e atendendo à especificidade de cada serviço, sugere-se um esquema adaptado à progressão de aquisição de conhecimentos:
3.1 - 1.º ano:
3.1.1 - Consulta geral - 4 meses.
3.1.2 - Contactologia - 4 meses.
3.1.3 - Estrabismo - 4 meses.
3.2 - 2.º ano:
3.2.1 - Estrabismo - 4 meses.
3.2.2 - Glaucoma - 4 meses.
3.2.3 - Implanto-refractiva - 4 meses.
3.3 - 3.º ano:
3.3.1 - Glaucoma - 4 meses.
3.3.2 - Neuroftalmologia - 4 meses.
3.3.3 - Retina - 4 meses.
3.4 - 4.º ano:
3.4.1 - Retina - 4 meses.
3.4.2 - Retina-vítreo - 4 meses.
3.4.3 - Opção - 4 meses.
4 - Duração das áreas de formação e dos estágios:
4.1 - A consulta geral deverá ser realizada durante todo o período de formação, para além de um período inicial obrigatório de quatro meses.
4.2 - A cirurgia deverá ser realizada com uma frequência mínima semanal durante todo o internato.
4.3 - Os exames complementares de diagnóstico e terapêutica deverão ser realizados em gabinetes especiais, sob a forma de estágios parciais (mínimo, uma vez por semana), preferencialmente em simultâneo com a realização dos estágios em subespecialidades de áreas afins e com a seguinte duração:
4.3.1 - Ecografia/biometria/paquimetria - 4 meses.
4.3.2 - Campimetria cinética e estática computorizada - 4 meses.
4.3.3 - Angiografia fluoresceínica - 4 meses.
4.3.4 - Electrofisiologia - 4 meses.
4.3.5 - Laserterapia - 24 meses.
4.3.6 - Outros exames, como sensibilidade ao contraste, exames de ortóptica, visão cromática, entre outros, serão realizados integrados nas diferentes consultas e durante todo o internato.
4.4 - O serviço de urgência, obrigatoriamente na área de oftalmologia e tutelado, deverá ter uma carga horária de doze horas por semana ao longo de todo o internato.
4.5 - A enfermaria deverá ser frequentada com carácter regular ao longo de todo o internato.
4.6 - Estágios obrigatórios nas seguintes subespecialidades e com a seguinte duração:
4.6.1 - Contactologia - 4 meses.
4.6.2 - Estrabismo - 8 meses.
4.6.3 - Glaucoma - 8 meses.
4.6.4 - Implanto-refractiva - 4 meses.
4.6.5 - Retina - 8 meses.
4.6.6 - Retina-vítreo - 4 meses.
4.6.7 - Neuroftalmologia - 4 meses.
5 - Local de formação. - Cada estágio deverá ser realizado em serviços/entidades formadoras de oftalmologia.
6 - Objectivos dos estágios:
6.1 - Consulta geral:
6.1.1 - Objectivos de desempenho. - Recolha e valorização de dados anamnésticos e semiológicos, selecção de meios auxiliares de diagnóstico, formulação de hipóteses diagnósticas, instituição de terapêuticas e estabelecimento de prognósticos.
6.1.2 - Objectivos de conhecimento:
Noções gerais sobre anatomia, fisiologia e patologia do globo ocular e anexos;
Exame clínico de oftalmologia, técnicas e instrumentos, óptica e refractometria, perturbações refractivas e sua correcção.
6.2 - Cirurgia:
6.2.1 - Objectivos de desempenho:
Iniciação à cirurgia oftalmológica, primeiro como ajudante e depois como cirurgião, começando pela cirurgia da pálpebra, conjuntiva e vias lacrimais;
Evolução para cirurgias mais diferenciadas, adaptando a aprendizagem e execução de novas técnicas à sequência dos estágios de subespecialidades;
No final do internato, os internos deverão ter cumprido um currículo mínimo de:
c1) Cirurgia das pálpebras - 20;
c2) Cirurgia da conjuntiva - 20;
c3) Cirurgia do aparelho lacrimal - 10;
c4) Cirurgia da córnea e esclerótica - 15;
c5) Cirurgia do estrabismo - 10;
c6) Cirurgia do cristalino - 30;
c7) Cirurgia do glaucoma - 10;
c8) Cirurgia da retina - 5;
c9) Enucleações e eviscerações - 5;
c10) Cirurgia laser - 30.
6.2.2 - Objectivos de conhecimento:
Técnicas cirúrgicas aplicáveis ao tratamento de cada patologia específica;
Ciências básicas aplicáveis.
6.3 - Serviço de urgência:
6.3.1 - Objectivos de desempenho:
Os internos deverão saber identificar e tratar as diversas situações de urgência do globo ocular e anexos, seleccionar e interpretar os exames complementares de diagnóstico, incluindo exames imagiológicos;
Cirurgia de urgência.
6.3.2 - Objectivos de conhecimento:
Conhecimento teóricos sobre patologia de urgência, médica e cirúrgica e seu tratamento;
Ciências básicas aplicáveis.
6.4 - Enfermaria:
6.4.1 - Objectivos de desempenho. - Realização de histórias clínicas, seguimento dos doentes internados, identificação das principais complicações pós-operatórias e sua resolução.
6.4.2 - Objectivos de conhecimento. - Conhecimentos teóricos relacionados com a patologia do pós-operatório dos diferentes tipos de cirurgia oftalmológica.
6.5 - Exames complementares de diagnóstico e terapêutica:
6.5.1 - Objectivos de desempenho:
Os internos deverão participar na observação e execução de ecografias/biometrias, campimetria cinética e estática computorizada, angiografias fluoresceínicas e exames electrofisiológicos;
Tratamento com laser.
6.5.2 - Objectivos de conhecimento:
Saber seleccionar, analisar e interpretar os diferentes exames complementares;
Conhecer as técnicas de aplicação dos diversos laser utilizados em oftalmologia.
6.6 - Estágios em subespecialidades:
6.6.1 - Contactologia:
6.6.1.1 - Objectivos de desempenho:
Aprendizagem das técnicas de manuseamento, selecção e colocação de lentes de contacto;
Controlo e seguimento dos utilizadores de lentes de contacto, identificação e tratamento das principais complicações.
6.6.1.2 - Objectivos de conhecimento. - Conhecer os diferentes tipos de lentes de contacto (materiais, características ópticas, geometria, etc.), produtos de limpeza e manutenção.
6.6.2 - Estrabismo:
6.6.2.1 - Objectivos de desempenho:
Bases anatomofisiológicas e fisiopatologia;
Aprender os diferentes métodos de estudo e avaliação do doente estrábico.
6.6.2.2 - Objectivos de conhecimento. - Reconhecer e classificar os diferentes tipos de estrabismo, propor os planos terapêuticos, quer médicos quer cirúrgicos, e seguir a sua evolução.
6.6.3 - Glaucoma:
6.6.3.1 - Objectivos de desempenho:
Aprender os diferentes métodos de estudo e avaliação do doente com glaucoma;
Execução de gonioscopias, tonometrias e campimetrias.
6.6.3.2 - Objectivos de conhecimento:
Bases anatomofisiológicas e fisiopatologia;
Análise e interpretação dos exames complementares de diagnóstico relacionados com esta patologia;
Observação e estudo da papila glaucomatosa;
Classificação, terapêutica (médica, cirúrgica ou laser) e prognóstico dos diferentes tipos de glaucoma.
6.6.4 - Implanto-refractiva:
6.6.4.1 - Objectivos de desempenho:
Aprender os diferentes métodos de estudo e avaliação do doente candidato à cirurgia implanto-refractiva;
Execução de biometrias e paquimetrias;
Cálculo da potência da lente intra-ocular.
6.6.4.2 - Objectivos de conhecimento. - Conhecer e seleccionar as diferentes técnicas da cirurgia da catarata e córnea. Complicações e sua resolução.
6.6.5 - Retina médica:
6.6.5.1 - Objectivos de desempenho:
Identificar e avaliar toda a patologia da retina;
Realização de oftalmoscopia directa, indirecta e lente de três espelhos de Goldmann;
Realização e interpretação de angiografias fluoresceínicas, exames electrofisiológicos e ecográficos.
6.6.5.2 - Objectivos de conhecimento:
Bases anatomofisiológicas e fisiopatologia;
Conhecimentos técnicos sobre as diferentes entidades patológicas de origem congénita, hereditária, vascular, tóxica, degenerativa, tumoral, inflamatória e imunológica da retina.
6.6.6 - Retina-vítreo:
6.6.6.1 - Objectivos de desempenho. - Identificar e estudar toda a patologia da retina e vítreo.
6.6.6.2 - Objectivos de conhecimento:
Bases anatomofisiológicas e fisiopatologia;
Conhecimentos teóricos sobre patologia herediária, degenerativa e traumática (corpos estranhos);
Noções sobre indicações, contra-indicações e complicações da cirurgia vítreo-retiniana.
6.6.7 - Neuroftalmologia:
6.6.7.1 - Objectivos de desempenho. - Estudar e avaliar o doente do foro neuroftalmológico.
6.6.7.2 - Objectivos de conhecimento:
Anatomia e fisiologia das vias ópticas;
Interpretação dos exames complementares de diagnóstico (PEV, teste de visão cromática, sensibilidade ao contraste, tomografia axial computorizada, ressonância magnética nuclear);
Conhecimentos teóricos sobre a patologia com repercussão neuroftalmológica.
7 - Avaliação dos estágios. - O momento da avaliação será anual, tendo como base a discussão do relatório de actividades do ano transacto. A comissão de avaliação será constituída pelo director de serviço, pelo orientador de formação e por um chefe de serviço ou assistente hospitalar nomeado pelo director de serviço.
7.1 - Avaliação do desempenho:
7.1.1 - Na avaliação do desempenho serão obrigatoriamente considerados os seguintes parâmetros, com o respectivo factor de ponderação:
Capacidade de execução técnica - factor de ponderação 3;
Interesse pela valorização profissional - factor de ponderação 2;
Responsabilidade profissional - factor de ponderação 3;
Relações humanas no trabalho - factor de ponderação 2.
7.1.2 - A classificação do desempenho resultará do somatório das notas ponderadas a dividir por 10.
7.2 - Avaliação de conhecimentos:
7.2.1 - A classificação de conhecimentos será obtida após a discussão do relatório de actividades anuais, entrando em conta com as informações dadas pelos responsáveis dos vários estágios de subespecialidade.
7.2.2 - A classificação final anual obtém-se pela média simples das avaliações de desempenho e de conhecimentos.
8 - Disposições finais:
8.1 - Este programa aplica-se aos internos que iniciarem o internato em 1 de Janeiro de 1997.
8.2 - Pode, facultativamente, abranger os internos já em formação que iniciaram o seu internato em 1996, e nesse caso os interessados deverão entregar na direcção do internato do seu hospital, no prazo de dois meses a partir da publicação deste programa, uma declaração em que conste a sua pretensão, com a concordância averbada dos respectivos director de serviço e orientador de formação.
ROGRAMA DE FORMAÇÃO DO INTERNATO COMPLEMENTAR DE PNEUMOLOGIA
1 - Duração - 60 meses.
2 - Estrutura, sequência preferencial e duração dos estágios:
2.1 - Formação geral - 24 meses.
2.1.1 - Estágio em medicina interna - 12 meses.
2.1.2 - Estágio em medicina intensiva polivalente e ou respiratória - 4 meses.
2.1.3 - Estágio em doenças respiratórias em cuidados de saúde primários - 2 meses.
2.1.4 - Estágio em cirurgia torácica - 2 meses
2.1.5 - Estágios opcionais - 4 meses.
2.1.5.1 - Dois estágios com 2 meses cada, privilegiando cardiologia, imagiologia, infecciologia e microbiologia, pediatria e outras.
2.1.6 - A frequência dos estágios de medicina intensiva, cirurgia torácica, cuidados respiratórios em cuidados de saúde primários e estágios opcionais pode ser intercalada com a dos estágios integrados na área de formação pneumológica.
2.2 - Formação pneumológica - 36 meses.
2.2.1 - Estágio em pneumologia geral - 18 meses
2.2.2 - Estágio em endoscopia respiratória - 6 meses.
2.2.3 - Estágio em fisiopatologia respiratória - 3 meses.
2.2.4 - Estágio em reabilitação respiratória - 3 meses.
2.2.5 - Estágio em alergologia respiratória - 3 meses.
2.2.6 - Estágio em oncologia pneumológica - 3 meses.
3 - Locais de formação:
3.1 - Os estágios constantes da formação geral serão realizados em serviços hospitalares e extensões pneumológicas dos centros de saúde, sobre proposta do Conselho Nacional dos Internatos Médicos e parecer favorável da Ordem dos Médicos.
3.2 - Os estágios constantes da formação pneumológica deverão ser realizados em serviços de pneumologia.
4 - Objectivos dos estágios:
4.1 - Formação geral:
4.1.1 - Estágio de medicina interna:
4.1.1.1 - Objectivos de desempenho:
Proceder no final do estágio a uma correcta avaliação do doente de medicina interna, do internamento, consultas e urgência;
Saber do correcto diagnóstico clínico-laboratorial e opções terapêuticas.
4.1.1.2 - Objectivos de conhecimento. - Aquisição de saber sobre medicina interna em geral e particularmente das doenças sistémicas com repercussão pulmonar.
4.1.2 - Estágio em medicina intensiva polivalente e ou respiratória:
4.1.2.1 - Objectivos de desempenho. - Aquisição e treino das técnicas de medicina intensiva em geral e particularmente da ventiloterapia nas suas múltiplas modalidades.
4.1.2.2 - Objectivos de conhecimento. - Quadros fisiopatológicos, clínicos e laboratoriais da insuficiência respiratória e da insuficiência de outros órgãos e respectivos tratamentos.
4.1.3 - Estágio em doenças respiratórias em cuidados de saúde primários:
4.1.3.1 - Objectivos de desempenho. - Prevenção, diagnóstico e tratamento em ambulatório das doenças do aparelho respiratório, mormente da tuberculose.
4.1.3.2 - Objectivos de conhecimento:
Epidemiologia e rastreio da tuberculose;
Declaração e colheita de dados para estudos epidemiológicos;
Diagnóstico clínico, imagiológico e laboratorial da tuberculose;
Terapêutica da tuberculose.
4.1.4 - Estágio em cirurgia torácica:
4.1.4.1 - Objectivos de desempenho. - Aquisição e treino na avaliação pré-operatória e seguimento pós-operatório dos doentes pulmonares propostos para cirurgia torácica.
4.1.4.2 - Objectivos de conhecimento. - Indicações cirúrgicas, complicações e opções terapêuticas cirúrgicas de toda a patologia pulmonar.
4.1.5 - Estágio em cardiologia (opcional):
4.1.5.1 - Objectivos de desempenho. - Correcto estudo e tratamento dos doentes do foro cardiológico,
do internamento, consultas e urgência. Leitura do electrocardiograma, ecocardiograma e estudos hemodinâmicos.
4.1.5.2 - Objectivos de conhecimento:
Saber sobre repercussões cardíacas das doenças pulmonares;
Repercussões pulmonares das doenças cardíacas;
Fundamentos da hemodinâmica cardiovascular, electrocardiografia, ecocardiografia, entre outras.
4.1.6 - Estágio em imagiologia (opcional):
4.1.6.1 - Objectivos de desempenho. - Execução dos principais procedimentos imagiológicos torácicos, invasivos ou de intervenção e não invasivos, bem como saber suas indicações e interpretação.
4.1.6.2 - Objectivos de conhecimento. - Competência na interpretação de radiografia convencional torácica, tomografia axial computorizada, angiografia, ecografia torácica, cintigrafia pulmonar e outras técnicas de diagnóstico por imagem.
4.1.7 - Estágio de infecciologia e microbiologia (opcional):
4.1.7.1 - Objectivos de desempenho. - Estudo e tratamento dos doentes do foro infeccioso, em particular dos doentes com síndroma de imunodeficiência adquirida. Prática em microbiologia, em especial de exames directos dos produtos biológicos e processamento das culturas.
4.1.7.2 - Objectivos de conhecimento:
Patologia infecciosa respiratória;
Síndroma de imunodeficiência adquirida;
Antibioterapia;
Repercussão da infecção da comunidade e hospitalar;
Microbiologia com estudo crítico da colheita de secreções das vias aéreas inferiores, transporte e processamento no laboratório.
4.1.8 - Estágio em pediatria (opcional):
4.1.8.1 - Objectivos de desempenho. - Execução de técnicas básicas de diagnóstico e terapêutica, nomeadamente gasometria, técnicas de colheita de secreções, punções e drenagens pleurais, técnicas broncológicas infantis, estudo imagiológico torácico em doentes com patologia pneumológica pediátrica.
4.1.8.2 - Objectivos de conhecimento. - Capacidade de diagnóstico e tratamento das doenças pneumológicas pediátricas mais frequentes.
4.2 - Formação pneumológica:
4.2.1 - Estágio em pneumologia geral:
4.2.1.1 - Objectivos de desempenho:
Elaboração de histórias clínicas, requisição de exames complementares, planos de investigação clínica, de tratamento e alta dos doentes internados;
Prática de técnicas da especialidade:
b1) Punção arterial percutânea; punções e biopsias pleurais, introdução e manejo de drenos torácicos;
b2) Técnicas de colheita de secreções das vias aéreas inferiores para processamentos laboratoriais;
b3) Técnicas de punção aspirativa transtorácica do pulmão e biopsia pulmonar transtorácica;
b4) Cateterização venosa central, entubação endotraqueal e outras;
Abordagem global com anamneses, observação, requisição de exames complementares, prescrição terapêutica e orientação em doentes das consultas de pneumologia geral, doenças ocupacionais do aparelho respiratório, antitabágica e outras;
Preparação dos processos a serem apresentados nas sessões clínicas;
Encerramento dos processos e codificação aquando da alta clínica;
Elaboração de sumário-plano para médicos assistentes.
4.2.1.2 - Objectivos de conhecimento:
Fundamentos anatómicos, morfológicos e do desenvolvimento do aparelho respiratório;
Fundamentos fisiológicos do sistema respiratório e seus métodos de estudo;
Patologia e clínica respiratória, incluindo, mas não limitada a:
c1) Doenças pulmonares obstrutivas; asma, bronquite crónica, enfisema, bronquiectasias e fibrose quística;
c2) Infecções pulmonares por bactérias, fungos, vírus e parasitas;
c3) Atenção especial ao doente com HIV/SIDA e infecções pulmonares relacionadas;
c4) Tuberculose e outras micobacterioses, pulmonar e extrapulmonar, com realce para todos os aspectos relacionados com a epidemiologia e prevenção, diagnóstico e tratamento;
c5) Doenças do interstício pulmonar;
c6) Doenças vasculares pulmonares, incluindo o tromboembolismo pulmonar, a hipertensão pulmonar primária ou secundária, as vasculites e as síndromas hemorrágicas pulmonares;
c7) Doenças pulmonares ocupacionais e relacionadas com o meio ambiente;
c8) Doenças iatrogénicas, incluindo as doenças pulmonares induzidas por drogas;
c9) Lesões pulmonares agudas, como as causadas por radiação, inalação, trauma;
c10) Manifestações pleuropulmonares de doenças sistémicas, incluindo as doenças de colagénio, doenças vasculares e doenças primárias de outros órgãos;
c11) Insuficiência respiratória aguda e crónica e suas causas;
c12) Mecanismos de defesa do aparelho respiratório;
c13) Funções não respiratórias do pulmão;
c14) Nutrição e aparelho respiratório;
c15) Doenças da pleura, mediastino, diafragma e parede torácica;
c16) Alterações genéticas e do desenvolvimento do aparelho respiratório;
c17) Doenças próprias da traqueia e brônquios principais;
c18) Prevenção das doenças respiratórias;
c19) Transplante pulmonar.
4.2.2 - Estágio em oncologia pneumológica:
4.2.2.1 - Objectivos de desempenho:
Aquisição de experiência no diagnóstico, estadiamento e decisão terapêutica;
Preparação de processos a serem apresentados à equipa de radioterapia ou cirurgia torácica;
Participação activa nas unidades de quimioterapia e nas consultas de oncologia pneumológica, da abordagem inicial ao follow-up.
4.2.2.2 - Objectivos de conhecimento. - Saber sobre doenças neoplásicas do aparelho respiratório, primárias ou metastáticas, benignas ou malignas, da epidemiologia à clínica, do diagnóstico às opções terapêuticas, suas indicações, contra-indicações e efeitos secundários.
4.2.3 - Estágio em fisiopatologia respiratória:
4.2.3.1 - Objectivos de desempenho. - Prática de:
Mecânica respiratória (espirometria; curvas débito/volume; volumes pulmonares; distensibilidade pulmonar; resistência das vias aéreas);
Provas de broncomotricidade;
Estudo da transferência alvéolo-capilar;
Gasometria arterial;
Provas de esforço respiratórias;
Manejo de aparelhos mais simples (pneumotacógrafos e espirómetros);
Indicação e interpretação de estudos polissonográficos, em especial os dirigidos ao diagnóstico e tratamento da apneia obstrutiva do sono.
4.2.3.2 - Objectivos de conhecimento:
Métodos de estudo da função respiratória, suas indicações, interpretação e elaboração dos respectivos relatórios;
Adquirir conhecimentos sobre ventilação alveolar, controlo e regulação da respiração, mecânica da ventilação, funções e regulação da circulação pulmonar, troca e transporte de gases, regulação do calibre brônquico, fisiologia da respiração do exercício, fisiologia da respiração no sono, doenças da musculatura respiratória, perturbações respiratórias do sono, incluindo a síndroma apneia do sono.
4.2.4 - Estágio em reabilitação respiratória:
4.2.4.1 - Objectivos de desempenho:
Prática das técnicas básicas de readaptação funcional, incluindo a readaptação ao esforço;
Medidas de prevenção e tratamento das alterações funcionais respiratórias. Ensino e educação do doente e familiares.
4.2.4.2 - Objectivos de conhecimento. - Indicações de oxigenoterapia, ventiloterapia e aerosolterapia e principais técnicas de tratamento das alterações funcionais respiratórias.
4.2.5 - Estágio em endoscopia respiratória:
4.2.5.1 - Objectivos de desempenho:
Aprendizagem e execução de broncofibroscopia e das técnicas correspondentes, como biopsias brônquicas e pulmonares transbrônquicas, aspirados e escovados brônquicos, punções transbrônquicas, lavagem bronco-alveolar;
Execução de broncografia. Assistência e ou realização de pleuroscopias, broncoscopia rígida;
Assistência e ou realização de procedimentos na área da broncologia de intervenção (laserterapia e endopróteses).
4.2.5.2 - Objectivos de conhecimento. - Técnica, indicações, contra-indicações e complicações das diversas técnicas endoscópicas respiratórias. Estrutura, função e doenças próprias da traqueia e brônquios principais. Alterações genéticas e do desenvolvimento da árvore brônquica.
4.2.6 - Estágio em alergologia respiratória:
4.2.6.1 - Objectivos de desempenho:
Prática da colheita da história clínica de alergia;
Execução, interpretação dos testes cutâneos de alergia, dos exames complementares correspondentes e estabelecimento de planos terapêuticos.
4.2.6.2 - Objectivos de conhecimento:
Alergologia do sistema respiratório e seus métodos de estudo;
Epidemiologia, clínica e terapêutica das diversas doenças alergológicas respiratórias.
5 - Avaliação. - A avaliação do aproveitamento do interno será feita segundo os critérios e métodos estabelecidos na Portaria n.º 695/95, de 30 de Junho.
5.1 - Avaliação contínua:
5.1.1 - Avaliação de desempenho:
A avaliação do desempenho é feita de forma contínua no decorrer de cada estágio. Recomenda-se o registo sistemático das actividades desenvolvidas, patologias observadas e técnicas efectuadas;
Os parâmetros a avaliar e sua ponderação são: capacidade de execução técnica (3); interesse pela valorização profissional (2); responsabilidade profissional (3); relações humanas com os doentes e com o outro pessoal da saúde (2).
5.1.2 - Avaliação de conhecimento. - A avaliação de conhecimento será efectuada anualmente, através de:
Prova teórica, que deve incluir a apreciação do relatório de actividades;
Prova prática, que incluirá entrevista e observação de um doente, elaboração de relatório escrito donde conste diagnóstico, pedido de exames, discussão dos mesmos, prognóstico e terapêutica;
Nesta prova de avaliação serão consideradas as avaliações dos estágios parcelares realizados durante esse ano.
5.2 - Avaliação final. - Segundo os termos da Portaria n.º 695/95, de 30 de Junho, a avaliação final inclui a prestação de provas curricular, prática e teórica.
A forma e regulamento das provas prática e teórica é a definida na portaria em referência.
6 - Disposições finais:
6.1 - Este programa aplica-se aos internos que iniciarem o internato em 1 de Janeiro de 1997.
6.2 - Pode, facultativamente, abranger os internos já em formação, que iniciaram o seu internato em 1995 e 1996, e nesse caso os interessados deverão entregar na direcção de internato do seu hospital, no prazo de dois meses a partir da publicação deste programa, uma declaração em que conste a sua pretensão, com a concordância averbada dos respectivos director de serviço e orientador de formação.
PROGRAMA DE FORMAÇÃO DO INTERNATO COMPLEMENTAR DE SAÚDE PÚBLICA
1 - Duração do internato - 36 meses.
2 - Estrutura - três áreas de formação, a que correspondem quatro estágios.
2.1 - Áreas de formação:
2.1.1 - Saúde comunitária.
2.1.2 - Curso em saúde pública.
2.1.3 - Administração em saúde pública.
2.2 - Estágios. - A cada uma das áreas de formação em saúde comunitária e curso em saúde pública corresponde apenas um estágio. A área de formação de administração em saúde pública é constituída por dois estágios:
2.2.1 - Estágio de investigação em saúde pública.
2.2.2 - Estágio de intervenção em saúde pública.
3 - Sequência dos estágios. - A sequência formativa ideal é:
Área de formação em saúde comunitária;
Curso de saúde pública;
Estágio de investigação em saúde pública;
Estágio de intervenção em saúde pública.
4 - Duração de cada área de formação e de cada um dos estágios:
4.1 - Área de formação em saúde comunitária - 9 a 12 meses.
4.2 - Área de formação curso de saúde pública - 12 meses.
4.3 - Área de formação de administração em saúde pública - 12 a 15 meses, repartidos do seguinte modo:
4.3.1 - Estágio de investigação em saúde pública - 3 a 4 meses.
4.3.2 - Estágio de intervenção em saúde pública - 9 a 11 meses.
5 - Local de formação:
5.1 - Área de formação em saúde comunitária - centro de saúde de colocação.
5.2 - Área de formação curso de saúde pública - Escola Nacional de Saúde Pública.
5.3 - Área de formação de administração em saúde pública:
5.3.1 - Estágio de investigação em saúde pública - centro de saúde de colocação.
5.3.2 - Estágio de intervenção em saúde pública - centro de saúde de colocação.
6 - Objectivos de desempenho:
6.1 - Área de formação em saúde comunitária:
Descrever e interpretar o nível de saúde da comunidade;
Identificar os factores que condicionam a saúde das populações;
Ser capaz de utilizar conhecimentos sobre prevenção em saúde;
Integrar-se nas actividades dos cuidados de saúde primários, particularmente naquelas que dizem respeito ao médico de saúde pública.
6.2 - Estágio de investigação em saúde pública. - Atingir os objectivos definidos no protocolo de investigação levado a cabo durante a área de formação curso de saúde pública, evidenciando um comportamento responsável e autónomo no desenvolvimento da investigação e apresentando o respectivo relatório bem estruturado e com uma redacção clara, precisa e concisa.
6.3 - Estágio de intervenção em saúde pública:
Identificar factores condicionantes e valorizar o seu contributo na ocorrência de doença e incapacidade nas populações;
Identificar factores favorecedores da elevação do nível de saúde e contribuir para a sua potenciação;
Avaliar a qualidade e a eficácia dos serviços e instituições no que se refere às actividades de promoção da saúde e prevenção da doença;
Avaliar a qualidade e a eficácia dos serviços e instituições no que se refere aos cuidados prestados e resultados obtidos;
Programar a intervenção sobre os factores condicionantes identificados, estabelecendo prioridades de intervenção;
Definir as actividades e tarefas dos serviços de saúde, prevendo também o envolvimento dos recursos da sociedade;
Intervir em actividades de controlo de riscos ambientais;
Intervir na execução de rastreios;
Intervir na execução de medidas de protecção específicas da população;
Executar acções de educação para a saúde;
Executar ou participar na execução de actividades de formação;
Avaliar a execução de programas em termos de resultados e custos;
Colaborar em todas as funções do médico de saúde pública, executando as actividades e tarefas que lhe forem delegadas.
7 - Objectivos de conhecimento:
7.1 - Área de formação em saúde comunitária. - Demonstrar conhecimentos em:
Epidemiologia descritiva;
Demografia;
Fundamentos e tipos de intervenção em saúde ambiental;
Factores demográficos, sociais e ambientais que influenciam a saúde;
Grupos vulneráveis e de risco;
Programas de saúde em execução a nível local, regional e nacional;
Fontes de informação locais, regionais e nacionais mais frequentemente utilizadas em saúde;
Filosofia, estrutura organizativa e funcional dos cuidados de saúde primários (incluindo sistemas de informação) e funções dos seus profissionais.
7.2 - Estágio de investigação em saúde pública. - Demonstrar conhecimentos sobre metodologia de investigação em saúde, designadamente sobre o modo de definir e fundamentar correctamente um problema escolhido para investigação, demonstrar conhecimentos específicos na aplicação de métodos epidemiológicos, incluindo as técnicas de descrição e análise estatística.
7.3 - Estágio de intervenção em saúde pública. - Demonstrar conhecimentos sobre:
Administração e planeamento em saúde;
Epidemiologia aplicada à administração em saúde;
A consulta deste documento não substitui a leitura do Diário da República correspondente. Não nos responsabilizamos por eventuais incorreções resultantes da transcrição do original para este formato.
Este texto é publicado ao abrigo das condições de reutilização do próprio DRE, não ao abrigo de uma licença Legalize nem de domínio público.
DRE
Acesso universal e gratuito ao Diário da República, nos termos do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 83/2016, de 16 de dezembro, que abrange a impressão, o arquivo, a pesquisa e o livre acesso ao conteúdo dos atos publicados, em formatos eletrónicos de acesso aberto; e do regime de dados abertos da Lei n.º 68/2021, de 26 de agosto. A edição eletrónica é a que faz fé (eli:legal_value = official).