Lei n.º 30-B/2000 — Grandes Opções do Plano para 2001

Tipo Lei
Publicação 2000-12-29
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 7

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 2001

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PROGRAMAS/PRIORIDADES CONTRIBUINDO DIRECTA E PRINCIPALMENTE PARA A "COESÃO SOCIAL"

PO Saúde

PROGRAMAS/PRIORIDADES ORIENTADOS SOBRETUDO PARA A "ATRACTIVIDADE DO TERRITÓRIO" E PARA A "SUSTENTABILIDADE DO DESENVOLVIMENTO"

PO Acessibilidades e Transportes

PO Ambiente

PO Agricultura e Desenvolvimento Rural

PO Pescas

PO Regionais

ACÇÕES INTEGRADAS DE BASE TERRITORIAL

PO REGIONAL NORTE

(ver quadro no documento original)

PO REGIONAL CENTRO

(ver quadro no documento original)

PO REGIONAL LISBOA E VALE DO TEJO

(ver quadro no documento original)

PO REGIONAL ALENTEJO

(ver quadro no documento original)

PO REGIONAL ALGARVE

(ver quadro no documento original)

PROGRAMA OPERACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL DOS AÇORES - OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS E EIXOS PRIORITÁRIOS

OBJECTIVOS DA ESTRATÉGIA REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL

EIXOS PRIORITÁRIOS

EIXO 1 - Garantir as Condições Básicas para a Melhoria da Competitividade Regional - Este Eixo integra os meios financeiros necessários para se promover a integração da Região no Espaço Europeu, em termos de infra-estruturas de base que permitam uma circulação eficiente de pessoas e bens, quer no espaço intra-regional, quer nos fluxos com o exterior, bem como a modernização da rede regional de equipamentos de base nos domínios da educação, da saúde e da protecção civil

EIXO 2 - Incrementar a Modernização da Base Produtiva Tradicional - Este Eixo engloba intervenções integradas dirigidas ao sector primário da economia - agricultura, pecuária, pescas, floresta, desenvolvimento do espaço natural e do património rural - onde a Região detém algumas vantagens competitivas, incluindo as áreas de transformação e comercialização associadas

EIXO 3 - Promover a Dinamização do Desenvolvimento Sustentado - Inclui as Medidas dirigidas a sectores de actividade que proporcionem a diversificação da economia - turismo, apoio horizontal à dinamização da indústria comércio e serviços- bem como as de natureza horizontal (ambiente, ciência e tecnologia, sociedade da informação e formação profissional) que promovem a sustentabilidade do desenvolvimento

EIXO 4 - Apoiar o Desenvolvimento Local do Potencial Endógeno - Integra os apoios dirigidos às autoridades municipais para a prossecução, em articulação com as linhas de orientação gerais, do desenvolvimento a nível local, em áreas como o ambiente, as acessibilidades, a educação, a cultura, o desporto e o ordenamento industrial e comercial

EIXO 5 - Dinamizar e Fortalecer o Tecido Empresarial Regional - Agrupa os apoios dirigidos ao fomento do investimento das empresas, sejam estas unidades do sector do turismo, pequenas e médias empresas do sector transformador e de serviços, operadoras dos sistemas de transportes ou a empresa pública regional responsável pela produção, transporte e distribuição da energia eléctrica.

PROGRAMA OPERACIONAL PLURIFUNDOS DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA - OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS E EIXOS PRIORITÁRIOS

OBJECTIVOS DA ESTRATÉGIA REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL

EIXOS PRIORITÁRIOS

EIXO 1 - Desenvolvimento de uma Plataforma de Excelência Euro-Atlântica - envolvendo:

EIXO 2 - Consolidação da Base Económica e Social - envolvendo:

AS GRANDES OPÇÕES DE POLÍTICA ECONÓMICA E SOCIAL E OS EIXOS PRIORITÁRIOS DO QUADRO COMUNITÁRIO DE APOIO III

(ver quadro no documento original)

CAPÍTULO II. PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UE - UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA A EUROPA

PRESIDÊNCIA PORTUGUESA DA UE - UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA A EUROPA

No Conselho Europeu Especial de Março de 2000 foi definida uma plataforma de entendimento para uma nova estratégia para a União Europeia (UE) por forma a eleger o emprego, as reformas económicas e a coesão social como partes integrantes de uma economia baseada no conhecimento.

O Conselho Europeu de Lisboa proporcionou uma oportunidade única para a UE definir os seus objectivos de longo prazo, permitindo, nomeadamente, identificar prioridades, estabelecer metas, monitorizar mecanismos e definir o papel dos vários intervenientes. Estes objectivos foram ligados aos processos já a decorrer no que se refere à coordenação da política de emprego (Luxemburgo), às reformas estruturais (Cardiff) e ao diálogo macroeconómico (Colónia), articulando-os de forma estreita, permitindo assegurar uma coerência global; ao Conselho Europeu competirá definir as orientações a seguir, bem como produzir os necessários impulsos políticos fundamentais.

EMPREGO, REFORMA ECONÓMICA E COESÃO SOCIAL. UM OBJECTIVO ESTRATÉGICO PARA A PRÓXIMA DÉCADA

O Novo Desafio

Duas forças motrizes, a globalização e a afirmação acelerada de uma nova economia baseada no conhecimento, encontram-se no centro da definição do enquadramento económico, social e político, no qual e para o qual a UE estabeleceu a sua estratégia de actuação bem como o papel que poderá desempenhar na próxima década.

Estas duas forças motrizes, pelo facto de se apresentarem de âmbito e difusão a uma escala mundial, evoluindo e transformando-se a um ritmo acelerado, e alterando todos os aspectos da vida das pessoas, exigirão uma transformação radical da economia e sociedade europeias. A UE terá que moldar estas mudanças de uma forma consistente com os seus valores e conceitos de sociedade e igualmente como uma visão antecipativa face ao próximo alargamento.

Num enquadramento marcado por um ritmo de mudança extraordinariamente rápido e em aceleração contínua, é crucial e urgente que a UE actue agora por forma a conseguir aproveitar as inúmeras oportunidades que se apresentam.

São estes aspectos que evidenciam a necessidade da UE definir de forma clara um objectivo estratégico e assumir um programa ambicioso e desafiante para a construção das infra-estruturas de uma nova economia baseada no conhecimento, estimulando a inovação e as necessárias reformas económicas, e modernizando os sistemas de bem-estar social e de educação/formação.

As Forças e Fraquezas da União

A UE apresenta um conjunto muito importante de forças as quais terão que ser potenciadas para aproveitar as múltiplas oportunidades que surgirão no futuro. Entre estas, sublinham-se as seguintes:

EUROPA: "LOCOMOTIVA" DA ECONOMIA MUNDIAL

A economia da UE encontra-se actualmente numa posição privilegiada para assumir, no futuro, o papel de "locomotiva" do mundo.

De facto, a UE é uma economia integrada com uma moeda única, uma política monetária unificada e com um mercado interno em fase avançada de conclusão. É a segunda maior economia do mundo e, se o processo de alargamento for bem sucedido, a UE tornar-se-á a maior economia mundial.

No entanto, para que estas oportunidades possam ser aproveitadas, será indispensável prosseguir uma política macroeconómica sólida e, em particular, definir e cumprir políticas fiscais e monetárias apropriadas, reforçar ainda mais os principais pontos fortes e atacar com determinação algumas das fraquezas crucias que existem no seio da UE.

Estas forças não devem obviar a que se identifiquem, analisem e se actue sobre um conjunto de fraquezas, destacando-se as seguintes:

COMBATER O DÉFICE DE COMPETÊNCIAS

A economia do conhecimento está a gerar um processo contínuo e acelerado de erosão (obsolescência) e transformação das competências requeridas para trabalhar, sendo actualmente bem visível a necessidade de trabalhadores não manuais altamente qualificados, particularmente nos sectores de maior crescimento da economia.

As Tecnologias de Informação podem ajudar a reduzir o desemprego estrutural de longa duração tornando a força de trabalho mais adaptável e formando pessoas para os novos empregos que surgirão no futuro. De facto, existem já entre 500000 a um milhão de empregos por ocupar nas áreas das TIs na UE.

Neste sentido, será crucial realizar rapidamente os investimentos em educação e formação necessários para oferecer estas competências, renová-las e mantê-las num processo contínuo, cada vez mais "just-in-time", "on-demand", e ao longo da vida. Neste sentido, a realidade mostra claramente que os indivíduos com poucas qualificações e que deixam precocemente a escola têm menores possibilidades de continuar a receber formação ao longo da respectiva vida de trabalho. Dado o contínuo ritmo de mudança, adaptar a estrutura educacional básica para as necessidades, bem como investir fortemente na formação e aprendizagem ao longo da vida são agora essenciais para o sucesso económico e social de longo prazo.

Uma Estratégia Global para uma Nova Visão do Futuro

A resposta da UE foi inequívoca e determinada 3/4 enfrentar frontalmente estes desafios, ancorada na estabilidade alcançada e aproveitar as vantagens cruciais de um enquadramento económico favorável 3/4, possibilitando a definição de um novo objectivo estratégico para a próxima década: "tornar-se a economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, capaz de gerar um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos e maior coesão social". Para alcançar tal objectivo foi indispensável construir uma nova visão do futuro e uma estratégia global capaz de a transformar em realidade. Esta estratégia estrutura-se nos seguintes objectivos gerais:

Esta estratégia visa permitir à UE recuperar as condições para o pleno emprego, e fortalecer a coesão regional na União. Se as medidas definidas acima forem implementadas tendo como suporte um sólido quadro macroeconómico, uma taxa média de crescimento económico de 3% para os próximos anos apresentar-se-á como uma perspectiva realista.

Um objectivo estratégico com esta complexidade e ambição exigirá uma abordagem operacional totalmente integrada, articulando metas económicas, sociais e políticas, com uma rigorosa calendarização e definição de datas limites para as alcançar.

A figura seguinte permite visualizar de forma esquemática as principais componentes desta estratégia global e as suas múltiplas inter-relações.

FIGURA 1

UMA POLÍTICA INTEGRADA PARA A CRIAÇÃO DE UMA ECONOMIA EUROPEIA DINÂMICA E INCLUSIVA

(ver figura no documento original)

A estratégia global da UE estrutura-se, assim, em torno da interacção mútua de quatro elementos principais:

A estratégia global da UE tem como suporte fundamental a construção e melhoramento contínuo de um novo "motor de crescimento" para o futuro, o qual lhe permita fazer a passagem para uma nova economia baseada no conhecimento e na conectividade digital. A recuperação dos atrasos e a definição de prioridades estratégicas nas industrias europeias das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), a massificação do acesso à Internet (tanto de empresas como dos cidadãos), a capacidade de difusão em larga escala do comércio electrónico nas vertentes business-to-business e business-to-consumer, estimulando a geração de novos bens e serviços, novos modelos e segmentos de negócios e novas arquitecturas estratégicas, são algumas das componentes deste novo motor de crescimento, para o qual o plano de acção para uma e-Europa assume uma importância particular.

O bom funcionamento de um "estabilizador macroeconómico" será fundamental para a construção deste novo motor de crescimento e para a consistência futura de toda a estratégia global da UE. A manutenção de uma sólida política macroeconómica, capaz de estimular o investimento e a confiança, aumentar a produtividade e evitar a criação de desequilíbrios estruturais que possam colocar em causa o crescimento e a prosperidade da economia da UE assume-se como um elemento indispensável para o sucesso da estratégia global da UE para a próxima década.

O "ponto focal" de toda a estratégia da UE são naturalmente as pessoas, as suas ideias (criação, desenvolvimento, financiamento) e o desenvolvimento de sistemas de ensino e formação profissional adequados a uma nova realidade. É em torno deste "ponto focal" que todas as acções, medidas, programas ou políticas se deverão perspectivar e enquadrar.

A sustentabilidade de toda esta estratégia da UE, centrada nas pessoas como seu "ponto focal", dinamizada por uma economia e sociedade do conhecimento baseada no seu novo "motor de crescimento" e ancorada num "estabilizador macroeconómico" robusto, dependerá da capacidade que os múltiplos actores (com responsabilidades partilhadas na sua concepção, desenvolvimento, implementação, controlo e avaliação) revelarem na obtenção de um equilíbrio em torno do que pode denominar-se de "espaço de planeamento e actuação estratégicos" na UE, estruturado em torno de quatro "pontos cardeais": competitividade, inovação, emprego e inclusão social. De facto, o sucesso da estratégia global da UE apenas será alcançado se se conseguir combinar de forma consistente o crescimento económico e as mudanças tecnológicas, com os valores e conceitos de sociedade da Europa.

PREPARAR A TRANSIÇÃO PARA UMA ECONOMIA COMPETITIVA, DINÂMICA E BASEADA NO CONHECIMENTO

Uma Sociedade da Informação para todos

A passagem para uma economia conectada digitalmente e cada vez mais centrada no conhecimento, capaz de gerar e difundir de forma massiva novos bens e serviços, será um poderoso motor de crescimento económico, competitividade e emprego. Perante tais potencialidades esta nova economia será capaz de melhorar a qualidade de vida e o ambiente. Foi com o propósito de aproveitar estas oportunidades que o Conselho e a Comissão foram convidados a conceber um Plano de Acção para uma e-Europa.

Na base da construção de uma sociedade da informação, capaz de potenciar a competitividade, a coesão social e evitando a geração de desequilíbrios e desigualdades de oportunidades, a Europa terá que ser capaz de potenciar o desenvolvimento, implementação e difusão em larga escala de todo um conjunto de tecnologias de informação e infra-estruturas de comunicações, as quais se encontram na base da formação e renovação acelerada da Internet, a qual se afirmou já como um novo medium que permite, simultaneamente, acesso a informação e entretenimento, assegura comunicações e estrutura um espaço transaccional.

Para alcançar tal objectivo, a Europa terá que responder positivamente a um conjunto de desafios fundamentais, entre os quais se sublinham os seguintes:

Desenvolver todo o e-potencial da Europa dependerá da criação das condições para que o comércio electrónico e a Internet se disseminem, por forma a que a UE possa alcançar os seus concorrentes através da ligação de mais empresas e lares à Internet. Neste sentido, as regras para o comércio electrónico deverão ser previsíveis e capazes de estimular a confiança das empresas e dos consumidores.

Uma estratégia europeia para as TIC deverá permitir encurtar o atraso da Europa em determinadas áreas (em particular face aos EUA) e estimular a tomada de medidas por forma a que a Europa mantenha a sua liderança em áreas tecnológicas consideradas estratégicas, como a das comunicações móveis.

Para alcançar estes objectivos, o Conselho Europeu seleccionou um conjunto de áreas prioritárias de actuação para as quais definiu uma calendarização rigorosa:

Estabelecer uma Área Europeia de Investigação e Inovação

Dado o papel significativo que a I&D tem na geração de crescimento económico, emprego e coesão social, a União deve trabalhar no sentido de alcançar os objectivos definidos na comunicação da Comissão "Towards a European Research Area". As actividades de investigação a nível nacional e da União devem estar melhor integradas e coordenadas por forma a torná-las tão eficientes e inovadoras quanto possível, permitindo à Europa oferecer perspectivas atractivas para os seus melhores "cérebros". Ao mesmo tempo a inovação e ideias deverão ser recompensadas de forma adequada, particularmente através da protecção de patentes.

Para alcançar estes propósitos, deverão ser dados os passos necessários para o estabelecimento de uma Área de Investigação Europeia, a qual permita:

Criar um ambiente amigável para starting up e o desenvolvimento de negócios inovadores, especialmente sob a forma de PME

A competitividade e o dinamismo empresarial está directamente dependente de um clima regulamentar conducente ao investimento, inovação e iniciativa empresarial. Neste sentido, esforços acrescidos serão necessários para baixar os custos associados à realização de negócios e para remover encargos desnecessários, os quais evidenciam de forma inequívoca um peso excessivo para as PME. As instituições europeias, os governos nacionais e as autoridades locais e regionais devem continuar a tomar particular atenção ao impacto e implicações dos custos das regulamentações propostas, e devem aprofundar o diálogo com empresas e cidadãos com este propósito em mente. Acção específica é também necessária para encorajar as interfaces-chave em redes de inovação, isto é, interfaces entre empresas e mercados financeiros, instituições de I&D e formação, serviços de consultoria e mercados tecnológicos.

O Conselho considerou indispensável a aplicação de um método de coordenação nesta área e consequentemente apelou para que:

Realizar Reformas Económicas para atingir um Mercado Interno Completo e Totalmente Operacional

Uma prioridade que transpareceu de forma consensual centrou-se na necessidade de realizar um esforço de aceleração do processo de conclusão do Mercado Interno em certos sectores e melhoramento da fraca performance em outros, no sentido de assegurar os interesses de empresas e consumidores. Um quadro eficaz para revisão e melhoramento corrente, baseado na Estratégia para o Mercado Interno delineada pelo Conselho Europeu de Helsínquia, é igualmente essencial para que os benefícios da liberalização do mercado sejam alcançados. Para além disto, a aplicação uniforme de regras de ajudas à competição e aos Estados são essenciais para assegurar que as empresas possam competir e operar eficazmente no Mercado Interno.

Neste contexto, o Conselho, a Comissão e os Estados Membros, de acordo com as respectivas responsabilidades, deverão:

Mercados Financeiros Eficientes e Integrados

Mercados financeiros eficientes e integrados aceleram o crescimento e o emprego através da melhor alocação de capital e redução de custos. De facto, aqueles detêm um papel crucial na alimentação de novas ideias, suportando uma cultura empreendedora e promovendo o acesso e o uso de novas tecnologias. Neste sentido, é fundamental explorar o potencial do euro para acelerar a integração dos mercados financeiros da UE. Mercados de capital de risco eficientes têm um papel crucial na criação e desenvolvimento de PME inovadoras e de elevado crescimento, bem como na criação de novos empregos sustentáveis.

Para acelerar a conclusão do mercado interno para os serviços financeiros, deverão ser dados passos importantes no sentido de:

Coordenar Políticas Macroeconómicas: Consolidação Fiscal, Qualidade e Sustentabilidade das Finanças Públicas

As oportunidades oferecidas pelo crescimento económico deverão ser utilizadas na prossecução da consolidação fiscal de forma mais activa e no melhoramento da qualidade e sustentabilidade das finanças públicas.

O Conselho Europeu pediu ao Conselho e à Comissão, usando os procedimentos existentes, a apresentação de um relatório na Primavera de 2001, analisando a contribuição das finanças públicas para o crescimento e emprego e analisando, com base em dados e indicadores comparáveis, que medidas concretas adequadas estão a ser tomadas por forma a:

MODERNIZAR O MODELO SOCIAL EUROPEU INVESTINDO NAS PESSOAS E CONSTRUINDO UM ESTADO DE "BEM-ESTAR" ACTIVO

Tal como se referiu anteriormente, um dos pressupostos fundamentais em que a estratégia global da UE se baseia, respeita ao facto das pessoas serem o principal activo da Europa e, como tal, se constituírem como o ponto focal das políticas da União. Investir nas pessoas e desenvolver um estado providência dinâmico e activo será crucial tanto para colocar a Europa num lugar de destaque na economia do conhecimento como para assegurar que a emergência desta nova economia não agrava os já existentes problemas sociais do desemprego, exclusão social e pobreza.

Educação e Formação para Viver e Trabalhar na Sociedade do Conhecimento

Os sistemas de educação e formação da Europa precisam de se adaptar tanto às necessidades e exigências da sociedade do conhecimento, como à necessidade de melhoria do nível e qualidade do emprego. Eles terão que oferecer oportunidades de aprendizagem e formação à medida de grupos alvo em diferentes estádios das suas vidas: pessoas jovens, adultos desempregados e aqueles que se encontram empregados mas que estão em risco de verem as suas competências ficarem obsoletas pela rápida mudança. Esta nova abordagem deverá ter três componentes principais: o desenvolvimento de centros locais de aprendizagem, a promoção de competências básicas (em particular em tecnologias de informação), e uma transparência crescente de qualificações.

O Conselho Europeu apelou aos Estados Membros, em consonância com as suas regras constitucionais, ao Conselho e à Comissão para darem os passos necessários nas suas áreas de competências, no sentido de irem ao encontro dos seguintes objectivos:

Mais e Melhores Empregos para a Europa: Desenvolvendo uma Política de Emprego Activa

Na Cimeira da Feira, o Conselho e a Comissão foram convidados a desenvolver as seguintes áreas chave:

O Conselho Europeu considera que o propósito geral destas medidas deverá ser, com base nas estatísticas disponíveis, aumentar a actual taxa de emprego de uma média de 61% para tão perto quanto possível dos 70% em 2010, bem como o peso de mulheres empregadas, que deverá passar de uma média actual de 51% para mais de 60% em 2010. Estes objectivos e medidas, que deverão ser ajustados à realidade concreta de cada Estado Membro, ao alargarem a força de trabalho, reforçarão a sustentabilidade dos sistemas de protecção social.

Modernizar a Protecção Social

A passagem para uma economia do conhecimento, os fortes impactos futuros que derivarão do envelhecimento populacional, os novos riscos emergentes no mercado de trabalho e o surgimento de novas formas de famílias, são algumas das tendências de evolução que exercerão enormes pressões sobre o Modelo Social Europeu, nomeadamente sobre os respectivos sistemas de protecção social. Isto significa que estes sistemas necessitarão de ser adaptados enquanto parte integrante de um estado de bem estar activo, o qual permita assegurar que no futuro recompensará trabalhar, que salvaguarde a respectiva sustentabilidade a longo prazo aquando dos impactos dos choques demográficos pelos quais a UE passará nas próximas décadas, que promova a inclusão social e a igualdade entre homens e mulheres e a oferta de serviços de saúde com qualidade.

O Conselho Europeu, consciente de que uma resposta positiva a este desafio apenas poderá ser alcançado através de um esforço cooperativo, convidou o Conselho a:

Promover a Inclusão Social

A definição de uma política sistemática de combate à pobreza e à exclusão social, nas suas velhas e novas formas, terá que ser uma componente indispensável da estratégia global da UE para o século XXI.

A constatação de que os fenómenos de exclusão social assumem ainda uma dimensão elevada, atingindo todos os Estados Membros, embora com formas e intensidades diferenciadas e incidindo, sobretudo, sobre os grupos sociais mais fragilizados, as zonas economicamente mais deprimidas, e igualmente sobre os cidadãos particularmente desfavorecidos face ao mercado de trabalho, são algumas das razões que justificam uma acção firme capaz de responder de forma satisfatória para a sua diminuição acentuada.

Pelo exposto, o combate à exclusão social foi eleito como um dos grandes pilares da estratégia global da UE para a próxima década, tendo-se definido duas áreas privilegiadas de actuação por parte dos Estados-membros em articulação estreita com todos os parceiros activos na promoção da inclusão social:

A NOVA ESTRATÉGIA EUROPEIA E O NOVO MODELO DE CRESCIMENTO ECONÓMICO E DE COESÃO SOCIAL DO PNDES

As conclusões da Cimeira da Feira, que culminaram o intenso esforço de reflexão realizado durante a Presidência portuguesa sobre o modo de permitir às economias e sociedades europeias uma maior capacidade de aproveitamento das oportunidades de crescimento e prosperidade associadas ao que frequentemente se designa como "Nova Economia" permitem, por sua vez, detalhar a própria Estratégia nacional de médio prazo contemplada no Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e social (PNDES) em áreas de actuação mais especificamente dirigidas à preparação do País para uma "Economia Baseada no Conhecimento" e uma "Sociedade da Informação e da Aprendizagem"

O Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (PNDES) apresentado em 1998/9 tem como aspecto central da sua Estratégia a definição dos contornos de um novo Modelo de Crescimento e de Coesão Social para Portugal. Vários dos aspectos desse Novo Modelo convergem com a Estratégia Europeia da Feira. Assim basta recordar:

a)

A definição de "Questões-Chave" que permitem definir um Novo Modelo de Crescimento:

b)

A identificação dos Factores Alavanca que condicionam a implementação desse novo "Modelo de Crescimento" como sejam:

O NOVO "MODELO DE CRESCIMENTO" E A DINÂMICA DE ACTIVIDADES

A Dinâmica de Actividades em que o "Novo Modelo de Crescimento" pode assentar tem como vertentes básicas as seguintes:

c)

A concepção do "Modelo de Coesão Social" partindo do reconhecimento de que os seus Factores Motores se devem procurar na resolução das "Questões-Chave" do novo Modelo de Crescimento, mas integrando a ultrapassagem de um conjunto de "Exigências e Constrangimentos" específicos de que se podem destacar:

CAPÍTULO III. TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS EM FOCO

TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS EM FOCO

Como se referiu anteriormente, o Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (PNDES), apresentado e discutido em 1998/9, constitui o quadro de referência da Estratégia de Médio Prazo para o País cujos Grandes Objectivos são:

Esta estratégia tem como Pressupostos:

Deve recordar-se que o Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (PNDES) serviu de base para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Regional (PDR), no que respeita a acções co-financiáveis pelos Fundos Estruturais e para a definição das orientações de base para o conjunto de Reformas Estruturais a realizar sob exclusiva responsabilidade do Governo português.

Neste capítulo descreve-se de forma sintética as actuações que, em 2001, se dirigirão em particular a esta última vertente, bem como à consolidação dos Pressupostos inalienáveis que se referiram, actuações essas que se encontram mais detalhadas no Capítulo IV relativo às Grandes Opções para 2001.

AS GRANDES OPÇÕES DE POLÍTICA ECONÓMICA E SOCIAL E AS TRANSFORMAÇÕES ESTRUTURAIS EM FOCO

(ver quadro no documento original)

1.

SAÚDE

Reflectir, hoje, sobre o sistema de saúde em geral e sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) enquanto sua componente nuclear e estruturante significa, em primeiro lugar, avaliar tudo o que de positivo se alcançou nas últimas duas décadas ao nível da cobertura da população, da prestação de cuidados, das infra-estruturas e equipamentos, bem como na capacidade técnica e científica dos profissionais.

Mas significa também que não se omitam e que se enfrentem diversos problemas. Problemas novos e outros que persistiram ao longo dos últimos anos. Problemas específicos ao caso português e outros que são, sem qualquer dúvida, comuns aos que enfrentam os sistemas de saúde de outros Estados-membros da União Europeia.

Constituem actualmente preocupação em todos os sistemas de saúde, a melhoria da acessibilidade a cuidados de saúde, a melhoria contínua da qualidade e controlo dos custos. O sistema português não constitui excepção, já que sobre ele se exercem também os efeitos poderosos de factores como o envelhecimento da população, o surgimento de novas e complexas patologias, os avanços científicos e tecnológicos e as solicitações crescentes, e legítimas, das populações.

Aos factores de âmbito mais geral acrescem problemas concretos ao caso português - embora também evidenciados com menor intensidade por outros sistemas - em áreas determinantes como sejam os recursos humanos e a organização gestão dos serviços de saúde.

Mas as dificuldades e os problemas que se têm vindo a manifestar ao longo de muitos anos no sector de saúde não são inevitáveis.

A sua superação exige, no entanto, uma actuação determinada e coordenada no sentido de se concretizar uma reforma profunda da saúde a qual deverá integrar numa lógica global todas as medidas concretizadas na anterior e na presente legislatura.

As novas etapas da reforma deverão produzir, como resultado último, um sistema de saúde com uma capacidade efectiva de resposta às necessidades em saúde dos cidadãos, com garantia de qualidade e, naturalmente, eficiente na utilização dos recursos.

As mudanças estruturais continuarão a ser orientadas por uma estratégia global, assente em princípios fundamentais:

As novas etapas da reforma - necessariamente progressivas e com o envolvimento dos profissionais de saúde e parceiros sociais - continuarão a ser determinadas pela primeira prioridade atribuída à Acessibilidade, Humanização e Qualidade na Saúde e centrar-se-ão nos principais problemas já diagnosticados.

Constituem intervenções prioritárias:

A apresentação da nova Lei de Bases da Saúde e do novo Estatuto do SNS responderá às questões anteriores e permitirá ainda definir o enquadramento da organização e funcionamento do sistema de saúde.

As mudanças a prosseguir ou a iniciar exigem a redefinição do papel dos cuidados primários - invertendo progressivamente a sua posição actual no SNS de modo a funcionarem de forma efectiva como "porta de entrada" - e terão de concretizar uma profunda reorganização ao nível do modelo de gestão, recursos humanos, oferta de cuidados e articulação com outras unidades de saúde.

A implementação, em Janeiro de 2001, de um primeiro conjunto de Centros de Saúde de 3ª Geração permitirá responder de forma coordenada a algumas das deficiências ainda hoje sentidas.

Impõe-se também uma nova gestão hospitalar que permita a melhoria do acesso, qualidade e humanização, num quadro de complementaridade entre hospitais e centros de saúde e de optimização, dos recursos humanos e financeiros.

Um novo estatuto jurídico hospitalar, a implementação de instrumentos de gestão intermédia e o reforço dos modelos de complementaridade constituem opções já enunciadas.

As dificuldades hoje sentidas - deficiente distribuição geográfica de algumas categorias profissionais e efectiva insuficiência de outras - exigem respostas de natureza e alcance diferentes.

Uma intervenção estruturada e orientada para o futuro do sistema exige o aumento da capacidade formativa num quadro de planeamento dos recursos necessários e instrumentos que permitam corrigir, a prazo, as disfunções hoje detectadas.

Tal não impede que simultaneamente se prossiga uma actuação mais orientada para resultados de curto prazo, que exige instrumentos diversos passíveis de optimizar os recursos existentes, como sejam um novo regime de incentivos à mobilidade e novos regimes remuneratórios baseados no desempenho.- Promover a criação de um sistema de garantia de qualidade em saúde que permita a revisão permanente e sistemática dos processos conducentes à prestação de cuidados efectivos e eficientes, bem como a optimização do modo de organização e de prestação dos serviços.

Não só se procederá à extensão progressiva dos programas de garantia de qualidade já implementados - caso do recente Programa do Circuito do Doente - como se implementarão outros de alcance indiscutível do ponto de vista organizacional e financeiro como seja o programa de reorganização dos serviços de aprovisionamento hospitalar.

A implementação de sistemas de informação aplicáveis a processos de gestão dos cuidados de saúde e dos recursos afectos constitui uma intervenção essencial à obtenção de garantias de eficiência no SNS e no apoio à tomada de decisão.

Constitui hoje uma exigência em todos os sistemas, determinada pela necessidade de eficácia e eficiência.

As opções em instalações e equipamentos pesados terão de ser orientadas por princípios básicos mas essenciais: as necessidades efectivas dos utentes, a disponibilidade em recursos humanos bem como a capacidade instalada utilizada e disponível.

Trata-se, no fundo, de planear equipamentos para servir melhor os utentes, optimizando os investimentos.

Para o segundo ano da legislatura será concretizado o redimensionamento das embalagens segundo os princípios já estabelecidos, prosseguirá o Plano Nacional de Reorganização da Farmácia Hospitalar e serão implementadas as orientações decorrentes da avaliação em curso dos regimes especiais de comparticipação. Pretende-se com esta revisão garantir maior equidade e combater o uso indevido sem que tal possa vir a exigir qualquer esforço financeiro adicional aos utentes.

A reforma de saúde exige intervenções claras e profundas em áreas prioritárias. São, no entanto, intervenções essenciais para o aperfeiçoamento do SNS e do Sistema de Saúde em Portugal.

2.

SEGURANÇA SOCIAL

Em 2001 serão dados novos passos no processo de gestão reformista do Sistema de Solidariedade e Segurança Social que, desde 1995, tem vindo a ser prosseguido.

Com a aprovação da Lei de Bases do Sistema de Solidariedade e Segurança Social, abre-se um amplo processo de concretização legislativa das novas orientações aprovadas pela Assembleia da República.

A lógica global de financiamento da segurança social será objecto de reformulação, de acordo com os princípios da diversificação das fontes de financiamento e da sua adequação selectiva.

Uma parte das cotizações dos trabalhadores poderá passar a ser aplicada num fundo de reserva, de modo a que este venha a assegurar a cobertura das despesas previsíveis com pensões, por um período mínimo de dois anos.

O cálculo das pensões de velhice deverá, de um modo gradual e progressivo, ter por base os rendimentos de trabalho, revalorizados, de toda a carreira contributiva.

Apostar-se-á ainda na diferenciação positiva das taxas de substituição das pensões a favor dos beneficiários com mais baixas remunerações, respeitando o princípio da contributividade.

Mas para além do processo normativo que concretizará as grandes orientações da nova Lei de Bases, a transformação reformista do sistema prosseguirá, ainda, através de um conjunto alargado de outras medidas de política.

A política de aumento das pensões será prosseguida, subordinada aos princípios da diferenciação positiva a favor das pensões mais degradadas, maior ligação do valor da pensão à duração da carreira contributiva e condicionamento pela evolução da economia portuguesa.

A implantação do novo modelo organizativo do sistema, através no novo Instituto da Solidariedade e Segurança Social é outra das prioridades, no quadro da modernização dos serviços e da sua aproximação aos cidadãos.

O desenvolvimento do Plano Nacional de Lojas da Solidariedade e Segurança Social, com a instalação de 50 Lojas, possibilitará também uma melhoria do acolhimento e do atendimento dos utentes.

Por outro lado, será dado um forte impulso ao desenvolvimento do novo sistema de informação da solidariedade e segurança social, nomeadamente de forma a garantir sucesso da transição para o Euro.

O combate à fraude e à evasão contributiva e ao acesso indevido às prestações será intensificado, utilizando os novos instrumentos e meios entretanto disponibilizados, nomeadamente pela implementação dos objectivos de médio prazo do Plano Nacional de Prevenção da Fraude e Evasão Contributivas e Prestacionais.

O esforço de recuperação da divida será igualmente objecto de intensificação, tendo em conta as novas competências e a nova estrutura do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e as novas possibilidades de cobrança coerciva.

De assinalar ainda o prosseguimento do esforço de capitalização e de outras medidas destinadas a garantir a sustentabilidade futura do sistema público de segurança social, bem como da eficiência acrescida pela implementação do novo modelo organizativo da solidariedade e segurança social em conjugação com o novo sistema de informação.

O processo de transformação do sistema passará ainda pela elaboração de um Plano Nacional de Recursos Humanos para o sector tendo em vista a preparação atempada da substituição de uma percentagem significativa de funcionários que atingirão nos próximos anos a idade de aposentação.

3.

JUSTIÇA

O objectivo político central do Governo é o de mobilizar a Justiça ao serviço da cidadania e do desenvolvimento: uma Justiça mais rápida e eficiente, mais próxima e acessível aos cidadãos, com estruturas mais flexíveis e mais modernas, mais adequada à competitividade das empresas. Estes objectivos são prosseguidos mediante a mobilização e participação activa da comunidade judiciária, através da modernização do próprio sistema jurídico e judiciário e promovendo o acesso à Justiça e ao Direito em condições de igualdade e de celeridade.

Esta nova agenda da Justiça tem como principal prioridade o combate à morosidade assente numa estratégia com cinco vectores:

A reforma da administração do sistema de justiça caracteriza-se pelo reforço da capacidade de planeamento e dos instrumentos de inspecção dos órgãos auxiliares de justiça e introdução de mecanismos de auditoria de qualidade para o conjunto do sistema, pela racionalização dos instrumentos de gestão financeira, patrimonial e do sistema informático, bem como pelo processo de modernização, racionalização e desconcentração da gestão dos tribunais.

A intervenção no sistema de justiça só é possível conjugada com uma acção determinada na recuperação e saneamento das pendências acumuladas, sendo os novos mecanismos para suprir a carência de magistrados - encurtamento do período de estágio dos auditores, mobilização de magistrados jubilados, recrutamento extraordinário de juristas - instrumentos essenciais para libertar o sistema para uma resposta eficiente à solicitação da administração da justiça em tempo útil, a par do muito significativo reforço de oficiais de justiça que permite o preenchimento das vagas existentes nos quadros.

Para além do reforço dos meios humanos ao serviço do sistema de justiça, o grande esforço de investimento centra-se no processo de informatização dos tribunais envolvendo a instalação da rede judiciária, o desenvolvimento das aplicações informáticas e a correspondente formação.

Assim, a par dos trabalhos de instalação das redes e servidores, estão em desenvolvimento as aplicações informáticas relativas aos processos cíveis, crime, trabalho, família e menores, sendo que a aplicação relativa ao contencioso administrativo está necessariamente condicionada à prévia aprovação da reforma, cujo debate público já se encontra em fase de conclusão.

O processo de informatização não se esgota na instalação de equipamentos e desenvolvimento das aplicações. O esforço de formação a realizar no próximo ano, já com base nestas aplicações é o elemento decisivo e que exigirá grande empenho e motivação a magistrados e funcionários judiciais.

A reforma do sistema de justiça exige mais e melhores meios, mas implica também o recurso a outros meios que previnam os litígios e diversifiquem a sua solução, por meios extrajudiciais e a libertação dos tribunais de um conjunto de actos que cabem à administração.

Finalmente, a redução, simplificação e desburocratização de mecanismos e actos processuais, bem como de actos sujeitos a registo e de outros notariais permitirão simplificar a vida dos cidadãos e melhorar as condições de competitividade das empresas e assegurar a tutela jurisdicional efectiva dos direitos dos cidadãos.

4.

SEGURANÇA PÚBLICA

A garantia de níveis elevados de segurança pública, bem como a manutenção de um sentimento generalizado de tranquilidade e segurança, constituem os propósitos assumidos pelo Governo no domínio da Administração Interna.

Nessa matéria, além do significativo reforço e modernização das forças e serviços de segurança, do aumento dos efectivos, da modernização dos equipamentos e meios técnicos de apoio à acção policial, importa assumir desígnios de inovação, promover a modernização operacional, ajustar o dispositivo e as formas organizativas aos desafios actuais, motivar e capacitar os agentes das forças de segurança para enfrentarem a missão que lhes está confiada.

É nesse sentido que se encaminha a política de Policiamento de Proximidade, que o Governo tem vindo a prosseguir, e que faz de cada elemento policial um agente da ordem pública atento, disponível e eficiente junto do cidadão.

A "polícia dos cidadãos" é a melhor forma de envolver a sociedade em geral na componente segurança do seu viver colectivo e a melhor maneira de comprometer o agente de autoridade com as suas responsabilidades sociais.

Para isso, o Governo lançou programas especiais específicos, como a Escola Segura, apoiou a adopção de formas inovadoras de patrulhamento, incrementou a formação em exercício dos guardas e agentes e manteve um controlo efectivo da legalidade de actuação dos elementos da polícia.

Mas, para aproximar mais a polícia dos cidadãos há que adoptar formas especializadas de organização. Por isso foram lançadas as Polícias Municipais, que começam, em 2001, a sua actividade em 15 concelhos. Isso permitirá formar especificamente esses polícias para as tarefas que lhe são cometidas e libertar para o combate à criminalidade os elementos da PSP e da GNR.

Por outro lado, a entrada em funções de 400 polícias municipais em 2001 permitirá acompanhar o esforço de aumento de efectivos prosseguido pelo Governo, estando previstos 2000 novos elementos da PSP e da GNR.

A Segurança Rodoviária é outro dos factores que traduz o grau de desenvolvimento e qualificação de uma dada sociedade. Por isso, o Governo definiu como objectivo estratégico reduzir para os níveis médios europeus, até 2004, os números de mortos e feridos na estrada.

Para tal será aumentada e sofisticada tecnicamente a fiscalização policial, mas haverá um investimento paralelo significativo em campanhas cívicas de formação e informação aos condutores e em todo o sistema de preparação e habilitação para conduzir.

Enfrentando um problema recente na sociedade portuguesa, está definida uma nova política de imigração, contemplando formas e limites para o acolhimento de trabalhadores estrangeiros no nosso País. Um combate enérgico às redes de imigração ilegal e à exploração de mão-de-obra migrante será desenvolvido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, organicamente apto a desempenhar o seu papel com adequadas condições, bem como por todos os restantes organismos da Administração Interna, da Defesa e do Trabalho e Solidariedade, a quem o problema respeita. Nesse processo, o novo passaporte e as garantias de inviolabilidade que trará, constituirão peça importante do combate à fraude e à emigração ilegal.

Será ainda de sublinhar o objectivo cívico de melhorar a imagem, o funcionamento e a qualidade da nossa democracia, para o que foi organizado um operacional sistema de Recenseamento Eleitoral Informatizado nas Juntas de Freguesia, do qual se procurará tirar maior partido para facilitar o exercício do direito de voto em local diferente da freguesia de origem, nomeadamente para os cidadãos que se encontram deslocados do seu círculo eleitoral.

5.

FISCALIDADE

CONTINUAÇÃO DA REFORMA FISCAL

Para um sistema fiscal que, como o português, já consolidou os traços principais da matriz comum aos Estados-membros da UE e à grande maioria dos países da OCDE, a reforma fiscal não se faz de um ápice, no vazio ou em completa ruptura com a totalidade do sistema vigente.

É assim, que as alterações legislativas e procedimentais de natureza estrutural, implementadas pelo anterior e pelo actual Governo, embora consagradas sem a tensão dramática que, para alguns, erradamente, teria de ter uma reforma fiscal, fazem já parte do dito processo reformador consagrado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 119/97, de 14 de Julho e reafirmado no programa do actual governo.

No ano de 2001, para além da sempre necessária adaptação da legislação fiscal às alterações da realidade económica, continuar-se-á a desenvolver a reforma fiscal numa perspectiva de maiores equidade e justiça fiscais.

IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares

Nesta matéria está previsto, nomeadamente:

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas

Proceder-se-á, igualmente, à revisão do Código do IRC, em conjugação com o Estatuto dos Benefícios Fiscais, de forma a garantir maior eficiência a este tipo de imposto, salvaguardando a competitividade das empresas portuguesas face aos espaços económicos em que estão inseridas, e a orientar os benefícios fiscais para os aspectos essenciais do desenvolvimento económico português, eliminando factores de perturbação em matéria de concorrência e de equidade.

A revisão deste código, permitindo o alargamento da sua base efectiva de incidência do imposto e a melhoria da respectiva eficiência fiscal, nomeadamente mediante a maior celeridade na apresentação, recolha e tratamento da informação, e subsequente fiscalização, suportadas nas novas tecnologias, permitirá, seguidamente, proceder a um reajustamento das taxas aplicáveis, de forma a minimizar o custo dos sujeitos passivos pagadores.

IMPLEMENTAÇÃO DO NOVO REGIME JURÍDICO DAS INFRACÇÕES FISCAIS

De decisiva importância estrutural será também a implementação do novo regime jurídico das infracções fiscais, com os seguintes objectivos:

MEDIDAS DE COMBATE À EVASÃO E FRAUDE FISCAIS

Constituindo o combate à fraude e evasão fiscais um factor decisivo do desenvolvimento económico e da salvaguarda da concorrência entre os agentes económicos, e tendo sido eleito com uma das prioridades essenciais do Governo, em geral, e do Ministério das Finanças, em particular, proceder-se-á, em 2001, ao desenvolvimento de diversas medidas visando a satisfação de tal desiderato, quer através de medidas legislativas, quer através da actuação da inspecção tributária.

Medidas de carácter legislativo

Neste âmbito prevê-se, em síntese, o seguinte:

Medidas de natureza inspectiva

A actuação inspectiva junto dos contribuintes será iguao mente reforçada, orientada essencialmente numa óptica de análise de risco e de custo benefício, e potenciada pela maior agilização que será conseguida na sequência das medidas legislativas que irão ser tomadas.

Será, também, aprofundada a articulação entre os serviços da área da inspecção e os da área do contencioso tributário, de forma a alcançar uma maior eficiência.

MELHORIA DA EFICIÊNCIA DAS ESTRUTURAS TRIBUTÁRIAS

Prosseguir-se-á o esforço de modernização das estruturas tributárias, de forma articulada, dando continuidade ao processo subsequente à criação da Administração-Geral Tributária, intensificando a interacção com os contribuintes e o aperfeiçoamento dos meios de informação.

Desenvolver-se-á e melhorar-se-á os novos meios de declaração e pagamento de impostos (internet, multibanco, correios, bancos...) que já hoje fazem do sistema fiscal português um caso exemplar de referência para administrações tributárias tradicionalmente apontadas como administrações muito evoluídas, de modo a facilitar o cumprimento das obrigações por parte dos contribuintes.

Em paralelo com o reforço das acções de formação interna dos agentes tributários e das acções de auditoria interna, particularmente dirigidas para a análise do desempenho dos serviços tributários, designadamente no que respeita ao acompanhamento dos processos pendentes, intensificar-se-á o acompanhamento, de forma permanente e sistemática, da evolução da receita fiscal, analisando a informação veiculada, estudando eventuais desvios relativamente à receita prevista e identificando medidas correctivas tidas por adequadas.

6.

EDUCAÇÃO

UMA EDUCAÇÃO COM NOVOS MEIOS E NOVAS AMBIÇÕES

Uma Política de Educação que reforce a Qualidade do Ensino e garanta mais Cidadania

As mudanças em educação devem ser solidamente assumidas e consolidadas, partindo das experiências das escolas e das comunidades educativas. A educação para todos implica um forte envolvimento das escolas, onde a aprendizagem de cada aluno constitui o objectivo fundamental da vida educativa e onde professores e educadores se assumem como agentes fundamentais da mudança e da melhoria das aprendizagens. O protagonismo que se espera da escola só será, assim, possível com um forte incentivo à responsabilidade cívica, à exigência e à qualidade.

A responsabilidade cívica faz apelo à criação de escolas autónomas e seguras que consagrem na sua acção os valores da cidadania e da solidariedade, garantindo o respeito e a dignidade da função de educar. A exigência aponta para a adopção de referências, de boas práticas e de uma cultura de avaliação, que permitam combater qualquer tentação de facilidade e de uniformização. A qualidade determina uma ligação estreita entre a definição clara de objectivos educativos, centrados numa cultura de trabalho, de rigor e de autonomia cívica, e a promoção da igualdade de oportunidades e o combate à exclusão.

Assegurar uma formação básica de qualidade às novas gerações, apetrechando-as, desde cedo, com qualificações e competências que facilitem não só a sua integração no mercado de trabalho, mas também a capacidade para, ao longo de toda a sua vida, desenvolverem os conhecimentos que permitam adequar-se à crescente competitividade e mobilidade dos cidadãos nas sociedades modernas, pressupõe o alargamento das responsabilidades tradicionalmente atribuídas à escola. Assim, a escola, enquanto comunidade de professores, pais, estudantes, funcionários não docentes, deve ser vista como um factor de coesão social e de qualificação local, capaz de se tornar um espaço público onde se desenvolvam parcerias que permitam enriquecer a vida das comunidades. Daí a importância da cooperação com o poder local e com a sociedade civil, sendo a autonomia da escola condição essencial da mobilização das comunidades educativas e factor de desenvolvimento social.

Mais crianças e jovens na Educação constitui o desafio dos próximos anos. O crescimento das taxas de cobertura da educação pré-escolar, de 54,4% em 1995 para 71% em 2000, representam um forte investimento na criação de condições para uma melhor aprendizagem de todas as crianças no ensino formal subsequente, prevenindo o abandono escolar precoce. Garantir o pleno cumprimento da escolaridade obrigatória de nove anos e generalizar a frequência do ensino secundário por parte dos jovens entre os 15 e 18 anos de idade constituem objectivos que importa prosseguir. As metas definidas, prevêem o aumento em 20% da taxa real de escolarização do ensino secundário, elevando de 65% para 85% a frequência deste nível de ensino, e procurando equilibrar a distribuição entre vias de prosseguimento de estudos e vias orientadas para a vida activa.

Importa, contudo, que ao crescimento das taxas de escolarização nos diferentes níveis de educação e ensino, corresponda uma real elevação dos níveis de qualificações das novas gerações, investindo na aquisição de saberes e competências necessários nas sociedades modernas. As revisões curriculares em curso nos ensinos básico e secundário reforçarão o domínio da língua portuguesa e das línguas estrangeiras, a aprendizagem da matemática, o ensino experimental das ciências e a aquisição de competências transversais que facilitem a interligação dos diferentes conhecimentos e saberes. Simultaneamente, desenvolver-se-ão modalidades educativas diversificadas, capazes de responder às necessidades educativas de uma população escolar cada vez mais heterogénea. Neste âmbito, serão lançadas diversas iniciativas de educação-formação, com destaque para os cursos do ano qualificante pós-básico (9º ano + 1).

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