Lei n.º 109-A/2001 — Grandes Opções do Plano para 2002

Tipo Lei
Publicação 2001-12-27
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 13

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 2002

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Gotemburgo: incorporação de um terceiro pilar - o desenvolvimento sustentável

A apresentação da estratégia para o desenvolvimento sustentável ao Conselho Europeu de Gotemburgo, realizado em Junho de 2001, traduz a intenção do Conselho Europeu de Estocolmo de integrar o pilar ambiental do desenvolvimento sustentável na estratégia de Lisboa. Assim, a implementação da Estratégia passará a ser avaliada anualmente no Conselho Europeu da Primavera, com base num conjunto de indicadores de execução a ser preparado para o efeito. O Conselho ECOFIN assume um papel relevante na concretização desta estratégia, por coordenar os trabalhos de preparação das Orientações Gerais das Políticas Económicas, e por chamar a si a adequação dos sistemas fiscais na UE ao imperativo ambiental.

O Conselho Europeu de Gotemburgo convidou os Estados Membros a elaborarem as suas próprias estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável, através da edificação de processos adequados de consulta a todos os intervenientes relevantes. Deverão estas estratégias nacionais estar formuladas a tempo de preparar a contribuição da UE para a Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a realizar-se em Joanesburgo, em Setembro de 2002.

As alterações estruturais na sequência da introdução do euro

De acordo com as conclusões do Conselho Europeu de Estocolmo, a prosperidade da economia europeia nos próximos anos passa pela rápida e eficaz integração dos mercados financeiros, pelo que a concretização do Plano de Acção deverá acontecer até 2005 - meta estabelecida, um ano antes, em Lisboa.

O Plano da Acção para os Serviços Financeiros, apresentado pela Comissão em Outubro de 1998, tem como objectivos estratégicos:

No 4.º relatório da Comissão sobre Serviços Financeiros, de Junho de 2001, as acções identificadas como prioritárias para a concretização deste Plano da Acção consistem no desenvolvimento de legislação sobre a supervisão prudencial de conglomerados financeiros, os contratos de garantia financeira, a prevenção de abusos de mercado, o estatuto da sociedade europeia, o projecto de regulamento sobre as normas internacionais de contabilidade, e sobretudo, os fundos de pensões, a comercialização à distância dos serviços financeiros e o branqueamento de capitais.

O Conselho ECOFIN tem dado um impulso significativo à rápida concretização de um mercado único para os serviços financeiros. Merece destaque, neste âmbito, a recente posição comum alcançada em relação às duas propostas de directivas sobre os Organismos de Investimento em Valores Mobiliários.

No âmbito da tributação directa, merecem destaque os progressos alcançados nos trabalhos relativos ao Pacote Fiscal - compreendendo a tributação das poupanças, a tributação de juros e "royalties" e o Código de Conduta - e a análise da tributação das pensões de reforma. Após ter sido desbloqueado em Santa Maria da Feira, o Pacote Fiscal viu, no primeiro semestre deste ano, ser discutida principalmente a aplicação de regras de tributação da poupança semelhantes em países terceiros, com vista a não induzir a uma fuga de capitais para estes. Foi recentemente acordado um calendário para as discussões mais formais que deverão ter lugar com estes países (entre os quais se destacam os EUA e a Suíça) e o mandato a atribuir à Presidência nestas negociações, que procederão em paralelo aos trabalhos conducentes a propor, ao Conselho, um formato estandardizado de troca de informações entre Estados Membros. Aquelas negociações deverão estar finalizadas até Junho de 2002.

Na tributação indirecta, manter-se-á como prioritário a obtenção de um acordo sobre as propostas de directiva do comércio electrónico e da possibilidade de uso da facturação electrónica; na tributação da energia, a adopção de um novo quadro comum de tributação dos produtos energéticos, a par da já referida compatibilização com a estratégia de desenvolvimento sustentável, que se consubstancia no tratamento favorável das energias renováveis; por último, no âmbito do combate à fraude fiscal, será essencial o reforço da Cooperação Administrativa no plano no Imposto sobre o Valor Acrescentado.

Na sequência das Cimeiras de Lisboa e Estocolmo, a temática do envelhecimento da população ganhou uma nova dimensão, com a tomada de consciência de que o aumento da pressão sobre os sistemas de pensões terá reflexos negativos na sua própria gestão e forma de financiamento e, consequentemente, sobre a evolução futura das finanças públicas, do mercado de trabalho, do comportamento da poupança privada, da produtividade e do crescimento económico.

O Conselho Europeu de Estocolmo analisou o relatório conjunto da Comissão e do Conselho, o qual apresenta uma estratégia para combater as implicações orçamentais do envelhecimento da população: diminuição mais rápida da dívida pública; medidas adicionais para aumentar a taxa de emprego, nomeadamente entre as mulheres e os trabalhadores mais velhos; e reformar os sistemas de pensões e os sistemas de saúde, colocando-os num nível financeiro sólido. Foi ainda assumido que a sustentabilidade das finanças públicas depende dos progressos registados ao nível das reformas estruturais nos mercados de produtos, serviços e capitais, de forma a alcançar um crescimento económico sustentado, maior produtividade e aumento das taxas de emprego. Em termos de análise regular, foi decidido que o Conselho deverá passar periodicamente em revista a sustentabilidade das finanças públicas a longo prazo, no âmbito das Orientações Gerais das Políticas Económicas e dos Programas de Estabilidade ou de Convergência.

O Eurogrupo tem visto as suas atribuições em matéria de coordenação das políticas orçamentais nacionais incrementadas no passado recente. Com efeito, os Estados Membros têm vindo a recorrer, de forma crescente, às reuniões do Eurogrupo (que reúne os doze Estados Membros que integram a Terceira Fase da UEM, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia) para apresentar as medidas de política económica recentemente tomadas, principalmente quando estas se afiguram enquanto reformas da despesa pública ou dos sistemas de impostos e de benefícios, e são susceptíveis de servirem como boas práticas para os restantes Estados Membros.

Neste contexto, a reunião do Eurogrupo de 9 de Julho apreciou uma apresentação do Programa de Reforma da Despesa Pública aprovado pelo Governo português, enquadrado num conjunto mais vasto de reformas - na fiscalidade e em subsectores específicos da Administração Pública - e na actual situação económica vivida no plano nacional e internacional. A apresentação das iniciativas das autoridades portuguesas, bem como o reiterar dos objectivos orçamentais subscritos na última actualização ao Programa de Estabilidade e Crescimento, foram acolhidos com agrado pelos participantes no Eurogrupo.

II - Orientações Gerais da Política Económica para Portugal

No dia 15 de Junho de 2001 o Conselho ECOFIN adoptou as Orientações Gerais da Política Económica (GLOPE) para a Comunidade e Estados-membros. Para Portugal as GLOPE contêm um conjunto de recomendações das quais se destacam:

Na política orçamental

No mercado de trabalho

No mercado de produtos e sociedade da informação e do conhecimento

No mercado de capitais

SISTEMA ESTATÍSTICO

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

A actividade de produção e difusão estatística oficial desenvolve-se no quadro das opções estratégicas definidas pelo Conselho Superior de Estatística. Estas orientações são estabelecidas por referência às "Linhas Gerais da Actividade Estatística Nacional e Respectivas Prioridades para 1998-2002" e ao "Programa Estatístico de Médio Prazo 1998-2002", em articulação com o "Programa Estatístico Comunitário 1998-2002".

Na prossecução desses objectivos foi dada particular relevância a iniciativas relacionadas com o sistema de gestão da qualidade, destacando-se, neste contexto, o esforço para a sistematização de auditorias internas, consubstanciado por um significativo conjunto de medidas de ajustamento e melhoria nelas baseadas.

No domínio da produção estatística, o ano 2001 foi marcado pela realização dos Recenseamentos Gerais da População e da Habitação (Censos 2001) cujos resultados preliminares foram divulgados no calendário estabelecido. O sucesso desta operação estatística deve-se em grande parte ao profissionalismo, competência técnica e coesão que foi possível estabelecer entre as equipas formadas pelo INE, pelas câmaras municipais e juntas de freguesia.

O ano de 2001 foi ainda marcado pela difusão dos resultados de grandes operações nacionais como são os casos do Recenseamento Geral da Agricultura de 1999 e do Inquérito aos Orçamentos Familiares de 2000, assim como pelo início da difusão de uma nova série de indicadores relacionados com os custos de construção e os preços na habitação.

Em relação às novas operações estatísticas será de destacar, no sector do comércio interno e outros serviços, o Inquérito aos Estabelecimentos dos Centros Comerciais, o Inquérito ao Comércio Electrónico, o Inquérito sobre as Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas.

A aprovação pelo ECOFIN do Plano de Acção da União Económica e Monetária, em 29 de Setembro de 2000, introduziu novas exigências na produção e prazos de disponibilização de informação estatística para a área do euro e da União Europeia, com impacto nas actividades do SEN de 2001 e anos seguintes. Neste âmbito, foram concluídos os estudos de diagnóstico e de acção com vista à concretização desses objectivos.

Medidas a implementar em 2002

No ano de 2002, o Sistema Estatístico Nacional inicia uma nova etapa do seu desenvolvimento, marcada pela introdução de novos patamares de exigência na função coordenação e pela importância que é atribuída aos objectivos relacionados com o incremento da coerência e integração dos produtos estatísticos oficiais.

Na função coordenação do sistema, pretende-se implementar novas iniciativas potenciadoras da cooperação inter-institucional no seio do SEN e com outros prestadores de serviços públicos de informação. Este posicionamento visa optimizar a capacidade de resposta do SEN às crescentes exigências no grau de cobertura, na qualidade e na oportunidade da informação estatística produzida, favorecendo, para o efeito, as condições de auscultação das necessidades específicas dos utilizadores, iniciada em 2001 com o lançamento de um inquérito ao grau de satisfação dos utilizadores da informação produzida pelo INE.

Neste âmbito, o Instituto Nacional de Estatística, enquanto órgão central do SEN, procederá ao desenvolvimento de instrumentos que contribuam para este desiderato. A organização dos produtos estatísticos em domínios lógicos e coerentes permitirão implementar um modelo de gestão estratégica de subsistemas de informação estatística que permitirá introduzir significativos ganhos de eficácia no desempenho da função de coordenação.

A coerência e integração constituem objectivos centrais das iniciativas que se pretendem empreender, em particular, no robustecimento metodológico e na consistência da informação de suporte à elaboração do sistema de contas nacionais e do sistema integrado de indicadores de conjuntura.

Para o ano 2002 serão de assinalar ainda os seguintes objectivos:

Para assegurar a consecução dos objectivos enunciados permanecem relevantes as seguintes medidas de política:

FINANÇAS

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2001

O objectivo central da política orçamental é o de assegurar a estabilidade macroeconómica, reforçando o clima favorável à criação sustentada do emprego e ao desenvolvimento da iniciativa privada. Assim, os principais objectivos prosseguidos durante 2001 foram:

No âmbito da reforma fiscal as principais medidas implementadas foram:

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)

Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas

Combate à fraude e evasão fiscal

Foram reforçadas as medidas de combate à fraude e evasão fiscal, nomeadamente através de:

Racionalização dos incentivos fiscais

As instituições de crédito e as sociedades financeiras que se venham a instalar na Zona Franca da Madeira serão sujeitas a tributação embora com taxas reduzidas.

No âmbito da facilitação do cumprimento das obrigações fiscais pelo contribuinte, destaca-se a implementação das seguintes acções:

A consolidação orçamental foi prosseguida em 2001, sendo o objectivo atingir um défice global das AP de 1,1% do PIB, ou seja menos 0,3 pontos percentuais do PIB que no ano anterior.

A evolução da conjuntura externa e interna mais desfavoráveis que o previsto no Orçamento do Estado para 2001 ditou que fosse necessário a aprovação pela Assembleia da República de um Orçamento rectificativo, em que a receita e a despesa foram ambas reduzidas em 150 milhões de contos, correspondendo a uma redução de 2,4% na receita corrente e 2,3% da despesa primária.

A redução da despesa apoiou-se num conjunto de medidas destinadas a produzir efeitos imediatos, das quais se destacam:

Em 2001 foi prosseguido o processo de modernização e aperfeiçoamento dos instrumentos de controle da despesa pública, visando aumentar a eficiência na aplicação dos recursos públicos.

Neste âmbito estão em implementação o Sistema de Informação Contabilística e Sistema de Recursos Humanos, que servem de suporte à Reforma da Administração Financeira do Estado. Está, também, em curso a implementação do Sistema de Gestão de Receitas, permitindo a sua interacção com a aplicação centralizadora da informação contabilística Sistema Central de Receitas, bem como com as aplicações do Tesouro, nomeadamente o Sistema de Controlo de Cobrança de Receitas do Estado e de Operações Específicas do Tesouro e com a Aplicação de Meios de Pagamentos do Tesouro.

A aprovação do Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP) foi uma medida fundamental para a concretização da reforma da administração financeira do Estado. O POCP visa a integração das diferentes vertentes contabilísticas - orçamental, patrimonial e analítica - num único sistema de contabilidade pública. Para além de constituir uma excelente base contabilística, o POCP e os planos sectoriais (POCAL, POCE, POCMS e POCISSSS) são instrumentos de apoio à gestão que deverão ser adoptados por todos os organismos por eles abrangidos.

A técnica de orçamentação baseada em actividades é outro instrumento fundamental para melhorar a gestão dos recursos públicos. A sua implementação começou a ser realizada ao nível do Ministério das Finanças e deverá ser estendida progressivamente à administração pública.

O melhoramento da gestão financeira das AP, de forma a minimizar os encargos com a dívida pública é outra das acções em curso. Pretende-se eliminar as deseconomias geradas pela gestão compartimentada dos fluxos financeiros, detidos nomeadamente pelos organismos com autonomia financeira. Efectivamente, uma significativa melhoria na gestão da Tesouraria do Estado, baseada na centralização no Tesouro de todos os saldos disponíveis no universo da Administração Pública, com especial relevo para as disponibilidades financeiras geridas pelos Fundos e Serviços Autónomos, representa um ganho efectivo de eficiência reflectido quer ao nível da rentabilização financeira obtida, quer ao nível da redução das necessidades de financiamento do Estado junto do sector privado da economia.

Em 2000 alcançou-se a meta de centralização de 30% das disponibilidades existentes, e em 2001 o objectivo é de 60%, devendo ser atingida a plenitude da unidade da Tesouraria do Estado no final de 2002, o que significa um impacto gradual repartido por três exercícios orçamentais, com efeitos na gestão da Dívida Pública e nos resultados consolidados das AP.

A gestão da dívida pública em 2001 visou entre outros objectivos: a minimização dos custos directos e indirectos numa perspectiva de longo prazo; a garantia de uma distribuição equilibrada de custos pelos vários orçamentos anuais; a prevenção da excessiva concentração temporal de amortizações; a não exposição a riscos excessivos; e a promoção de um funcionamento equilibrado e eficiente dos mercados financeiros.

Assim, a gestão foi realizada segundo os seguintes princípios:

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

Os objectivos gerais definidos para 2001 serão prosseguidos em 2002, assumindo particular relevância a continuação da reforma fiscal e o programa de reforma da despesa pública, tendo como objectivo prosseguir a consolidação das finanças públicas.

Reforma Fiscal

Desenvolvimento da reforma da tributação do rendimento e do procedimento e processo tributário

Após a entrada em vigor da reforma da tributação do rendimento, do novo regime sancionatório das infracções tributárias e da reformulação da Lei Geral Tributária e do Código do Procedimento e do Processo Tributário, continuar-se-ão as tarefas de desenvolvimento regulamentar e de adaptação administrativa às medidas constantes daqueles diplomas.

Na área da tributação do rendimento, serão adoptadas em 2002 as seguintes medidas:

A par das medidas referidas, em 2002, far-se-á a sedimentação da reforma entrada em vigor em 1 de Janeiro de 2001. Nesta área, haverá um particular enfoque nas medidas que visam acautelar a competitividade das empresas portuguesas, designadamente, no contexto da UE. Assim, a par da redução da taxa geral de IRC para 30%, da criação da taxa de 20% para as empresas aderentes ao regime simplificado e da aplicação de regimes de crédito fiscal por investimento e à investigação e desenvolvimento, serão tomadas as medidas necessárias para evitar a discriminação negativa das empresas portuguesas e combater o desequilíbrio da distribuição geográfica do tecido empresarial e a consequente desertificação de zonas do território nacional.

Na área do processo tributário, sedimentar-se-ão os procedimentos que assegurem, efectivamente, o reforço das garantias dos contribuintes, um mais eficaz combate à fraude e evasão fiscais, e a simplificação processual pretendida pela Lei nº 15/2001, de 5 de Junho.

No que respeita à organização judiciária tributária, será em 2002, que se operarão as grandes mudanças estruturais constantes daquela Lei. Assim, a organização administrativa dos Tribunais Tributários de 1ª instância integrar-se-á no Ministério da Justiça, passando os quadros das secretarias daqueles tribunais a ser integrados por funcionários de justiça e não por funcionários da DGCI, terminando com uma situação criticável do ponto de vista da real divisão das funções judiciais e administrativas do Estado.

Será, igualmente, concretizado o processo inerente à transferência, para os municípios respectivos, da competência para a cobrança coerciva das suas receitas de natureza tributária, a qual era, até agora, um elemento importante de sobrecarga dos Tribunais Tributários.

Reforma da tributação do património e da tributação da energia

Serão desenvolvidos os trabalhos de análise, legislativos e de implementação das reformas da tributação do património e da reforma de tributação da energia.

Na área da tributação do património, procurar-se-á avançar no sentido da eliminação do imposto da sisa, encontrando-se soluções fiscais que se mostrem melhores do ponto de vista da justiça social e da racionalidade económica, sempre com respeito pelos compromissos assumidos pelo Estado português para com a União Europeia e pelos interesses legítimos das autarquias locais.

Na área da tributação ambiental, proceder-se-á à reforma da tributação automóvel, no sentido de infundir nesta área do sistema fiscal os valores da protecção do ambiente, alterando a base do imposto bem como a distribuição do seu peso entre o momento da compra e o momento da circulação dos veículos tributados. Neste campo, eliminar-se-ão ainda as isenções e benefícios cuja manutenção se mostre insustentável do ponto de vista ambiental, alargando a base de incidência dos impostos sobre os veículos, embora com observância dos imperativos de ordem social que aqui também se fazem sentir.

A par disto, proceder-se-á à revisão dos benefícios fiscais de natureza ambiental cuja aplicação se tenha mostrado até agora insatisfatória, procurando-se criar mecanismos de maior racionalidade na protecção fiscal ao meio ambiente.

A consolidação das finanças públicas beneficiou nos últimos anos de uma conjuntura interna e externa favoráveis e da redução rápida dos juros da dívida pública, permitida pela diminuição das taxas de juro. Neste contexto, foi possível a redução do défice sem que se registasse contracção da despesa corrente primária.

Por outro lado, a necessidade de assegurar a competitividade das empresas nacionais aconselha a que a reforma fiscal incorpore medidas de redução da carga fiscal, num contexto em que o processo de aumento da eficiência da cobrança, que se tem registado nos últimos anos, tende a perder peso. Por seu turno, a conjuntura interna e externa para 2002 indicia sinais de desaceleração pelo que o cumprimento das metas assumidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento requer acções concretas que conduzam à redução do crescimento da despesa primária.

Assim, o Programa de Reforma da Despesa Pública, cuja implementação terá continuidade em 2002, assenta em quatro grandes componentes:

De entre as medidas a serem adoptadas em 2002 destacam-se:

A reforma da despesa pública descrita permitirá assegurar a continuação da consolidação orçamental de forma a que, em 2002, o défice global das Administrações Públicas seja reduzido para 0,7% do PIB, ou seja 0,4 pontos percentuais do PIB.

ECONOMIA

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

A política económica, embora contemplando medidas de carácter sectorial, assume-se e orienta-se cada vez mais para questões horizontais e de empresa. Neste contexto, os objectivos estratégicos do Ministério da Economia em 2001 centraram-se essencialmente na:

Para a concretização desses objectivos, o principal instrumento foi o Programa Operacional da Economia (POE), que constitui o primeiro Programa verdadeiramente transversal e multi-sectorial dirigido às empresas, entendidas em sentido lato de centros de empreendedorismo, iniciativa, capacidades e relações com o meio envolvente.

O POE exigiu, por isso, uma elevada coordenação e articulação estratégica entre todos os sectores contemplados (indústria, energia, construção, turismo, comércio e serviços), tendo em conta as suas especificidades e complexidades próprias. Consequentemente, exige também um aprofundado grau de colaboração e integração entre as várias entidades do sector público, muitas vezes com culturas próprias e diferenciadas, e entre estas e o sector privado, nomeadamente ao nível de uma maior intervenção das estruturas representativas do sistema empresarial.

A consciência da necessidade de evitar a complexidade e morosidade do processo de análise e de decisão, dinamizando o acesso e a mobilização dos apoios para as empresas, originou a assumpção de dois princípios inovadores: o princípio da simplificação e eficiência dos processos; e o princípio da aproximação dos serviços aos agentes económicos, de forma não burocratizada.

A concretização prática e efectiva do Programa traduziu-se na instituição de um sistema de informação único que permite aos beneficiários do POE um acesso rápido à informação relativa ao seu processo, através do recurso às novas tecnologias de informação e comunicação, ao mesmo tempo que possibilita uma mais eficaz gestão, acompanhamento, avaliação e controlo por parte de todos os intervenientes na sua implementação.

O POE foi aprovado pela Comissão Europeia, no segundo trimestre de 2000 e no terceiro trimestre foi confirmado positivamente o seu Complemento de Programação. O Decreto-Lei que institui a criação do POE data de Maio de 2000 e as primeiras portarias regulamentadoras de Maio e Agosto (Medida 1.1 - Sistema de Incentivos a Pequenas Iniciativas Empresariais (SIPIE), 31 de Maio de 2000; Medida 2.4. B.2 - Sistema de Incentivos a Projectos de Urbanismo Comercial (URBCOM), 31 de Maio de 2000; Regulamento Geral para as Parcerias e Iniciativas Públicas, 29 de Agosto de 2000; Medida 3.3 - Apoio ao Associativismo e à Informação Empresarial, 30 de Agosto de 2000; Medida 3.2 - Apoio ao Desenvolvimento e à Modernização das Infra-estruturas Energéticas, 31 de Agosto de 2000; Medida 1.2 - Sistema de Incentivos à Modernização Empresarial (SIME), 31 de Agosto; foi homologado o Regulamento de Execução dos Incentivos às Pousadas Históricas, 11 de Agosto de 2000, tendo também sido assinado protocolo com a Secretaria de Estado da Juventude visando a gestão da articulação dos apoios a jovens empresários no âmbito do POE).

Foram alvo de regulamentação, no primeiro semestre de 2001, a Medida de Apoio ao Aproveitamento do Potencial Energético e Racionalização de Consumos, a Medida de Apoio à Dinamização de Mercados Abastecedores e de Mercados de Interesse Relevante, o Regime dos Programas Integrados Turísticos de Natureza Estruturante e Base Regional, bem como a Medida de Qualificação dos recursos humanos para os novos desafios, após a regulamentação de âmbito nacional do novo quadro normativo do Fundo Social Europeu (FSE).

O ano 2001 foi assim decisivo para a afirmação do Programa que conta com cerca de 20000 candidaturas e mais de 12500 milhões de euros de intenções de investimento.

A concepção do Sistema de Informação, núcleo central de informação para a gestão, partindo da experiência anterior (refira-se o trabalho de articulação e harmonização dos diversos sistemas de informação, com vista ao desenho coerente e eficaz do SiPOE.), resultou numa poderosa e inovadora ferramenta de gestão. Das inovações introduzidas, ressaltam as que se reportam à interface com os potenciais e reais promotores. A recepção das candidaturas via Internet foi o meio utilizado por 41% dos proponentes.

Em 2001 iniciou-se também a execução física e financeira do POE, tendo-se privilegiado a implementação das Medidas de natureza horizontal, sendo ainda previsível até ao início de 2002, completar, no essencial, o quadro normativo das Medidas mais específicas associadas a dimensões de natureza estratégica e supletiva como a cooperação e o capital de risco (Sistema de Incentivos aos Projectos Mobilizadores para o Desenvolvimento Tecnológico, Sistema de Incentivos à Consolidação e Alargamento das Formas de Financiamento das Empresas, Áreas de Localização Empresarial, Apoio a Projectos de Demonstração e Disseminação de Produtos, Processos e Sistemas Tecnologicamente Inovadores, Apoio a Núcleos de I&D de Novas Tecnologias, Redes e Projectos de Cooperação Empresarial).

No que diz respeito às medidas de carácter horizontal, destacam-se, ainda, diversas iniciativas que contribuíram para a prossecução dos objectivos estratégicos definidos:

Inovação

Euro

Concorrência

Financiamento

Qualidade

Propriedade Industrial

Internacionalização

Investimento

Comércio

Informação

Benchmarking

Desburocratização e modernização do aparelho do Estado

E as seguintes medidas de carácter sectorial:

Indústria

Equacionaram-se novas acções, nomeadamente, no âmbito de iniciativas públicas, tendo em vista conceber actuações que incorporem novas dimensões estratégicas relevantes ao desempenho da actividade industrial, com especial destaque para os seguintes domínios:

Comércio e Serviços

Foram implementadas as seguintes medidas:

Turismo

Em 2001, destacam-se as seguintes medidas:

Energia

No período 2000/2001 salienta-se em termos legislativos:

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

Os grandes desafios que se colocam às empresas portuguesas nos próximos anos - nomeadamente a globalização, as mutações tecnológicas e os novos modelos tecnoprodutivos e organizativos, as crescentes preocupações ambientais e as alterações nos comportamentos e valores de alargados segmentos sociais, com consequências na composição dos perfis da procura - impõem uma maior consciencialização da existência de um certo número de elementos comuns entre empresas, apesar das suas especificidades.

Pretende-se, por isso, reforçar a cooperação entre os sectores público e privado nas actuações que visam fortalecer e desenvolver o sistema empresarial, para o que é indispensável uma maior intervenção das estruturas representativas das empresas no acompanhamento das diversas medidas de política. Deste modo, mantendo o Estado as funções que lhe estão cometidas, as associações empresariais poderão efectivamente ter um papel de permanente acompanhamento, ajudando, com a sua experiência e conhecimento da realidade, a efectuar os necessários ajustamentos de trajectória, num Mundo em constante transição.

Assim, para 2002, as principais linhas de acção da Economia visam no essencial:

Na definição das linhas estratégicas já enumeradas foram considerados diversos factores como o ambiente concorrencial - determinado pelo mercado interno e pela introdução do euro - a evolução tecnológica e ainda o comportamento da economia portuguesa, que será determinado pelo sucesso competitivo das suas empresas.

Pretende-se, através do POE, acelerar a implementação das principais medidas de natureza específica, dirigidas às empresas, como sejam a inovação, a qualidade, o capital de risco, a cooperação e a formação profissional. Deverá ser encerrado o ciclo de regulamentação inicial, acelerando o processo de implementação e execução do POE no seu todo, articulando o quadro de apoio ao aumento da produtividade/competitividade e ao estímulo de inovação e da qualidade dirigido às empresas com a dinamização das entidades e factores geradores de sinergias estruturantes e de economias externas.

Sendo reconhecida a fragilidade da generalidade das PME portuguesas no domínio de competências tecnológicas e organizacionais, considerou-se absolutamente necessário estimular o surgimento de Redes de Informação e Assistência Técnica (RIAT), apoiando o processo de organização e qualificação da oferta de serviços às PME, envolvendo associações empresariais e entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional. Nesse sentido, a um nível operacional, irá ser implementada a Iniciativa PME Digital cujo objectivo é o desenvolvimento da participação das PME na economia digital (através da promoção de Parcerias e Iniciativas Públicas e da criação de um sistema de incentivos específico).

Deverão ainda referir-se outras medidas, em áreas específicas, determinantes para a competitividade empresarial, nomeadamente nas seguintes áreas:

Inovação

A inovação, sendo horizontal em toda a filosofia do POE, continuará em 2002 a merecer um acompanhamento particular, através:

Empreendedorismo

Concorrência

Propriedade Industrial

Internacionalização

Imagem

Aposta na criação de um ambiente internacional favorável a Portugal, através do desenvolvimento e implantação de uma imagem país que acrescente valor aos produtos e serviços nacionais:

Investimento

Com esse plano de acção pretende-se consolidar o volume dos projectos de IDE, nomeadamente através do reinvestimento, da melhoria do "Produto Portugal", do aumento da carteira de novos clientes e da fidelização dos investidores estrangeiros no nosso país;

Comércio

Informação

Sensibilização Empresarial e Informação

Formação e Qualificação dos Recursos Humanos

Desenvolvimento de Infra-estruturas de Observação e Simplificação Administrativa

Assistência Técnica Especializada

Benchmarking

Cooperação empresarial

Inovação Financeira

A nível sectorial destacam-se as seguintes medidas:

Indústria

Comércio e Serviços

No âmbito das grandes linhas de reforço da produtividade e da competitividade, também na área do comércio e dos serviços existem dois propósitos fundamentais:

Estes propósitos serão executados com base nos seguintes eixos de actuação:

Turismo

Os excelentes resultados alcançados nos últimos três anos, no turismo Português, não obstam à convicção de que só uma orientação estratégica assente em princípios de inovação e qualidade, de defesa de posicionamentos, de diferenciação e de reforço da competitividade empresarial, pode conduzir à consolidação das bases para a sustentação futura das actividades turísticas em Portugal, face à forte concorrência internacional.

Neste sentido, a correcção das deficiências e dos desequilíbrios ainda existentes na estruturação da oferta, quer a nível físico, quer no plano dos recursos humanos, a qualificação do nível médio da procura e a atenuação da sua incidência sazonal, constituem objectivos primordiais a atingir no âmbito de um quadro estratégico consolidado. A intensificação de uma política integrada em que possam concorrer, de forma coordenada, diferentes sectores (transportes, ambiente e ordenamento do território, cultura, desporto, etc.), o que já sucede em algumas áreas, é um objectivo prioritário, sendo que se tem procurado manter a base de sustentação da procura turística para Portugal, na qual os grandes operadores turísticos têm um papel importante, ao mesmo tempo que tem sido prosseguida uma estratégia de valorização dos segmentos da procura e da sua diversificação no tempo e no espaço.

O desenvolvimento do turismo interno nas suas várias vertentes, a optimização dos quadros legislativo e financeiro de enquadramento e o contributo para o reforço da estrutura empresarial, incluem-se igualmente no leque de opções estratégicas de actuação prioritária.

Pretende-se, ainda, reforçar o posicionamento do destino Portugal na Internet através do desenvolvimento do projecto PortugalinSite - um portal, já criado, de acesso à oferta turística nacional, alinhado com a estratégia global para o destino e baseado no inventário de recursos turísticos, permitindo e promovendo a participação directa de empresas e destinos regionais na gestão da sua própria oferta on-line.

O desenvolvimento da cooperação internacional (predominantemente no espaço europeu) passa pela participação em iniciativas de harmonização e desenvolvimento do mercado turístico electrónico, com o objectivo de desenvolver uma plataforma de integração da oferta turística e cultural dos países da área do mediterrâneo.

Ao nível das medidas para 2002 realçam-se:

Energia

O desenvolvimento da Política Energética Nacional tem por metas principais a redução da intensidade energética no PIB (a mais elevada dos países da UE), a diminuição da dependência externa em energia primária (» 85%), ambas convergindo para a melhoria da segurança de aprovisionamento, a redução da factura energética externa e a protecção do Ambiente.

Prosseguir-se-á no contexto da política energética nacional, com um conjunto de iniciativas balizadas pelas medidas de política energética desenvolvidas pela UE, tendo como principal objectivo o de corrigir os desequilíbrios estruturais do País na área da energia.

Entre aquelas medidas destacam-se o processo de revisão das Directivas do Mercado Interno - Energia, para os sectores Gás e Electricidade, o "follow-up" do Livro Verde sobre a Segurança de Abastecimento e dos normativos ambientais relacionados com o Protocolo de Quioto, a Recomendação relativa ao incremento de produção de Energia a partir da Cogeração (18% em 2010), o Plano de Acção para as Renováveis (12% da energia primária em 2010), bem como as próximas Directivas sobre "Produção de Energia a partir de Fontes Renováveis" (39% da produção de electricidade em Portugal a partir de fontes renováveis) e, sobre o Desempenho Energético dos Edifícios "Energy Performance for Buildings".

Para o efeito, elencam-se as seguintes linhas de acção, na sua grande maioria inseridas na estratégia definida no Programa E4:

A QUALIDADE: UMA APOSTA PARA A AFIRMAÇÃO COMPETITIVA DO PAÍS

A Qualidade é cada vez mais um factor-chave da competitividade. Para vencer o atraso estrutural e para dar um salto qualitativo reforçando a competitividade, o País deve conjugar esforços e articular políticas nesta matéria.

O esforço feito nos últimos anos mostra resultados significativos. Porém, é ainda insuficiente dada a situação de partida e os desafios crescentes da concorrência internacional decorrentes do alargamento da União Europeia e da crescente liberalização do comércio internacional.

A forma como o País está a responder a estes desafios indica que se está no caminho certo e alicerça-nos a convicção de que este salto é possível.

Dando sequência às decisões do Conselho Europeu de Lisboa, as políticas económicas e sociais europeias têm vindo a ser reorientadas e adaptadas ao nível nacional em função desta nova estratégia global, abrindo para Portugal um novo desafio, mas também uma nova oportunidade de recuperar o atraso num contexto de convergência real ao nível europeu.

A competitividade e a produtividade dependem de múltiplos factores relativos não só às empresas mas a toda a organização social. As acções prioritárias devem ser definidas em função do contexto. Como é sabido, o contexto actual está em mudança acelerada e profunda por força da globalização, da integração monetária e económica europeia, do alargamento, assim como da reorganização dos mercados de bens, serviços e capitais com base nas tecnologias de informação e comunicação.

Esta alteração de paradigma coloca desafios de grande envergadura, mas abre também uma janela de oportunidade única se forem feitas as apostas certas.

Numa época de transição para uma economia baseada no conhecimento, torna-se clara a necessidade de reforçar a aposta da Qualidade e na Inovação, entendidas estas como a criação e a incorporação de novos conhecimentos como factores-chave de competitividade.

A Qualidade e a Inovação, assim consideradas, incidem, não apenas sobre os processos, mas principalmente sobre os produtos e os serviços, não só sobre a tecnologia, mas também sobre a organização e a gestão, implicando, antes de mais, uma mudança no plano das atitudes, dos comportamentos e das próprias relações sociais. A inovação económica está, assim, indissoluvelmente ligada à inovação social.

As empresas são protagonistas centrais deste processo que também mobiliza as instituições de ensino e formação, o sistema científico e tecnológico, os serviços públicos e o sistema financeiro para o estímulo à qualificação dos recursos humanos, ao enraizamento de práticas exigentes de avaliação e de qualidade e ao reforço de uma cultura de Qualidade e Inovação na sociedade portuguesa.

Neste novo contexto económico, a Qualidade e a Inovação constituem um factor decisivo da competitividade e de resposta às mudanças. Entendidas como um vector transversal a toda e qualquer actividade económica, têm vindo a assumir-se como variáveis estratégicas da maior importância para o desenvolvimento e, até, para a própria sobrevivência das empresas.

Hoje, o verdadeiro desafio dos agentes económicos é o de responder, de forma adequada e em tempo, às necessidades de todos os intervenientes no processo empresarial - clientes, proprietários ou accionistas, colaboradores, fornecedores, parceiros e a sociedade em geral - e, em simultâneo, melhorar continuamente a sua eficácia e eficiência.

Portugal, como membro da União Europeia e inserido no grupo de países que adoptaram o euro, terá que possuir e implementar mecanismos que lhe permitam acompanhar de uma forma activa e articulada as evoluções deste Mercado Interno, onde as empresas portuguesas terão que competir directamente com as suas congéneres europeias.

Por outro lado, a melhoria da Qualidade de Vida dos cidadãos - numa sociedade onde o nível educacional tende a ser mais elevado, exige mais e melhores produtos e serviços, melhor ambiente, melhor educação, melhor justiça, ou melhor sistema de transportes - é nos nossos dias um factor de importância vital para o desenvolvimento do nosso País.

A abordagem empresarial à Qualidade esteve, durante muitos anos, essencialmente centrada nos processos fabris, numa óptica de definição das especificações, medição e análise dos desvios e adopção de medidas destinadas a evitar repetições das falhas verificadas, tendo, ao nível das técnicas e ferramentas, registado significativos avanços.

As preocupações com a Qualidade adquiriram também um maior relevo na definição de estratégias e no desempenho tanto da Administração Pública como de muitas organizações não empresariais essenciais à sociedade. Esta situação evolutiva tem vindo a ser acompanhada no campo legislativo, como recentemente se verificou com a publicação de legislação orientadora da Qualidade em Serviços Públicos e nos sectores da Saúde e do Ambiente.

Consequentemente, o aparecimento de um número previsivelmente crescente de iniciativas dirigidas à promoção e garantia da Qualidade, no âmbito sectorial, aconselha a que se propicie a sua fácil inserção no contexto global das infra-estruturas da Qualidade já existentes, de modo a aproveitar sinergias e a evitar duplicação de estruturas ou sobreposição de competências.

Dando resposta às questões referidas, o Governo Português, com o objectivo de estabelecer um modelo organizacional para o Sistema Português da Qualidade (SPQ), mais consentâneo com a realidade actual do País e com as referências europeia e internacional nesta matéria, bem como um novo enquadramento institucional daquele Sistema, dinamizou, oportunamente, um amplo e participado debate sobre a matéria.

Quaisquer desenvolvimentos que venham a ter lugar em torno das matérias da Qualidade devem então reportar-se ao SPQ. Importa que este seja reconhecido de uma forma generalizada, como um referencial de credibilidade para outros sistemas e processos da qualidade autónomos, tornando-o num sistema transversal, abrangendo todas as áreas socioeconómicas e contribuindo decisivamente para um desenvolvimento sustentável do nosso País.

A Qualidade, sendo um factor dinâmico de competitividade, devidamente articulada com políticas sectoriais adequadas, permitirá às nossas empresas competir nos respectivos mercados e penetrar em novos mercados, abrindo também outras perspectivas ao seu desenvolvimento com importantes reflexos no desenvolvimento económico nacional.

No que diz respeito mais concretamente ao desenvolvimento do SPQ, este exigirá uma adequada articulação entre os Ministérios das diversas áreas governativas e deve servir de enquadramento à "Política Nacional da Qualidade".

Neste âmbito, o quadro jurídico do SPQ deverá ser, no essencial, constituído até ao final do ano de 2001.

O ano de 2002 deverá ser o ano da institucionalização mais profunda do sistema.

A Qualidade, aliada à Inovação, são apostas a prosseguir e nas quais o Governo português está fortemente empenhado para que deste processo, a economia e as empresas portuguesas, se tornem mais produtivas e competitivas face aos seus parceiros europeus e ao mercado mundial.

Por último, refira-se que tanto a Qualidade como a Inovação não são neutras do ponto de vista da coesão e do emprego. Há que maximizar as condições que permitam ao conjunto da população e das Regiões portuguesas acompanhar e participar nesta trajectória de desenvolvimento que visa vencer o atraso estrutural, numa perspectiva de melhoria da Qualidade de Vida dos cidadãos.

AGRICULTURA E PESCAS

AGRICULTURA

O objectivo geral de médio prazo para a "Agricultura e Desenvolvimento Rural" é o de promover uma sólida aliança entre a agricultura, enquanto actividade produtiva moderna e competitiva, e o desenvolvimento sustentável dos territórios rurais nas vertentes ambiental, económica e social. Este objectivo constitui o quadro de referência estratégico para a concepção e aplicação concertadas dos diversos instrumentos de política agrícola e rural, os quais, para além dos instrumentos co-financiados pela União Europeia para o período de programação 2000-2006 (programa AGRO, medidas AGRIS dos P.O.s Regionais do Continente, medida FEOGA da Acção Integrada de Base Territorial do Pinhal Interior, e medida Desenvolvimento Agrícola e Rural do PEDIZA II, todos no âmbito do QCA III, e, fora deste âmbito, os programas RURIS, LEADER+ e VITIS), compreendem ainda a adaptação e transposição dos regimes dos mercados agrícolas no âmbito da PAC, bem como múltiplas iniciativas nacionais de natureza legislativa ou regulamentar.

A inserção do sector agrícola numa economia moderna e competitiva, através do reforço da competitividade das actividades e fileiras de produção agro-florestais. Este reforço baseia-se na promoção da inovação em matéria de produto, processo ou organização da produção, e na valorização dos recursos humanos, tendo em vista o crescimento da produtividade, ou a melhoria da qualidade e o incremento da componente de valor acrescentado. Este contributo para a competitividade será prosseguido no respeito pelos valores ambientais e pela coesão económica, social e territorial, e atenderá, de modo muito especial, à necessidade de satisfazer as crescentes exigências dos consumidores em matéria de segurança alimentar.

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

Relativamente aos programas e medidas integrados no QCA III (Programa AGRO, medidas AGRIS e outras medidas incluídas nos PO Regionais do Continente), bem como ao Plano de Desenvolvimento Rural (Programa RURIS), foram implementados os dispositivos legislativos, regulamentares e organizativos necessários à sua execução. O programa LEADER+ foi aprovado pela CE em 2001.

2001 foi um ano de intenso ritmo de candidaturas e aprovações, registando-se, em Junho de 2001, uma taxa de aprovação de 82% relativamente à despesa pública programada para o primeiro ano, no que se refere ao programa AGRO, e de 75% para o conjunto do FEOGA-O (PO AGRO e POs regionais do Continente).

No que se refere ao PAMAF (subprograma Agricultura do QCA II), a taxa de execução, no final de 2000, era de 92% do total da despesa pública programada. Neste âmbito, verifica-se que as medidas de incentivo ao investimento privado (explorações agrícolas, transformação e comercialização) registaram desvios positivos face à programação inicial, pelo que este subprograma acabará por ter um efeito superior ao previsto sobre o investimento total (público e privado) no sector. Em 2001, após um Inverno particularmente rigoroso, que dificultou a progressão dos investimentos hidro-agrícolas, em novas plantações e florestais, os trabalhos de investimento aceleraram com vista à plena execução do PAMAF.

No que se refere às medidas de acompanhamento, adaptação e transposição dos regimes de apoio no âmbito da PAC, o destaque vai para:

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