Lei n.º 109-A/2001 — Grandes Opções do Plano para 2002

Tipo Lei
Publicação 2001-12-27
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 13

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 2002

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Durante o ano 2001, no domínio do Património, foram lançadas as operações enquadradas no Programa Operacional da Cultura, bem como os trabalhos de recuperação e valorização do Palácio Nacional de Sintra (2ª. Fase) e do Paço dos Duques, Guimarães. Foi feito um reforço dos trabalhos no Mosteiro de Pombeiro e procedeu-se ao arranque das intervenções no Mosteiro de Rendufe e de Lorvão e prosseguiram as intervenções no Convento de Cristo em Tomar. Foi lançado o programa de intervenção e gestão patrimonial das Sés de Lisboa, Évora e Sé Velha de Coimbra. De assinalar, também, a implementação do Programa de Recuperação e Valorização de Conjuntos Monásticos, com intervenções designadamente nos Claustros do Mosteiro dos Jerónimos e do Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro de Tibães, Mosteiro de Vilar de Frades, Mosteiro de S. João de Tarouca. Procedeu-se, igualmente, ao alargamento de acções técnicas e científicas relativas à salvaguarda do património edificado que se articulam com o programa POLIS.

Na área da Conservação e Restauro, destaca-se a realização do 1º. Encontro científico, subordinado ao tema Conservação Preventiva. Investiu-se na formação mantendo e alargando os quadros de apoios ao ensino superior e foram iniciados os trabalhos para a integração do IPCR na rede nacional de "Centros de Recursos de Conhecimento" e para o ajustamento dos currículos às competências requeridas pelos distintos perfis profissionais da Conservação e Restauro. De referir a continuação do programa "Estudos e Investigação sobre o Património Móvel e Integrado" e, a nível das relações internacionais, o aprofundamento das relações institucionais e de cooperação com organismos congéneres.

No âmbito dos Museus, foi concluída a elaboração do projecto de remodelação do Museu José Malhoa. Encontra-se em fase final a preparação dos projectos de requalificação do Museu de Évora e do Museu de Aveiro, prosseguindo a elaboração do projecto relativo à ampliação do Museu Nacional de Machado de Castro e a obra de recuperação de coberturas do Museu de Arte Popular. Encontram-se em fase final as obras de construção do imóvel do Museu de D. Diogo de Sousa e foi reinaugurado, depois de profunda intervenção de qualificação e ampliação, o Museu Nacional Soares dos Reis. Encontra-se, igualmente, em fase final a obra de requalificação e ampliação do Museu do Abade de Baçal, bem como a obra de recuperação de coberturas e valorização da fachada do Museu Nacional dos Coches. De realçar que a Estrutura de Projecto Rede Portuguesa de Museus organizou diversas acções de formação destinadas a profissionais de museus, para além de ter definido os regimes de apoio técnico e financeiro a prestar a museus não tutelados pelo IPM. Foi dada continuidade ao processo de informatização e digitalização de inventários do património cultural móvel e à política de estudo e divulgação desse património cultural através de exposições temporárias, nalguns casos itinerantes, e de publicações especializadas.

No que respeita aos Arquivos Nacionais verificaram-se acções enquadradas em diversos programas, dos quais se destacam: Microfilmagem e Restauro de Espécies Arquivísticas, Reformulação e Modernização de Arquivos e Bibliotecas Públicas e Informatização Apetrechamento e Equipamento do edifício do Instituto de Arquivos Nacionais/Torre do Tombo.

Na área do Cinema, é de registar a conclusão de 9 longas metragens, 5 curtas metragens de ficção, 2 curtas metragens de animação e 5 documentários de criação. Salienta-se que foram financiadas 21 obras de longa metragem, tendo sido seleccionados, ainda, para apoio financeiro 5 documentários de criação, 10 curtas metragens de ficção e 4 de ficção infantil e juvenil. Foram abertos alguns concursos de apoio à produção cinematográfica. Da participação em inúmeros festivais, mostras e eventos internacionais destaca-se a presença em dois festivais internacionais de Classe A (Festival Internacional de Cinema de Berlim e Festival Internacional de Cinema de Cannes) com participação nos respectivos Mercados do Filme. Foram, também, apoiados importantes festivais nacionais.

Na área do Audiovisual, e no âmbito de protocolo estabelecido entre o Ministério da Cultura e a SIC, S.A., foram já emitidos dezasseis telefilmes e concretizaram-se apoios financeiros no âmbito dos protocolos ICAM/RTP e ICAM/TVI. No prosseguimento da política audiovisual, realizou-se o primeiro Concurso de Apoio Financeiro à Produção Audiovisual.

Na área do Multimédia, é de registar que foram apoiadas 11 obras no âmbito do Concurso de Apoio Financeiro à Produção de Obras Multimédia e 7 obras no âmbito do Concurso de Apoio Financeiro ao Desenvolvimento de Projectos Multimedia. No prosseguimento da Política de Apoio à Exibição Comercial está em fase final o concurso relativo a 2000 e, no que diz respeito à Informatização de Bilheteiras, encontra-se em fase de conclusão a concepção do respectivo sistema de controlo informático.

Foram preservados vinte filmes de relevante interesse cultural. Foram efectuadas obras de Ampliação e Remodelação da Sede da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

Na área da Arqueologia é de salientar que a actividade incide fundamentalmente no desenvolvimento do complexo museológico do Parque Arqueológico do Vale do Côa e no inventário e digitalização de Sítios Arqueológicos, bem como na reorganização e digitalização do Arquivo de Arqueologia Portuguesa.

Relativamente ao apoio às Artes do Espectáculo, verificou-se a continuação da política de financiamento de projectos com qualidade artística e carácter profissional, como forma de incentivo à criação, produção e difusão nas áreas da música dança e teatro. Procedeu-se, ainda, a acções de investimento e consolidação do Programa Difusão Nacional das Artes do Espectáculo, em que participaram 54 autarquias, com as quais foi realizada a programação regular de espectáculos, ateliers e outras acções de difusão das artes do espectáculo. Relativamente à Rede Nacional de Teatro e Cine-Teatros constata-se que estão em curso obras em 15 Teatros e Cine-Teatros e que foi concluída a recuperação de um Cine-Teatro, prevendo-se a conclusão até ao final do ano de mais 7. Encontra-se em fase de finalização um conjunto de projectos relativos a 11 Teatros e Cine-Teatros. A recuperação do Centro Cultural Casa das Artes, no Porto, foi concluída no final do mês de Julho. Está, ainda, em curso a remodelação do Auditório Nacional Carlos Alberto.

No âmbito da Fotografia, é de referir que se encontra em curso a digitalização de espólios fotográficos à guarda do Arquivo de Fotografia do Porto. O programa de produção/execução da Porto 2001 na área da fotografia foi cumprido.

No âmbito da Rede Nacional de Leitura Pública, foram inauguradas as Bibliotecas Municipais de Cascais, Porto, Faro, Vila do Conde, Castelo de Vide, S. Brás de Alportel, Vila Pouca de Aguiar, Celorico de Basto, Penela, Castro Daire e Tondela; e assinados os Contratos-Programa com as Câmaras de Almodôvar, Lousada, Monforte, Ourique, prevendo-se ainda assinar até ao final do ano com as Câmaras de Alpiarça, Nelas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Alvaiázere e Fronteira. De realçar, no âmbito da política de promoção e internacionalização do Livro e dos Autores Portugueses, que Portugal foi o País Tema no Salão do Livro de Genebra.

Estabeleceram-se parcerias e foi concertado o modelo organizativo e a estratégia de actuação que permitirá a realização do programa Coimbra, Capital Nacional da Cultura em 2003, preparado por eventos que terão lugar já no final de 2002.

Tendo por objectivo articular um programa de intervenção cultural a realizar a partir de 2002 e pretendendo-se criar uma rede de pólos culturais de excelência, foi iniciado o projecto Contratos Culturais de Cidade.

No âmbito do Programa Operacional da Cultura, verificou-se a prossecução da actuação definida para este programa, consubstanciada em dois eixos prioritários: a Valorização do Património Histórico e Cultural e o Favorecimento do Acesso a Bens Culturais.

De referir a evolução bastante favorável quanto aos níveis de execução do programa, salientando-se a recuperação verificada relativamente ao ano 2000. Deste modo prevê-se uma evolução bastante favorável, não só tendo em atenção as candidaturas já entradas, mas pressupondo que continuará a haver uma grande adesão ao programa por parte dos beneficiários.

Finalmente, de referir que o acontecimento mais marcante no presente ano foi o Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. A realização deste evento poderá ser analisada numa dupla perspectiva - manifestações culturais e renovação urbanística da cidade. Quanto aos primeiros, salienta-se a grande qualidade da programação, que converteu o Porto 2001 num acontecimento cultural de referência. Relativamente à requalificação urbanística, procedeu-se a uma intervenção fundamental, quer pela recuperação da área urbana quer pela criação de novos equipamentos culturais, cujo resultado consubstancia uma indispensável e importantíssima mais valia para a segunda cidade do País.

PRINCIPAIS LINHAS DE ACÇÃO PARA 2002

A intervenção do Governo na área da cultura assenta no objectivo fundamental de enriquecer o universo de possibilidades para a prática cultural dos cidadãos, alargando as possibilidades de fruição cultural e intervindo sobre as condições que garantam o fortalecimento dessas possibilidades. Esta orientação política parte de uma concepção abrangente, integradora e pluralista dos processos culturais e da sua relevância social. Trata-se de ampliar a gama de expressões, de assegurar a articulação essencial entre cultura, cidadania e desenvolvimento económico e social, e de fazer dos actores culturais o centro da atenção.

Neste contexto, identificam-se cinco objectivos específicos da política cultural:

Duas das principais estratégias tendentes à concretização da política cultural que se pretende implementar referem-se à organização e estruturação de redes de equipamentos culturais pelo território, e a criação e aproveitamento de oportunidades que, em termos de bens culturais favoreçam a novidade, o contacto e a abertura ao exterior.

Tem sido, e continuará a ser em 2002, uma linha de acção fundamental do Ministério da Cultura o desenvolvimento e consolidação de redes de leitura pública, de museus, de arquivos, de cine-teatros, teatros e outros recintos de espectáculos, de centros culturais polivalentes e de 'sítios' patrimoniais.

A "abertura à oportunidade" e o aproveitamento de desafios e recursos circunstanciais que alarguem o leque de possibilidades culturais e proponham novos horizontes para as práticas das instituições e dos agentes, foram os princípios que comandaram o projecto "Porto, Capital Europeia da Cultura 2001" e devem comandar as realizações "Coimbra, Capital Nacional da Cultura 2003", o projecto de criação do "Contrato Cultural de Cidade" ou a participação portuguesa nos grandes festivais internacionais.

A inclusão da comunicação social na esfera de competência do Ministério da Cultura justifica que se insista no facto de que esta ligação faz sentido à luz do incontornável desenvolvimento conjugado das indústrias culturais e dos meios de comunicação social. Pensar os media a partir da cultura contribui para esclarecer melhor o sentido de uma política pública para a comunicação social, constituindo estes um poderosíssimo instrumento de divulgação cultural que pode e deve ser potenciado na prossecução dos objectivos de formação e qualificação dos públicos, de valorização patrimonial e de alargamento do inventário de possibilidades culturais, típicos de políticas culturais democráticas.

Fica, deste modo, aberto o caminho a uma política de desenvolvimento do audiovisual que passe por uma acção conjugada do ICAM, dos operadores de televisão e dos criadores e produtores nacionais de cinema, audiovisual e multimédia; ao aproveitamento da imprensa regional e das rádios locais para a promoção e divulgação cultural; ao desenvolvimento das vantagens recíprocas de articulação entre a RDP e a RTP e os agentes culturais e educativos.

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

COMUNICAÇÃO SOCIAL

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

No domínio da Comunicação Social, durante o ano de 2001, tendo em conta os desafios suscitados pelas novas tecnologias, nomeadamente a transmissão terrestre digital do som e da imagem, promoveu-se a adequação das normas regulamentadoras da radiodifusão sonora e da televisão, bem como a realização de concursos para concessão de licenças de exploração das respectivas redes.

Assinala-se, também, o início do processo de reestruturação financeira e organizativa da RTP, com autonomização de algumas áreas funcionais.

De referir a conclusão da revisão do sistema de incentivos do Estado à comunicação social, com o objectivo de modernizar o tecido empresarial do sector, privilegiando a qualificação, a inovação e a competitividade.

Alterou-se, ainda, o regime jurídico da radiodiodifusão, de modo a corresponder à evolução tecnológica e à diversificação da oferta, disciplinando as condições do exercício da actividade.

De realçar a instituição de um novo incentivo destinado a fomentar a distribuição "on-line" dos órgãos de comunicação social regional e a criação de novos serviços naquele ambiente.

Consolidou-se a posição da RDP como serviço público de referência, ao mesmo tempo que se reforçou a sua solidez económico-financeira, tendo-se resgatado o empréstimo relativo ao edifício da sede da empresa.

Procedeu-se à alteração do estatuto da LUSA, com reforço da participação de capital privado, desenvolvendo-se a produção e venda de serviços noticiosos para o Brasil e para os PALOP, bem como o comércio electrónico de venda de textos do seu arquivo de notícias do dia.

Instituiu-se a holding Portugal Global, com o objectivo de estabelecer uma gestão articulada das empresas do sector público de comunicação social, incentivando uma cooperação assente numa lógica de projectos comuns, nomeadamente na área do multimédia.

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

Apoiar e regular o desenvolvimento do sector da Comunicação Social, assegurando sistemas de incentivo aos agentes e garantindo a existência e qualidade do serviço público:

PRINCIPAIS INVESTIMENTOS EM 2002

Na área da Comunicação Social os principais investimentos em 2002 dizem respeito a:

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

IMIGRAÇÃO E MINORIAS ÉTNICAS

No cumprimento do plano definido para 2000 o Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME) desenvolveu as seguintes acções:

Na sequência do Despacho Conjunto N.º 1165/2000, de 18 de Dezembro, dos Ministros da Presidência, do Trabalho e da Solidariedade e da Educação, foi coordenado um Grupo de Trabalho composto por representantes daqueles Ministros, para:

De referir que desde a publicação deste Decreto-Lei foram apoiados treze projectos associativos num valor global de 21.100.000$00.

Em 2001 foram desenvolvidas as seguintes acções:

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES ENTRE MULHERES E HOMENS

Quer a nível interno quer na União Europeia e nas organizações internacionais, o Governo prosseguiu em 2000 e 2001 a sua política de promoção da igualdade entre mulheres e homens em todas as esferas da vida melhorando as condições para a participação equilibrada quer de umas quer de outros tanto na actividade profissional como na vida familiar e no processo de decisão de modo a garantir direitos fundamentais sem exclusões decorrentes do sexo.

A estratégia utilizada continuou a ser a preconizada a nível nacional pelo Programa do Governo e pelas Grandes Opções do Plano e a nível internacional pelas orientações pertinentes da União Europeia e da Organização das Nações Unidas, ou seja a dupla abordagem da concretização de acções positivas e da integração da dimensão da igualdade nas políticas públicas.

Como exemplo de acções positivas, o Governo apresentou à Assembleia da República duas Propostas de Lei que visam respectivamente a igualdade na esfera pública, compensando desvantagens das mulheres - a proposta que visa a aprovação da Lei da Paridade - e a igualdade na esfera privada, compensando desvantagens dos homens - a proposta que visa a alteração da Lei de Protecção da Maternidade e da Paternidade para tornar irrenunciável o direito à licença por paternidade.

Por outro lado, designadamente:

No domínio da conciliação entre a vida familiar e a vida profissional

No domínio do acesso ao emprego e da promoção da igualdade entre mulheres e homens nas empresas e nas instituições

No domínio da participação cívica e política

No domínio da violência em função do sexo

Relativamente a Investimentos

No quadro da transversalização da igualdade nas políticas públicas avultam:

Em matéria de emprego, formação, trabalho e inclusão social:

Em matéria de Educação:

Por outro lado, no quadro de projectos piloto para a construção de núcleos duros da formação em igualdade, que serão disponibilizados quer para públicos estratégicos quer para a generalidade da população, aprofundou-se a reflexão e a análise multidisciplinar sobre a situação das mulheres e dos homens em Portugal e os modos de reduzir progressivamente as assimetrias, que apesar dos progressos alcançados, ainda se verificam.

Ainda em 2001 terá início a execução do II Plano Nacional para a Igualdade entre Mulheres e Homens, cuja preparação foi largamente debatida e recolheu contributos de diversa natureza.

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

IMIGRAÇÃO E MINORIAS ÉTNICAS

No que se refere aos imigrantes e minorias étnicas, as principais linhas de actuação para 2002 serão as seguintes:

Igualdade de Oportunidades e Luta contra a Discriminação

Cidadania e Direitos Humanos

Integração, Coesão Social e Sociedade do Conhecimento e Informação

Legislação e regulamentação

IGUALDADE DE OPORTUNIDADES ENTRE MULHERES E HOMENS

O II Plano para a Igualdade entre as Mulheres e os Homens assentará em quatro pilares, obedecerá a linhas de estratégia e articular-se-á estreitamente em todos os aspectos pertinentes com outros Planos, em vigor ou previstos designadamente o Plano Nacional de Emprego, o Plano Nacional de Acção para a Inclusão, o Plano Nacional contra a Violência Doméstica.

Os dois primeiros pilares do Plano visarão concretizar os pressupostos da igualdade entre as mulheres e os homens, ou seja, a abolição dos 'papéis sociais específicos' com actuação exclusiva ou predominante nas esferas pública e privada em função do sexo - participação equilibrada dos homens e das mulheres na actividade profissional e na vida familiar e participação equilibrada dos homens e das mulheres no processo de decisão - em consonância com a Resolução do Conselho e dos Ministros do Emprego e da Política Social reunidos no seio do Conselho sobre a participação equilibrada das mulheres e dos homens na actividade profissional e na vida familiar, aprovada em 29-6-2000, por iniciativa da Presidência Portuguesa.

Os terceiro e quarto pilares terão uma natureza instrumental e através deles visar-se-á, por um lado, proceder aos aperfeiçoamentos de que o sistema jurídico ainda carece para garantir a igualdade das mulheres e dos homens, e, por outro lado, reforçar as políticas sectoriais susceptíveis de promover a igualdade das mulheres e dos homens tanto por parte de entidades públicas como privadas.

Em 2002 deverão ser implementadas, designadamente as seguintes medidas:

Em matéria de partilha equilibrada entre os homens e as mulheres da actividade profissional e da vida familiar

Em matéria de partilha equilibrada entre os homens e as mulheres no processo de decisão

Em matéria de aperfeiçoamento do sistema jurídico para garantir a igualdade das mulheres e dos homens

Em matéria de reforço das políticas para a promoção da igualdade das mulheres e dos homens por parte das entidades públicas e privadas

Linhas de estratégia

Para muito de quanto precede, o ano de 2002 consolidará a perspectiva de integração da dimensão da Igualdade entre mulheres e homens (mainstreaming) e de acções positivas no QCA III, visto que, para além de os vários Programas Operacionais se encontrarem em execução e incluírem obrigatoriamente prioridades e critérios de selecção específicos que apoiam o desenvolvimento de projectos neste âmbito, também no Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social, será operacionalizada, como acção positiva, a medida designada "Promoção da Igualdade entre Homens e Mulheres", que abrange as seguintes acções:

Ainda no âmbito do mesmo Programa estão previstos apoios a mulheres vítimas de violência doméstica.

Também as diversas Iniciativas Comunitárias, com particular relevo para a Equal, constituirão oportunidades para a consolidação da igualdade entre mulheres e homens.

Prevê-se que o V Programa Comunitário para a igualdade entre mulheres e homens apoie diversos projectos com a participação portuguesa.

PRINCIPAIS INVESTIMENTOS EM 2002

No que se refere aos Imigração e Minorias Étnicas, o ACIME inscreveu no PIDDAC 2002 dois programas/projectos:

No âmbito da Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens foram inscritas verbas no PIDDAC 2002 para a implementação dos seguintes programas:

a)

coordenados pela Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres

Objectivo: Criação de um sistema de informação que concentre indicadores pertinentes nas áreas prioritárias definidas no Plano Nacional para a Igualdade de Oportunidades

Nota: Transita de 2001

Objectivo: Plano de Intervenção Inter-institucional de apoio, com criação de modelos de intervenção articulada

Nota: Transita de 2001

Objectivo: Desenvolvimento de actividades de investigação/acção e de formação, no âmbito de parcerias nacionais e transnacionais, em projectos de que a CIDM não é promotora

Nota: Novo

Objectivo: Conhecimento da realidade relativamente à violência e de apoios ao desenvolvimento local a mulheres que vivem em meio rural, bem como estudo para construção de instrumentos para avaliação de políticas para a Igualdade

Nota: Novo

b)

coordenados pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e inscritos no PIDDAC do Ministério do Trabalho e da Solidariedade

Objectivo: Encorajamento à investigação, melhoria da acessibilidade e modernização dos serviços

Nota: Transita de 2001

Objectivo: troca de períodos de tempo não remunerado para a concretização de pequenos serviços de apoio à vida familiar

Nota: Transita de 2001

DEFESA DO CONSUMIDOR

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

O balanço da Política de Defesa do Consumidor, desenvolvida pelo XIV Governo Constitucional, exige que se realize num quadro de referência baseado na criação da Secretaria de Estado para a Defesa do Consumidor, sob a dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros, o qual traduz a horizontalidade da referida política e consequente elevação e promoção dos direitos dos consumidores ao centro das políticas económicas e sociais, na certeza de que a confiança do consumidor é um factor determinante no sucesso da economia.

Neste âmbito as medidas executadas em 2001 e 2002 visaram o desenvolvimento de mecanismos susceptíveis de reforçar aquela confiança, como sejam a regulação e auto-regulação, em especial dos serviços essenciais, a formação e informação dos consumidores, o acesso à justiça através de processos simplificados e céleres e o apoio às associações de consumidores, de que se destacam:

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

A execução da Política de Defesa do Consumidor para 2002 assentará no desenvolvimento das bases entretanto lançadas em 2000 e 2001. Isto na perspectiva horizontal daquela política, quer, ainda, na perspectiva de que o reforço da confiança do consumidor reclama medidas sustentadas. Paradigmático do carácter referido é o Código do Consumidor, instrumento essencial à definição de uma sistemática coerente à disciplina da protecção do consumidor, e simultaneamente, um quadro legal tendencialmente completo da regulamentação do consumo, cujo debate público sobre o respectivo projecto se prevê para 2002.

Na mesma linha de orientação, assume-se como linha de acção prioritária para 2002, com a implementação da Agência para a Qualidade e Segurança Alimentar, o estabelecimento de condições que garantam uma abordagem global e integrada e um elevado nível de credibilidade da cadeia alimentar traduzida numa avaliação dos riscos apoiada numa cada vez mais intensa investigação científica independente; numa gestão de riscos, consubstanciadas em programas de monitorização, vigilância, inspecção, atempada regulamentação e intervenção administrativa de controlo, regulares e coerentes; e na comunicação dos riscos, através da gestão, em parceria com as autoridades nacionais e comunitárias dos sistemas de alerta dos riscos no âmbito da cadeia alimentar.

Outras medidas a implementar em 2002:

PRINCIPAIS INVESTIMENTOS EM 2002

3ª OPÇÃO - QUALIFICAR AS PESSOAS, PROMOVER O EMPREGO DE QUALIDADE E CAMINHAR PARA A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DA INFORMAÇÃO.

EDUCAÇÃO

BALANÇO DA ACTUAÇÃO EM 2000/2001

No âmbito da Educação Básica (Educação Pré-Escolar e Ensino Básico)

Esta reorganização será concretizada a partir do ano lectivo de 2001/2002, nos 1º e 2º ciclos do ensino básico, e tem como um dos objectivos fundamentais uma maior e mais adequada articulação entre os diversos ciclos da educação básica;

No âmbito do Ensino Secundário

No âmbito do reordenamento curricular do ensino secundário procura-se dar resposta à diversidade de interesses e expectativas dos jovens e das famílias e às necessidades do sistema económico, permitindo a permeabilidade entre cursos/percursos de formação, flexibilizando a passagem entre as diversas áreas de estudo e minimizando perdas no percurso formativo. Determina-se a criação da Área de Projecto nos cursos gerais e da Área de Projecto Tecnológico nos cursos tecnológicos, áreas curriculares não disciplinares, que visam desenvolver uma visão integradora dos saberes e da relação entre a teoria e a prática, assim como promover a orientação escolar e profissional e facilitar a aproximação ao mundo do trabalho.

Também se consagram a educação para a cidadania, a valorização da língua portuguesa e da dimensão humana do trabalho, bem como a utilização das TIC, como formações transdisciplinares e define-se um quadro flexível para o desenvolvimento de actividades de enriquecimento do currículo.

No ano lectivo de 2001/2002 serão lançados cursos de 10º ano profissionalizante e cursos de especialização tecnológica dirigidos a alunos que tendo completado, respectivamente, o ensino básico e o ensino secundário (via profissionalizante), pretendam uma qualificação profissional de nível II ou IV.

No âmbito das infra-estruturas físicas e tecnológicas

Segundo dados do inquérito lançado entre Abril e Julho de 2000 nas escolas públicas dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e do ensino secundário, existia um rácio de 56,4 alunos por computador nas escolas do 1º ciclo do ensino básico e de 23,3 alunos por computador nas restantes escolas. Com os apetrechamentos efectuados desde então, podemos afirmar que o rácio de 20 alunos por computador terá sido alcançado para as escolas básicas dos 2º e 3º ciclos e secundárias. Nestas escolas, segundo o inquérito referido anteriormente, o apetrechamento com equipamentos periféricos também é significativo, sendo de assinalar a percentagem elevada de escolas com periféricos de digitalização como os scanners (76,8%), com máquinas fotográficas digitais (31,8%) e com periféricos de projecção (37,3% com data-show e 38,7% com projector vídeo);

No âmbito do Ensino Superior

Encontra-se em fase de análise, após parecer dos parceiros sociais, a regulamentação da Lei de Ordenamento e Organização do Ensino Superior e o anteprojecto de revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária. Prepara-se o projecto de revisão do Estatuto da Carreira Docente Politécnica de forma a poder ser articulado com o anterior.

A preocupação com a concretização do princípio de igualdade de oportunidades de acesso ao ensino superior e de não exclusão, em resultado de diferenças de situação socioeconómica, foi prosseguida em 2001 pelo crescimento da oferta de ensino superior público e pela melhoria da acção social escolar.

Assim, no ano lectivo de 2001/2002, foram abertas 49348 vagas nos estabelecimentos de ensino superior público (55% no ensino universitário e 45% no ensino politécnico), o que representa um acréscimo de 44% face às vagas existentes em 1995 (34306).

No ano lectivo de 2000/2001, 75,8% dos candidatos (da 1ª fase do concurso nacional de acesso) foram colocados no curso (e no estabelecimento) que escolheram como 1ª ou 2ª opção (57,7% foram-no na sua 1ª opção).

Em matéria de acção social, desde o ano lectivo de 1999/2000 que todos os alunos carenciados, seja no ensino público ou no particular e cooperativo, recebem bolsa de estudo. No que se refere à construção e ampliação de cantinas e residências, estão em execução ou em fase de concurso 2290 camas e 2320 lugares sentados em cantinas.

Relativamente à área da saúde, destaca-se, em 2001, a entrada em funcionamento de duas novas licenciaturas em Medicina (Universidades do Minho e Beira Interior), a entrada em funcionamento da Escola Superior de Saúde de Aveiro (cursos de enfermagem, fisioterapia, radiologia e radioterapia) e a conversão da Escola Superior de Enfermagem de Castelo Branco em Escola Superior de Saúde (com o início de cursos de análises clínicas, saúde pública e fisioterapia).

As vagas para o curso de medicina atingem 968, o que representa um crescimento de 104% relativamente a 1995 (27% em relação a 2000/2001). Nos cursos de enfermagem e de tecnologias da saúde vão existir 2813 vagas em 2001/2002, representando um crescimento de 128% em relação a 1995 (33% em relação a 2000/2001).

No âmbito dos Recursos Humanos

A progressiva autonomia das escolas básicas e secundárias pressupõe a existência de condições de estabilidade do seu corpo docente, de forma a contribuir para a promoção da qualidade das escolas e o desenvolvimento profissional dos docentes. Neste campo, assume particular relevância a revisão do Sistema de Recrutamento e Colocação de Professores, que está em fase de negociações com as organizações sindicais.

Para o ano lectivo de 2001/2002 foram colocadas 10255 vagas a concurso para recrutamento de educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário, sendo vinculados pela primeira vez 6724 professores.

Foi iniciado o sistema de protecção social aos professores temporariamente desempregados, abrangendo presentemente cerca de 3100 docentes.

Em 2000/2001, o número de professores em formação para a profissionalização em serviço foi de 1973.

Realizaram-se e estão previstas neste ano inúmeras acções de formação contínua de educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário, com financiamento do PRODEP III, com realce para a formação em tecnologias de informação e comunicação, em educação para a cidadania e em aprendizagem experimental.

Foi concretizada a definição do perfil geral de desempenho profissional de educador de infância e do professor dos ensinos básico e secundário e o perfil específico de desempenho profissional do educador de infância e do professor do 1º ciclo do ensino básico.

Foram integrados até agora 487 psicólogos nos serviços de psicologia e orientação de 1105 estabelecimentos dos Ensinos Básico e Secundário, continuando, assim, o reforço das acções de orientação escolar e profissional dos alunos.

O acréscimo de pessoal não docente dos estabelecimentos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, entre 2000 e 2001, foi de 6509 (não incluindo os contratados a termo certo), com realce para os auxiliares de acção educativa (3916), os assistentes administrativos (1617), os cozinheiros (662) e os guarda-nocturnos (307).

No âmbito da Organização e Gestão

Em 2001 prosseguiu-se a dinâmica de constituição de agrupamentos dos estabelecimentos de educação básica (educação pré-escolar e ensino básico), visando optimizar recursos no âmbito de cada agrupamento vertical ou horizontal, quebrando o isolamento e promovendo a cooperação entre escolas, o que favorece a articulação e sequencialidade dos vários níveis e ciclos da educação básica. Já foram constituídos 499 agrupamentos (231 horizontais e 268 verticais), envolvendo 8171 escolas (58,4% do total).

Estes agrupamentos integram-se nos territórios e comunidades em que se localizam, abrindo-se ao meio envolvente, nomeadamente às comunidades educativas, incluindo as famílias e as instituições locais, quebrando o isolamento territorial e pedagógico existente e reforçando a autonomia e a responsabilização dos órgãos de gestão e de direcção.

Foram lançados em 2001 os estudos de reordenamento da rede de educação e formação pós-básica, para garantir a coerência e rentabilização da oferta territorial de cursos oferecidos pelos sistemas de educação e de formação, em articulação com a nova organização do ensino secundário, cuja aplicação se iniciará no ano lectivo de 2002/2003, no 10º ano de escolaridade.

Foi completada a primeira fase da avaliação integrada das escolas, pela Inspecção-Geral de Educação, com a devolução dos dados a estas, a fim de induzir processos de auto-avaliação e melhoria das suas condições organizacionais.

No âmbito da Educação de Adultos

Na Educação de Adultos, e numa estratégia de aprendizagem ao longo da vida, a Agência Nacional de Educação e Formação de Adultos (ANEFA), tutelada pelos Ministérios da Educação e do Trabalho e Solidariedade, concebeu e construiu um sistema de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC), adquiridas pelos adultos, maiores de 18 anos, em situações formais, não formais e informais de vida e de trabalho, criando 24 centros RVCC em 2001 (e 4 centros ainda em 2000) e realizando acções de formação para os profissionais de RVCC e de divulgação do Sistema. Em 2001 foram já analisadas as primeiras 102 candidaturas de adultos.

A ANEFA concebeu cursos de educação e formação de adultos, para públicos pouco qualificados e sem a escolaridade básica obrigatória de 9 anos, com uma dupla certificação escolar e profissional, baseados num referencial de competências-chave para adultos e num prévio reconhecimento e validação de competências adquiridas por estes. Prevê-se que até ao final de 2001 sejam realizados 300 cursos.

Também foram concebidos cursos de curta duração (Acções Saber+), destinados ao aprofundamento ou aquisição de competências em domínios relevantes como a literacia tecnológica, internet para o cidadão, Português como segunda língua, o Euro, Inglês, Gestão e Contabilidade, etc.

MEDIDAS A IMPLEMENTAR EM 2002

O desenvolvimento do Sistema Educativo será prosseguido em 2002 tendo presente as orientações determinantes da presente legislatura, actualizadas à luz da evolução recente e das transformações estruturais decorrentes da Estratégia para Aprendizagem ao Longo da Vida assumida por Portugal em 2001 e tendo em conta o Acordo sobre Política de Emprego, Mercado de Trabalho, Educação e Formação.

Estas orientações estruturam-se em torno dos seguintes eixos:

Neste enquadramento, em que se assumem o Aluno e a Escola como os focos da vida educativa, as Opções de Política Educativa para 2002 serão concretizadas através das seguintes medidas:

Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário

Neste âmbito, assumem particular importância as seguintes medidas de política que visam a criação de condições para uma efectiva igualdade de oportunidades e para uma educação de qualidade para todos:

Prevê-se até 2010 a redução para 22,5% de indivíduos do grupo etário 18-24 anos com apenas 9 ou menos anos de escolaridade;

Ensino Superior

No âmbito do Ensino Superior, o Processo de Bolonha, subscrito por Portugal, vai implicar uma progressiva harmonização deste grau de Ensino nos países da União Europeia. Este processo conjuntamente com a aposta na qualidade e na consolidação do sistema do Ensino Superior vai determinar a orientação política para 2002:

Investimento nos Recursos Humanos e Organizacionais

Desenvolvimento de uma Nova Estratégia de Educação de Adultos no quadro da Aprendizagem ao Longo da Vida

Para além do enquadramento geral de todo o sistema de educação e formação, numa estratégia de aprendizagem ao longo da vida, as acções a promover neste domínio desenvolvem-se em níveis diferenciados consoante o público a que se destinam e podem compreender:

No quadro específico da educação de adultos, serão levadas a cabo pela ANEFA as seguintes acções:

Organização e Gestão

No âmbito do reordenamento das escolas e do desenvolvimento da sua autonomia e da associação de diferentes equipamentos educativos que garantem a oferta local da educação, aspectos fundamentais de uma nova organização do sistema educativo no sentido de garantir a igualdade de oportunidades e a qualidade do serviço público da educação, destaca-se:

Modernizar as infra-estruturas Físicas e Tecnológicas

APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA - QUADRO CONCEPTUAL E ESTRATÉGIA PARA ACÇÃO

O Conselho Europeu de Lisboa realizado em Março de 2000 assinalou um momento decisivo na orientação das políticas e acções a adoptar na União Europeia. As conclusões desta Cimeira afirmam que a Europa entrou na Era do Conhecimento, com todas as implicações inerentes para a vida cultural, económica e social e, designadamente, no que toca aos modelos de aprendizagem, vida e trabalho.

As conclusões do Conselho Europeu de Lisboa afirmam, ainda, que a Aprendizagem ao Longo da Vida deve acompanhar uma transição bem sucedida para uma economia e uma sociedade assentes no conhecimento, pelo que os sistemas de educação e formação, estando no cerne das alterações futuras, devem, também eles, alterar-se.

Portugal adopta o conceito de aprendizagem ao longo da vida que corresponde ao que foi definido no âmbito da Estratégia Europeia para o Emprego e constante do Memorando sobre Aprendizagem ao Longo da Vida e que engloba toda e qualquer actividade de aprendizagem, empreendida numa base contínua, com o objectivo de melhorar conhecimentos, aptidões e competências. A chave do sucesso da aprendizagem ao longo da vida decorre da construção de um sentido de responsabilidade partilhada entre autoridades nacionais, regionais e locais, empresas, parceiros sociais, organizações, associações e grupos da sociedade civil, profissionais da educação e da formação, para além do próprio cidadão, individualmente considerado.

Para o desenvolvimento da aprendizagem ao longo da vida como um contínuo ininterrupto ao longo da trajectória individual, é determinante a qualidade da Educação Básica - desde a Educação Pré-escolar - a qual, para além de dotar os jovens com as novas competências básicas necessárias para a sociedade do conhecimento, deverá ainda desenvolver atitudes que promovam a aprendizagem ao longo de toda a vida.

A aprendizagem ao longo da vida contribuirá assim, decisivamente, para o aumento da competitividade e da melhoria da empregabilidade, reforçando e promovendo a cidadania activa enquanto forma de participação em todas as esferas da vida social e económica, e, nesta perspectiva, ser assumida como um potente meio de combate à exclusão social.

A abordagem sistémica subjacente à aprendizagem ao longo da vida reforça a natureza inclusiva deste conceito, designadamente:

Em Portugal, a estratégia de acção para a Aprendizagem ao Longo da Vida é operacionalizada numa tripla perspectiva:

A extensão da educação e formação à população adulta assume, em Portugal, uma relevância muito significativa e diferenciada da maioria dos países europeus. Está em causa tanto a aquisição de saberes, como a criação de condições para o reconhecimento social, validação, certificação, aquisição ou desenvolvimento de competências básicas por uma parte significativa da população que não teve oportunidade de acesso à escola.

Para além dos efeitos específicos da Aprendizagem ao Longo da Vida relativos à participação de todos em todas as esferas da vida, também a adaptabilidade do sistema produtivo nacional às exigências da competitividade económica, nomeadamente a elevação dos níveis de produtividade, passa por uma aposta na educação e formação de adultos activos, sustentada no diálogo com a sociedade civil e a iniciativa económica, no âmbito da qual representam um papel central as políticas de recursos humanos das empresas, nomeadamente na área da formação contínua.

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