Lei n.º 107-A/2003 — Grandes Opções do Plano para 2004

Tipo Lei
Publicação 2003-12-31
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 5

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 2004

Histórico de alterações JSON API

Reorganização e adequação do sistema de Segurança Interna

Foi decidido imprimir, através do Gabinete Coordenador de Segurança, uma nova dinâmica à coordenação técnica e operacional da actividade das forças e serviços de segurança tendo em vista a preparação de planos de actuação conjunta, bem como esquemas de cooperação e de aperfeiçoamento do dispositivo com vista à sua articulação no âmbito da realização do Euro 2004.

Estão em curso os trabalhos tendentes à reorganização do dispositivo territorial da PSP e GNR, tendo em vista a cobertura territorial adequada à orgânica, estatuto, formas de policiamento e meios de cada uma das forças. Na actual fase estão identificadas as áreas de sobreposição de competências territoriais e estamos em condições de iniciar a correcção no terreno.

Foi lançado o SIRESP - Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, o qual abrangerá todo o território nacional, servindo de forma partilhada todas as forças e serviços com responsabilidade na segurança e emergência.

Iniciou-se na Polícia de Segurança Pública, com a renovação da maioria dos comandos, um profundo processo de mudança organizativa e de actuação do dispositivo da PSP com vista ao aumento da eficácia e melhoria contínua dos serviços prestados.

Assim, a par dos trabalhos de revisão da Lei Orgânica, destaca-se o lançamento do Plano de Sistemas de Informação que permitirá à PSP dispor de um sistema integrado de informações para todas as áreas de interesse para a Polícia.

Em simultâneo, foi introduzida a Avaliação Curricular nas promoções de pessoal com funções policiais, foi desenvolvido um enorme esforço em termos de formação na vertente de investigação criminal e prosseguiu o esforço de reapetrechamento do parque de viaturas e do parque informático.

Também no âmbito da Guarda Nacional Republicana, a par dos trabalhos de revisão da Lei Orgânica, Estatuto do Pessoal e Regulamentação do Associativismo, se assistiu a um enorme esforço de modernização e reforço de efectivos:

No domínio do sistema de protecção e socorro, foi criado o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Com esta reforma ficou garantida uma unidade de comando, uma maior eficiência na utilização de recursos e uma maior eficácia operacional no planeamento das acções de socorro e emergência.

Por outro lado, incentivando uma cooperação mais estreita das forças de segurança com as polícias municipais, estão em estudo medidas de natureza legislativa e operacional, com vista a:

Finalmente, foi revista toda a legislação relativa ao uso e porte de arma, a qual data de 1949, estando manifestamente desajustada face ao desenvolvimento tecnológico e às novas formas de criminalidade, e foi proposto e aprovado pela AR um pedido de autorização legislativa que permitirá ao Governo rever o regime de segurança privada.

Redefinição da Política de Imigração

Foi aprovada uma nova Lei de Imigração com a qual o Governo pretende acolher os cidadãos estrangeiros em condições dignas, estipulando um limite máximo anual de entrada de estrangeiros em território nacional, como única forma de, num país com recursos limitados, acolher e integrar de forma solidária os cidadãos que pretendam viver em Portugal. Em suma, pretende-se rigor na entrada, humanidade na integração dos imigrantes e um combate feroz às redes de imigração ilegal e de tráfico de seres humanos.

Em simultâneo, e apesar do quadro de contenção orçamental em que vivemos, foi desenvolvido um esforço significativo na atribuição de novos meios ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, designadamente através do aumento do respectivo quadro de pessoal, do reforço dos meios informáticos e da melhoria de algumas instalações.

Ainda com o objectivo de aumentar o combate à imigração ilegal foi intensificada a intervenção do SEF, nomeadamente em colaboração com as Forças Armadas, e reforçado o controlo das fronteiras marítimas.

Foi celebrado um protocolo com a Roménia prevendo a extradição mútua de cidadãos ilegais e, na sequência da cimeira realizada em Viseu entre os ministros da Administração Interna de Portugal e Espanha, lançadas as bases para uma cooperação mais estreita entre os dois países no combate à imigração ilegal e às redes de tráfico de seres humanos.

Finalmente, foi celebrado um acordo bilateral com o Brasil tendo em vista a viabilização da legalização de cidadãos brasileiros residentes em Portugal.

Definição de uma Estratégia Nacional para Combate à Sinistralidade Rodoviária

Tendo em vista um combate efectivo e consistente à sinistralidade rodoviária foi aprovado em Fevereiro de 2003 um Plano Nacional de Prevenção Rodoviária. Com este plano, plurianual e multidisciplinar, o Governo pretende reduzir a taxa de sinistralidade rodoviária em 50% até 2010.

Paralelamente e para atacar desde logo o flagelo que representa o elevado índice de sinistralidade, foram desencadeado um conjunto de medidas que visaram sobretudo acabar com o sentimento de impunidade dos condutores, nomeadamente:

A par das medidas repressivas, actuou-se, também, na vertente preventiva:

Preparação para o Euro 2004

Logo que tomou posse, o Governo criou a Comissão de Segurança para o Euro 2004, a qual tem vindo a desenvolver todo o trabalho com vista a criar e preparar as estruturas que irão assegurar a coordenação de informações policiais para a correcta actuação das forças e serviços de segurança durante o evento.

No âmbito dos trabalhos desta comissão foi discutida e aprovada a estratégia de bilheteira a ser seguida pela Sociedade Euro 2004, em obediência às normas de segurança aprovadas pelo Conselho da Europa.

Encontram-se em fase de conclusão os planos específicos de segurança para cada estádio; deste trabalho resultará o Plano Global para o Euro 2004.

Paralelamente foi regulamentada a actividade dos assistentes de recinto desportivo ("stewards"). Está também em curso o plano de formação e treino (realizaram-se já diversos exercícios reais) bem como o apetrechamento das forças de segurança que vão ser afectas à segurança deste acontecimento desportivo.

Envio de uma força da GNR para o Iraque

Em Maio de 2003 Portugal disponibilizou uma companhia da GNR para participação na Força Multinacional de Estabilização do Iraque. A partir desta data procedeu-se à selecção, treino e apetrechamento desta força, a qual está em condições de partir para o Teatro de Operações.

Medidas de Política a Concretizar em 2004

Reorganização e adequação do Ministério da Administração Interna e seus serviços

Reorganização e adequação do Sistema de Segurança Interna

Aprovação de uma estratégia global de planeamento de meios

Definição de uma Estratégia Nacional de Prevenção e Combate à Criminalidade

Regulamentação da actividade de segurança privada

Reforço da formação e do aumento da capacidade técnica das FSS

Reforço da cooperação internacional

Bombeiros e Protecção Civil

Segurança do Euro 2004

Em matéria eleitoral

Definição de uma estratégia para a entrada e permanência de estrangeiros

Em matéria de Segurança Rodoviária

JUSTIÇA

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

Combate ao Atraso na Justiça e Melhoria do seu Funcionamento

Acesso à Justiça

Registos e Notariado

Investigação Criminal

Sistema Prisional e Reinserção Social

Modernização das Áreas de Administração da Justiça Vocacionadas para as Empresas

Cooperação Internacional

Medidas de Política a Concretizar em 2004

O XV Governo Constitucional assumiu o compromisso de, num quadro de incontornáveis dificuldades, quer a nível interno quer a nível internacional, recentrar a actuação do executivo numa tónica de rigor e disciplina, traduzidos na necessidade primordial de reduzir o défice do Sector Público Administrativo.

Neste sentido, não abdicando dos seus objectivos estratégicos fundamentais, o orçamento do Ministério da Justiça foi elaborado tendo presente a exigente conjuntura económica e financeira e a necessidade de contribuir para um esforço que é de todos.

Assim, são assumidos como propósitos firmes e concretos a prossecução de uma justiça mobilizada para o cidadão, ao seu serviço em todos os sectores, através de uma maior proximidade, flexibilização e agilização das estruturas.

Estes objectivos são prosseguidos mediante a adopção de grandes linhas de acção que passam necessariamente por uma maior mobilização e participação activa dos operadores judiciários, modernização do sistema jurídico e judiciário, humanização e modernização do sistema prisional com especial incidência na reinserção social, promoção do acesso à Justiça e ao Direito em condições de igualdade e celeridade para todos os cidadãos e por uma forte aposta na prevenção e investigação criminal.

Visando os mencionados objectivos estratégicos, o Ministério da Justiça afectará os seus recursos financeiros na concretização das seguintes medidas:

Sistema Judicial

Registo e Notariado

Serviços Prisionais e Reinserção Social

Investigação Criminal

Principais Investimentos em 2004

No domínio das infra-estruturas

. Tribunal Judicial de Silves;

. Tribunal Judicial de Vila Nova de Famalicão;

. Tribunal Judicial de Coimbra II;

. Tribunal Judicial de Gouveia;

. Tribunal Judicial de Ribeira Grande (Região Autónoma dos Açores);

. Tribunal Judicial do Nordeste (Região Autónoma dos Açores);

. Tribunal Judicial de Vila do Porto (Região Autónoma dos Açores);

. Tribunal Judicial de Vila Franca do Campo (Região Autónoma dos Açores);

. Instalação dos Tribunais em Ponta Delgada (Região Autónoma dos Açores);

. Tribunal Judicial de S. Vicente (Região Autónoma da Madeira);

. Tribunal Judicial de Sta. Cruz (Região Autónoma da Madeira);

. Tribunal Judicial de Ponte da Barca;

. Tribunal Judicial de Sátão;

. Obras de adaptação, remodelação, conservação e desenvolvimento de projectos para novos tribunais;

No domínio dos equipamentos dos serviços do Ministério da Justiça

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

A actuação do Governo na área da Administração Pública no ano de 2003 deu especial prioridade à preparação das reformas profundas da Administração Pública que foram apresentadas no Programa da Reforma da Administração Pública, que se irá desenvolver até final da legislatura.

De acordo com os princípios essenciais contidos neste Programa, o novo modelo de Administração Pública é orientado pelo primado da cidadania, capaz de servir o cidadão, de apresentar resultados, de mobilizar energias e capacidades, com uma nova cultura fundada na ética e no aprofundamento dos valores de serviço público, no incentivo ao desempenho individual e colectivo, na responsabilidade e na responsabilização, na definição de objectivos e subsequente avaliação dos seus resultados.

No ano de 2003, no quadro dos objectivos específicos determinados, foram concretizadas as seguintes medidas:

Organização do Estado e da Administração

Liderança e Responsabilidade

Mérito e Qualificação

Um dos aspectos mais sensíveis da reforma da Administração Pública é o que se liga com a instituição de mecanismos credíveis de avaliação, quer do desempenho individual dos funcionários, quer do desempenho global dos serviços. Foi nesta perspectiva que se procedeu à aprovação de um sistema integrado de avaliação do desempenho que envolve a avaliação individual dos funcionários, a avaliação dos dirigentes e a avaliação dos serviços e organismos.

Intensificou-se a política de formação profissional dos recursos humanos da Administração Pública, através do desenvolvimento das actividades do INA, com o lançamento de novos cursos adequados às necessidades específicas dos serviços e a organização do curso para Altos Dirigentes da Administração Pública.

Garantias aos Cidadão e Transparência da Administração

Medidas de Política a Concretizar em 2004

No desenvolvimento do Programa da Reforma da Administração Pública, aprovados que se encontram os principais instrumentos legais que a enformam, será prioridade do Governo proceder à aplicação, execução, acompanhamento e controlo do desenvolvimento das medidas de reforma aprovadas.

Sendo uma Reforma de natureza continuada e gradualista, será dada continuidade aos trabalhos de estudo, avaliação, reflexão e decisão sobre as matérias que serão objecto de concretização numa segunda fase do processo.

Organização do Estado e da Administração

A aplicação do diploma sobre a organização da Administração Directa do Estado determina a revisão das estruturas dos serviços, numa óptica de racionalização e simplificação dos circuitos de decisão e adequação das estruturas aos respectivos objectivos, com vista a uma prestação de serviço de qualidade aos cidadãos.

No desenvolvimento do diploma sobre a Lei-quadro dos Institutos Públicos irá proceder-se à revisão da situação dos institutos públicos existentes, num processo gradual de recondução da diversidade existente ao regime-quadro aprovado.

No enquadramento geral da Reforma irá proceder-se à identificação e avaliação das funções do Estado, tendo em vista a adequação da sua dimensão à exigência da qualidade devida e à correcta aplicação dos recursos disponíveis, na perspectiva do aumento da produtividade e de um contributo decisivo para melhorar a competitividade do país.

Liderança e Responsabilidade

Mérito e Qualificação

Garantias aos Cidadãos e Transparência da Administração

AUTONOMIA REGIONAL

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

O compromisso assumido pelo Governo de aprofundamento da Autonomia Regional tem sido cumprido.

O ano de 2003 demonstrou, de forma evidente, que o Governo considera, de facto, a autonomia regional como um direito das Regiões Autónomas e não como uma concessão do Estado.

O aperfeiçoamento dessa autonomia, num quadro de solidariedade, foi uma prioridade estabelecida e cumprida, ao longo do ano transacto.

Através da criação de mecanismos de coordenação e de acompanhamento permanente das matérias relativas às Regiões Autónomas, em colaboração estreita com os respectivos Governos Regionais, foi possível reforçar a Autonomia Regional, por via da análise das propostas formuladas pelos Governos das Regiões Autónomas, assegurando o empenho do Governo na satisfação, com carácter prioritário, das necessidades das populações regionais.

Esta dinamização das relações entre os Governos da República e Regional, em nome de um maior respeito pelas autonomias, permitiu uma resolução mais célere dos problemas que se colocaram e dos que permaneciam sem resposta, muitos dos quais há vários anos.

Procurou-se também salvaguardar, com seriedade e empenho, os interesses específicos das regiões ultraperiféricas no âmbito da União Europeia, defendendo o Governo esses interesses de forma inabalável, junto dos seus parceiros europeus.

Das acções concretas já concretizadas, cumpre destacar, entre outras, as seguintes:

Medidas de Política a Concretizar em 2004

As medidas e as orientações para o ano de 2004 continuarão a obedecer aos princípios definidos para toda a legislatura, mantendo-se portanto como inquestionável a defesa da autonomia regional e visando-se um aprofundamento dessa realidade.

Assim, continuará a verificar-se na actuação do Governo:

O rigor e o equilíbrio que se exigem em termos de execução orçamental continuam a ser factores fundamentais para assegurar condições para um crescimento sólido e sustentável do nosso País.

Naturalmente, tais exigências têm carácter nacional.

Por isso, o Governo da República sabe que conta com o esforço e empenho dos Governos Regionais na prossecução desse objectivo, que é de todos.

Contudo e sem prejuízo de eventuais restrições decorrentes do esforço de consolidação orçamental que a todas as autoridades públicas será exigido, o Governo pretende continuar a assegurar um conjunto de acções que contribuam para um maior grau de satisfação das necessidades das populações das Regiões Autónomas, a par de uma maior dinamização da economia regional.

Pelos custos específicos da ultraperiferia destas Regiões, o Governo continuará empenhado numa repartição favorável dos recursos nacionais, de modo a possibilitar um maior equilíbrio dos Açores e da Madeira com o resto de Portugal.

DESCENTRALIZAÇÃO

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

ADMINISTRAÇÃO LOCAL

Em execução do Programa do XV Governo foram tomadas diversas iniciativas baseadas na definição de uma Visão Estratégica para a Administração Local, a saber:

Desenvolvimento de Competências na Administração Local

Cooperação Técnica e Financeira

Informação Geográfica

Projectos estruturantes

Fundo Remanescente de Reconstrução do Chiado (FRRC)

Criação de Municípios e Freguesias

Medidas de Política e Investimentos a Concretizar em 2004

2.ª OPÇÃO - SANEAR AS FINANÇAS PÚBLICAS E DESENVOLVER A ECONOMIA

FINANÇAS PÚBLICAS

A consolidação orçamental vem sendo prosseguida pelo Governo, de forma persistente desde 2002, ainda que no quadro de uma conjuntura económica pouco favorável. Após o forte crescimento do endividamento das famílias e empresas na segunda metade da década de 90, vive-se agora um período de ajustamento da procura interna que se tem reflectido de forma positiva na redução do desequilíbrio externo da economia. Neste contexto, o crescimento económico de Portugal tem de se basear essencialmente nas exportações, pelo que as sucessivas revisões em baixa do crescimento económico da UE têm afectado negativamente o crescimento esperado da actividade económica nacional.

Em consequência, a receita fiscal será mais baixa do que o inicialmente previsto no Orçamento de Estado de 2003, bem como as contribuições sociais. Por outro lado, os gastos com subsídio de desemprego e outras formas de protecção social serão mais elevadas. Neste contexto, será necessário recorrer a medidas extraordinárias para conter o défice global das Administrações Públicas, de forma a não exceder o limite de 3%, previsto no Tratado da UE.

As políticas estruturais que permitirão a consolidação orçamental, de forma sustentada no futuro, têm estado a ser implementadas e vão continuar a sê-lo em 2004. Trata-se não só de reduzir a despesa, mas sobretudo de a racionalizar de forma a assegurar uma aplicação dos recursos mais eficiente.

Trata-se também de fazer uma aplicação efectiva da justiça fiscal, de forma a reduzir a evasão e criar condições para que possam ser reduzidos os impostos sobre as empresas e a poupança. A tributação sobre o património será menos gravosa, eliminando-se as distorções e desajustamentos do sistema actual e promovendo uma redistribuição mais justa e harmoniosa da carga fiscal. Redução da taxa de Imposto sobre as Pessoas Colectivas, contribuindo para a competitividade, para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego.

Receita

A acção governativa nesta área prossegue um conjunto de objectivos de que se destacam:

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

Medidas de carácter geral

Impostos sobre o Rendimento e sobre a Despesa

Reforma da Tributação do Património

Foram aprovadas em 2003 as seguintes opções estratégicas:

Outras medidas a concluir até final de 2003

Medidas contra a evasão e fraude fiscal

Medidas de Política a Concretizar em 2004

Medidas de carácter geral

Impostos sobre o Rendimento e sobre a Despesa

Reforma da Tributação do Património

No ano 2004 serão concluídas todas as medidas previstas no Plano estratégico de implementação da reforma dos impostos sobre o património, destinadas a garantir a eficácia da Reforma. Este Plano pressupõe uma profunda inovação e reengenharia nos métodos de gestão dos novos impostos e no controlo do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes. Serão adoptadas as seguintes medidas:

Medidas contra a evasão e fraude fiscal

Despesa

A política que vem sendo desenvolvida desde 2002 visa o controlo e redução da despesa, através da optimização da afectação de recursos, redução e simplificação de estruturas e aumento da eficácia e produtividade.

Algumas das medidas adoptadas visam contrariar o forte crescimento que se vinha verificando na despesa corrente, incompatível com os objectivos de consolidação orçamental. É neste contexto que se inserem as medidas de revisão das estruturas organizativas, suspensão de novas admissões e de promoção da mobilidade e reafectação dos recursos humanos existentes.

A reforma da Administração Pública em curso permitirá repensar a divisão entre as funções essenciais de soberania do Estado e outras funções que poderão ser desempenhadas com maior qualidade e eficácia através de parcerias com o sector privado. É objectivo final desta reforma construir uma Administração Pública que preste serviços de qualidade, e que seja alicerçada numa melhor gestão dos recursos humanos e técnicos. As políticas a desenvolver do lado da despesa pública, em 2004, estarão em sintonia com os princípios desta reforma. Os principais objectivos serão assegurar o controlo efectivo da despesa e desenvolver instrumentos que possibilitem uma melhor gestão, planeamento e racionalização da despesa pública.

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

Medidas de Política a Concretizar em 2004

Sector Empresarial do Estado

A evolução no último ano do Sector Empresarial do Estado, apesar da difícil conjuntura, mostra uma inversão da tendência de agravamento dos indicadores financeiros e operacionais da generalidade das empresas de capitais públicos.

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

Medidas de Política a Concretizar em 2004

PRIVATIZAÇÕES

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

2ª Fase reprivatização da PORTUCEL

Concretizando o estabelecido no Decreto-Lei nº 6/2003 de 15 de Janeiro, que estabeleceu a realização da 2ª fase do processo de reprivatização da PORTUCEL - Empresa Produtora de Pasta e Papel, S.A., através de dois segmentos, compreendendo um aumento de capital dessa sociedade, aberto a empresas do sector da pasta e do papel, mediante a emissão de acções representativas de um valor até 25% do capital social, calculado após o respectivo aumento, e a alienação, mediante venda directa, de até 115125000 acções representativas do capital da sociedade a um conjunto de instituições financeiras que ficam obrigadas a proceder à subsequente dispersão de acções junto de investidores institucionais, procedeu-se à realização dos seguintes actos:

2ª e 3ª Fase de privatização da Gescartão

Após a aprovação do Decreto-Lei n.º 19/2003, de 3 de Fevereiro o Governo deu início às 2.ª e 3.ª fases do processo de reprivatização da Gescartão através da aprovação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 17/2003, de 11 de Fevereiro.

Pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 17/2003 de 11 de Fevereiro, autorizou-se a PORTUCEL, SGPS, S.A. a alienar as acções representativas de 35% do capital social da Gescartão, mediante a realização de uma oferta pública de venda destinada, por um lado ao público em geral (25% do capital social) e por outro, a trabalhadores do Grupo Portucel, pequenos subscritores e emigrantes (10% do capital social).

Através da Resolução do Conselho de Ministros nº 28/2003, de 19 de Fevereiro, foram aprovadas as condições concretas de alienação das acções da Gescartão.

Tendo em consideração que se trata da primeira oferta pública de venda desde o final de 2001, e dada a difícil situação dos mercados de capitais, a operação traduziu-se num sucesso com a procura a exceder largamente a oferta em causa.

Privatização da ENATUR

No âmbito do Despacho conjunto n.º 201/2003 de 25 de Fevereiro de 2003 foi determinado a persecução da estratégia de alienação do capital social da ENATUR, em particular a participação detida pela Parpública.

O processo de selecção do parceiro privado para a exploração da rede Pousadas de Portugal pertencente à ENATUR e para a venda da participação de 37,6% do capital social da ENATUR, na posse da Parpública, é enquadrado na preocupação de garantir que o esforço de recuperação e manutenção do património será prosseguido.

No âmbito do processo de selecção de um parceiro privado que irá adquirir os referidos 37,6% do capital social da ENATUR e que ficará igualmente obrigado a subscrever um aumento de capital, que lhe conferirá no final da operação uma posição equivalente a 49% do capital social da empresa, procedeu-se ao início do concurso, tendo sido recebidas quatro propostas.

Medidas de Política a Concretizar em 2004

A diminuição do peso relativo do Estado no espectro económico é fundamental como forma de alterar as condicionantes estruturais que têm historicamente limitado o crescimento português.

Sendo certo, ainda, que a forma e o ritmo adequados varia para cada sector, atendendo a factores como o posicionamento das estruturas empresariais a privatizar em face dos concorrentes, o estado de desenvolvimento dos modelos de regulação dos mercados onde actuam as empresas, a valorização dos respectivos activos pelo mercado e, no limite, o plano estratégico de crescimento considerado pertinente para o país, o qual poderá implicar um favorecimento de determinados sectores considerados de maior valor acrescentado.

Do lado da actuação do Estado, enquanto accionista com intentos de privatizar, será necessária, em 2004, uma intensa coordenação entre a sua actuação como Regulador e a de transmitente de activos, pautada pela coerência entres estas duas vertentes indissociáveis.

Ainda no decurso de 2004, serão equacionadas algumas operações de privatização, assumindo especial importância empresas dos sectores da energia, ambiente, recursos naturais e transportes.

Nestes sectores a intervenção do Estado terá repercussões de montante a jusante no espectro empresarial das utilities ainda sob controlo estatal, sendo, nesse âmbito, de equacionar as privatizações de infra-estruturas como a Rede Eléctrica Nacional (REN), de redes de distribuição como a Transgás, e de estruturas empresariais como a Galp Energia, as Águas de Portugal e a TAP.

A prossecução destas operações envolve uma complexa ponderação de diversas componentes, nomeadamente, ao nível do enquadramento regulatório (REN e AdP), condicionante primordial para a consideração estratégica das operações incidentes sobre estruturas empresariais, e ao nível da maximização de valor associado à realização do desígnio de redução progressiva do peso do Estado na economia portuguesa.

No entanto, a evolução dos mercados e da conjuntura económica poderá condicionar a calendarização destas operações, evitando-se a realização das mesmas em momentos que obstem à maximização da receita a arrecadar, a boa integração do capital alienado a privados, de forma estável e em conformidade com objectivos estratégicos, e, em geral, ao sucesso de cada uma das operações.

Reorganização do sector energético

Tendo em consideração a importância vital do sector da energia nas economias de hoje, tanto ao nível da garantia e segurança do abastecimento nacional, aos requisitos de natureza ambiental e à sua influência na competitividade das regiões e das empresas e à luz do Programa do Governo, no que respeita aos objectivos definidos para a política energética portuguesa, aprovados através da Resolução do Conselho de Ministros n.º 63/2003, de 28 de Abril.

Este processo assenta fundamentalmente em três ideias principais, (1) combinar os negócios do gás e da electricidade, (2) integrar a REN e a Transgás numa empresa de infra-estruturas de transporte de energia, e, (3) posicionar a Galp no seu negócio tradicional, o petróleo.

3ª Fase de Reprivatização da GALP

Em conformidade com as linhas estratégicas definidas no âmbito da reestruturação do sector energético, aprovada através da Resolução do conselho de Ministros n.º 63/2003, de 28 de Abril, o Conselho de Ministros entendeu dar continuidade ao processo de reprivatização da GALP, aprovando a 3ª fase de reprivatização como um instrumento de execução imediata da estratégia acima referida.

MERCADO DE CAPITAIS

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2003

Em termos globais, a evolução do mercado bolsista português em 2002/2003 foi fortemente influenciada pelo fraco dinamismo da economia nacional e de muitos outros países estrangeiros, pela queda da poupança das famílias e o seu elevado endividamento bancário e, ainda que com um impacto de muito menor amplitude, pela ausência de um mercado de dívida privada.

Dando cumprimento ao previsto nas GOP para 2003, as entidades governamentais e as responsáveis pela supervisão implementaram medidas tendentes a contribuir, pela via administrativa, para aumentar a competitividade e a credibilidade do mercado de capitais nacional.

Entre as medidas legislativas adoptadas merecem especial destaque as seguintes:

No campo operacional, terminou o processo de integração da Euronext Lisbon na plataforma comum da Euronext NV, que integra as bolsas de Paris, Amesterdão, Bruxelas, Lisboa e a Liffe (bolsa londrina de derivados).

De referir, ainda, o início dos trabalhos tendentes a concretizar um conjunto de medidas apresentadas ao Governo e resultantes da análise elaborada por um grupo constituído por representantes da APB e da Euronext Lisbon tendo em vista a revitalização do mercado de capitais.

Medidas de Política a Concretizar em 2004

A capacidade de resposta dos sistemas financeiros às necessidades de financiamento da economia depende, em larga medida, da eficiência dos seus canais de captação/concessão de recursos, nomeadamente no âmbito do mercado de capitais.

Tal pressupõe, em particular, a existência de um leque diversificado de valores mobiliários e produtos de cobertura de risco e ambos os segmentos (primário e secundário) do mercado profundos, líquidos e transparentes. Em suma, impõe-se reforçar a competitividade do mercado de capitais.

Só, nestas circunstâncias, será possível promover a canalização do investimento nacional e estrangeiro para o financiamento da economia.

Com esse objectivo impõe-se a adopção de um conjunto coerente de medidas concebidas tendo como referência o desenvolvimento global e integrado do mercado de capitais nacional. Assim, prevê-se:

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