Lei n.º 55-A/2004 — Grandes Opções do Plano para 2005

Tipo Lei
Publicação 2004-12-30
Estado Em vigor
Texto Tal como publicado
Ministério Assembleia da República
Fonte DRE
artigos 5

Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.

Grandes Opções do Plano para 2005

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Medidas de Política a Concretizar em 2005

A exigência da competitividade na era da globalização coloca à comunidade académica, científica e empresarial acrescidos desafios, justificando o reforço e a continuada aposta no conhecimento.

Neste contexto, a ciência, o desenvolvimento tecnológico e a inovação assumem um papel fundamental, contribuindo para o aumento da riqueza do país e a melhoria da qualidade de vida dos seus cidadãos.

São condições indispensáveis à melhoria dos desempenhos da investigação, a ligação entre a ciência e a sociedade, o aumento da coesão nacional através da transferência do conhecimento entre regiões e a combinação das políticas nacionais e comunitárias no espaço europeu de investigação.

O sistema nacional de inovação deverá organizar-se em torno de lógicas de inovação em vários níveis de intervenção, articulando as estratégias empresariais, o sistema científico, as infra-estruturas tecnológicas, os serviços e políticas públicas, visando atingir os objectivos estratégicos definidos a nível nacional e europeu.

Uma actuação vigorosa na exploração do potencial resultante da convergência de actuações dos sistemas de ensino superior, ciência, tecnologia e inovação com o tecido produtivo, assegurará a dinamização dos factores chave da competitividade da nossa economia.

No quadro descrito, a acção que o Governo irá prosseguir terá como objectivo estratégico reforçar o papel da ciência, tecnologia e inovação na sociedade portuguesa. Este objectivo traduzir-se-á, fundamentalmente, na apresentação do Plano de Acção em Ciência e Inovação até 2010, que visa aumentar o investimento público em Investigação, Desenvolvimento e Inovação, desenvolver o ambiente facilitador para o investimento privado, aumentar os recursos humanos qualificados com especial ênfase das ciências e tecnologias e promover o emprego científico.

A concretização das políticas enunciadas far-se-á pelo desenvolvimento de medidas em torno dos seguintes eixos principais de actuação:

Aumento do investimento público em ciência e inovação

Com vista à reorganização do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, pretende-se:

Promoção de um ambiente facilitador para o investimento privado em ciência e inovação

Serão adoptadas as seguintes medidas tendo em vista estimular e dinamizar a participação de entidades privadas em actividades de ciência, desenvolvimento tecnológico e inovação:

Aumento e qualificação dos recursos humanos em ciência e inovação

Serão adoptadas as seguintes medidas:

Promoção do emprego científico

Na óptica do princípio da empregabilidade dos recursos humanos de ciência, tecnologia e inovação, considera-se decisivo promover o emprego científico através:

Estímulo da procura de inovação

É cada vez mais importante que o tecido económico contribua para o espírito de inovação empresarial na economia portuguesa, estimulando a participação das unidades de investigação, desenvolvimento e inovação no esforço de produtividade e crescimento da economia e no estabelecimento de um verdadeiro mercado do conhecimento, pelo que se considera crucial:

Introdução de novos processos organizacionais e metodologias científicas em todos os sectores da sociedade portuguesa.

Tendo por base levar a ciência, tecnologia e inovação a todos os vectores da sociedade portuguesa com vista à plena concretização de uma sociedade do conhecimento, o Governo privilegiará:

Reforço da coesão económica, social e territorial através da promoção do conhecimento de base regional e local

Reconhecendo-se ser essencial estimular a promoção do desenvolvimento regional e local, o Governo promoverá:

Promoção da internacionalização do sistema científico, tecnológico e de inovação

A internacionalização do sistema de ciência, tecnologia e inovação é fundamental para o desenvolvimento e potencialização do próprio sistema. Neste sentido, o Governo dinamizará a abertura do sistema nacional ao resto do mundo na promoção da qualidade e da excelência, através:

SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2004

Reafirmando o posicionamento transversal da Sociedade da Informação em termos do seu impacto no desenvolvimento económico e social em Portugal, o XVI Governo atribuiu a tutela política desta matéria ao Ministro de Estado e da Presidência, em conjunto com o Ministro das Finanças e da Administração Pública, no que concerne ao governo electrónico.

Para operacionalizar o conjunto de acções no domínio da Sociedade da Informação, o Governo criou, através da RCM 135/2002, de 20 de Novembro, a Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC), órgão responsável pela coordenação estratégica e operacional da política de desenvolvimento da Sociedade da Informação e Governo Electrónico em Portugal.

O ano de 2003 fica marcado pela aprovação, em Conselho de Ministros de 26 de Junho de 2003, dos documentos orientadores da política do XV Governo para esta área ao longo do período 2002-2006. Estes são documentos ambiciosos, apoiados na forte e empenhada colaboração de todos os Ministérios bem como do sector empresarial e da sociedade civil, actores directos do processo de desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal. No contexto desta aprovação, foram publicadas no Diário da República, no dia 12 de Agosto, as Resoluções de Conselho de Ministros que aprovaram os seguintes documentos:

Com a aprovação dos documentos referidos, a UMIC, em estreita articulação com entidades, públicas e privadas, iniciou os trabalhos em diversos projectos estruturantes em 2003, trabalhos que, conjuntamente com outros, preencherão o conjunto de esforços a desenvolver até ao final do ano de 2004, entre os quais se destacam:

CENTRO DE GESTÃO DA REDE INFORMÁTICA DO GOVERNO (CEGER)

O Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER), na sua área específica, e em relação à 3.ª Opção - Investir na Qualificação dos Portugueses, Sociedade da Informação levou a efeito em 2002-2004 o seguinte:

Objectivos centrais da política prosseguida na segunda fase:

Informar

Comunicar

Resultados Alcançados

Medidas de Política a Concretizar em 2005

Em 2005, os objectivos a atingir concretizam-se nos projectos abaixo elencados, organizados em 9 áreas de actuação que consubstanciam a política Governamental na área da Sociedade da Informação.

UMA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO PARA TODOS

NOVAS CAPACIDADES

SERVIÇOS PÚBLICOS ORIENTADOS PARA O CIDADÃO E AP MODERNA E EFICIENTE

NOVAS CAPACIDADES TECNOLÓGICAS E RACIONALIZAÇÃO DE CUSTOS DE COMUNICAÇÃO

GESTÃO EFICIENTE DE COMPRAS

MELHOR CIDADANIA

A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO TERRITÓRIO

I&D E INOVAÇÂO EM TIC

INSTITUCIONALIZAR A ÁREA DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÂO

Reforçar a capacidade operacional da UMIC e a sua evolução institucional, condição importante para a assegurar a dinamização, liderança e coordenação do vasto número de projectos e iniciativas do Programa de Acção para a Sociedade da Informação.

CENTRO DE GESTÃO DA REDE INFORMÁTICA DO GOVERNO (CEGER)

Em 2005 o CEGER tem previstas acções com vista a:

COMUNICAÇÃO SOCIAL

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2004

Nos últimos dois anos o Governo executou a maior reforma de sempre nos «media» do Estado, procurando também estabilizar o debilitado sector da comunicação social e promover diferentes entendimentos com os diferentes parceiros desta área.

Entre 2002 e 2004 o Governo cumpriu praticamente todos os pontos de um programa de quatro anos, que sumariamente se estruturava do seguinte modo:

Medidas de Política a Concretizar em 2005

Em 2005, o Governo, no quadro geral da comunicação social, promoverá a adopção das seguintes medidas:

JUVENTUDE

Apostar nos jovens, como protagonistas da modernização, da mudança de mentalidades e da recuperação do atraso estrutural do País, será sempre o vector-chave das novas políticas de juventude. Nesse sentido, são orientações de carácter geral:

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2004

Em 2003 foram dados os primeiros passos no sentido de iniciar a aplicação de uma política integrada e transversal para a Juventude, destacando-se:

Medidas de Política a Concretizar em 2005

Formação profissional e Acesso ao Emprego

As dificuldades da integração dos jovens na vida activa face à precariedade do trabalho jovem impõem a tomada de medidas prioritárias:

Ciências e Tecnologias de Informação

Participação Cívica

Associativismo Juvenil

Integração Social

Turismo e Mobilidade Juvenil

Justiça

Saúde

Habitação e Família

Ambiente e Cultura

Informação/Comunicação e Imagem

Tempos Livres

Dinamização dos programas de Ocupação de tempos livres no período de férias, estabelecendo parcerias com o Movimento Associativo, Autarquias Locais, Serviços da Administração Pública, Instituições Públicas e Privadas.

Cooperação Internacional

DESPORTO

Balanço da Execução das Medidas Previstas para 2002-2004

Na área do desporto, a execução de um conjunto muito considerável de medidas previstas para o biénio 2002/2004, permitiu o cumprimento de quatro principais prioridades, a saber:

Reestruturação da administração pública desportiva

Início do desenvolvimento da reforma do sistema legislativo

Foram elaborados e publicados os seguintes diplomas:

Arranque do processo de modernização e requalificação do Complexo Desportivo do Jamor

Aproveitando localização, acessibilidades e valências várias do Complexo Desportivo do Jamor, e possibilitando o reforço das acções de apoio ao desporto de alta competição e de incremento à prática desportiva em termos generalizados, foram adoptadas as seguintes medidas:

Rentabilização do EURO 2004, quer ao nível económico, social e mediático, quer no plano desportivo

No quadro do cumprimento integral dos compromissos anteriormente assumidos pelo Estado português, e no fito, conseguido, de realizar uma organização bem sucedida do evento, foram levadas a cabo as seguintes iniciativas:

O balanço da execução das medidas previstas para 2002/2004 não se esgota, naturalmente nas elencadas prioridades, antes incidindo igualmente nos seguintes vectores:

É o seguinte o balanço das medidas executadas:

Aquisição e continuidade de hábitos saudáveis de prática desportiva pelos cidadãos

Aumento da competitividade no plano internacional

Reforço da dimensão internacional do nosso desporto

Valorização da qualidade de intervenção dos recursos humanos

Satisfação das carências em matéria de instalações e equipamentos desportivos

Protecção da saúde dos praticantes

O Governo dotou o Centro Nacional de Medicina Desportiva com as capacidades técnica e científicas que se mostraram adequadas e indispensáveis quer à manutenção do reconhecimento pela Ordem dos Médicos, quer à prossecução das seguintes acções:

Afirmação e salvaguarda da ética desportiva

Medidas de Política a Concretizar em 2005

Para 2005 importa continuar a reforma do desenvolvimento desportivo com vista ao incremento dos hábitos de prática desportiva da população, através da efectivação de medidas de política de fomento da prática desportiva que assegurem a possibilidade a todos, sem excepção, de melhorarem a sua qualidade de vida e conquistarem o bem-estar social.

O desporto é um direito fundamental constitucionalmente protegido, o qual deve ser garantido a homens e mulheres; a crianças, adolescentes, jovens e adultos; à população do continente e das regiões autónomas; a nacionais e estrangeiros; a emigrantes e imigrantes; a cidadãos livres e a cidadãos privados de liberdade no meio prisional; a maiorias como a minorias; a cidadãos portadores e não portadores de deficiência.

A orientação do Governo respeita, por conseguinte, a Constituição, para além de dar cumprimento aos princípios consagrados na Lei de Bases do Desporto, nomeadamente da universalidade, não discriminação, solidariedade e equidade social.

Concomitantemente, constitui objectivo estratégico do Governo o progresso técnico e a melhoria da qualidade competitiva no plano internacional, respeitando a personalidade e a integridade física e moral dos praticantes desportivos.

Compreendendo a evolução da conjuntura, o Governo procurará traçar as suas políticas no quadro da estrutura, cumprindo o seu programa com um horizonte temporal alargado a três ciclos olímpicos, alheio aos ciclos eleitorais e a uma perspectiva meramente casuística, centrado, isso sim, numa abordagem de planeamento de actividades plurianual, isto é, a médio e longo prazo.

Na prossecução das suas políticas, o Governo procurará continuar a transição de uma linha política de desenvolvimento dirigido para um modelo de desenvolvimento assistido, na convicção de que cabe ao Estado, intervir apenas nos aspectos para os quais está vocacionado e desde que se demonstre a eficácia valorativa e comparativa da sua acção face a uma eventual acção da sociedade civil.

Neste contexto, em 2005 continuar-se-á o processo de crescente delegação de poderes públicos e de gestão de projectos operacionais, possibilitando uma autonomia efectiva, mas simultânea responsabilização, dos agentes desportivos institucionais.

Neste capítulo, uma vez mais, é preocupação do Governo dar cumprimento aos legalmente consagrados princípios da coordenação, participação e descentralização e, naturalmente, o princípio da intervenção pública do qual resulta que a intervenção dos poderes públicos no âmbito da política desportiva é complementar e subsidiária à dos corpos sociais intermédios públicos e privados que compõem o sistema desportivo.

Através da implementação de um método que permita valorizar o todo em detrimento da mera soma das partes - o Governo continuará a trabalhar em parceria com o movimento associativo desportivo, escolas e universidades, autarquias locais, empresas privadas e demais entidades que demonstrem possuir meios e vontade de produzir resultados concretos.

A lógica é de parceria e de complementaridade, maximizando esforços e recursos, que não de excessiva compartimentação. O rumo é de uma actuação concertada, sinérgica e comunicada entre os corpos sociais intermédios públicos e privados que compõem o sistema desportivo, que não de actuações sobrepostas ou paralelas.

As medidas de política a implementar terão ainda em mente a crescente constatação de que o desporto deixou de viver no seu «leito», para se inserir no âmbito das demais políticas. É essa, aliás, uma das principais matrizes do modelo de desporto europeu. Por conseguinte, urge levar a cabo uma abordagem multidisciplinar, sinérgica, horizontal, designadamente articulando o desporto com outros sectores de actividade quais sejam o ambiente, o turismo, a saúde, ou o desenvolvimento rural.

Na articulação com os demais sectores, 2005 é o ano propício para o Governo fomentar a articulação do desporto com a educação, a formação profissional e a juventude, não só pelo conteúdo do capítulo da ora aprovada Constituição Europeia que conjuga estes sectores, como também pelo facto de 2005 ser quer o momento do balanço do Ano Europeu da Educação pelo Desporto 2004, quer o Ano Internacional do Desporto e da Educação Física, no quadro das Nações Unidas.

As medidas a implementar assentarão, pois, a sua metodologia numa articulação do desporto com os restantes sectores sociais e económicos e numa coerência de conjunto entre o Estado e os demais corpos sociais intermédios públicos e privados que compõem o sistema desportivo, numa estratégia pró-activa que visa atingir toda a população, assim possibilitando que Portugal tenha mais pessoas, de todas as idades e de todos os grupos sociais, a praticar desporto.

Reestruturação da administração pública desportiva

Assegurado o cumprimento das principais medidas e investimentos, o Governo continuará, no quadro da Reforma da Administração Pública em curso, o processo iniciado em 2002 de desburocratização de métodos e formas de trabalho, aproximando o Instituto do Desporto de Portugal, quer nos serviços centrais quer nos serviços desconcentrados pelo país, de toda a população, ou seja dos cidadãos destinatários da política desportiva definida pelo Governo e executada pela administração pública desportiva.

Desenvolvimento da reforma do sistema legislativo

Traçadas as bases gerais da política desportiva nacional, cumpre doravante desenvolver as mesmas bases, designadamente incidindo nos seguintes domínios (apenas os 8 primeiros regimes constam do Programa de Governo):

Modernização e requalificação do Complexo Desportivo do Jamor

Na continuação de um processo ao qual o Governo, desde 2002, conferiu prioridade, procurar-se-á:

Aquisição e continuidade de hábitos saudáveis de prática desportiva pelos cidadãos

Na continuidade dos investimentos já iniciados em 2002, o Governo dará um enfoque especial aos seguintes investimentos:

Aumento da competitividade no plano internacional

Os principais investimentos a implementar são os seguintes:

Reforço da dimensão internacional do nosso desporto

O Governo e a administração pública desportiva, no âmbito do acompanhamento e prossecução das acções inerentes à execução da política internacional na área do desporto e respectivo posicionamento nacional, procurarão:

Valorização da qualidade de intervenção dos recursos humanos

Na continuidade dos investimentos já iniciados em 2002, o Governo dará um enfoque especial aos seguintes investimentos:

Modernização e desenvolvimento do parque de infra-estruturas desportivas (Satisfação das carências em matéria de instalações e equipamentos desportivos).

O Governo procurará dotar o país de Infra-estruturas de qualidade e com valor estético, consubstanciando soluções sóbrias e flexíveis, caracterizadas por uma variada capacidade de utilização e uma economia de todos os elementos, respondendo às diferentes procuras. Para tal, procurará implementar os seguintes investimentos:

No que concretamente respeita ao Complexo Desportivo de Lamego, o Governo:

Protecção da saúde dos praticantes

Com vista a continuar a aproximar a medicina ao praticante desportivo, urge continuar o processo de melhoria da qualidade e de rapidez do atendimento público por parte do Centro Nacional de Medicina Desportiva, no âmbito da respectiva actividade clínica, da actividade formativa e científica e ainda das consultas ao nível de exames médicos de rastreio; cardiologia; traumatologia e reabilitação; fisiologia do exercício; e pneumologia.

Neste contexto, procurar-se-á dotar o Centro Nacional de Medicina Desportiva, designadamente, de:

Em 2005 é igualmente intenção do Governo:

Afirmação e salvaguarda da ética desportiva

III. POLÍTICA DE INVESTIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL EM 2005

III.1. O PROGRAMA DE INVESTIMENTOS E DESPESAS DE DESENVOLVIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO CENTRAL (PIDDAC) para 2005.

1.

Na sequência do processo iniciado em 2004, em cumprimento ao estipulado na Lei 91/01, de 20 de Agosto, e no Decreto-Lei n.º 131/2003, de 28 de Junho, a despesa inscrita no Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento (PIDDAC) relativo a 2005 é orçamentada por programas, medidas e projectos, modelo de orçamentação que reflecte uma gestão pública por objectivos, que têm como base de partida as grandes linhas de política e as metas que o Governo se propõe atingir e por objectivo a racionalização do esforço de investimento da Administração Central e o pleno aproveitamento do financiamento comunitário.

Beneficiando da experiência recolhida ao longo de 2004 e das conclusões de um Grupo de Trabalho criado para acompanhar o início da aplicação da metodologia, no PIDDAC 2005 é utilizada uma nova grelha de programas e medidas para estruturar a despesa associada ao investimento inscrito em PIDDAC.

A programação definida procura conciliar o cumprimento rigoroso de uma trajectória de consolidação das contas públicas com a criação de um ambiente favorável ao crescimento económico e desenvolvimento do País, tendo como enquadramento a política económica e social definida pelo Governo, designadamente no que se refere ao aumento da competitividade e ao bem-estar dos Portugueses.

Para o efeito:

2.

A programação inscrita no Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central para 2005 envolve uma despesa global de 6724 milhões de euros, que representará 4,8% do Produto Interno Bruto, correspondendo a um acréscimo de cerca de 15% em relação ao valor inicial do PIDDAC 2004.

PIDDAC 2005

Financiamento total

(ver quadro no documento original)

Cerca de 60% do financiamento total afecto ao PIDDAC 2005 terá origem em recursos nacionais, correspondendo cerca de 64% destes ao Capítulo 50 do Orçamento do Estado - Receitas Gerais; o restante financiamento nacional afecto ao PIDDAC 2004 provem dos orçamentos privativos dos serviços e fundos autónomos. O financiamento comunitário (fundos estruturais e fundo de coesão) representará cerca de 40% do total.

(ver gráfico no documento original)

O financiamento nacional apresenta um crescimento mais rápido (cerca de 25%), em especial na componente Autofinanciamento das entidades associadas à construção de infraestruturas de transportes rodoviários e ferroviários (64%). O financiamento inscrito no Cap. 50 - Receitas Gerais aumentará cerca de 12%, reflectindo um esforço orçamental significativo.

O volume de financiamento comunitário previsto no âmbito do PIDDAC situar-se-á ligeiramente (- 1,8%) acima do verificado em 2004.

(ver gráfico no documento original)

É de salientar que, enquanto que o valor do financiamento através do Cap. 50 - Receitas Gerais constitui um valor máximo de financiamento a utilizar, os valores associados quer ao autofinanciamento, quer ao financiamento comunitário constituem previsões, susceptíveis de, eventualmente, virem a ser ultrapassadas.

Destacam-se, pela sua dimensão, os aumentos na programação das áreas da Ciência e Tecnologia, da Cultura, do Ambiente e das Cidades e da Justiça.

As despesas de investimento e desenvolvimento inscritas no PIDDAC 2005 contribuirão, assim, de modo significativo para a concretização das Grandes Opções de Política Económica e Social definidas pelo Governo.

De facto, de acordo com as orientações definidas, a programação inscrita nas áreas da defesa nacional, da política externa, da administração interna, da justiça e da administração pública contribuirá para a concretização da 1.ª Opção - Um Estado com autoridade, moderno e eficaz - absorvendo 7% do financiamento total afecto ao PIDDAC 2005.

Destaca-se, pelo volume de recursos financeiros que absorverá, (69% do total do financiamento do PIDDAC 2005), a programação que enquadrará intervenções que prosseguirão os objectivos associados à segunda vertente da 2.ª Grande Opção - Apostar no crescimento e garantir o rigor. De facto, os incentivos à modernização das empresas dos sectores produtivos (Agricultura, Pescas, Indústria, Comércio e Turismo) e a construção/modernização das grandes infra-estruturas de transportes, energia, comunicações de apoio à actividade produtiva e as intervenções no Mercado de Trabalho absorverão uma parcela muito significativa do financiamento disponível para o PIDDAC 2005, em coerência com o objectivo prioritário de aumentar a competitividade do tecido empresarial português, modernizando-o e proporcionando-lhe modernas infra-estruturas de enquadramento.

Para a concretização da 3.ª Opção - Reforçar a justiça social, garantir a igualdade de oportunidades - contribuirão as acções inscritas em PIDDAC designadamente nas áreas da saúde, segurança social, ordenamento do território e ambiente, cidades e desenvolvimento regional e habitação, às quais se destina 10% do financiamento total afecto ao PIDDAC 2004.

A programação inscrita nas áreas da cultura, do ensino, ciência e inovação, formação, comunicação social, sociedade da informação, juventude e desporto, a que corresponde 14% do financiamento total, dará um contributo relevante para a realização da 4.ª Opção - Investir na qualificação dos Portugueses.

(ver gráfico no documento original)

3.

A execução da despesa associada à programação inscrita no PIDDAC 2005 irá reflectirse na situação económica do País, designadamente ao nível da evolução das várias componentes da Despesa, em especial da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), do dinamismo de alguns dos sectores produtivos e do mercado de trabalho.

Assim, tendo em consideração a estrutura económica da despesa inscrita no âmbito do PIDDAC 2005, estima-se que os efeitos directos, indirectos e induzidos da sua execução representarão cerca de 4,2% do PIB gerado pela economia, contribuindo com 1/2 ponto percentual para o seu crescimento.

A variável da procura interna em que o impacto será mais elevado será a FBCF, em especial na componente Construção, cujos níveis serão superiores em 18% e 28% respectivamente, aos que ocorreriam na ausência do investimento inscrito no PIDDAC 2005.

Será nos sectores da Construção e Obras Públicas, Minerais não Metálicos e Actividades Informáticas e Conexas que se registarão os adicionais de Valor Acrescentado (VAB) mais significativos, respectivamente 24%, 12% e 10%.

A aceleração da procura interna decorrente da execução do PIDDAC reflectir-se-á no ritmo de crescimento das importações, cujo nível se situará 4,4% acima do cenário alternativo de ausência de PIDDAC.

Os efeitos directos, indirectos e induzidos que a execução da despesa programada no contexto do PIDDAC 2005 provocará na economia, terão associados cerca de 200 mil postos de trabalho.

4.

À programação cofinanciada que integra o QCA III corresponde 62% da programação total do PIDDAC; a programação cofinanciada por outros instrumentos comunitários representa cerca de 16% do financiamento total.

PIDDAC 2005

Financiamento total

(ver quadro no documento original)

Cerca de 54% do financiamento nacional total (Capítulo 50 - Outras fontes) destina-se a fazer face à contrapartida nacional aos fundos comunitários, destinando-se os restantes 46% a programação não co-financiada.

Assim, de acordo com as prioridades definidas pelo Governo, a programação cofinanciada absorve mais de três quartos do financiamento total afecto ao PIDDAC 2005, correspondendo a restante parcela a intervenções que não beneficiam de financiamento comunitário.

Da programação inscrita no PIDDAC 2005 destaca-se, absorvendo 18% do financiamento total, a que se insere no Eixo 3 do Quadro Comunitário de Apoio III, especialmente direccionada para as infra-estruturas de transporte e ambiente. Os apoios ao sector produtivo, inseridos no Eixo 2 do Quadro, apresenta peso ligeiramente inferior (17%). Ao Eixo 1, direccionado para a qualificação e o emprego dos Portugueses destina-se 11% do financiamento afecto ao PIDDAC 2005 e as intervenções a concretizar no contexto do Eixo 4, vocacionado para o desenvolvimento das regiões, absorverão 16% dos recursos financeiros inscritos.

(ver gráfico no documento original)

5.

O PIDDAC 2005 apresenta-se estruturado em 26 programas orçamentais, 67 medidas, 2215 projectos e 2997 subprojectos.

Onze programas orçamentais (Sociedade da Informação e Governo Electrónico, Investigação Científica e Tecnológica, Formação Profissional, Justiça, Ensino Básico e Secundário, Saúde, Desenvolvimento Local, Urbano e regional, Ambiente e Recursos Naturais, Cultura, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Transportes e Modernização e Internacionalização da Economia) apresentam individualmente uma despesa igual ou superior a 100 milhões de euros em 2005.

PIDDAC 2005

PROGRAMAS ORÇAMENTAIS

Dimensão financeira

(ver quadro no documento original)

Apenas quatro destes programas (Transportes, Modernização e Internacionalização da Economia, Agricultura e Sociedade da Informação e Governo Electrónico) perfazem um investimento correspondente a cerca de 72% do total do PIDDAC 2005.

(ver gráfico no documento original)

O programa orçamental Transportes é o de maior relevância financeira, envolvendo um montante de despesa superior a 2750 milhões de euros (42% do total do PIDDAC). Seguem-se em importância, com um investimento de cerca de 900 milhões de euros, o Programa Modernização e Internacionalização da Economia (14% do total do PIDDAC), o Programa Agricultura (11%). Destacam-se ainda os programas Sociedade da Informação e Governo Electrónico, com 6% e Investigação Científica e Tecnológica, com 4,5%.

(ver gráfico no documento original)

Nos programas Modernização e Internacionalização da Economia, Gestão e Controlo do QCA, Pescas, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Serviços e Equipamentos Sociais e Saúde, o peso do financiamento Comunitário ultrapassa 50%.

PIDDAC 2005

PROGRAMAS ORÇAMENTAIS

Peso do financiamento comunitário

(ver quadro no documento original)

PIDDAC 2005

(ver quadro no documento original)

6.

Os fundos estruturais constituem financiamento relevante em especial no que se refere ao investimento executado no âmbito dos ministérios directamente relacionados com a execução da programação do QCA III, destacando-se em especial os associados aos incentivos ao sector produtivo.

PIDDAC 2005

MINISTÉRIOS

Peso do financiamento comunitário

(ver quadro no documento original)

De facto, do total de financiamento comunitário previsto no âmbito do PIDDAC 2005, 46% beneficiarão intervenções a executar pelos Ministérios das Actividades Económicas e do Trabalho e da Agricultura, Pescas e Florestas; salienta-se ainda o volume de fundos comunitários subjacente à programação dos Ministérios das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (29%) e da Ciência, Investigação e Ensino Superior (5%).

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