Decreto-Lei n.º 265/72 — Regulamento Geral das Capitanias
Aprova o Regulamento Geral das Capitanias
O porto de registo é inscrito à popa, por baixo do nome.
Artigo 114.º — Inscrições a usar pelas embarcações de pesca local e costeira
As embarcações de pesca local e costeira usam as seguintes inscrições:
Conjunto de identificação;
Nome;
Porto de registo;
Escalas de calados.
O conjunto de identificação, nome e porto de registo são inscritos nas mesmas condições dos n.os 2, 3 e 4 do artigo anterior e as escalas de calados conforme determina o artigo 111.º
As embarcações de pesca local e costeira de arqueação bruta igual ou inferior a 20 t têm apenas as inscrições das alíneas a) e b) do n.º 1.
As embarcações utilizadas na apanha de plantas marinhas com equipamentos de mergulho autónomo e semi-autónomo são pintadas nas obras mortas de cor amarela e têm no costado, a um e outro bordo, as palavras «apanha submarina de algas».
Artigo 115.º — Inscrições a usar pelas restantes embarcações
As embarcações de passageiros de trafego local, de navegação costeira de arqueação bruta superior a 20 t, de cabotagem e longo curso, de pesca do largo e os rebocadores e embarcações auxiliares costeiros de arqueação bruta superior a 20 t e os do alto usam as seguintes inscrições:
Número de registo, para as embarcações de navegação costeira, cabotagem e longo curso, ou conjunto de identificação, para as restantes;
As restantes inscrições referidas no n.º 2 do artigo 110.º
O número de registo ou o conjunto de identificação são inscritos no interior da embarcação, em local apropriado, excepto nas embarcações de passageiros de tráfego local e de pesca do largo, em que são inscritos nas amuras, de ambos os bordos, junto à borda.
O nome é inscrito:
No costado, à proa, junto à borda e de cada lado;
À popa.
O porto de registo é inscrito à popa por baixo do nome.
A arqueação bruta e líquida é inscrita no vau mestre ou noutro local apropriado designado pelo perito arqueador e indicado no certificado de arqueação.
As dificuldades que possam surgir na marcação das inscrições nos termos deste artigo são resolvidas, caso por caso, pela D. M. M.
Artigo 116.º — Embarcações de vela
As embarcações de tráfego local e auxiliares locais e as de navegação costeira, de pesca ou auxiliares costeiras, de arqueação bruta igual ou inferior a 20 t, quando sejam de vela, devem ter marcado nas velas o número de registo ou o conjunto de identificação, conforme os casos.
Artigo 117.º — Penalidades pelo não cumprimento das disposições relativas às inscrições a fazer nas embarcações
O comandante, mestre, arrais ou patrão que não mantenha as inscrições feitas na embarcação nas condições legalmente determinadas incorre nas multas previstas para as infracções às disposições sobre segurança da navegação, sendo a embarcação apreendida até serem corrigidas as insuficiências ou irregularidades.
Não são abrangidas pelo disposto nos números anteriores as pessoas que alterem as marcas de uma embarcação:
Para escapar ao inimigo ou por outros motivos de força maior, devidamente comprovados perante a autoridade marítima;
Em consequência de trabalhos na estrutura da embarcação que obriguem, de facto, a essas modificações, enquanto durarem esses trabalhos.
Artigo 118.º — Embarcações que podem ser isentas de marcar as inscrições
As embarcações de pilotos e as de propriedade do Estado que não se destinem ao transporte de carga ou passageiros nem necessitem de passaporte e ainda todas as embarcações isentas de registo estão dispensadas das prescrições dos artigos 112.º a 116.º
O Ministro da Marinha poderá autorizar a dispensa de algumas das prescrições dos artigos 112.º a 116.º
Capítulo VII — Bandeira e papéis de bordo
Artigo 119.º — Meios de prova da nacionalidade das embarcações
Os meios de prova tanto da nacionalidade das embarcações, não pertencentes à Armada, e da carga como do destino e regularidade da viagem, quer em águas nacionais ou estrangeiras, quer no alto mar, são:
A bandeira;
Os papéis de bordo.
A nacionalidade da embarcação não implica a da carga, quando esta não seja devidamente provada.
São indispensáveis para prova da nacionalidade das embarcações, podendo na sua falta resultar ser a embarcação considerada boa presa:
Título de propriedade;
(Revogada.)
Rol de matrícula.
As embarcações de recreio ficam sujeitas ao disposto neste capítulo, sem prejuízo do que constar da respectiva legislação.
Artigo 120.º — Uso da bandeira da nacionalidade e de outras bandeiras e distintivos
Sem prejuízo do preceituado no C. P. D. M. M., as embarcações têm direito ao uso da bandeira como indicação da sua nacionalidade, nas seguintes condições:
Da bandeira portuguesa, se estiverem registados numa repartição marítima ou, sendo de recreio, nos termos estabelecidos em diploma especial;
Da bandeira de Estado membro da União Europeia ou do espaço económico europeu ou de país terceiro, na medida em que tal direito lhes seja conferido pela ordem jurídica desse país, nomeadamente em virtude de registo, e desde que possuam documentação que o comprove, a qual devem apresentar às autoridades marítimas nacionais sempre que estas o exigirem.
Relativamente ao uso de bandeira indicativa da nacionalidade pelas embarcações deve ter-se em atenção o seguinte:
As embarcações de tráfego e pesca locais e rebocadores e embarcações auxiliares locais não podem usar bandeira que não seja a portuguesa;
Aos estrangeiros residentes na metrópole é permitido possuir embarcações de recreio fazendo uso da bandeira da respectiva nacionalidade, desde que possuam documentos comprovativos de que estão legalmente registadas em país estrangeiro ou em clubes náuticos, legalmente autorizados, dos respectivos países, ficando os proprietários sujeitos à legislação aplicável às embarcações nacionais do mesmo tipo.
Sempre que demandem um porto nacional, e nele entrem ou saiam:
As embarcações mercantes nacionais, com excepção das de tráfego local, de pesca local ou costeira e dos rebocadores e embarcações auxiliares locais ou costeiros, devem içar, obrigatòriamente, a bandeira portuguesa e o distintivo da empresa armadora e também, quando avisadas de estarem à vista de uma estação de contrôle de navegação, o seu distintivo do Código Internacional de Sinais (C. I. S.);
As embarcações estrangeiras devem içar, obrigatòriamente, a bandeira da sua nacionalidade, para o que serão avisadas pelos pilotos do porto.
Logo que entrem em águas jurisdicionais portuguesas e enquanto nelas permanecerem, especialmente nos portos, as embarcações nacionais e estrangeiras apenas podem ter içados:
A bandeira da sua nacionalidade;
As bandeiras e outros sinais previstos no C. I. S. e no Regulamento para Evitar Abalroamentos no Mar;
O distintivo da empresa armadora;
A bandeira portuguesa, quando se trate de embarcações estrangeiras.
As embarcações miúdas pertencentes a outras embarcações podem usar nos portos, à popa, a bandeira da nacionalidade da embarcação principal.
Os distintivos das empresas armadoras nacionais são aprovados e registados na D. M. M.
A flâmula nacional é distintivo privativo das embarcações do Estado ou em serviço do Estado, comandadas por oficiais da Armada; o jaque nacional é distintivo privativo dos navios da Armada.
As transgressões ao disposto neste artigo serão punidas de acordo com o estabelecido em portaria do Ministro da Marinha.
Artigo 121.º — Papéis de bordo
São papéis de bordo os seguintes documentos:
Título de propriedade;
(Revogada.)
Rol de matrícula;
Certificado de navegabilidade;
Certificados de segurança da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (C. I. S. V. H. M.);
Certificado internacional das linhas de carga ou certificado das linhas de água carregada;
Impresso para informação das condições em que foi feito o carregamento;
(Revogada.)
(Revogada.)
Certificados e outros documentos do R. I. M.;
Certificado de prova dos aparelhos de carga e descarga;
Certificado de compensação de agulhas;
Diário da navegação;
Diário das máquinas;
Certificado de arqueação;
Lista de passageiros;
Certificado de lotação de passageiros;
Livro de registo de óleos;
Desembaraço da autoridade marítima;
Alvará de saída;
Desembaraço da autoridade sanitária;
Outros documentos exigidos por lei, nomeadamente:
1) Conhecimentos e fretamentos;
2) Manifesto de carga.
As embarcações de pesca necessitam ainda de:
Licença de pesca;
Certificado de características das redes, quando aplicável.
Todas as embarcações devem ter a bordo exemplares dos seguintes diplomas legais:
C. C. e Regulamento do Registo Comercial (R. R. C.);
C. P. D. M. M.;
R. I. M.;
C. I. S. da edição, em vigor, do Ministério da Marinha;
Regulamento Geral das Capitanias (R. G. C.).
Não carecem de possuir os diplomas referidos no número anterior as embarcações seguintes:
De tráfego e pesca locais e de navegação costeira nacional de arqueação bruta inferior a 20 t, todos eles;
De pesca costeira, todos, com excepção do C. I. S. para as de arrasto;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros, todos, com excepção do C. I. S.
As embarcações de propriedade do Estado, com excepção das pertencentes à Armada e sem prejuízo do estabelecido no n.º 7 deste artigo e no R. I. M., têm os mesmos papéis de bordo e diplomas legais que as embarcações particulares de igual classificação.
São dispensados os papéis de bordo relativos a passageiros e carga quando esta e aqueles não tenham sido embarcados.
O Ministro da Marinha, por portaria, pode:
Estabelecer a obrigatoriedade da existência a bordo de outros documentos ou eliminar algum ou alguns dos indicados neste capítulo para todas as embarcações ou para determinados tipos, desde que não sejam exigidos por acordos internacionais a que Portugal tenha aderido ou por legislação própria;
Isentar as embarcações do Estado de possuírem algum ou alguns dos documentos referidos no n.º 5.
Artigo 122.º — Título de propriedade
O título de propriedade é o certificado do registo de propriedade da embarcação.
O título de propriedade é emitido nos seguintes casos:
Primeiro registo definitivo;
Reforma de registo;
Transferência de registo.
Nos casos de alterações de registo por simples averbamento são também averbadas essas alterações ao título de propriedade.
Do título de propriedade devem constar os seguintes elementos:
Nome do proprietário ou proprietários;
Número de registo ou conjunto de identificação;
Nome da embarcação;
Classificação da embarcação;
Arqueação e dimensões de sinal;
Distintivo visual e radiotelegráfico (indicativo de chamada), se a embarcação o tiver;
Sistema de propulsão, devidamente identificado, e, tratando-se de veleiros, designação do aparelho respectivo.
O modelo do título de propriedade será fixado por portaria do Ministro da Marinha.
No caso de extravio ou inutilização do título de propriedade, deve ser passada, com ressalva, segunda via, a requerimento do proprietário, o qual deve assinar termo de responsabilidade na repartição marítima do porto de registo.
Só podem extrair-se certidões, públicas-formas ou fotocópias do título de propriedade para fins admitidos por lei, devendo nelas consignar-se que só são válidas para os fins a que se destinam.
Artigo 123.º — Passaporte de embarcação
O passaporte de embarcação é o documento passado pela D. G. S. F. M. e assinado pelo respectivo director-geral, que certifica a nacionalidade portuguesa de uma embarcação que se destine a viagens internacionais.
O modelo de passaporte e as necessárias disposições relativas à sua emissão, nomeadamente as importâncias a cobrar, são fixadas em portaria do Ministro da Marinha.
São dispensadas de passaporte, excepto se eventualmente forem autorizadas a fazer viagens a portos estrangeiros, as embarcações seguintes:
De tráfego local;
De navegação costeira nacional;
De pesca local;
De pesca costeira, excepto de arrasto costeira;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais;
Rebocadores e embarcações auxiliares costeiros.
Artigo 124.º — Concessão de passaporte
O proprietário de uma embarcação, depois de recebido o título de propriedade e satisfeito o disposto no n.º 3 do artigo 72.º, deve apresentar o referido título na D. G. S. F. M., se a embarcação necessitar de passaporte, a fim de este lhe ser concedido.
O passaporte das embarcações do Estado, uma vez obtido o título de propriedade, é requerido pelo serviço interessado na D. G. S. F. M., quando seja necessário em razão da área onde a embarcação vai exercer a sua actividade.
Artigo 125.º — Reforma de passaporte
O passaporte é reformado quando:
Se inutilize ou se torne ilegível;
Seja feito novo registo;
Seja alterada a arqueação em termos de obrigar a imposto de selo mais elevado;
Haja mudança de nome da embarcação;
Não possa conter mais anotações.
Artigo 126.º — Passaporte provisório
Carece de passaporte provisório, válido apenas para a viagem do porto de aquisição ou construção para o de venda ou de registo, excepto se ela se realizar dentro das áreas de navegação costeira nacional, a embarcação que, não tendo passaporte nacional, for:
Adquirida ou construída no estrangeiro;
Adquirida ou construída na metrópole para ser vendida ou registada noutro porto da metrópole ou das províncias ultramarinas.
O passaporte provisório é passado pela:
Autoridade consular portuguesa, no caso da alínea a) do n.º 1;
Capitania do porto onde a embarcação foi construída ou adquirida, no caso da alínea b) do n.º 1.
É condição indispensável para se emitir o passaporte provisório que a embarcação tenha sido identificada e arqueada segundo a legislação em vigor e vistoriada para se apurar que está em condições de empreender a viagem.
Artigo 127.º — Rol de matrícula
O rol de matrícula de uma embarcação é a relação nominal oficial de todos os indivíduos que constituem a sua tripulação.
O rol de matrícula é elaborado pelas autoridades marítimas nos termos das disposições do R. I. M.
São dispensadas do rol de matrícula:
As embarcações pertencentes ao Estado, nos termos previstos no R. I. M.;
As embarcações de tráfego local que pelos respectivos regulamentos dele estejam isentas.
Artigo 128.º — Certificado de navegabilidade
O certificado de navegabilidade é o documento passado de acordo com as disposições da legislação nacional sobre segurança da navegação e sua fiscalização que prova terem as embarcações as condições necessárias para navegar.
2 - O certificado de navegabilidade é dispensado para as embarcações de comércio abaixo indicadas, desde que providas dos certificados de segurança passados nos termos da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (CISVHM):
Embarcações de passageiros;
Embarcações de carga com uma arqueação bruta igual ou superior a 500 t.
Do certificado de navegabilidade das embarcações de tráfego local e rebocadores e embarcações auxiliares locais ou costeiros deve constar a lotação de tripulantes e, quando for caso disso, a lotação de passageiros.
São dispensadas do certificado referido no n.º 1 as embarcações de:
Pesca local;
Pesca costeira, desprovidas de propulsão mecânica.
Artigo 129.º — Certificados de navegabilidade provisórios e especiais
Sem prejuízo das disposições impostas por convenções internacionais em vigor, as autoridades consulares portuguesas podem, depois de se verificar, mediante vistoria, que satisfazem às condições indispensáveis para a viagem, passar certificados de navegabilidade provisórios às embarcações:
Adquiridas ou construídas no estrangeiro, para a sua viagem até ao porto onde façam o seu registo;
Que se encontrem no estrangeiro e estejam impossibilitadas de renovar o seu certificado de navegabilidade dentro do prazo de validade indicado.
Aos certificados referidos no número anterior deve ser apensa a certidão do termo de vistoria, e os que forem passados para os efeitos da alínea b) não poderão ter validade superior a noventa dias a contar da data da vistoria.
Sem prejuízo das disposições impostas por convenções internacionais em vigor, os capitães de portos ou as autoridades consulares portuguesas, conforme os casos, podem conceder certificados de navegabilidade especiais às embarcações para uma determinada viagem, depois de vistoria que prove estar a embarcação em condições de realizar a viagem.
As embarcações de tráfego local que não sejam de passageiros e de pesca local que tenham de ir reparar a um porto diferente do de registo devem munir-se de certificado de navegabilidade especial.
Os certificados de navegabilidade definitivos, provisórios e especiais, são de modelo aprovado por portaria do Ministro da Marinha.
Artigo 130.º — Certificados de segurança da C. I. S. V. H. M.
Os certificados de segurança da C. I. S. V. H. M. são:
De navio de passageiros;
De construção de navio de carga;
Do equipamento de navio de carga;
Da radiotelefonia de navio de carga;
Da radiotelegrafia de navio de carga;
De navio nuclear de passageiros;
De navio nuclear de carga;
Certificado de dispensa.
Os certificados referidos no número anterior são passados, nos termos e nas condições previstas na referida Convenção, às embarcações abrangidas pelas disposições da mesma Convenção e da respectiva lei que a integrou em direito interno.
São dispensadas dos certificados referidos neste artigo as embarcações:
De tráfego local;
De pesca;
Desprovidas de propulsão mecânica;
De carga de menos de 500 t de arqueação bruta;
De recreio;
De madeira, de construção primitiva;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros.
Artigo 131.º — Certificados internacionais das linhas de carga e de isenção do bordo livre
O certificado internacional das linhas de carga é o documento passado às embarcações que tenham sido vistoriadas e marcadas nos termos das convenções internacionais sobre a matéria.
Às embarcações sujeitas às convenções internacionais referidas no número anterior a que, ao abrigo das mesmas convenções, seja concedida determinada isenção será passado um certificado internacional de isenção do bordo livre.
São dispensadas dos certificados referidos neste artigo as embarcações seguintes:
Embarcações novas de comprimento inferior a 24 m;
Embarcações existentes com arqueação bruta inferior a 150 t;
Embarcações de pesca;
Embarcações de recreio;
Outras embarcações isentas pela D. G. S. F. M.
Artigo 132.º — Certificado das linhas de água carregada
O certificado das linhas de água carregada é o documento passado às embarcações que tenham sido vistoriadas e marcadas nos termos das disposições legais sobre linhas de carga nacionais.
São dispensadas do certificado referido no número anterior as embarcações seguintes:
Sujeitas aos certificados internacionais referidos no artigo anterior;
De carga pertencentes ao tráfego local ou à navegação costeira nacional, de tonelagem bruta não superior a 50 t;
De pesca local ou costeira;
Rebocadores e embarcações auxiliares, desde que não sejam empregados no transporte de carga;
De recreio;
De pilotos;
Outras embarcações isentas por portaria do Ministro da Marinha.
Artigo 133.º — Impresso para informação das condições em que foi feito o carregamento
O impresso para informação das condições em que foi feito o carregamento é um documento das embarcações de comércio contendo as indicações relativas ao carregamento prescritas em diploma próprio.
São dispensadas do impresso referido no número anterior as embarcações de tráfego local e de navegação costeira nacional.
Ao impresso referido neste artigo aplicam-se as disposições constantes da legislação sobre linhas de carga nacionais.
Artigo 134.º — Certificado de inspecção dos meios de salvação
O certificado de inspecção dos meios de salvação é o documento passado às embarcações que possuam, em boas condições de funcionamento, os meios de salvação exigidos pelas convenções internacionais e pela legislação nacional.
O certificado referido no número anterior não é exigível às embarcações que possuam certificados de segurança da C. I. S. V. H. M. e às que são dispensadas de certificado de navegabilidade.
Artigo 135.º — Certificados e outros documentos do R. S. R. E.
Os certificados e outros documentos que, pelo R. S. R. E., devem existir a bordo são:
Embarcações equipadas com qualquer aparelhagem eléctrica ou radioeléctrica de comunicações ou auxiliar de navegação:
1) Licença de estação;
2) Certificados de aprovação dos equipamentos;
Embarcações dotadas de instalação radiotelegráfica:
1) Diário do serviço radiotelegráfico;
2) Lista alfabética de indicativos de chamada de estações utilizadas no serviço móvel marítimo;
3) Nomenclatura das estações costeiras;
4) Nomenclatura das estações de embarcação;
5) Nomenclatura das estações de radiolocalização e das estações efectuando serviços especiais;
6) Regulamento das Radiocomunicações (R. R.) e Regulamento Adicional das Radiocomunicações (R. A. R.) e disposições da C. I. S. V. H. M. relativas ao serviço das radiocomunicações a bordo das embarcações;
7) Tarifas telegráficas dos países para os quais a estação aceita mais frequentemente radiotelegramas;
8) Regulamento Radiotelegráfico;
9) Instruções de serviço em vigor publicadas e distribuídas pela D. S. E. C.;
10) Certificados dos operadores;
Embarcações dotadas de instalação radiotelefónica:
1) Diário do serviço radiotelefónico;
2) Lista das estações costeiras com as quais as embarcações são susceptíveis de entrar em comunicação;
3) Disposições do R. R. e do R. A. R. aplicáveis ao serviço móvel marítimo radiotelefónico;
4) Instruções de serviço em vigor publicadas e distribuídas pela D. S. E. C.;
5) Certificados dos operadores;
Embarcações equipadas com radiogoniómetro:
1) Tabela de calibração;
2) Nomenclatura das estações de radiolocalização e das estações efectuando serviços especiais.
As embarcações de menos de 300 t de arqueação bruta que possuam instalação radiotelefónica são dispensadas dos documentos indicados nos n.os 1), 2) e 3) da alínea c) do número anterior.
Os certificados e outros documentos referidos neste artigo estão sujeitos às disposições do R. S. R. E.
Artigo 136.º — Certificados e outros documentos do R. I. M.
Os certificados e outros documentos que, pelo R. I. M., devem existir a bordo são, além do rol de matrícula:
Cédulas marítimas do pessoal da tripulação;
Licenças para embarque de indivíduos não classificados como marítimos que, a titulo transitório, tenham de exercer a bordo determinadas funções;
Certificado de lotação para a tripulação.
Os certificados e outros documentos referidos neste artigo estão sujeitos às disposições do Regulamento referido no número anterior.
Sem prejuízo do disposto no n.º 3 do artigo 128.º, são dispensadas do certificado de lotação para a tripulação as embarcações seguintes:
De tráfego local;
De pesca local;
De pesca costeira, desprovidas de propulsão mecânica;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros.
Artigo 137.º — Certificado de prova dos aparelhos de carga e descarga
O certificado de prova dos aparelhos de carga e descarga é o documento passado às embarcações que tenham sido consideradas por vistoria nas condições exigidas pela legislação em vigor.
São dispensadas do certificado referido no número anterior as embarcações seguintes:
De tráfego local;
De pesca, com excepção das de pesca do largo;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros;
Quaisquer outras embarcações que não possuam aparelhos de carga e descarga.
Artigo 138.º — Certificado de compensação de agulhas
O certificado de compensação de agulhas é o documento passado, nos termos do Regulamento do Serviço de Cartas, Publicações e Instrumentos Náuticos de que Devem Ser Munidas as Embarcações Mercantes, de Pesca e de Recreio, às embarcações cujas agulhas magnéticas tenham sido vistoriadas e compensadas de acordo com o mesmo Regulamento.
Artigo 139.º — Diário da navegação
O diário da navegação é o livro de bordo onde se registam obrigatòriamente todos os elementos e factos respeitantes à navegação da embarcação, bem como outros elementos, factos e ocorrências que, pela sua importância ou por determinação legal, nele devam ser registados.
Não carecem de diário da navegação as embarcações seguintes:
De tráfego local;
De navegação costeira nacional, quando tenham arqueação bruta inferior a 20 t;
De pesca local e costeira;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros, quando a sua actividade estiver obrigatòriamente limitada às áreas que correspondem à navegação costeira nacional.
Em embarcações cuja navegação seja controlada e registada por computadores pode a D. G. S. F. M. autorizar que o diário da navegação seja substituído por esse registo.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 140.º — Diário das máquinas
O diário das máquinas é o livro de bordo onde se registam obrigatòriamente todos os elementos e factos relativos ao funcionamento do aparelho de propulsão e respectivos auxiliares, bem como outros elementos, factos e ocorrências a eles respeitantes que, pela sua importância ou por determinação legal, devam ser registados.
Não carecem de diário das máquinas as embarcações referidas no n.º 2 do artigo anterior.
Em embarcações cujo funcionamento é controlado e registado por computadores pode a D. M. M. autorizar que o diário das máquinas seja substituído por esse registo.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 141.º — Certificado de arqueação
O certificado de arqueação é o documento comprovativo de que a embarcação foi arqueada nos termos da legislação em vigor e onde se indicam os valores dessa arqueação.
O certificado de arqueação é passado nos termos do disposto no artigo 69.º
Artigo 142.º — Lista de passageiros
A lista de passageiros é a relação nominal oficial de todos os indivíduos que, em cada viagem, embarquem como passageiros.
São dispensadas da lista referida no número anterior as embarcações de passageiros pertencentes ao tráfego local.
Artigo 143.º — Lotação de passageiros
A lotação de passageiros é o documento passado às embarcações de passageiros no qual se certifica o número de indivíduos que a embarcação pode transportar como passageiros.
As embarcações de passageiros de tráfego local são dispensadas do documento referido neste artigo, sem prejuízo do disposto no n.º 3 do artigo 128.º, mas a lotação de passageiros deve ser afixada em local bem visível da embarcação.
Artigo 144.º — Livro de registo de óleos
O livro de registo de óleos que as embarcações mercantes nacionais devem possuir a bordo é de modelo a aprovar por portaria do Ministro da Marinha e é escriturado quando se verificar qualquer dos seguintes casos:
Nas embarcações-tanques:
1) Lastro e descarga de águas de lastro dos tanques de carga;
2) Limpeza dos tanques de carga;
3) Decantação nos tanques de resíduos e descarga da água;
4) Descarga de resíduos oleosos dos tanques de resíduos e de outras origens;
5) Descarga ou fuga acidental de óleos;
Nas outras embarcações:
1) Lastro ou limpeza, durante a viagem, dos tanques de combustível;
2) Descarga de resíduos oleosos dos tanques de combustível ou de outras origens;
3) Descarga ou fuga acidental de óleo.
Salvo no caso de embarcações rebocadas sem tripulação, o livro de registo de óleos será conservado a bordo da embarcação a que respeita para ser inspeccionado sempre que necessário, e aí deve ser mantido por um período de dois anos a partir da data do último registo.
Cada uma das operações descritas no n.º 1 será imediata e completamente registada no livro, de modo que dele constem todos os aspectos referentes à operação e cada página deve ser assinada pelo oficial ou oficiais responsáveis e pelo comandante.
Não carecem do livro referido neste artigo as embarcações:
De tráfego local;
De pesca local e costeira;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros;
Embarcações-tanques com arqueação bruta inferior a 150 t e as outras embarcações com arqueação bruta inferior a 500 t.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 145.º — Desembaraço da autoridade marítima
O desembaraço da autoridade marítima é o documento em que a autoridade marítima certifica que a embarcação destinada a seguir viagem está em condições de partir sem risco de vidas, possuindo a necessária segurança, e, além disso, que:
Possui o desembaraço da autoridade sanitária, se dele carecer;
Possui o alvará de saída, se dele carecer;
Possui toda a documentação em ordem;
Satisfez as despesas de pilotagem e quaisquer outras devidas ao Estado;
Possui o exemplar do C. I. S. e está provida dos meios necessários para a emissão de sinais visuais e acústicos mencionados no mesmo Código.
Estão isentas de desembaraço da autoridade marítima as embarcações:
De tráfego local;
De pesca, com excepção das de pesca do largo;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais ou costeiros.
O desembaraço da autoridade marítima para embarcações desprovidas de propulsão no exercício da actividade de cabotagem, longo curso ou do alto depende de autorização do Ministro da Marinha para o exercício de tal actividade.
Quando qualquer auto por infracção a este Regulamento ou outros regulamentos aplicáveis na área de jurisdição marítima estiver pendente de fixação de multa, o capitão do porto, oficiosamente ou a solicitação de outra autoridade, poderá não permitir o desembaraço da embarcação de cuja tripulação faça parte o presumível infractor sem que seja prestada garantia bancária ou qualquer outra garantia ou caução julgada idónea pelo pagamento do máximo da multa, adicionais e prováveis indemnizações, que possam ser considerados créditos do Estado.
Artigo 146.º — Alvará de saída
O alvará de saída é o documento passado às embarcações sujeitas a desembaraço fiscal, nos termos da legislação aduaneira.
São dispensadas de alvará de saída as embarcações:
De tráfego local;
De pesca local e costeira;
De pesca do largo;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros.
Artigo 147.º — Desembaraço da autoridade sanitária
O desembaraço da autoridade sanitária é o documento passado às embarcações nos termos da legislação sanitária.
São dispensadas do documento referido no número anterior as embarcações:
De tráfego local;
De pesca local e costeira;
De pesca do largo, quando não se destinem a porto estrangeiro;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais e costeiros;
Rebocadores e embarcações auxiliares do alto, quando não se destinem a porto estrangeiro.
Artigo 148.º — Conhecimentos e fretamentos; manifesto de carga
Os conhecimentos, fretamentos e manifesto de carga são os documentos com essa designação previstos na lei comercial e disposições alfandegárias.
Estão dispensadas dos documentos referidos neste artigo as embarcações de tráfego local e dos conhecimentos e manifesto de carga as de pesca e os rebocadores e embarcações auxiliares.
Artigo 149.º — Guarda dos papéis de bordo
Os papéis de bordo estão na posse do comandante, mestre, arrais ou patrão da embarcação, que é o responsável pela sua segurança e conservação, salvo os que, por determinações legais ou por necessidade de registo ou utilização, devam permanecer noutros locais da embarcação.
Artigo 150.º — Apresentação dos papéis de bordo
O comandante, mestre, arrais ou patrão de uma embarcação nacional é obrigado a apresentar os papéis de bordo sempre que lhe forem exigidos por autoridade marítima ou pelos comandantes de navios da Armada e ainda quando tenha que provar a nacionalidade da sua embarcação perante as competentes autoridades estrangeiras.
No caso de falta, desactualização, negligência na escrituração ou falsificação de algum ou alguns dos papéis de bordo, é levantado o respectivo auto e remetido à autoridade marítima da área em que se verificou o facto;
se a infracção se verificar com a embarcação em viagem, o comandante, mestre, arrais ou patrão é notificado para legalizar os papéis de bordo no primeiro porto de escala em que o puder fazer e para comparecer, no prazo que lhe for marcado, na repartição marítima para onde o auto é remetido.
As embarcações estrangeiras são obrigadas a apresentar os papéis de bordo sempre que lhes sejam exigidos pela competente autoridade marítima ou pelos comandantes dos navios da Armada.
Artigo 151.º — Papéis a apresentar à chegada a um porto
O comandante, mestre, arrais ou patrão de uma embarcação nacional que entre em porto nacional ou estrangeiro é obrigado a apresentar na repartição marítima ou consulado respectivos, dentro do prazo de vinte e quatro horas a contar da hora a que fundeou, amarrou ou atracou, por si, por um oficial ou pelos agentes ou consignatários, os seguintes papéis de bordo, salvo os que a embarcação não deva possuir:
Título de propriedade;
Passaporte de embarcação;
Rol de matrícula;
Lista de passageiros;
Certificado de navegabilidade ou certificados de segurança;
Certificados internacionais de linhas de carga ou de isenção do bordo livre ou das linhas de água carregada.
É ainda obrigado, quando entrado em porto nacional e nas mesmas condições do número anterior, a apresentar na repartição marítima o diário da navegação, a fim de a autoridade marítima proceder nos termos do C. C.
O disposto neste artigo não é aplicável às seguintes embarcações:
De tráfego local;
De pesca local e costeira;
Rebocadores e embarcações auxiliares locais ou costeiros.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 152.º — Penalidades aplicáveis a irregularidades relativas a papéis de bordo
As transgressões às disposições relativas a papéis de bordo que não sejam puníveis nos termos do C. P. D. M. M. são punidas de acordo com o estabelecido em portaria do Ministro da Marinha.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 153.º — Legalização dos livros de bordo
Os livros de bordo são numerados e legalizados por meio de termos de abertura e de encerramento e rubrica de todas as suas folhas pelo chefe de uma repartição marítima ou por funcionário qualificado em quem delegar.
Artigo 22.º, Decreto-Lei n.º 370/2007 - Diário da República n.º 213/2007, Série I de 2007-11-06 O presente artigo mantém-se vigente até à entrada em vigor de portaria conjunta do Ministro da Defesa Nacional e do Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que preveja o regime jurídico dos documentos de bordo nacionais e regime e referências aos documentos resultantes da adesão às convenções internacionais.
Artigo 154.º — Papéis de bordo retidos numa repartição marítima
Quaisquer livros ou outros documentos de embarcações nacionais ou documentação de marítimos que tiverem de ficar retidos numa repartição marítima por motivo de serviço são substituídos por uma declaração comprovativa do facto, assinada pela autoridade marítima e autenticada com o selo branco da repartição, da qual conste o seu prazo de validade.
Capítulo VIII — Segurança das embarcações e da navegação
Artigo 155.º — Responsabilidade da segurança das embarcações e das pessoas e cargas nelas embarcadas
Para garantir a segurança das embarcações e das pessoas e cargas nelas embarcadas o Estado fiscaliza, na medida em que o julgue necessário, a construção, modificação ou utilização das embarcações.
A fiscalização a que se refere o número anterior incumbe:
À D. G. S. F. M., relativamente às embarcações a que é aplicável a C. I. S. V. H. M., nas condições do Decreto-Lei n. 48257, de 21 de Fevereiro de 1968, e a Convenção Internacional das Linhas de Carga (C. I. L. C.);
À mesma Direcção-Geral, quanto às restantes embarcações não pertencentes à Armada ou à marinha de recreio, desde que:
1) Estejam ou venham a ser registadas em portos metropolitanos;
2) Estejam sendo construídas ou modificadas em estaleiros metropolitanos.
Para os efeitos a que se refere este artigo, a D. G. S. F. M. pode recorrer, sem alienação da responsabilidade que lhe compete, ao auxílio de sociedades de classificação reconhecidas pelo Governo Português, designadamente quando se trate de embarcações em construção ou modificação em estaleiros estrangeiros.
A fiscalização da segurança das embarcações de recreio e das pessoas nelas embarcadas é garantida pelos organismos designados na legislação especial sobre a matéria, que, quando necessário, podem requerer o auxílio técnico da D. G. S. F. M.
A verificação e fiscalização das condições de segurança das embarcações é, normalmente, feita por meio de vistorias, conforme o disposto neste diploma, após as quais a D. G. S. F. M. passa os certificados e outros documentos exigíveis a cada embarcação, consoante as suas características e a actividade a que se destina ou está exercendo.
A inobservância das disposições estabelecidas em convenções internacionais e nas leis e regulamentos nacionais relativos a segurança da navegação é punida nos termos do C. P. D. M. M. e demais legislação aplicável e é causa de responsabilidade civil nos termos gerais.
Artigo 156.º — Organismos que passam as vistorias
As vistorias referidas no artigo anterior são passadas pelos organismos centrais da D. G. S. F. M. e pelas repartições marítimas, devendo realizar-se, sem prejuízo da segurança das embarcações, por modo a afectar o menos possível os interesses dos proprietários.
Os organismos centrais a que se refere o número anterior são os seguintes:
D. M. M.;
D. S. E. C.;
Direcção do Serviço de Navegação (I. H.);
D. P. D. M.
Compete ao inspector das construções navais mercantes coordenar todos os assuntos que respeitam a vistorias.
Nas vistorias a passar pelas repartições marítimas, os capitães de portos, além da competência que lhes é conferida pela alínea n) do n.º 1 do artigo 10.º quanto à presidência de vistorias e à nomeação ou requisição de peritos, podem delegar:
Nos delegados marítimos que lhes estão subordinados:
1) A presidência de vistorias em embarcações e seus pertences e em aparelhos de pesca, nos casos de reduzida importância e interesse local;
2) A nomeação de peritos nos casos em que sejam suficientes os profissionais inscritos marítimos da respectiva delegação marítima;
Nos cabos-de-mar seus subordinados a execução de vistorias em pequenas embarcações de pesca e tráfego locais, seus pertences e aparelhos, quando de reduzido valor, nomeando estes o perito ou peritos, por parte da repartição marítima, entre os profissionais inscritos marítimos residentes na área de jurisdição da capitania, presidindo ao acto e lavrando o respectivo auto.
Artigo 157.º — Espécies de vistorias
As vistorias são das espécies seguintes:
Vistorias de construção;
Vistorias de registo;
Vistorias de manutenção;
Vistorias suplementares.
Artigo 158.º — Vistorias de construção
As vistorias de construção são da competência dos organismos centrais da D. G. S. F. M. e têm lugar durante os trabalhos de construção ou modificação das embarcações ou seguidamente à conclusão desses trabalhos, ou quando da aquisição de uma embarcação.
As vistorias a que se refere o número anterior são definidas por portaria do Ministro da Marinha, sem prejuízo do que em tal matéria está estabelecido na C. I. S. V. H. M. e na C. I. L. C.
Para embarcações de pequeno porte, com características a fixar por portaria do Ministro da Marinha, podem as citadas vistorias ser realizadas pelas repartições marítimas.
No caso de construções ou modificações realizadas no estrangeiro pode a D. G. S. E. M. delegar a fiscalização numa sociedade de classificação reconhecida pelo Governo Português que disponha de técnicos idóneos no local dos estaleiros ou que para ali se possam deslocar com facilidade.
Nas vistorias de construção devem verificar-se as alterações, modificações e instalações para fins de defesa de que trata o artigo 53.º
A eficácia da autorização ministerial para aquisição de uma embarcação mercante fica sempre condicionada pela verificação, através da vistoria referida no n.º 1, de que a embarcação corresponde às indicações, dadas pelo proprietário, que fundamentaram a autorização e satisfaz tècnicamente às condições prescritas na legislação em vigor.
Artigo 159.º — Vistorias de registo
As vistorias de registo, em portos nacionais, são da competência das repartições marítimas e têm lugar:
Antes do primeiro registo, definitivo ou provisório;
Quando se verifique uma reforma de registo por motivo de alteração da classificação da embarcação;
Quando se trate de transferência de registo das repartições marítimas das províncias ultramarinas para as da metrópole.
A vistoria de registo é feita mediante requerimento do proprietário, dirigido à autoridade marítima do porto de registo e instruído com certidões das vistorias de construção e outras exigidas por lei, salvo no caso de os respectivos termos terem sido lavrados pela autoridade destinatária do requerimento, em que bastará simples menção desse facto.
A vistoria efectua-se em dia e hora designados pela autoridade marítima, de preferência de acordo com o proprietário, e do resultado da mesma vistoria é lavrado termo e passada certidão, quando requisitada.
Nos relatórios da vistoria de registo deve declarar-se:
Que as inscrições da embarcação estão de acordo com o que é disposto no capítulo VI do presente diploma;
Que a embarcação corresponde às indicações, dadas pelo proprietário, que fundamentaram a autorização;
O estado do casco, mastreação e seu aparelho, aparelho propulsor, máquinas auxiliares e alojamentos do pessoal;
As condições de segurança da embarcação;
Se foram seguidos os planos aprovados pela D. M. M. designadamente os relativos às exigências para fins de defesa, quando for caso disso, e respeitadas as indicações constantes das informações da mesma Direcção e da D. P. D. M. relativas às actividades de pesca;
Se a embarcação satisfaz tècnicamente às disposições legais relativas à aquisição, construção ou modificação de embarcações;
O estado das instalações destinadas à arrecadação e conservação do peixe e seus subprodutos, isco e engodo, quando se trate de embarcações de pesca;
As lotações para a tripulação e de passageiros quando for caso disso;
Outros elementos respeitantes às condições de segurança da embarcação, consumo, duração e resistência das máquinas principais e auxiliares.
São dispensadas de vistoria de registo as embarcações sem motor de arqueação bruta igual ou inferior a 10 t, construídas ou modificadas na metrópole e destinadas ao tráfego ou pesca locais, mas a autoridade marítima deve verificar se satisfazem às condições necessárias ao exercício da actividade a que se destinam.
No caso do número anterior, o proprietário, quando não se conforme com a decisão da autoridade marítima, pode requerer vistoria.
As vistorias de registo em portos estrangeiros são da responsabilidade das autoridades consulares portuguesas e obedecem ao disposto nos números anteriores, sob a coordenação da D. G. S. F. M.
Artigo 160.º — Vistorias de manutenção
As vistorias de manutenção são realizadas, pelos organismos e com a finalidade e com a periodicidade que forem definidos por portaria do Ministro da Marinha, sem prejuízo do disposto na C. I. S. V. H. M. e na C. I. L. C., em relação às embarcações a que as mesmas Convenções são aplicáveis.
Artigo 161.º — Vistorias suplementares
As vistorias suplementares, em portos nacionais, são da competência das repartições marítimas e têm lugar sempre que os chefes dessas repartições tenham justificadas suspeitas, mesmo que resultantes de denúncia, ainda que seja do comandante ou de um tripulante, de que alguma embarcação nacional não pode seguir viagem sem risco de vidas.
A autoridade marítima pode exigir ao denunciante, havendo-o, o depósito da importância da vistoria a realizar.
Se efectuada a vistoria se comprovarem as más condições da embarcação ou as faltas apontadas, a vistoria é paga pelo proprietário e este é punido nos termos da legislação aplicável; quando a embarcação for julgada em boas condições, a vistoria é paga:
Pelo denunciante, podendo ser por desconto nas soldadas se for o comandante ou um tripulante;
Pela Fazenda Nacional, se tiver sido ordenada oficiosamente pela autoridade marítima.
As vistorias suplementares, em portos estrangeiros, são da competência das autoridades consulares portuguesas e obedecem ao disposto nos números anteriores.
Artigo 162.º — Vistorias suplementares a embarcações estrangeiras
As embarcações estrangeiras podem ser sujeitas a vistorias suplementares:
Nas condições da C. I. S. V. H. M., quando se trate de embarcações a que a mesma seja aplicável;
Quando as autoridades marítimas, por razões bem fundamentadas, considerem que elas não podem seguir viagem sem risco de vidas.
No caso referido na alínea b) do número anterior, a embarcação deve ser retida e sujeita a vistoria comunicando-se o facto ao cônsul respectivo, residente na localidade mais próxima daquela em que a embarcação se encontra, e solicitando-se a sua presença no acto da vistoria.
O proprietário da embarcação ou o seu representante pode designar um perito para intervir na vistoria e paga as despesas a que esta der lugar quando for justificada a razão que a motivou.
O risco de vidas que justifica as vistorias suplementares tanto pode ser motivado pelo mau estado ou deficiente funcionamento do material como por excesso de carga ou sua má arrumação, mau acondicionamento de matérias explosivas, pouco lastro ou qualquer outra deficiência.
Artigo 163.º — Responsabilidade do comandante e restantes membros da tripulação na segurança da embarcação
As atribuições do Estado referidas neste diploma quanto a segurança das embarcações não isentam o comandante, mestre, arrais ou patrão de ser o primeiro responsável pela segurança da embarcação que comanda, nem excluem a responsabilidade dos restantes membros da tripulação.
Artigo 164.º — Responsabilidade do comandante pela segurança e protecção da sua embarcação nos portos
Os comandantes, mestres, arrais ou patrões, como responsáveis pela segurança e protecção das suas embarcações, devem, quando surtas nos portos, tomar todas as precauções para evitar riscos de qualquer natureza, incluindo as condições de tempo e de mar, incêndio, roubo e sabotagem.
Os efectivos mínimos do pessoal que deve ser mantido a bordo, para efeitos do disposto no número anterior, são regulados por portaria do Ministro da Marinha.
Compete às autoridades marítimas a inspecção frequente e rigorosa das condições de segurança e de protecção referidas nos números anteriores.
Artigo 165.º — Condições gerais de segurança
Todas as embarcações devem manter-se convenientemente conservadas e em completo estado de arranjo, no que se refere ao casco, aparelho e, quando for caso disso, pano e devem estar devidamente equipadas e possuir a palamenta necessária.
Quando se empreguem no transporte de cargas que exijam resguardo, as embarcações devem assegurá-lo da melhor forma possível.
Artigo 166.º — Obrigações do comandante nos sinistros marítimos
É obrigação dos comandantes, mestres, arrais ou patrões de embarcações nacionais, desde que o possam fazer sem perigo sério para a sua embarcação, tripulação ou passageiros:
Prestar assistência a qualquer pessoa encontrada no mar em perigo de se perder;
Prestar a embarcações em perigo todo o auxilio em pessoal e material, compatível com as circunstâncias, que se torne necessário para o salvamento de vidas em perigo;
Ir em socorro de pessoas em perigo com a maior velocidade possível, se for informado da necessidade de assistência, na medida em que se possa razoavelmente contar com essa acção da sua parte;
Após uma colisão, prestar à embarcação com que tenha colidido, à sua tripulação e aos seus passageiros a assistência compatível com as circunstâncias e na medida do possível, indicar-lhes o nome da sua própria embarcação, o seu porto de registo e o porto mais próximo que tocará.
Artigo 167.º — Obrigações das autoridades marítimas nos sinistros marítimos
Em caso de sinistros marítimos que ponham em grave perigo vidas humanas, as autoridades marítimas devem, nas condições que se refere a alínea ee) do n.º 1 do artigo 10.º:
Empregar a gente marítima e as embarcações do porto, se necessário;
Requisitar, com urgência, as embarcações do Estado e respectivo pessoal e material que estejam na área de jurisdição da capitania respectiva, se necessário;
Utilizar todos os recursos que possam fornecer as embarcações nacionais fundeadas no porto;
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