Decreto Regulamentar n.º 10/2015 — Aprova a orgânica da Marinha
Aprova a orgânica da Marinha
Anexo I — (a que se refere o artigo 113.º)
NORMAS QUE REGULAM O SISTEMA DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DA MARINHA
Capítulo I — Sistema de Formação Profissional da Marinha
Artigo 1.º — Definição
1 - O Sistema de Formação Profissional da Marinha (SFPM) representa o conjunto articulado dos meios organizacionais, materiais, doutrinários e humanos, destinados a assegurar a formação profissional do pessoal da Marinha.
2 - O SFPM organiza-se e funciona, no plano do processo formativo, através das escolas e centros de formação (ECF), com competências em áreas técnico-profissionais específicas.
3 - O SFPM pode ainda assegurar a formação de outro pessoal militar e civil exterior à Marinha.
4 - O SFPM é dirigido pelo Diretor de Formação, o qual é responsável por assegurar a gestão da atividade formativa e a qualidade da formação ministrada.
Artigo 2.º — Competências
Ao SFPM compete:
Assegurar a formação profissional do pessoal que presta serviço na Marinha, garantindo-lhe qualificações e competências adequadas ao exercício de cargos e ao desempenho das funções militares e não-militares que lhes forem atribuídas, abrangendo as componentes militar-naval, sociocultural e científico-tecnológica;
Conferir as habilitações técnico-profissionais individuais necessárias para o ingresso nas categorias de sargentos e de praças e progressão nas respetivas carreiras;
Colaborar na formação de cidadãos responsáveis, indutores e respeitadores dos valores humanos e sociais constantes das normas e dos princípios constitucionais da República Portuguesa;
Contribuir para a valorização pessoal e profissional dos recursos humanos na sociedade portuguesa;
Proporcionar formação certificada que contribua para a obtenção de qualificações profissionais potenciadoras da integração e empregabilidade dos militares na sociedade civil.
Artigo 3.º — Princípios orientadores
O SFPM orienta-se pelos seguintes princípios:
«Universalidade» - a formação ministrada abrange a generalidade do pessoal da Marinha, designadamente aquela que é determinante para a sua evolução profissional;
«Igualdade de oportunidades» - nas condições de acesso à formação ministrada, designadamente àquela que proporciona o ingresso e evolução nas carreiras do pessoal;
«Continuidade» - viabiliza, na extensão possível, em equilíbrio com as necessidades da Marinha, as expectativas de formação do pessoal ao longo de toda a carreira;
«Utilidade funcional» - satisfaz as necessidades, quantitativas e qualitativas, da Marinha em pessoal e permite, simultaneamente, a realização das aspirações individuais de desenvolvimento socioprofissional;
«Multidisciplinaridade» - abrange os diferentes ramos do conhecimento e técnicas necessárias à qualificação do pessoal da Marinha;
«Flexibilidade» - inclui múltiplos locais de formação e envolve diversas modalidades de ensino e de formação, em diversos locais, respondendo a soluções de alternância entre o exercício profissional e as atividades de aprendizagem, valorizando a experiência profissional e o desempenho e incluindo-os no contexto da aquisição de competências;
«Complementaridade» - viabiliza a progressiva valorização académica e profissional e o prosseguimento de estudos;
«Harmonização na formação» - desenvolve cursos e outras atividades que, com respeito pelo objetivo essencial da formação militar, permitem uma aproximação aos referenciais de formação e a atividades homólogas ou afins dos sistemas nacionais de ensino e formação, na perspetiva de construção de percursos formativos certificados;
«Modularização e capitalização da formação» - no contexto da multidisciplinaridade, agrupa habilitações, aptidões e competências afins, com aplicabilidade nos diferentes contextos organizacionais e profissionais, numa perspetiva de aquisição de certificações com vista à obtenção de qualificações profissionais;
«Avaliação sistémica» - assume elevadas exigências qualitativas na prossecução das suas atividades e adota processos periódicos de avaliação, segundo indicadores adequados de desempenho, passíveis de certificação externa, de forma a viabilizar o desenvolvimento de núcleos de excelência.
Artigo 4.º — Articulação com outros órgãos da Marinha
O SFPM articula-se com outras entidades e órgãos da Marinha, designadamente com o Comando Naval, os órgãos centrais de administração e direção e órgãos na sua dependência, as entidades detentoras de autoridade técnica e as unidades, estabelecimentos e órgãos (UEO) utilizadores do sistema, nomeadamente no plano da definição e diagnóstico de necessidades, planeamento e da validação da formação.
Artigo 5.º — Formação profissional
1 - A formação profissional visa:
A formação militar-naval, científico-tecnológica e sociocultural necessária ao desempenho de funções técnico-profissionais na Marinha;
A aquisição de saberes e perícias passíveis de reconhecimento nos sistemas nacionais de ensino e de formação;
A formação necessária para a valorização profissional, orientada para a vida ativa civil.
2 - A formação profissional é ministrada através de:
Cursos e outras ações de formação;
Estágios.
3 - A formação profissional pode ser complementada através de cursos, ações de formação e estágios ministrados em instituições ou organismos externos ao SFPM.
4 - No SFPM, além do ensino presencial, podem ainda ser utilizadas outras modalidades de formação, nomeadamente o ensino à distância e a autoformação.
Artigo 6.º — Cursos e outras ações de formação
1 - Os cursos e outras ações de formação a desenvolver no âmbito do SFPM são executados segundo os planos anuais de atividades de formação, elaborados em função das necessidades de formação das várias entidades e órgãos da Marinha e aprovados pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA).
2 - Os cursos e outras ações de formação do SFPM podem conferir qualificações profissionais de nível não superior, reconhecidas a nível nacional.
3 - Os cursos e outras ações de formação do SFPM conferem certificados de formação profissional ou certificados de frequência de formação profissional.
4 - Na definição, execução e avaliação dos cursos e outras ações de formação, o SFPM utiliza a metodologia da abordagem sistémica.
5 - Os cursos e outras ações de formação ministrados pelas ECF podem ser suplementadas ou complementadas por outras atividades de ensino e formação, realizadas por outras instituições públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras.
6 - Os planos dos cursos e ações de formação ministrados nas ECF são aprovados pelo Superintendente do Pessoal.
7 - Os cursos e outras ações de formação do SFPM compreendem atividades de formação inicial e de formação contínua.
Artigo 7.º — Formação inicial
Os cursos de formação inicial proporcionam a qualificação para o ingresso nas respetivas categorias e classes e habilitam os formandos com os conhecimentos, de natureza militar-naval, sociocultural e científico-tecnológica, adequados às funções a que se destinam.
Artigo 8.º — Formação contínua
1 - A formação contínua visa:
Assegurar a atualização e o aperfeiçoamento de qualificações e de competências do pessoal, no sentido de melhorar o desempenho das funções que lhe forem atribuídas;
Proporcionar oportunidades de valorização pessoal através da aquisição de novos conhecimentos;
Possibilitar o acesso a novos postos e subclasses na Marinha;
Contribuir para a construção de percursos formativos certificados, conducentes à obtenção de qualificações profissionais, com vista à integração dos militares na sociedade civil.
2 - Constituem objetivos específicos da formação contínua, os seguintes:
Complementar a formação inicial do pessoal, visando a sua atualização permanente em relação aos métodos, técnicas e equipamentos a utilizar no desempenho das suas funções;
Assegurar a adaptação do pessoal a inovações técnicas e tecnológicas visando o aumento de produtividade, eficácia e prontidão da Marinha;
Fomentar o pleno desenvolvimento das capacidades individuais, em termos de valorização pessoal e profissional, com vista a qualificar os militares para o exercício de cargos e desempenho de funções progressivamente mais complexas e de maior grau de responsabilidade.
Artigo 9.º — Estágios
1 - Os estágios têm em vista a prossecução dos fins previstos pelo Estatuto dos Militares das Forças Armadas.
2 - Os estágios podem ser organizados de modo a que sejam reconhecidos aos militares créditos que contribuam para a obtenção de determinada qualificação profissional.
3 - Os estágios, cuja duração máxima é de um ano, têm lugar em organismos de reconhecido mérito, militares ou civis, nacionais ou estrangeiros, particularmente especializados no domínio da formação profissional que se pretende proporcionar.
Artigo 10.º — Formadores
1 - Os formadores dos cursos e ações de formação ministrados no SFPM são militares, militarizados e civis, certificados para o efeito e pertencentes às ECF ou integrantes de uma bolsa de formadores.
2 - A bolsa de formadores do SFPM é regulada por despacho do CEMA.
Artigo 11.º — Recursos materiais
O SFPM e, em particular, as ECF, devem dispor dos recursos técnico-pedagógicos necessários à formação qualificada nas respetivas áreas de competência, designadamente, salas de formação, laboratórios, simuladores, meios audiovisuais e de multimédia, manuais e publicações.
Artigo 12.º — Avaliação e certificação do Sistema de Formação Profissional da Marinha
1 - O SFPM e as ECF são objeto de avaliação, designadamente através de inspeções e auditorias técnicas regulares.
2 - As inspeções e auditorias técnicas às ECF são executadas pela DF.
3 - A formação ministrada no SFPM é objeto de avaliação interna e externa, nos termos de regulamentação a aprovar pelo Superintendente do Pessoal.
4 - O SFPM assenta num referencial de qualidade desenvolvido à luz dos requisitos legais instituídos a nível nacional e de normas internacionais aplicáveis, passível de ser certificado por entidade externa à Marinha de reconhecido mérito e independência.
Capítulo II — Escolas e centros de Formação do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Artigo 13.º — Definição
1 - As ECF do SFPM são órgãos de base da Marinha, cujas dependências orgânicas estão fixadas nos respetivos diplomas legais.
2 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, as ECF funcionam sob a autoridade funcional da Superintendência do Pessoal e autoridade técnica do Superintendente do Pessoal, através da Direção de Formação, em todos os domínios das atividades relacionadas com a formação profissional.
Artigo 14.º — Escolas e centros de formação
1 - São escolas do SFPM:
A Escola de Tecnologias Navais (ETNA);
A Escola de Fuzileiros (EF);
A Escola de Mergulhadores (EMERG);
A Escola de Hidrografia e Oceanografia (EHO).
2 - São centros de formação do SFPM:
O Centro Integrado de Treino e Avaliação Naval (CITAN);
O Centro de Instrução de Helicópteros (CIH);
O Centro de Instrução de Submarinos (CISUB);
O Centro de Educação Física da Armada (CEFA).
3 - São ainda considerados centros de formação outros polos ou núcleos de formação profissional, em áreas de formação específicas, a criar por despacho do CEMA, sob proposta do Superintendente do Pessoal.
Artigo 15.º — Competências gerais das ECF
1 - Às ECF compete:
Assegurar a formação profissional do pessoal da Marinha nas suas componentes militar-naval, sociocultural e científico-tecnológica, adequada ao desempenho das funções próprias das categorias de sargentos e praças, nas diferentes classes, subclasses e ramos;
Colaborar na formação técnico-naval de pessoal da Marinha, no domínio da sua formação inicial e contínua;
Assegurar a formação militar-naval básica dos sargentos e praças do regime de contrato (RC) e do regime de voluntariado (RV), bem como dos oficiais RC e RV da classe de fuzileiros;
Colaborar com outros órgãos da Marinha na manutenção dos perfis profissionais e de qualificação do pessoal;
Colaborar na formação de militares de outros ramos das Forças Armadas e de outros países, bem como de militarizados e civis, em áreas específicas;
Colaborar na elaboração de estudos de natureza especializada e no acompanhamento dos processos técnico-pedagógicos no domínio da formação.
2 - No âmbito das suas competências, as ECF podem, ouvida a Direção de Formação, estabelecer acordos, convénios e protocolos de cooperação com outras instituições congéneres, nos termos definidos por despacho do CEMA.
3 - As ECF podem, ouvida a Direção de Formação, organizar estágios e outras ações de formação em áreas da sua competência.
Artigo 16.º — Competências específicas das escolas e centros de formação
Às ECF compete ainda:
À ETNA, a formação profissional inicial dos sargentos e praças da Marinha de todas as classes e do pessoal do Quadro da Polícia dos Estabelecimentos de Marinha, bem como a formação profissional contínua dos militares, militarizados e civis, exceto aquela que especificamente compete a outras escolas ou centros de formação;
À EF, a formação militar-naval básica das praças e dos sargentos do RC e do RV e dos oficiais RC e RV da classe de fuzileiros, bem como a formação profissional, inicial ou contínua, do pessoal da Marinha para o desempenho de funções próprias da classe de fuzileiros ou da classe de condutor de veículos automóveis;
À EMERG, a formação profissional, inicial e contínua, dos sargentos e praças da Marinha para o desempenho de funções próprias da classe de mergulhadores, bem como a formação técnico-profissional, contínua, dos militares, militarizados e civis, com vista ao desenvolvimento de atividades nas áreas do mergulho, da execução de trabalhos e operações em imersão e da inativação de engenhos explosivos;
À EHO, a formação técnico-profissional, contínua, de militares e civis destinados ao exercício de funções ou desenvolvimento de atividades nas áreas da hidrografia e da oceanografia;
Ao CITAN, a formação técnico-profissional, contínua, nas áreas da tática, operações navais e anfíbias, do aconselhamento da navegação, da fiscalização dos espaços marítimos e da operação e exploração de sistemas de comando e controlo de natureza tática;
Ao CIH, a formação técnico-profissional, contínua, do pessoal com vista à operação, manutenção e qualificação na área dos helicópteros;
Ao CISUB, a formação técnico-profissional contínua dos militares designados para o serviço a bordo dos submarinos;
Ao CEFA, a formação técnico-profissional contínua do pessoal nas áreas da educação física, do desporto e do salvamento humano no meio aquático.
Artigo 17.º — Estrutura das escolas e centros de formação
1 - As ECF previstas no n.º 1 do artigo 14.º compreendem:
O Comandante ou Diretor;
O Conselho Técnico-Pedagógico (CTP);
O Diretor Técnico-Pedagógico (DTP);
Os departamentos de formação;
O Corpo de Formadores (CF);
O Corpo de Alunos (CA), se aplicável;
Os serviços e órgãos de apoio.
2 - A estrutura dos centros de formação do SFPM segue o disposto no número anterior e nos artigos seguintes, adaptada às respetivas especificidades.
Artigo 18.º — Comandante ou diretor de escolas e centros de formação
1 - Ao Comandante ou Diretor das ECF compete:
Planear, organizar, dirigir e controlar as atividades de formação que compete às ECF;
Administrar as ECF;
Promover a realização de estudos de natureza especializada e a difusão de conceitos, normas e métodos pedagógicos visando a otimização do processo ensino-aprendizagem;
Aprovar as classificações dos formandos dos cursos ministrados, ouvido o CTP;
Convocar e presidir às reuniões do CTP.
2 - Compete ainda ao Comandante ou Diretor das ECF:
Fixar as normas de funcionamento interno das ECF;
Representar externamente as ECF.
3 - O Comandante ou Diretor de cada ECF é um oficial superior.
4 - O Comandante ou Diretor pode ser coadjuvado pelo 2.º Comandante ou Subdiretor das ECF.
5 - Nas ausências, faltas ou impedimentos do Comandante ou Diretor, a suplência cabe ao 2.º Comandante ou Subdiretor das ECF.
Artigo 19.º — Conselho Técnico-Pedagógico
1 - O CTP é um órgão de conselho do comandante ou diretor, ao qual compete emitir pareceres sobre os assuntos relacionados com a orientação militar-naval, sociocultural, científico-tecnológica e pedagógica da formação, a avaliação dos cursos e o rendimento escolar dos formandos.
2 - Ao CTP compete:
Apreciar os assuntos relativos ao desenvolvimento das atividades dos departamentos de formação;
Emitir parecer sobre novos cursos e respetiva documentação, bem como promover os reajustamentos e atualizações aos programas e demais documentação dos cursos em vigor;
Emitir parecer sobre as propostas de exclusão e reprovação dos formandos;
Emitir parecer sobre os requerimentos para repetição de cursos que lhe sejam presentes para apreciação;
Apreciar, no fim de cada curso ou quando necessário, os resultados das provas de avaliação do aproveitamento dos formandos e o grau de eficácia das ações de formação, em face dos objetivos estabelecidos;
Apreciar os estudos de natureza especializada, técnica ou pedagógica, produzidos no âmbito da formação.
3 - O CTP tem a seguinte composição:
O Comandante ou Diretor da ECF, que preside;
O 2.º Comandante ou Subdiretor da ECF, conforme aplicável;
O DTP;
O Comandante do CA, se aplicável;
Os chefes dos departamentos de formação, quando aplicável.
4 - O Comandante ou Diretor da ECF, sempre que entender conveniente, pode convocar, para as reuniões do CTP, como vogais agregados, sem direito a voto, quaisquer outros oficiais da ECF.
5 - O Comandante ou Diretor pode ainda solicitar a presença, no Conselho, de representantes de outras entidades, das autoridades técnicas e das unidades e órgãos da Marinha utilizadores do pessoal.
Artigo 20.º — Diretor Técnico-Pedagógico
1 - Ao DTP compete:
Orientar e coordenar a formação ministrada nas ECF;
Promover e assegurar o desenvolvimento e a realização das atividades pedagógicas e técnico-profissionais e os respetivos programas;
Promover a emissão de certificados de formação profissional;
Apreciar, informar e submeter a despacho os documentos sobre a atividade formativa;
Promover a elaboração e a atualização da documentação dos cursos a submeter a aprovação superior;
Informar e submeter à aprovação superior as propostas de alteração à documentação dos cursos, de novos cursos e de publicações escolares;
Propor, para promulgação, as publicações escolares elaboradas pelos departamentos de formação;
Promover e coordenar as atividades conducentes à qualidade das ECF e da formação ministrada, nomeadamente através de processos de validação interna;
Identificar e propor medidas visando a melhoria do processo ensino-aprendizagem e a eficiência e eficácia da formação ministrada;
Propor as medidas de carácter pedagógico que julgar necessárias à orientação da formação;
Informar sobre o desenvolvimento do processo formativo, respetivos resultados e outros assuntos relacionados;
Promover a realização de estudos e a difusão interna de conceitos, normas e métodos técnico-pedagógicos;
Acompanhar as atividades que se desenrolam no âmbito da formação, noutras UEO da Marinha;
Coordenar a aquisição de equipamentos, livros, publicações, ajudas audiovisuais e outro material escolar a utilizar nas ECF, de acordo com as necessidades apresentadas pelos departamentos de formação;
Promover a convocação do CTP e distribuir a agenda dos trabalhos.
2 - Na prossecução das suas atividades, o DTP é apoiado por um Gabinete de Tecnologia Educativa, ao qual compete, em especial:
Programar e avaliar as atividades de formação;
Orientar, sob o ponto de vista técnico, a elaboração das ajudas à formação e da documentação necessária aos cursos ministrados;
Administrar a aplicação informática para a gestão escolar;
Colaborar na execução de estudos de interesse comum às diferentes áreas e departamentos de formação;
Difundir, internamente, os conceitos, normas e procedimentos no âmbito da formação.
3 - O DTP dispõe ainda de uma estrutura de apoio às suas atividades para a área da formação, a qual compreende:
A Editora Escolar;
O Centro de Recursos;
A Secretaria Escolar.
4 - O DTP é um oficial superior.
Artigo 21.º — Departamentos de formação
1 - Aos departamentos de formação compete executar os programas de formação superiormente aprovados e propor a atualização da documentação dos cursos das respetivas áreas de competência.
2 - Os departamentos de formação compreendem:
O Chefe de Departamento;
Os gabinetes ou núcleos de formação;
Os diretores de curso.
3 - Os departamentos de formação são, em regra, chefiados por oficiais superiores, aos quais compete:
Organizar, dirigir e controlar todas as atividades do departamento;
Colaborar com o DTP no exercício das suas competências;
Colaborar na execução da formação ministrada no departamento;
Assegurar a realização de estudos e a difusão interna de conceitos, normas e métodos pedagógicos;
Propor a nomeação dos diretores de curso.
4 - Os gabinetes ou núcleos de formação são chefiados, em regime de acumulação com funções docentes, por oficiais ou militarizados equiparados ou técnicos superiores, incumbindo-lhes executar os módulos e submódulos de formação, elaborar as ajudas de formação e a documentação de apoio à execução dos cursos, avaliar a formação e realizar estudos de natureza técnico-pedagógica, nas respetivas áreas de formação.
5 - Nas ECF em que, pela sua dimensão ou abrangência das respetivas áreas de formação, não se justifique a criação de departamentos, pode ser considerada uma organização assente em gabinetes ou núcleos de formação, a definir no respetivo regulamento interno.
6 - Os diretores de curso são oficiais ou militarizados equiparados ou técnicos superiores, aos quais compete acompanhar, orientar, apoiar e controlar a atividade dos formandos dos respetivos cursos, coligir e analisar os dados relativos aos cursos e à sua avaliação interna e elaborar os respetivos relatórios finais, bem como acompanhar e apoiar a programação anual de atividades curriculares, em regime de acumulação com as funções de formador.
Artigo 22.º — Corpo de Formadores
1 - O CF é constituído por todos os formadores, militares, militarizados e civis, que ministram formação na respetiva ECF.
2 - A formação é assegurada pelos formadores, sob orientação de um oficial ou equiparado, de reconhecida competência nas respetivas áreas de formação.
Artigo 23.º — Corpo de Alunos
1 - O CA, quando constituído, é composto pelo conjunto de militares e militarizados que frequentam os cursos e ações de formação, cujo enquadramento é definido pelo EMFAR e outra legislação aplicável.
2 - A admissão a cursos e ações de formação a ministrar nas ECF é da responsabilidade do competente órgão de gestão do pessoal da Marinha.
3 - O regime escolar dos formandos é definido por normativo interno das ECF, aprovado pelo respetivo Comandante ou Diretor.
Anexo II — (a que se refere o artigo 137.º)
ESTATUTO DA ACADEMIA DE MARINHA
Artigo 1.º — Natureza
A Academia de Marinha (AM) é um órgão de natureza cultural, com autonomia científica, que funciona na direta dependência do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA).
Artigo 2.º — Missão
A AM tem por missão promover e desenvolver os estudos e divulgar os conhecimentos relacionados com a história, as ciências, as letras e as artes e tudo o mais que diga respeito ao mar e às atividades marítimas.
Artigo 3.º — Competências
À AM compete:
Promover e executar estudos e trabalhos de investigação científica no domínio da história, das ciências, das letras e das artes, nos aspetos relativos ao mar e às atividades marítimas, e divulgar os seus resultados;
Publicar estudos, obras bibliográficas e outros documentos relacionados com os seus fins;
Realizar reuniões de caráter científico e cultural, de discussão e divulgação, sobre as ciências e as atividades ligadas ao mar;
Promover ou colaborar na realização de atos ou obras evocativos de vultos ou feitos históricos;
Colaborar com outras entidades ou instituições culturais, com o objetivo de aprofundar o conhecimento do mar e contribuir para o prestígio da Marinha e do País.
Artigo 4.º — Sede e dependências
1 - A AM tem a sua sede em Lisboa, no edifício das Instalações Centrais de Marinha.
2 - Por portaria do Ministro da Defesa Nacional, sob proposta do CEMA, podem ser criadas, para a realização dos seus objetivos, dependências da AM em qualquer parte do território nacional.
Artigo 5.º — Divisa e insígnias
1 - A AM tem por divisa o verso de Os Lusíadas «Por mares nunca de outro lenho arados.»
2 - A AM tem emblema e selo próprios e os seus membros dispõem de insígnias próprias, definidos no respetivo regulamento interno.
Artigo 6.º — Membros da Academia de Marinha
1 - A AM admite como membros personalidades de formação intelectual, científica ou cultural de nível superior, cuja atividade, profissional ou outra, esteja relacionada, direta ou indiretamente, com o mar ou com as atividades marítimas.
2 - Os membros da AM agrupam-se nas seguintes categorias:
Membros eméritos;
Membros efetivos;
Membros correspondentes;
Membros associados.
3 - Só podem ser admitidos como membros da AM nas categorias referidas nas alíneas a) a c) do número anterior cidadãos nacionais ou de países de língua ou de cultura portuguesa, sendo os demais estrangeiros admitidos na categoria de membros associados.
4 - A AM pode ainda eleger, como membros honorários, personalidades que tenham contribuído com serviços altamente valiosos para o desenvolvimento do conhecimento do mar e das ciências e artes com ele relacionadas, sejam ou não já membros da AM, e ainda que não preencham as condições previstas no n.º 1.
Artigo 7.º — Classes da Academia de Marinha
1 - Os membros da AM distribuem-se pelas seguintes classes:
Classe de História Marítima;
Classe de Artes, Letras e Ciências.
2 - Aos membros honorários não se aplica o disposto no número anterior.
Artigo 8.º — Membros eméritos
1 - São eleitos membros eméritos os membros efetivos que se distingam pelo seu prestígio e dedicação ou pelos serviços prestados à AM.
2 - Os membros eméritos mantêm todos os direitos e deveres dos membros efetivos, sendo, para efeitos administrativos, considerados nesta categoria.
3 - O número de membros eméritos não tem limite.
Artigo 9.º — Membros efetivos
1 - Os membros efetivos são, salvo o disposto no número seguinte, eleitos de entre os membros correspondentes.
2 - Podem ser eleitos diretamente na categoria de membros efetivos personalidades de elevado prestígio e estatura intelectual.
3 - O quadro de membros efetivos é de 40 em cada classe.
4 - Por decisão da Assembleia dos Académicos, passa à situação de supranumerário, abrindo vaga no quadro da classe, o membro efetivo que não possa, por motivos justificados, participar regularmente nas atividades da AM.
Artigo 10.º — Membros correspondentes
1 - A categoria de membros correspondentes é, sem prejuízo do disposto nos artigos anteriores, a categoria de admissão como membro da AM.
2 - O quadro de membros correspondentes é de 40 em cada classe.
Artigo 11.º — Membros associados
1 - São eleitas na categoria de membros associados as personalidades estrangeiras previstas na segunda parte do n.º 3 do artigo 6.º
2 - O número de membros associados não tem limite.
Artigo 12.º — Eleição e exclusão
1 - Os membros da AM são eleitos pela Assembleia dos Académicos, em sessão especial convocada para esse efeito.
2 - A exclusão de membros da AM é da competência exclusiva da Assembleia dos Académicos, devendo a respetiva deliberação ser precedida de processo adequado e conter a necessária fundamentação.
3 - As normas processuais de eleição e de exclusão são fixadas no regulamento interno da AM.
Artigo 13.º — Direitos e deveres
Os membros da AM gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres previstos no regulamento interno da AM, devendo a sua conduta pautar-se sempre pelos imperativos da verdade, do respeito, do brio e da honra.
Artigo 14.º — Órgãos e serviços
1 - A AM compreende os seguintes órgãos:
Presidente de Honra;
A Assembleia dos Académicos;
O Presidente;
O Conselho Académico;
A Assembleia Cultural.
2 - A estrutura e o funcionamento dos serviços da AM são definidos no respetivo regulamento interno.
Artigo 15.º — Assembleia dos Académicos
1 - A Assembleia dos Académicos é composta por todos os membros eméritos e efetivos, no pleno gozo dos seus direitos, competindo-lhe:
Aprovar o plano de atividades científicas e culturais;
Apreciar e deliberar sobre os assuntos que lhe sejam submetidos pelo Presidente;
Eleger e excluir da dignidade académica os membros da AM;
Eleger os titulares de cargos estatutários;
Aprovar o regulamento interno da AM.
2 - A Assembleia dos Académicos reúne mediante convocação do Presidente, por sua iniciativa ou a requerimento subscrito por 20 dos seus membros.
3 - A Assembleia dos Académicos funciona com a presença de um número mínimo de 20 membros.
4 - As sessões da Assembleia dos Académicos são presididas pelo Presidente e secretariadas pelo Secretário-Geral e pelos secretários das classes.
Artigo 16.º — Presidente
1 - O Presidente é o órgão executivo da AM, ao qual compete:
Planear e dirigir as atividades da AM;
Administrar os recursos humanos e materiais atribuídos à AM;
Presidir às sessões da Assembleia dos Académicos e promover a execução das suas deliberações;
Convocar e presidir às reuniões do Conselho Académico e da Assembleia Cultural;
Criar comissões e grupos de trabalho e nomear os respetivos titulares;
Representar a AM nas suas relações com quaisquer entidades ou instituições.
2 - O Presidente, ao nível das suas competências, é equiparado a vice-almirante ou diretor-geral, sem prejuízo de outra a que tenha direito.
3 - O Presidente é coadjuvado pelos vice-presidentes e pelo Secretário-Geral.
4 - Nas ausências, faltas ou impedimentos do Presidente, a suplência cabe, por ordem de antiguidade, aos vice-presidentes, e, por último, ao Secretário-Geral.
Artigo 17.º — Conselho Académico
1 - O Conselho Académico é um órgão consultivo do Presidente, que integra, para além deste, os vice-presidentes, o Secretário-Geral e os secretários das classes, podendo ainda participar nas suas reuniões pessoas julgadas convenientes a convite do Presidente.
2 - Ao Conselho Académico compete emitir parecer sobre todos os assuntos que lhe sejam submetidos pelo Presidente e, em especial sobre as matérias seguintes:
Programa anual de atividades;
Proposta de eleição de membros da AM;
Programação de edições especiais.
3 - É obrigatória a audição do Conselho Académico nas matérias referidas no número anterior.
Artigo 18.º — Assembleia Cultural
A Assembleia Cultural é constituída pelo plenário dos membros da AM e reúne mediante convocação do Presidente para apreciar qualquer assunto, de natureza cultural ou afim, que este entenda dever submeter-lhe.
Artigo 19.º — Cargos estatutários
1 - São cargos estatutários, para além do de Presidente, os seguintes:
Vice-presidentes, em número de dois, um de cada classe da AM;
Secretário-Geral;
Secretários das classes, em número de dois, um de cada classe da AM.
2 - Aos vice-presidentes compete, em especial, orientar os trabalhos científicos e culturais nas áreas da respetiva classe.
3 - Ao Secretário-Geral compete coadjuvar o Presidente no exercício das suas funções executivas.
4 - Aos secretários das classes compete coadjuvar o Secretário-Geral, e, ainda, coadjuvar o vice-presidente da respetiva classe na execução dos trabalhos da sua área.
5 - Nas ausências, faltas ou impedimentos do Secretário-Geral, a suplência cabe, por ordem de antiguidade, aos secretários das classes.
Artigo 20.º — Eleição dos titulares dos cargos estatutários
1 - Os titulares dos cargos estatutários são eleitos pela Assembleia dos Académicos, em listas formadas de entre os seus membros, para mandato com a duração de três anos e início no primeiro dia de janeiro do ano seguinte ao da eleição.
2 - Em caso de morte, impedimento permanente ou resignação do Presidente, há lugar a nova eleição de todos os titulares dos cargos estatutários.
3 - Quando se verifiquem as circunstâncias referidas no número anterior em relação aos demais titulares de cargos estatutários, compete ao Presidente nomear, de entre os membros efetivos, um para preencher o lugar deixado vago até ao fim do mandato em curso.
4 - Os resultados das eleições previstas nos n.os 1 e 2 e a nomeação prevista no número anterior estão sujeitos a homologação do CEMA.
5 - As normas processuais de eleição dos titulares de cargos estatutários são fixadas no regulamento interno.
Artigo 21.º — Atividade científica e cultural
A atividade científica e cultural da AM desenvolve-se através das classes indicadas no artigo 7.º, quando os temas dos trabalhos se enquadrem nas áreas respetivas, ou através de grupos de trabalho ou comissões, quando os temas se revistam de natureza pluridisciplinar.
Artigo 22.º — Divulgação
A discussão e a divulgação dos trabalhos e estudos são realizadas sob a forma de conferências, painéis, simpósios, congressos ou exposições, consoante a natureza e âmbito da temática.
Artigo 23.º — Atividade editorial
1 - A AM publica memórias, referentes à sua atividade cultural em cada ano civil, contendo o relato das manifestações culturais empreendidas e a transcrição das comunicações apresentadas.
2 - A AM edita obras de vulto relativas à atividade de investigação desenvolvida e, bem assim, obras antigas, quando a sua edição se justifique pelo seu valor ou oportunidade.
Artigo 24.º — Prémios
1 - A AM atribui os prémios Almirante Sarmento Rodrigues e Almirante Teixeira da Mota, nos termos previstos em portaria do Ministro da Defesa Nacional.
2 - A AM pode propor a instituição, a título permanente ou não, de prémios e dignidades académicas de incentivo no campo da investigação científica e das manifestações de artes e letras, suportados por verbas a inscrever no seu orçamento ordinário ou por subsídios concedidos à AM.
Artigo 25.º — Receitas e despesas
1 - Constituem receitas da AM, para além das dotações que lhe forem atribuídas no Orçamento do Estado:
O produto da venda de publicações por si editadas;
Os subsídios, liberalidades ou comparticipações concedidos por entidades públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras;
Quaisquer outras receitas que por lei, ato ou contrato lhe sejam atribuídas.
2 - As receitas referidas nas alíneas do número anterior são afetas ao pagamento de despesas da AM, mediante inscrição de dotações no orçamento de despesa com compensação em receita.
Secção I — Disposição geral
Secção II — Junta de Recrutamento e Classificação
Secção III — Juntas de saúde dos comandos
Secção IV — Junta de Saúde Naval
Secção V — Junta Médica de Revisão da Armada
Secção VI — Disposições comuns
Secção IV — Escolas e centros de formação do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Subsecção I — Disposições gerais
Subsecção II — Escolas do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Subsecção III — Centros do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Subsecção I — Disposição geral
Subsecção II — Sistema de Saúde Naval
Subsecção III — Laboratórios
Subsecção IV — Depósitos
Subsecção V — Outros órgãos
Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 25 de junho de 2015. - Paulo Sacadura Cabral Portas - Hélder Manuel Gomes dos Reis - Berta Maria Correia de Almeida de Melo Cabral.
Promulgado em 27 de julho de 2015.
Publique-se.
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Referendado em 30 de julho de 2015.
O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho.
Artigo 14.º-A — Presidente de Honra
O Presidente da República é o presidente de honra da Academia de Marinha.
Secção III — Conselho Superior de Disciplina da Armada
Artigo 73.º-A — Conselho Superior de Disciplina da Armada
1 - O CSDA é o órgão consultivo e de apoio do CEMA em matéria disciplinar.
2 - A composição, o funcionamento e as competências do CSDA constam do Regulamento de Disciplina Militar.
Secção IV — Junta Médica de Revisão da Armada
Artigo 73.º-B — Missão
A JMRA é um órgão de conselho do CEMA, que tem por missão estudar e emitir parecer sobre os recursos relativos às decisões das entidades competentes, baseadas em pareceres emitidos por outras juntas médicas da Marinha.
Artigo 73.º-C — Competências
1 - À JMRA compete:
Estudar e emitir parecer sobre os recursos relativos às decisões das entidades competentes, baseadas em pareceres emitidos pela Junta de Recrutamento e Classificação (JRC), juntas de saúde dos comandos (JSC) e Junta de Saúde Naval (JSN);
Emitir parecer sobre a não satisfação das condições gerais de promoção, nos termos do EMFAR.
2 - Os pareceres da JMRA estão sujeitos a homologação do CEMA.
Artigo 73.º-D — Composição
1 - A JMRA tem a seguinte composição:
O presidente;
Dois vogais nomeados com caráter permanente;
Dois vogais nomeados com caráter eventual e em conformidade com os casos em apreciação.
2 - O presidente da JMRA é um oficial general, na situação de reserva.
3 - Os vogais são oficiais da classe de médicos navais.
4 - O vogal mais moderno presente na sessão da JMRA desempenha as funções de secretário.
5 - Os membros da JMRA são nomeados por despacho do CEMA.
Artigo 110.º-A — Base de Fuzileiros
1 - À BF compete prestar apoio logístico às unidades e forças de fuzileiros, em particular:
Prestar apoio técnico, logístico e administrativo ao CCF e às forças e unidades de fuzileiros sediadas no Alfeite, relacionados com o seu aprontamento e emprego operacional;
Garantir a segurança das instalações situadas na sua área com meios próprios ou que lhe sejam atribuídos para o efeito;
Prestar, quando determinado, apoio logístico à EF e outras unidades de fuzileiros não sediadas no Alfeite;
Assegurar, quando determinado, os militares necessários para a constituição de um elemento de apoio de serviços em combate às forças de fuzileiros.
2 - O Comandante da BF encontra-se na direta dependência do Comandante do Corpo de Fuzileiros.
Subsecção I — Disposições gerais
Subsecção II — Escolas do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Artigo 114.º-A — Escola de Fuzileiros
1 - A EF é um órgão de base, na direta dependência do Comandante do Corpo de Fuzileiros.
2 - A EF tem por missão assegurar a formação militar-naval dos militares da Marinha, nomeadamente a formação inicial e contínua, sem prejuízo das competências de outras entidades.
3 - À EF compete:
Assegurar a formação militar-naval básica das praças da Marinha;
Assegurar a formação, inicial e contínua, de caráter técnico-naval dos militares da classe de condutores mecânicos de automóveis e da classe de fuzileiros;
Colaborar no ensino de caráter técnico-naval dos sargentos da classe de condutores mecânicos de automóveis e da classe de fuzileiros, no âmbito do ensino superior politécnico militar;
Colaborar na formação dos oficiais, designadamente da classe de fuzileiros;
Assegurar a formação e atividades no âmbito do comportamento organizacional, do aprontamento de elementos nacionais destacados dos vários ramos das Forças Armadas, de militarizados e civis em áreas específicas, assim como outras que lhe sejam cometidas;
Contribuir para a formação técnica ou manutenção dos perfis profissionais de outro pessoal da Marinha ou de outras entidades, públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, sem prejuízo do disposto nas alíneas anteriores;
Participar, sempre que solicitado, na elaboração de estudos de natureza especializada e no acompanhamento dos processos técnicos ou pedagógicos no domínio da formação;
Manter o acervo museológico de artefactos, armamento, obras de arte militar e a heráldica respeitantes à história dos fuzileiros, sem prejuízo da competência do Museu de Marinha (MM).
4 - O Comandante da EF é um oficial da classe de fuzileiros.
Subsecção III — Centros do Sistema de Formação Profissional da Marinha
Artigo 118.º-A — Estrutura
1 - A Flotilha compreende:
O Comando da Flotilha;
As esquadrilhas e os agrupamentos de unidades operacionais;
O CITAN;
O Centro de Experimentação Operacional da Marinha (CEOM);
Os órgãos de apoio.
2 - As esquadrilhas e os agrupamentos de unidades operacionais são criados e extintos por despacho do CEMA.
Artigo 118.º-B — Comandante da Flotilha
1 - Ao Comandante da Flotilha compete:
Planear, organizar, dirigir e controlar as atividades da Flotilha;
Apoiar logística e administrativamente as forças, unidades e destacamentos operacionais;
Coordenar, controlar e inspecionar as atividades e funcionamento das esquadrilhas, dos agrupamentos de unidades operacionais, do CITAN e do CEOM;
Avaliar o nível de prontidão das forças, unidades e destacamentos e de desempenho das respetivas guarnições;
Propor as medidas que assegurem a articulação dos planos de aprontamento das forças, unidades e destacamentos com os planos operacionais aprovados;
Propor os padrões de prontidão que as unidades navais e outros meios operacionais devem satisfazer, bem como a sua atualização;
Aprovar os normativos e regular a atividade de treino e avaliação das forças e unidades operacionais atribuídas;
Estabelecer as regras e os procedimentos de certificação formal dos oficiais para o exercício das funções de oficial de quarto à ponte a bordo das unidades navais;
Homologar os resultados das ações de treino e avaliação efetuadas em submarinos, em unidades de mergulhadores, em helicópteros e outros meios aeronavais da Marinha e em unidades de abordagem;
Homologar os planos de treino e avaliação das várias classes de navios;
Propor a homologação das alterações aos padrões de prontidão propostos para cada classe de navios e para outros meios operacionais;
Homologar as alterações aos normativos e aos procedimentos de operação propostos para cada classe de navios e para outros meios operacionais;
Exercer as funções de autoridade de controlo das qualificações dos controladores de aeronaves, definindo os procedimentos de qualificação e procedendo à homologação da atribuição dos respetivos graus;
Supervisionar a atuação do Gabinete de Prevenção de Acidentes Aéreos;
Presidir ao Grupo Permanente de Análise de Acidentes Marítimos.
2 - O Comandante da Flotilha é um contra-almirante na direta dependência do Comandante Naval e desempenha, cumulativamente, as funções de 2.º Comandante Naval.
3 - O Comandante da Flotilha é coadjuvado e substituído, nas suas ausências, faltas e impedimentos, pelo 2.º Comandante da Flotilha.
Artigo 118.º-C — Centro de Experimentação Operacional da Marinha
1 - O CEOM tem por missão apoiar a experimentação operacional da Marinha, e dos parceiros, combinando as capacidades e os conhecimentos necessários, visando o desenvolvimento futuro das tecnologias emergentes, contribuindo para o respetivo desenvolvimento científico e inovação orientado para o oceano.
2 - Ao CEOM compete:
Apoiar as atividades de experimentação operacional da Marinha;
Apoiar as atividades de experimentação nas áreas tecnológicas e no processo de testes, provas, e validação de conceitos de operação e respetivos requisitos operacionais, desempenhando o papel de facilitador à experimentação de conceitos inovadores em infraestruturas e áreas de teste adequadas a:
Outros ramos das Forças Armadas;
ii) Parceiros e aliados;
iii) Autoridades governamentais e públicas;
iv) Academia;
Centros de investigação, desenvolvimento e inovação, da indústria, nacionais e internacionais.
3 - O CEOM encontra-se na direta dependência do Comandante da Flotilha.
4 - A estrutura e competências do CEOM são definidas em regulamento interno.
Artigo 128.º-A — Direção Cultural da Marinha
1 - A DCM tem por missão divulgar e garantir a preservação da memória histórica da Marinha e contribuir para o desenvolvimento cultural e científico nacional, no âmbito das artes, das letras e das ciências relacionadas com o mar.
2 - À DCM compete:
Assegurar, na sua área de responsabilidade, as atividades da Marinha no domínio da cultura;
Apoiar nas atividades dos órgãos de natureza cultural (ONC), nomeadamente no âmbito administrativo-financeiro, jurídico, logístico e técnico;
Elaborar e implementar a doutrina da Marinha, na sua área de responsabilidade;
Aprovar os normativos funcionais e técnicos que regulam a atividade cultural da Marinha;
Elaborar diretivas, planos, estudos, propostas, informações e pareceres relativos à atividade cultural da Marinha;
Assegurar a gestão dos sistemas de informação relativos ao inventário, catalogação e descrição arquivística do património histórico da Marinha;
Assegurar a divulgação e valorização do património cultural da Marinha;
Promover a atividade de conceção, edição e divulgação, no âmbito das áreas da sua responsabilidade, em suportes distintos, assegurando os direitos de autor e editoriais;
Promover a conceção e a comercialização de produtos relacionados com a imagem do património cultural e a respetiva identidade, no âmbito da área da sua responsabilidade, em coordenação com o Gabinete do CEMA;
Promover a celebração de protocolos e parcerias de colaboração ou cooperação com entidades públicas ou privadas, nomeadamente, tendo em vista a promoção e divulgação das atividades da sua responsabilidade;
Promover a realização de estudos técnico-científicos relativos ao património histórico da Marinha, estabelecendo parcerias com outras entidades, nomeadamente universidades e centros de investigação.
Artigo 133.º-A — Fragata D. Fernando II e Glória
1 - A FDFG tem por missão assegurar a conservação, valorização e divulgação das tradições marítimas nacionais, representante das missões realizadas pela Marinha, contribuindo para a cultura e enriquecimento da história marítima e para o conhecimento do mar, e compreende a unidade auxiliar da Marinha (UAM) D. Fernando II e Glória e os navios-museu.
2 - A UAM D. Fernando II e Glória é regulada por legislação própria.
3 - À FDFG compete:
Desenvolver ações culturais e interculturais, no âmbito das tradições do mar e da promoção da cultura marítima portuguesa;
Assegurar a preservação, proteção, valorização e divulgação da UAM D. Fernando II e Glória e dos navios-museu;
Desenvolver atividades que contribuem para a sensibilização e divulgação da UAM D. Fernando II e Glória e navios-museu junto do público, incluindo ações de âmbito educativo, de forma a promover o conhecimento das áreas da sua responsabilidade.
4 - O comandante da UAM D. Fernando II e Glória acumula a direção da FDFG e, neste âmbito, encontra-se na direta dependência do diretor Cultural da Marinha.
Artigo 133.º-B — Fragata D. Fernando II e Glória
1 - A FDFG tem por missão assegurar a conservação, valorização e divulgação das tradições marítimas nacionais, representante das missões realizadas pela Marinha, contribuindo para a cultura e enriquecimento da história marítima e para o conhecimento do mar, e compreende a unidade auxiliar da Marinha (UAM) D. Fernando II e Glória e os navios-museu.
2 - A UAM D. Fernando II e Glória é regulada por legislação própria.
3 - À FDFG compete:
Desenvolver ações culturais e interculturais, no âmbito das tradições do mar e da promoção da cultura marítima portuguesa;
Assegurar a preservação, proteção, valorização e divulgação da UAM D. Fernando II e Glória e dos navios-museu;
Desenvolver atividades que contribuem para a sensibilização e divulgação da UAM D. Fernando II e Glória e navios-museu junto do público, incluindo ações de âmbito educativo, de forma a promover o conhecimento das áreas da sua responsabilidade.
4 - O comandante da UAM D. Fernando II e Glória acumula a direção da FDFG e, neste âmbito, encontra-se na direta dependência do diretor Cultural da Marinha.
Artigo 142.º-A — Instituto Hidrográfico
1 - O IH tem por missão assegurar as atividades de investigação e desenvolvimento tecnológico relacionadas com as ciências e as técnicas do mar, tendo em vista a sua aplicação prioritária em operações militares navais, designadamente nas áreas da hidrografia, da cartografia hidrográfica, da segurança da navegação, da oceanografia e da defesa do meio marinho.
2 - O diretor-geral do IH é um contra-almirante, na direta dependência do CEMA.
3 - O diretor-geral do IH dispõe de autoridade técnica sobre todos os órgãos da Marinha nos domínios dos levantamentos hidrográficos e da cartografia hidrográfica e, no âmbito da sua competência, da segurança da navegação, dos métodos e material de navegação, da oceanografia física, da geologia marinha e da oceanografia química.
4 - A estrutura orgânica, as atribuições, as competências e o regime administrativo e financeiro do IH são estabelecidos por diploma próprio.
Artigo 142.º-B — Serviço de Busca e Salvamento Marítimo
1 - O SBSM é o serviço responsável pelas ações de busca e salvamento relativas a acidentes ocorridos com navios ou embarcações.
2 - As atribuições, as competências, a organização e o funcionamento dos órgãos do SBSM constam de legislação própria.
3 - O CEMA dirige o SBSM.
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