Decreto-Lei n.º 142-A/91 — Código do Mercado de Valores Mobiliários
Este é o ato tal como foi publicado. As alterações posteriores não estão incorporadas no texto: cada uma é um ato autónomo neste repositório e uma entrada no historial desta lei.
17 atos modificativos · 2021-03-23, Decreto-Lei n.º 23/2021 — Determina a cessação de vigência de decretos-leis publicados en…
Código do Mercado de Valores Mobiliários
7 - O disposto no número anterior é aplicável, quando a emissão dependa de autorização administrativa nos termos do artigo 111.º, aos documentos exigidos no n.º 1 do presente artigo que tenham instruído o requerimento de autorização, devendo, nesse caso, a CMVM solicitar da entidade que a concedeu, e esta enviar-lhe, com a maior prontidão, cópia dos documentos em causa.
Artigo 135.º — Anúncio de lançamento
1 - O anúncio de lançamento a que se refere a alínea m) do n.º 1 do artigo anterior deve obrigatoriamente indicar, para além dos elementos exigidos no n.º 1 do artigo 156.º e de outros que venham a ser estabelecidos pela CMVM de modo geral, mediante regulamento, ou para qualquer emissão específica, nas condições do respectivo registo:
A identificação e sede social ou domicílio da entidade emitente;
A natureza, características e quantidade dos valores mobiliários objecto da oferta e se os mesmos se destinam ou não a ser admitidos à cotação em bolsa ou em mercados secundários especiais;
Se a oferta é lançada para subscrição directa ou indirecta;
A identificação do intermediário ou intermediários financeiros encarregados da colocação da emissão, bem como, no último caso, do líder ou líderes do consórcio entre eles formado para o efeito;
Tratando-se de subscrição directa, se o intermediário ou intermediários financeiros referidos na alínea anterior garantem, e em que termos, a colocação da emissão;
O preço da subscrição e as condições do seu pagamento;
O prazo da oferta, com especificação da data em que, nos termos do artigo 157.º, as subscrições se iniciam e da última data e hora até à qual podem ser recebidas, bem como, quando for o caso, o período reservado ao exercício de direitos de preferência;
O critério ou critérios de rateio a adoptar quando, em virtude das condições da oferta, a ele possa haver lugar;
Quaisquer condições especiais, legalmente admissíveis, a que a subscrição fique sujeita.
2 - Salvo quando resulte de disposição legal que o determine ou permita, o estabelecimento, para os efeitos da alínea h) do número anterior, de critérios de rateio diferentes do proporcional ao valor das subscrições dos interessados depende de autorização da CMVM.
3 - Se, através do exame do prospecto, dos demais documentos que integram o processo de registo e das características da emissão e da oferta, ou em virtude de outras informações que possua, não considerar razoavelmente assegurada a admissão dos valores em causa à cotação na bolsa ou no mercado secundário especial a que se destinem, a CMVM não autorizará a inserção dessa referência no prospecto e no anúncio de lançamento da oferta nem em qualquer publicidade directa ou indirecta que desta se faça.
4 - O facto de a CMVM haver consentido que no prospecto e no anúncio de lançamento da oferta se inclua a menção de que os valores objecto da oferta se destinam a ser admitidos à cotação em bolsa ou em mercado secundário especial não envolve da parte dela qualquer garantia ou responsabilidade quanto à efectiva admissão de tais valores à cotação.
Artigo 136.º — Apreciação do pedido
1 - A CMVM poderá:
Solicitar da entidade emitente os elementos, informações ou esclarecimentos adicionais que considere necessários para a apreciação do pedido de registo;
Solicitar de terceiros quaisquer outros elementos e informações de que careça para o mesmo fim;
Condicionar o registo à prévia introdução no prospecto, no anúncio de lançamento da oferta, no boletim de subscrição ou em quaisquer outros documentos que instruam o pedido, das modificações ou aditamentos que julgue necessários para assegurar o cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis e, nomeadamente, a adequada protecção dos investidores, solicitando da entidade emitente a apresentação de nova versão, reformulada, desses documentos.
2 - A deliberação da CMVM, com a concessão ou recusa do registo, deve ser notificada à entidade emitente no prazo de 30 dias contados da data da entrada do pedido, acompanhado de toda a documentação que o deva instruir, ou, verificando-se qualquer das hipóteses previstas no número anterior, nos 30 dias subsequentes à data em que sejam recebidos na Comissão os elementos, informações, esclarecimentos ou documentos reformulados que nesse número se referem ou em que termine o prazo fixado pela Comissão para a sua entrega.
3 - Se a decisão da CMVM não for notificada à entidade emitente no prazo a que se refere o número precedente, considerar-se-á tacitamente indeferido o pedido de registo.
Artigo 137.º — Recusa do registo
1 - A CMVM recusará o registo da emissão sempre que se verifique alguma das seguintes circunstâncias:
Falta de conformidade do pedido com o disposto no artigo 133.º;
Falta de apresentação de qualquer dos documentos referidos no artigo 134.º dos elementos, informações e esclarecimentos adicionais previstos na alínea a) do n.º 1 do artigo 136.º ou dos documentos reformulados a que se refere a alínea c) do mesmo número;
Falta de conformidade desses documentos, ou das deliberações, resoluções, actos ou factos que se destinam a certificar, registar ou divulgar, com os preceitos legais e regulamentares que lhes respeitem, sem prejuízo, todavia, da competência legal específica de outras entidades públicas que os hajam emitido;
Não se encontrar a entidade emitente constituída de acordo com a legislação por que se reja ou em situação jurídica que permita a sua subsistência ou o normal desenvolvimento das suas actividades no âmbito dessa legislação;
Falta ou irregularidade da aprovação da emissão pelos órgãos competentes, ou desconformidade dos valores mobiliários a emitir com as disposições legais e estatutárias que os regulem;
Não reunir o prospecto da emissão as condições necessárias para a sua aprovação, nos termos do artigo 154.º;
Ser, por qualquer outro motivo, a emissão ilegal ou envolver fraude à lei.
2 - Nos casos do número anterior, sendo sanáveis as faltas ou vícios impeditivos do registo da emissão, a CMVM só o recusará se a entidade emitente, depois de notificada para os suprir em prazo razoável que a Comissão lhe fixe, não proceder dentro desse prazo ao respectivo suprimento.
3 - Sem prejuízo de a CMVM dever procurar que a informação prestada no prospecto e no material publicitário utilizado para a colocação da emissão seja o mais completa e objectiva possível e explicite adequadamente os riscos do investimento, a recusa do registo não poderá basear-se em quaisquer juízos sobre o mérito económico e financeiro da entidade emitente ou da operação proposta aos investidores.
Artigo 138.º — Registo
1 - Não se verificando qualquer dos impedimentos mencionados no artigo anterior, a CMVM procederá ao registo da emissão e notificará imediatamente do facto a entidade emitente e o intermediário financeiro ou consórcio encarregado da respectiva colocação.
2 - A partir da data da notificação podem os interessados iniciar todas as diligências e praticar todos os actos necessários à colocação da emissão, nos termos e dentro dos limites que resultem do disposto no presente diploma e dos documentos que serviram de base ao registo.
3 - A concessão do registo significa que a CMVM considera a emissão conforme com a legislação aplicável, mas não envolve por parte dela qualquer garantia ou responsabilidade quanto à suficiência, veracidade, objectividade ou actualidade da informação prestada pela entidade emitente, nem qualquer juízo sobre a situação e viabilidade económica e financeira dessa entidade, a viabilidade dos investimentos que o produto da emissão se destine a financiar, a oportunidade ou adequação da própria operação ou a qualidade dos valores mobiliários a emitir.
4 - O estabelecido no número precedente deverá constar do prospecto da emissão, em termos que a CMVM regulamentarmente fixará.
Artigo 139.º — Caducidade do registo
1 - O registo caduca, para todos os efeitos, se o anúncio de lançamento da oferta pública de subscrição e o prospecto da emissão não forem publicados no prazo de um ano contado da data do último balanço e contas em que o registo se baseie, ou, não estando a entidade emitente obrigada à sua elaboração, da data a que se reportem os documentos de natureza equivalente por ela apresentados ou, na falta destes, as informações constantes do prospecto.
2 - Nos casos do número anterior, para a colocação da emissão deverá a entidade emitente solicitar um novo registo, aplicando-se o disposto no n.º 6 do artigo 134.º quer aos documentos que nessa disposição se referem, quer aos mencionados nas alíneas a), b), c), g), h), i), m), n) e p) do n.º 1 e nos n.os 2, 3 e 4 do mesmo artigo, se a requerente, quando for o caso, pretender utilizá-los tal como se encontram formulados, sem prejuízo, todavia, da apresentação do balanço ou balanços adicionais que se tornem necessários para o cumprimento do disposto na alínea f) do n.º 1 e no n.º 5 desse preceito.
3 - A data da caducidade do registo deverá obrigatoriamente constar da notificação da concessão deste último, estabelecida no n.º 1 do artigo precedente.
Artigo 140.º — Notificações
1 - As resoluções da CMVM, tanto interlocutórias como finais, sobre os pedidos de registo serão imediatamente notificadas aos interessados por telefax, telex ou telegrama e confirmadas em seguida por ofício, sob registo e com aviso de recepção.
2 - Havendo recurso das decisões notificadas, o prazo para a sua interposição contar-se-á, todavia, apenas a partir da data da recepção do ofício pelo interessado.
3 - Para efeitos do disposto no presente artigo, os interessados indicarão no pedido de registo o domicílio para onde devem ser remetidas as notificações e demais correspondência que se lhes destinem.
4 - Tratando-se de não residentes, deverá ser escolhido domicílio em Portugal.
Artigo 141.º — Língua
1 - O pedido de registo, os documentos destinados a instruí-lo e todos os demais elementos, informações ou esclarecimentos prestados à CMVM, bem como a correspondência trocada com esta, serão redigidos em português.
2 - Quando, por qualquer circunstância, haja de ser apresentado documento redigido em outra língua, será ele acompanhado da respectiva versão em português, feita por tradutor acreditado e devidamente legalizada, salvo dispensa expressa da CMVM.
Artigo 142.º — Encargos de registo
Pelo registo das emissões e demais serviços com elas relacionados pagarão as entidades emitentes à CMVM as taxas que vierem a ser fixadas para o efeito nos termos da alínea c) do n.º 1 e do n.º 2 do artigo 40.º
SECÇÃO III — Do prospecto
SUBSECÇÃO I — Disposições gerais
Artigo 143.º — Exigibilidade do prospecto
Nenhuma emissão de valores mobiliários abrangida no âmbito do presente capítulo pode ser oferecida à subscrição pública sem que previamente a entidade emitente publique um prospecto elaborado de conformidade com o estabelecido nesta secção, devidamente aprovado pela CMVM como documento integrante do registo da emissão.
Artigo 144.º — Regras gerais sobre o conteúdo e forma do prospecto
1 - O prospecto referido no artigo precedente deve conter toda a informação que, de acordo com a natureza da entidade emitente e dos valores mobiliários a que a oferta pública de subscrição respeita, seja razoavelmente necessária para que os investidores possam formular um juízo fundamentado sobre as actividades, o património, a situação financeira, os resultados, as perspectivas e as demais características relevantes da entidade emitente, bem como sobre os direitos inerentes aos referidos valores mobiliários, e fiquem habilitados a avaliar adequadamente o investimento que lhes é proposto e o risco por ele envolvido.
2 - A informação constante do prospecto deve ser verdadeira, completa, objectiva, tecnicamente precisa, adequadamente sistematizada, exposta de forma clara e expressa em linguagem acessível aos investidores a que se destina.
3 - A CMVM poderá estabelecer, mediante regulamento, as normas a observar na organização e elaboração do prospecto para cumprimento do disposto no número anterior.
Artigo 145.º — Dispensa de informação
1 - A CMVM pode dispensar a inclusão no prospecto de qualquer informação:
Cuja divulgação seja contrária ao interesse público;
Cuja publicação comprovadamente envolva para a entidade emitente um prejuízo grave ou risco sério da ocorrência desse prejuízo;
Que a entidade emitente, no cumprimento de disposições legais ou regulamentares a que se encontre sujeita, haja divulgado antes da publicação do prospecto em termos que satisfaçam, pelo seu conteúdo e forma e pela data a que a informação se reporte, aos requisitos que teria de preencher para a sua inserção no próprio prospecto.
2 - A CMVM poderá exigir, para a concessão da dispensa prevista na alínea a) do número anterior, a apresentação pelos interessados de documento emanado do ministro competente, certificando que a divulgação da informação é contrária ao interesse público.
3 - Tanto nos casos da alínea a) como nos da alínea b) do n.º 1 só poderá conceder-se a dispensa quando a omissão da informação não for de molde a induzir o público em erro sobre factos e circunstâncias essenciais para a avaliação do investimento.
4 - Nos casos da alínea c) do n.º 1 a dispensa só será concedida desde que:
A CMVM entenda que se encontra garantida a disponibilidade ou fácil obtenção da informação em causa pelo público e que a falta da sua integração no próprio prospecto não afecta de maneira relevante a precisão e clareza deste, nem a possibilidade de os investidores formularem um juízo fundamentado sobre as matérias referidas no n.º 1 do artigo 144.º;
Nos lugares em que, dentro da sistemática do prospecto, essa informação deveria inserir-se, se lhe faça expressa referência e se indique o modo como pode ser obtida.
Artigo 146.º — Utilização de prospecto anterior
1 - Sempre que, nos seis meses que precedam a abertura da subscrição pública, directa ou indirecta, de uma emissão, a entidade emitente tenha publicado um prospecto completo, elaborado nos termos do presente diploma, com vista a oferta pública de subscrição ou transação ou à admissão à cotação em bolsa de valores mobiliários da mesma ou de diferente natureza e categoria, a CMVM poderá autorizar que o prospecto da nova emissão se limite a especificar as modificações entretanto ocorridas nos dados constantes do prospecto anterior, a adaptá-lo, se for o caso, à diferente natureza da operação e a aditar-lhe, quando necessário, as informações apropriadas às características específicas dos valores mobiliários a emitir e as conclusões do relatório da auditoria a que se refere a alínea a) do n.º 2 do artigo 148.º
2 - O procedimento mencionado no número precedente só será, todavia, admitido desde que:
A CMVM entenda que daí não resulta insuficiência ou falta de precisão ou clareza da informação oferecida aos investidores para os efeitos do n.º 1 do artigo 144.º;
O novo prospecto seja publicado ou colocado à disposição do público, nos termos do artigo 156.º, conjuntamente com o prospecto anterior que lhe serve de base.
Artigo 147.º — Dispensa de prospecto
1 - É dispensada de publicação de prospecto a emissão de obrigações ou outros valores mobiliários representativos de dívida por sociedades ou outras pessoas colectivas que beneficiem, para o exercício da sua actividade, de um monopólio de Estado, desde que o pagamento tanto do capital como dos juros ou outras remunerações a que os valores a emitir dêem direito seja assegurado por garantia incondicional, solidária e irrevogável do Estado.
2 - O Ministro das Finanças poderá, mediante portaria e com audiência prévia do Banco de Portugal e da CMVM, dispensar, no todo ou em parte, da publicação de prospecto:
A emissão de obrigações e outros valores mobiliários assimiláveis a obrigações realizada, de maneira contínua ou repetida, por instituições de crédito e outras instituições financeiras equiparáveis a instituições de crédito que publiquem regularmente as suas contas anuais e se encontrem legalmente sujeitas a um controlo público com vista à protecção da poupança;
Outras emissões em que a dispensa se justifique ou decorra de disposições aplicáveis de direito comunitário.
3 - O Ministro das Finanças poderá delegar na CMVM ou, quanto às emissões referidas na alínea a) do número anterior, no Banco de Portugal a competência para conceder, caso a caso e de acordo com as circunstâncias, qualquer das dispensas de publicação de prospecto previstas neste artigo.
SUBSECÇÃO II — Do conteúdo do prospecto
Artigo 148.º — Conteúdo normal do prospecto
1 - Para os efeitos do disposto no n.º 1 do artigo 144.º, e sem prejuízo das excepções e limitações previstas no presente diploma, o prospecto deve conter, pelo menos, informações adequadas sobre:
Os responsáveis pelo conjunto do prospecto e por qualquer parte dele, nos termos do artigo 160.º;
As condições e características da oferta pública de subscrição incluindo, quando necessário, o regime aplicável em caso de subscrição incompleta;
A natureza, montante e objectivos da emissão;
A natureza e características dos valores mobiliários objecto da emissão, bem como o seu preço de aquisição e respectivas condições de pagamento;
Se os valores a subscrever se destinam ou não a ser admitidos à cotação em bolsa ou à negociação em mercados secundários especiais;
O intermediário financeiro ou consórcio encarregado da colocação da emissão e as condições gerais do contrato celebrado para o efeito;
O contrato de liquidez, quando exista;
A identificação e caracterização geral da entidade emitente;
Os órgãos de administração, direcção e fiscalização da entidade emitente;
As actividades da entidade emitente;
O património, a situação financeira e os resultados da entidade emitente e sua evolução nos três exercícios anteriores ao da emissão, ou nos exercícios decorridos, se a entidade emitente tiver sido constituída há menos de três anos;
Na medida em que sejam relevantes para a avaliação da entidade emitente e do investimento, as perspectivas de evolução dos negócios daquela, pelo menos até ao fim do exercício em curso;
Quaisquer outras matérias que a CMVM venha a estabelecer através do regulamento a que se refere o n.º 4 do presente artigo.
2 - O prospecto reproduzirá literalmente:
As conclusões do relatório de auditoria exigido na alínea l) do n.º 1 do artigo 134.º;
As conclusões do estudo de viabilidade económica e financeira da entidade emitente ou do empreendimento, quando exigível nos termos do n.º 3 do mesmo artigo.
3 - À transcrição, no prospecto, das conclusões mencionadas no número anterior aditar-se-á um resumo conciso dos respectivos pressupostos e fundamentos sempre que isso se mostre necessário ou conveniente para a sua adequada compreensão e apreciação.
4 - Compete à CMVM fixar, mediante regulamento, e tendo em conta, quando for o caso, o estabelecido nas directivas comunitárias aplicáveis, as informações que o prospecto deva obrigatoriamente conter para os efeitos do disposto no n.º 1 deste artigo.
Artigo 149.º — Informações adicionais
1 - Se a oferta pública de subscrição tiver por objecto valores mobiliários de crédito garantidos por uma ou mais pessoas colectivas, o prospecto incluirá também obrigatoriamente as informações previstas nas alíneas h) a m) do n.º 1 do artigo precedente, bem como, quando aplicável, na alínea n) do mesmo número, com referência aos garantes.
2 - Tratando-se da emissão de valores mobiliários convertíveis em acções ou que confiram direito à subscrição ou aquisição de acções ou de obrigações, o prospecto deverá conter ainda:
Todas as informações necessárias sobre a natureza dessas acções ou obrigações, os direitos que lhes são inerentes e as condições e modalidades da conversão, subscrição ou aquisição referidas;
As informações previstas nas alíneas h) a m) e, quando aplicável, na alínea n) do n.º 1 do artigo anterior, sobre a entidade emitente das mesmas acções ou obrigações, se for diferente da que emite os valores mobiliários que a elas dão direito.
Artigo 150.º — Redução do conteúdo e dispensa do prospecto
1 - Em caso de oferta pública de subscrição de acções, se a entidade emitente já tiver cotadas em bolsa acções da mesma categoria, a CMVM poderá:
Tratando-se de emissão com direito de preferência para os accionistas da própria entidade emitente, autorizar que se omitam no prospecto, relativamente às matérias especificadas no n.º 1 do artigo 148.º, quaisquer informações que considere haverem já sido colocadas à disposição dos investidores, devidamente actualizadas e em forma adequada, através das publicações a que a entidade emitente se encontra obrigada por força dos artigos 339.º a 348.º, 359.º e 371.º;
Se, independentemente de a emissão ser feita com ou sem direito de preferência para os accionistas da entidade emitente, o número ou o valor das acções a emitir for inferior a 10% do número ou do valor correspondente das acções já cotadas, autorizar a dispensa total ou parcial de prospecto, na medida em que considere que as informações que deste teriam de constar já se encontram à disposição dos investidores, actualizadas e em forma adequada, através das publicações efectuadas pela entidade emitente nos termos das disposições referidas na alínea anterior.
2 - Nos casos do número precedente a informação omitida deverá ser expressamente referenciada, com indicação do modo como os interessados podem obtê-la, nos lugares em que, dentro da sistemática do prospecto, essa informação se inseriria, ou, se ocorrer dispensa total do prospecto, em nota informativa elaborada pela entidade emitente exclusivamente para esse efeito e com divulgação idêntica à do prospecto.
Artigo 151.º — Adaptação do prospecto em casos especiais
1 - Sempre que as informações exigidas no n.º 1 do artigo 148.º se revelem inadequadas à forma jurídica, características particulares ou actividades específicas da entidade emitente ou à natureza e características dos valores mobiliários a emitir, deverá organizar-se um prospecto apropriado, contendo informações equivalentes.
2 - A CMVM poderá estabelecer, através de regulamento, as normas necessárias para o cumprimento do disposto no número anterior.
Artigo 152.º — Prospecto em caso de emissão e admissão à cotação
1 - Quando a oferta pública de subscrição incida sobre valores mobiliários que devam ao mesmo tempo ser objecto de um pedido de admissão à cotação oficial em bolsa de valores, a entidade elaborará um único prospecto para esses dois efeitos, contendo a informação necessária e sendo aprovado e publicado de modo a satisfazer simultaneamente ao estabelecido no presente capítulo e ao disposto nos artigos 321.º e seguintes.
2 - Nos casos do número anterior, se a oferta pública de subscrição ou a admissão à cotação em bolsa de valores tiver lugar em outro Estado membro da Comunidade Económica Europeia a entidade emitente poderá elaborar dois prospectos distintos ou apenas um, desde que o que sirva de suporte ao acto a praticar em Portugal satisfaça, quer quanto ao seu conteúdo, quer quanto à sua aprovação e publicação, o estabelecido no presente diploma.
Artigo 153.º — Rectificação do prospecto e prospecto complementar
1 - Sempre que, entre a data em que o prospecto é apresentado à CMVM para efeitos de registo da emissão e a data do encerramento da oferta pública de subscrição, ocorra qualquer facto novo, ou se tome conhecimento de qualquer facto anterior não considerado no prospecto, de alterações sensíveis dos factos ou situações em que este se baseou, ou, ainda, de inexactidões significativas na informação que dele consta, e tais factos, alterações ou inexactidões forem susceptíveis de influir de maneira relevante na avaliação da entidade emitente e do investimento pelo público, a entidade emitente deverá:
Informar imediatamente a CMVM;
Se o registo não tiver sido ainda concedido, introduzir no projecto de prospecto, e sujeitar à aprovação da CMVM, as modificações apropriadas;
Se o registo já tiver sido concedido mas o prospecto não se encontrar ainda publicado, sustar a sua publicação e proceder de conformidade com o disposto na alínea anterior;
Se o prospecto já tiver sido publicado, suspender imediatamente a oferta pública de subscrição, mediante anúncio publicado nos mesmos termos que o anúncio de lançamento, e providenciar com a maior diligência a elaboração, aprovação pela CMVM e publicação de um prospecto complementar destinado a assegurar aos investidores informação adequada sobre esses factos, alterações ou inexactidões.
2 - À elaboração e à aprovação pela CMVM do prospecto complementar previsto na alínea d) do número precedente aplicar-se-ão, com as devidas adaptações, as disposições do presente diploma relativas ao prospecto inicial ou os procedimentos especiais que a CMVM vier a estabelecer mediante regulamento com vista a garantir a celeridade da veiculação da informação em causa para o público.
3 - As pessoas e entidades referidas no n.º 1 do artigo 160.º, que tenham conhecimento de quaisquer factos ou circunstâncias abrangidos pelo n.º 1 do presente artigo, devem comunicá-los imediatamente à entidade emitente e à CMVM, sob pena de se tornarem responsáveis perante os investidores pela falta de informação oportuna sobre esses factos ou circunstâncias.
4 - Nos casos da alínea d) do n.º 1, se a entidade emitente não suspender imediatamente a oferta pública, a CMVM procederá por si mesma a essa suspensão.
5 - A suspensão manter-se-á, em qualquer dos casos, até ao 5.º dia posterior à data da publicação do prospecto complementar, tendo os investidores o direito de, no prazo e termos que se estabelecem nos n.os 5 e 6 do artigo 172.º, rescindir os compromissos e contratos de aquisição de valores mobiliários entretanto subscritos e exigir o reembolso das quantias pagas em contrapartida.
SUBSECÇÃO III — Da aprovação do prospecto
Artigo 154.º — Recusa de aprovação do prospecto
1 - A CMVM deve recusar a aprovação do prospecto quando entenda que os interesses dos investidores não se encontram adequadamente protegidos, em virtude da verificação de alguma das seguintes circunstâncias:
Falta de veracidade de informações relevantes nele contidas, manifesta em si mesma ou comprovada por elementos ou conhecimentos de que, por qualquer forma, a CMVM disponha;
Falta de objectividade do prospecto, designadamente por conter previsões, interpretações, apreciações ou outros juízos de valor não suficientemente apoiados em factos comprovados ou em relações necessária ou comprovadamente existentes entre esses factos;
Apresentar-se o prospecto incompleto quanto à informação exigível, ou redigido em termos vagos, ambíguos ou de qualquer outro modo susceptíveis de induzir em erro o investidor, e, nomeadamente, não explicitar de maneira clara os factores especiais de risco envolvidos pelo investimento, quando existam;
Mostrar-se a operação organizada, ou a sua execução programada, em condições iníquas para os investidores ou que impliquem, por qualquer forma, um tratamento injustificadamente discriminatório entre eles;
Em geral, não se conformar o prospecto, quanto à sua estruturação, conteúdo e forma, com as disposições do presente diploma ou com as normas regulamentares que vierem a ser estabelecidas para a sua execução.
2 - Aplica-se à apreciação e aprovação do prospecto pela CMVM o disposto, de modo geral, quanto à apreciação e aprovação do pedido de registo da emissão, no n.º 1 do artigo 136.º e no n.º 2 do artigo 137.º
3 - A aprovação do prospecto poderá ainda ser recusada se a entidade emitente, devidamente notificada para o efeito, não fornecer os elementos adicionais e quaisquer informações, esclarecimentos ou justificações que a CMVM julgue indispensáveis para a apreciação daquele documento, ou não proceder à sua reformulação de acordo com as indicações que lhe forem comunicadas pela CMVM como condicionadoras dessa aprovação.
Artigo 155.º — Prospecto aprovado por autoridade de outro Estado membro da CEE
O Ministro das Finanças estabelecerá, mediante portaria, sob proposta da CMVM ou com audiência prévia dela, e de acordo com as normas aplicáveis de direito comunitário, em que casos, em que termos e dentro de que limites um prospecto aprovado pelas autoridades competentes de outros Estados membros da Comunidade Económica Europeia, relativo a uma emissão oferecida à subscrição pública, simultaneamente ou em datas próximas, em Portugal e em outro ou outros desses Estados, deve ser reconhecido e aceite em Portugal, independentemente de nova apreciação, para efeitos de oferta pública, de subscrição a realizar no País ou de admissão dos valores mobiliários a que respeite à cotação em bolsa de valores nacional.
SUBSECÇÃO IV — Da publicação do prospecto
Artigo 156.º — Formas de publicação
1 - O prospecto deve ser publicado conjuntamente com o anúncio de lançamento da oferta pública, de subscrição, pela seguinte forma:
Através da simultânea inserção de ambos os documentos em, pelo menos, um jornal de grande circulação no País, fazendo-se constar de quaisquer publicações subsequentes do mesmo anúncio ou relacionadas com a oferta, e bem assim de toda a restante publicidade que se faça com vista à realização da operação, o título, número e data do jornal ou jornais em que o anúncio de lançamento e o prospecto foram pela primeira vez inseridos;
Ou através da publicação do anúncio de lançamento da oferta em, pelo menos, um jornal de grande circulação no País e da colocação à disposição do público, nos locais a que se alude no n.º 3 do presente artigo, de uma brochura contendo o teor do anúncio e do prospecto, fazendo-se constar de todas as publicações do mesmo anúncio ou relacionadas com a operação e da restante publicidade que desta se faça a existência da brochura e os locais onde pode ser gratuitamente obtida pelos interessados;
E, em qualquer dos casos, através da inserção nos boletins de cotações das bolsas de valores do texto integral do prospecto ou, pelo menos, de uma comunicação informando como foi publicado e onde pode ser obtido.
2 - As publicações previstas no número anterior, incluindo, nos casos da alínea b), a colocação da brochura ali referida à disposição do público, devem ter lugar no mesmo dia; se tal não suceder, considerar-se-á, para todos os efeitos, e nomeadamente para efeitos de caducidade do registo, nos termos do artigo 139.º, e de início do prazo da oferta, que a publicação teve lugar na data em que se mostre integralmente cumprido o disposto no mesmo número.
3 - Entre os locais referidos na alínea b) do n.º 1 incluir-se-ão obrigatoriamente a sede da entidade emitente, a sede e os estabelecimentos abertos ao público do intermediário ou intermediários financeiros encarregados da colocação da emissão e as bolsas de valores nacionais.
4 - A entidade emitente entregará à CMVM logo a seguir à sua publicação, um exemplar do jornal ou jornais e dos boletins de cotações em que tenham sido feitas as inserções previstas no n.º 1, e bem assim, quando for o caso, um exemplar da brochura mencionada na alínea b) do mesmo número.
Artigo 157.º — Prazo para publicação
1 - A primeira publicação do anúncio de lançamento da oferta pública de subscrição e a simultânea publicação do prospecto ou a sua colocação à disposição dos investidores devem ter lugar oito dias, pelo menos, antes da data fixada para o início da subscrição pelo público, ou, quando esta tenha de ser precedida, nos termos do artigo 122.º, de um período destinado ao exercício de direitos de preferência, da data em que esse período se inicie.
2 - O prospecto e o anúncio não poderão, todavia, ser publicados depois de o registo da emissão haver caducado nos termos do artigo 139.º
Artigo 158.º — Publicação de prospectos complementares
Os prospectos complementares previstos no artigo 153.º serão divulgados pela mesma forma por que o tiver sido o prospecto inicial, devendo a entidade emitente:
Promover essa divulgação com a maior urgência;
Publicar anúncio especial, com destaque apropriado, em, pelo menos, um jornal de grande circulação de Lisboa e outro do Porto, bem como nos boletins de cotações das bolsas de valores, informando os investidores da existência e razão de ser do prospecto complementar;
Inserir, com referência ao mesmo prospecto, tanto nesse anúncio como, a partir daí, nas publicações subsequentes do anúncio de lançamento da oferta pública e em toda a restante publicidade relativa à colocação da emissão, menções idênticas às exigidas no n.º 1 do artigo 156.º para o prospecto inicial.
Artigo 159.º — Nulidade das publicações
1 - As publicações referidas nos artigos anteriores considerar-se-ão nulas se não abrangerem todos os documentos que nesses artigos se indicam ou não forem efectuadas nos exactos termos que neles se estabelecem, e bem assim se os documentos publicados tiverem conteúdo diverso do aprovado pela CMVM.
2 - A nulidade das publicações pode, todavia, sanar-se, se não houver, entretanto, caducado o registo da oferta, através das novas publicações que se mostrem necessárias para o efeito, realizadas em conformidade com o disposto nos artigos precedentes e nas quais se refira expressamente a invalidade das publicações anteriores e a razão dela.
3 - Quando a nulidade da publicação respeite a prospecto complementar, a suspensão da oferta, prevista na alínea d) do n.º 1 e nos n.os 4 e 5 do artigo 153.º, manter-se-á até que a nulidade se mostre sanada nos termos do n.º 2 do presente artigo.
SUBSECÇÃO V — Da responsabilidade pelo conteúdo do prospecto
Artigo 160.º — Pessoas responsáveis pelo conteúdo do prospecto
1 - São responsáveis pela suficiência, veracidade, objectividade e actualidade das informações contidas no prospecto à data da sua publicação:
A entidade emitente;
Os membros do seu órgão de administração;
Os membros do conselho fiscal, ou órgão equiparado, da entidade emitente, e bem assim os revisores oficiais de contas ao seu serviço, que tenham aprovado ou certificado as contas em que o prospecto se baseie;
Quaisquer outras pessoas que, com o seu consentimento, se nomeiem no prospecto como tendo aceitado vir a ser no futuro membros desses órgãos;
As pessoas, pertencentes ou não aos quadros da entidade emitente, que, com o seu consentimento, sejam nomeadas no prospecto como tendo preparado ou verificado qualquer informação nele incluída, ou qualquer estudo, previsão ou avaliação em que essa informação se baseie;
O auditor que tenha elaborado o relatório de auditoria referido na alínea l) do n.º 1 do artigo 134.º;
Os intermediários financeiros encarregados da colocação da emissão.
2 - Não será responsável nos termos da alínea b) do número anterior o membro do órgão de administração que comprove haver o prospecto sido elaborado e submetido à CMVM sem o seu conhecimento ou aprovação e que, ao tomar conhecimento da sua apresentação ou publicação, imediatamente informou desse facto a CMVM e a entidade emitente.
3 - As pessoas ou entidades referidas nas alíneas c), e) e f) do n.º 1 são apenas responsáveis pela parte do conteúdo do prospecto que elaboraram, aprovaram, certificaram, verificaram ou elaboraram, ou que se baseie em documentos, estudos ou avaliações que tenham elaborado, verificado, certificado ou aprovado.
4 - Nos casos do número anterior, a responsabilidade das pessoas ou entidades ali referidas cessará na medida em que, sem o seu consentimento, a informação incluída na parte do prospecto por que são responsáveis divirja, quanto ao respectivo conteúdo, forma ou contexto, da que haviam elaborado, verificado, certificado ou aprovado para o efeito, ou dos documentos, estudos ou avaliações em que intervieram, destinados a servir-lhe de base, e seja dessa divergência que resulta a insuficiência ou a falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação em causa.
5 - Os intermediários financeiros encarregados da colocação da emissão serão apenas responsáveis, nos termos da alínea g) do n.º 1, se a insuficiência ou falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação resultar de incumprimento das obrigações a que se encontram sujeitos por força das alíneas a), b) e c) do n.º 3 do artigo 125.º
6 - Quando, para a colocação da emissão, se houver constituído um consórcio de intermediários financeiros nos termos do artigo 126.º, a responsabilidade estabelecida na alínea g) do n.º 1 e no n.º 5 do presente artigo caberá apenas ao líder ou líderes do consórcio, se o respectivo contrato não a estender a outros consorciados.
7 - Sem prejuízo do estabelecido na alínea g) do n.º 1, nenhuma das disposições do presente artigo deverá interpretar-se como tornando responsável pelo conteúdo do prospecto qualquer pessoa singular ou colectiva que se limite a prestar à entidade emitente serviços profissionais de consultoria e assessoria de carácter geral na organização da emissão, na preparação e instrução do pedido de registo ou no acompanhamento do respectivo processo, desde que o seu nome não seja mencionado, a qualquer título, no prospecto.
Artigo 161.º — Âmbito da responsabilidade
1 - Sempre que, em virtude da insuficiência ou da falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação contida no prospecto da emissão, os adquirentes dos valores mobiliários oferecidos à subscrição pública sofram quaisquer prejuízos, as pessoas e entidades responsáveis nos termos do artigo precedente, além de ficarem sujeitas às sanções de natureza contra-ordenacional ou penal eventualmente aplicáveis, serão obrigadas a indemnizar os lesados pelo montante desses prejuízos.
2 - Para os efeitos do número anterior:
A informação é insuficiente, quando o prospecto omite informação essencial para a adequada avaliação da entidade emitente e do investimento pelo público nos termos do n.º 1 do artigo 144.º;
A informação não é verídica, quando não coincide com a realidade dos factos, situações, circunstâncias, valores ou perspectivas que se destina a reflectir, e bem assim quando, pelos termos em que se encontra formulada ou pelo contexto em que se integra, induz em erro o investidor sobre o conteúdo ou significado desses factos, situações, circunstâncias, valores ou perspectivas;
Existe falta de objectividade da informação, quando se verifica qualquer das situações previstas na alínea b) do n.º 1 do artigo 154.º;
Há falta de actualidade da informação, sempre que a informação divulgada, embora suficiente, verídica e objectiva com referência à data da elaboração do prospecto, não foi, todavia, mediante oportuna alteração deste ou através de prospecto complementar, devidamente actualizada ou corrigida nos termos do artigo 153.º, ou o prospecto foi publicado depois de o registo da emissão haver caducado nos termos do artigo 139.º;
A insuficiência e a falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação só são relevantes se influírem na avaliação do investimento em termos tais que, a não existirem, um investidor normalmente prudente se absteria de adquirir os valores mobiliários em causa ou de os adquirir pelo preço por que são oferecidos à subscrição pública.
3 - O prejuízo a indemnizar nos termos do n.º 1 corresponderá à diferença entre o preço de aquisição dos valores mobiliários em causa e o preço líquido por que foram posteriormente vendidos ou, no caso de o não haverem ainda sido, por que poderiam sê-lo na data do pedido de indemnização, acrescida essa diferença da perda de rendimentos justificadamente esperados na base da informação contestada, não excedendo, todavia, em qualquer caso, o montante global a indemnizar o preço por que os mesmos valores tenham sido oferecidos à subscrição pública.
4 - O montante da indemnização referida no número precedente será reduzido na medida em que as pessoas ou entidades responsáveis nos termos do artigo 160.º provem que a mencionada diferença entre os preços de compra e de venda dos valores mobiliários ou a quebra de rendimentos esperados se devem a outras causas, que não à arguida insuficiência ou falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação incluída no prospecto.
Artigo 162.º — Co-responsabilidade
1 - Sendo várias as pessoas e entidades responsáveis nos termos dos artigos precedentes, a sua responsabilidade reger-se-á pelo disposto no artigo 497.º do Código Civil.
2 - Os intermediários financeiros a que se refere a alínea g) do n.º 1 do artigo 160.º, embora igualmente sujeitos ao regime geral do artigo 497.º do Código Civil, beneficiarão, todavia, de direito de regresso contra a entidade emitente, independentemente de culpa desta, salvo se a entidade emitente provar que a insuficiência ou falta de objectividade, veracidade ou actualidade da informação arguida lhes é imputável ou que, não havendo culpa dela própria, a deficiência da informação só não foi oportunamente descoberta e corrigida em virtude de os intermediários financeiros não haverem cumprido o disposto nas alíneas a), b) e c) do n.º 3 do artigo 125.º
Artigo 163.º — Exclusão da responsabilidade
1 - Nenhuma das pessoas e entidades referidas no artigo 160.º incorrerá em responsabilidade na medida em que prove que, à data da aquisição dos valores mobiliários em causa, o investidor tinha, ou deveria ter, usando de uma diligência normal, conhecimento da insuficiência ou da falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação constante do prospecto.
2 - Nenhuma das pessoas e entidades referidas no artigo 160.º incorrerá em responsabilidade se provar:
Que à data da publicação do prospecto ignorava a insuficiência ou a falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação em causa, e que, por sua parte, usou de toda a diligência que lhe era razoavelmente exigível, de acordo com as suas funções, qualificações técnicas e obrigações profissionais, na preparação, verificação, apreciação, certificação ou aprovação dessa informação e dos estudos, avaliações e restante documentação que lhe tenham servido de base;
Que, no caso de a informação arguida, ou os estudos, avaliações ou outra documentação em que a mesma se baseie, haverem sido elaborados, verificados, certificados ou aprovados por especialistas, peritos ou profissionais qualificados, ou constituírem reprodução ou extracto de documentos oficiais destinados a atestar ou certificar esse tipo de informação ou os dados em que ela se alicerça, não tinha, à data da publicação do prospecto, qualquer motivo razoável para duvidar da competência, idoneidade e experiência desses especialistas, peritos ou profissionais, e não conhecia, nem lhe era exigível que conhecesse, qualquer facto ou elemento que lhe permitisse pôr em dúvida o conteúdo da informação, estudos, avaliações e documentos referidos;
E que, tanto numa como noutra das hipóteses contempladas nas alíneas anteriores, continuou, sem culpa sua, a ignorar a insuficiência ou falta de objectividade, veracidade ou actualidade da informação em causa até à data do encerramento da subscrição;
Ou que, em qualquer das hipóteses referidas nas alíneas a) e b), tendo-se apercebido por si próprio ou de qualquer outra forma, após a data da publicação do prospecto e até à data do encerramento da subscrição, da insuficiência ou falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação publicada, imediatamente providenciou, em tudo quanto de si dependia, nomeadamente através da comunicação do facto à CMVM e à entidade emitente, para que a informação fosse completada, corrigida ou actualizada e levada, nesses termos, ao conhecimento dos investidores.
3 - A entidade emitente é sempre solidariamente responsável com as demais pessoas ou entidades referidas no artigo 160.º, sem prejuízo do seu direito de regresso contra elas na medida das respectivas culpas.
Artigo 164.º — Prescrição
O direito à indemnização prevista nos artigos anteriores deve ser exercido no prazo de seis meses após a data em que o investidor tome conhecimento da insuficiência ou falta de veracidade, objectividade ou actualidade da informação, ou em que, usando de uma diligência normal, deveria ter-se apercebido dela, e prescreve, em qualquer caso, decorridos que sejam 18 meses sobre a data do encerramento da oferta pública de subscrição.
Artigo 165.º — Aplicação das disposições gerais sobre responsabilidade civil
O estabelecido nos artigos precedentes não prejudica o direito que os lesados eventualmente tenham, por força de outras disposições legais ou de disposições contratuais aplicáveis aos mesmos factos, de exigir, nos termos e prazos que resultem dessas disposições, indemnização das pessoas e entidades referidas no n.º 1 do artigo 160.º ou de quaisquer outras, desde que o dano não seja indemnizado mais de uma vez.
SECÇÃO IV — Da publicidade da oferta
Artigo 166.º — Princípio geral
O anúncio de lançamento da oferta pública de subscrição e toda a restante publicidade, seja qual for a sua natureza, feita pela entidade emitente ou pelos intermediários financeiros com vista à colocação da emissão devem ser elaborados de acordo com os princípios gerais que resultam dos artigos 144.º e 154.º quanto à organização do prospecto, e harmonizar-se rigorosamente com o conteúdo e significado da informação que neste se contenha, mencionando obrigatoriamente a sua existência e onde e quando foi publicado ou, se for o caso, os lugares onde pode ser obtido.
Artigo 167.º — Aprovação pela CMVM
1 - A publicidade referida no artigo anterior deve ser previamente sujeita à aprovação da CMVM.
2 - A aprovação considerar-se-á concedida se a CMVM se não pronunciar sobre ela nos cinco dias subsequentes à data em que receba os elementos a publicar.
3 - A CMVM, quando entenda que a publicação projectada não obedece ao estabelecido no artigo precedente ou é susceptível de induzir o público em erro, pode denegar a aprovação ou condicioná-la à introdução das alterações que julgue apropriadas nos elementos a publicar.
Artigo 168.º — Início das acções publicitárias
1 - As acções publicitárias relacionadas com a colocação da emissão só deverão iniciar-se depois de publicados o anúncio de lançamento da oferta pública de subscrição e o prospecto, nos termos do artigo 156.º
2 - Todavia, a CMVM, quando conclua, através do exame preliminar do respectivo pedido, pela viabilidade de princípio do registo da emissão, e a entidade emitente lho solicite, poderá autorizar, nas condições e dentro dos limites que para o efeito estabelecerá, que, antes da publicação do anúncio da oferta e do prospecto, se iniciem acções publicitárias do lançamento da operação, sempre sem prejuízo do disposto no artigo 167.º
3 - Nos casos do número anterior, o material publicitário autorizado deve mencionar que será oportunamente publicado um prospecto completo, a forma como a publicação se fará e o modo como o público poderá obtê-lo.
Artigo 169.º — Responsabilidade
A publicidade realizada sem observância do estatuído nos artigos precedentes, para além das sanções contra-ordenacionais ou penais em que faça incorrer pessoas ou entidades que a tenham promovido, torná-las-á responsáveis pelos prejuízos que daí resultem para os investidores, aplicando-se, para o apuramento dessas responsabilidades, e com as devidas adaptações, o disposto nos artigos 160.º e seguintes do presente diploma.
SECÇÃO V — Disposições finais
Artigo 170.º — Retirada da oferta
1 - Depois de iniciado o período de subscrição, a oferta pública de subscrição de valores mobiliários só pode ser retirada mediante autorização da CMVM, fundada em alteração anormal e imprevisível das circunstâncias em que a entidade emitente comprovadamente se baseou para realizar a operação.
2 - A retirada realiza-se através de anúncio publicado nos mesmos termos que o anúncio de lançamento da oferta e não pode, em qualquer caso, ter lugar depois de terminado o período de subscrição.
3 - Retirada a oferta, a entidade emitente deve, nos 30 dias subsequentes, restituir todas as importâncias entretanto recebidas dos investidores.
4 - Decorrido o prazo fixado no número anterior sem que a restituição tenha sido efectuada, ao montante em dívida acrescerão juros de mora, contados desde a data da retirada da oferta, e os membros dos órgãos de administração da entidade emitente passam a responder solidariamente com ela por todas as importâncias devidas aos investidores.
Artigo 171.º — Frustração da admissão à cotação
1 - Sempre que a oferta pública de subscrição for acompanhada da informação de que os valores que dela são objecto se destinam a ser admitidos à cotação em bolsa ou em qualquer mercado secundário especial, os investidores poderão:
Rescindir as aquisições efectuadas e exigir a restituição das importâncias entregues em contrapartida, se o pedido de admissão à cotação não houver sido apresentado até à data em que termine o período de subscrição;
Exigir das pessoas e entidades indicadas nas alíneas a), b) e g) do n.º 1 do artigo 160.º indemnização por todos os prejuízos que sofram quando, tendo sido o pedido de admissão tempestivamente apresentado, a admissão seja recusada com fundamento em factos ou circunstâncias referentes ou imputáveis à entidade emitente, aos seus sócios, aos membros dos seus órgãos de administração e fiscalização ou à sua ligação a outras empresas com as quais se encontre em relação de domínio ou de grupo.
2 - Para os efeitos do disposto no número anterior, as autoridades competentes para a admissão farão inserir, a expensas da entidade emitente, nos boletins de cotações de todas as bolsas de valores ou, se for o caso, apenas no da bolsa ou do mercado secundário especial em que a admissão deva ser requerida:
No primeiro dia útil após o termo do período de subscrição, informação sobre se o pedido de admissão foi ou não apresentado;
Se, tendo sido apresentado o pedido, a admissão for recusada, informação sobre a recusa, logo que esta seja decidida.
3 - Nos casos da alínea a) do n.º 1, o investidor deve notificar a entidade emitente da rescisão da aquisição e solicitar o reembolso das importâncias pagas nos 15 dias seguintes aos da publicação da informação referida na alínea a) do n.º 2; nos casos da alínea b) do n.º 1, o direito à indemnização deve ser exercido no prazo de três meses, contado da data da publicação da informação prevista na alínea b) do n.º 2.
4 - À restituição do montante devido ao investidor nos casos da alínea a) do n.º 1 aplicar-se-á o disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 170.º, contando-se o prazo de 30 dias, ali estabelecido, a partir da data da notificação da rescisão à entidade emitente.
5 - A responsabilidade das entidades mencionadas na alínea b) do n.º 1 reger-se-á, no que for aplicável, e com as devidas adaptações, pelo disposto nos artigos 160.º a 163.º e 165.º
Artigo 172.º — Suspensão ou proibição da oferta pública
1 - A CMVM poderá suspender, ordenar a retirada ou proibir, em qualquer momento, uma oferta pública de subscrição que esteja a ser realizada ou se receie justificadamente que venha a sê-lo:
Sem as autorizações administrativas eventualmente necessárias;
Sem prévio registo da emissão, quando exigível, ou com o anúncio de lançamento e o prospecto da oferta publicados depois de o registo haver caducado;
Em condições diversas das constantes do registo;
Antes da publicação do prospecto da emissão e do anúncio de lançamento da oferta, ou depois dessa publicação, se a mesma houver de considerar-se nula e a nulidade não tiver sido sanada nos termos do n.º 2 do artigo 159.º;
Com base em informações inadequadas, sempre que se verifique qualquer dos casos previstos nas alíneas c) e d) do n.º 1 do artigo 153.º e a entidade emitente não haja procedido por si mesma à suspensão da colocação, estabelecida no mesmo artigo;
Com utilização de material publicitário não aprovado pela CMVM nos termos dos artigos 166.º e seguintes;
Com violação de quaisquer outras disposições legais e regulamentares aplicáveis que possa por em risco os legítimos interesses dos subscritores ou, se for o caso, dos titulares de valores mobiliários anteriormente emitidos pela mesma entidade.
2 - A CMVM deverá ainda ordenar imediata e definitivamente a retirada de qualquer emissão que seja ilegal ou envolva fraude à lei, mesmo que haja sido sujeita a registo prévio e a sua natureza ilegal ou fraudulenta só posteriormente se torne conhecida.
3 - A retirada e a suspensão da oferta previstas neste artigo far-se-ão por anúncio publicado pela CMVM, a expensas do oferente, nos mesmos termos que o anúncio de lançamento da oferta.
4 - Retirada a oferta pública, considerar-se-ão nulos todos os actos praticados no seu âmbito, ficando os eventuais adquirentes dos valores mobiliários que dela tenham sido objecto com o direito de receber dos responsáveis as importâncias desembolsadas, e bem assim indemnização pelos prejuízos sofridos em consequência da operação.
5 - Em caso de suspensão da oferta pública, os investidores poderão, em qualquer momento até ao termo do 2.º dia útil posterior àquele em que, por se mostrar sanado o vício que a determinava, a suspensão termine e a oferta pública seja reatada, rescindir os compromissos ou contratos de aquisição que tenham subscrito e pedir o reembolso de todas as quantias despendidas.
6 - À restituição das importâncias devidas aos investidores nos casos dos n.os 4 e 5 aplicar-se-á, com as devidas adaptações, o disposto nos n.os 3 e 4 do artigo 170.º
Artigo 173.º — Regulamentação
Salvo nos casos em que essa competência é atribuída ao Ministro das Finanças, caberá à CMVM emitir, além das referidas noutras disposições do presente capítulo, todas as demais normas regulamentares necessárias para a execução do que nele estabelece.
TÍTULO III — Dos mercados secundários
CAPÍTULO I — Disposições gerais
Artigo 174.º — Mercados secundários
1 - São mercados secundários de valores mobiliários:
As bolsas de valores;
O mercado de balcão;
Os mercados especiais que venham a organizar-se legalmente para a adequada negociação de certos tipos de valores mobiliários ou para a realização de determinadas modalidades de operações.
2 - Os mercados previstos na alínea c) do número anterior poderão ser criados por portaria do Ministro das Finanças, ouvido o Conselho Nacional do Mercado de Valores Mobiliários, sob proposta ou com audiência prévia da CMVM, e deverão regulamentar-se de acordo com os princípios estabelecidos no presente diploma para as bolsas de valores e para o mercado de balcão em tudo o que for compatível com as suas características específicas.
Artigo 175.º — Mercados paralelos
Excepto nos casos e pela forma que expressamente se prevêem e regulamentam no presente diploma, são proibidas quaisquer reuniões públicas em que se transaccionem ou ofereçam para transacção valores mobiliários.
Artigo 176.º — Valores negociáveis nos mercados secundários
1 - Só podem ser objecto de operações de compra e venda nos mercados secundários:
Os valores mobiliários previamente admitidos à negociação nesses mercados;
Tratando-se de mercado em que a negociação não dependa de admissão prévia, todos os que nele sejam legalmente transaccionáveis;
Tratando-se de bolsas de valores, os que, embora não preencham o requisito estabelecido na alínea a), nelas se negoceiem ao abrigo do disposto nos artigos 395.º a 397.º
2 - Salvo quando de outro modo se estabeleça no presente diploma a transacção dos valores mobiliários a que se refere a alínea a) do número anterior no mercado secundário em que hajam sido admitidos à negociação só poderá realizar-se no segmento especial desse mercado em que, se for o caso, a admissão teve lugar e apenas através dos tipos de operações que relativamente a eles se encontrem autorizados nos termos deste decreto-lei e seus regulamentos.
Artigo 177.º — Suspensão geral da negociação de um valor mobiliário
1 - A CMVM poderá suspender a negociação de qualquer valor mobiliário em todos os mercados secundários em que legalmente se transaccionem, quando ocorram circunstâncias comprovadamente susceptíveis de perturbar o regular desenvolvimento das operações e a normal formação dos preços ou de pôr em risco os legítimos interesses dos investidores.
2 - A suspensão será decretada por iniciativa da CMVM ou a solicitação das entidades que dirigem ou supervisionam os mercados em causa ou das próprias entidades emitentes, cessando logo que se mostre regularizada a situação excepcional que a determine.
Artigo 178.º — Intermediários autorizados
Só poderão realizar-se transacções de valores mobiliários em qualquer dos mercados referidos no artigo 174.º com a intervenção de pelo menos um dos intermediários financeiros autorizados a operar nesse mercado.
Artigo 179.º — Nulidade das transacções
1 - São nulas as operações sobre valores mobiliários realizadas com violação do disposto nos artigos 175.º a 178.º
2 - Nos casos do número anterior, as autoridades competentes que tenham autorizado ou permitido a realização das transacções ali referidas e os intermediários financeiros que nelas hajam participado serão solidariamente responsáveis perante os interessados de boa fé pelos danos que estes sofram em consequência da nulidade das mesmas transacções.
Artigo 180.º — Transacções a efectuar obrigatoriamente em mercado secundário
1 - A transmissão de valores mobiliários admitidos à negociação em bolsa ou em qualquer dos mercados especiais previstos na alínea c) do n.º 1 do artigo 174.º só poderá realizar-se nesses mercados ou, quando as disposições legais ou regulamentares aplicáveis o permitirem, no mercado de balcão, sendo nulas as transacções que se efectuem por outra forma.
2 - Exceptuam-se do número anterior, quando não devam, pela sua natureza, valor ou circunstâncias, e de acordo com outras disposições do presente diploma e seus regulamentos ou de legislação especial que lhes respeite, realizar-se num mercado secundário, as transmissões:
A título gratuito;
A título oneroso diferente da compra e venda;
Resultantes de uma convenção complexa, que não se reconduza à simples venda dos valores mobiliários em causa e da qual a cessão destes, sejam quais forem o título e as condições em que se realize, comprovadamente constitua elemento essencial;
Acordadas directamente entre comprador e vendedor, sendo um e outro pessoas singulares;
Efectuadas directamente entre pessoas colectivas, das quais uma possua 20% pelo menos, do capital da outra.
3 - Sem embargo do estabelecido no número precedente, as transmissões referidas nas alíneas b), c), d) e e) do mesmo número devem ser comunicadas às entidades gestoras da bolsa e dos mercados especiais em que se encontrem admitidos à negociação os valores que delas são objecto, não podendo o adquirente transaccionar esses valores nem exercer, por qualquer forma, os direitos que lhes são inerentes enquanto a comunicação não houver sido feita.
4 - Sem prejuízo do disposto no n.º 2, as transmissões abrangidas pelo n.º 1 do presente artigo, respeitantes a valores mobiliários cuja negociação em qualquer dos mercados de bolsa ou nos mercados especiais ali referidos se encontre suspensa, e que, no primeiro caso, não possam efectuar-se em outro mercado de bolsa nos termos do n.º 7 do artigo 353.º, serão obrigatoriamente realizadas no mercado de balcão, sob pena de nulidade.
5 - Competirá à CMVM fixar o prazo e termos em que deverá efectuar-se a comunicação prevista no n.º 3, e bem assim os casos e condições em que, pelo reduzido montante das transacções realizadas ou por quaisquer outras circunstâncias, ela seja dispensável.
Artigo 181.º — Transacções efectuadas em mercado secundário
1 - Para os efeitos do artigo anterior, consideram-se realizadas num mercado secundário, ficando sujeitas às disposições do presente diploma que, de acordo com a sua natureza e características, lhes sejam aplicáveis, as transacções de valores mobiliários nele negociáveis e que tenham lugar:
Entre intermediários financeiros autorizados a operar nesse mercado, negociando de conta própria;
Entre os referidos intermediários, negociando de conta própria, e outras pessoas ou entidades que não tenham essa qualidade;
Entre pessoas ou entidades que não sejam intermediários autorizados, desde que as operações se realizem através de um ou mais desses intermediários, actuando de conta alheia, ou com a sua intervenção profissional no estabelecimento ou negociação das respectivas condições ou na formalização da operação.
2 - Quando um intermediário financeiro se encontre autorizado a operar em dois ou mais dos mercados referidos no n.º 1 do artigo 174.º, as transacções que realize nos termos do número precedente considerar-se-ão efectuadas:
No mercado a que devam necessariamente imputar-se, independentemente do lugar onde se realizem, em virtude de os valores que delas são objecto só poderem legalmente negociar-se, ou as operações em causa efectuar-se nesse mercado;
Tratando-se de valores negociáveis e de operações realizáveis em mais de um mercado, naquele a que devam imputar-se em razão do lugar e circunstâncias da transacção efectuada.
Artigo 182.º — Conflitos de interesses
1 - Os intermediários autorizados a operar num mercado secundário não poderão negociar de conta própria directamente com pessoas ou entidades que não tenham essa qualidade, a não ser que, mediante documento por elas assinado e que arquivarão para comprovação do facto, previamente as informem de que serão contraparte nas transacções em causa.
2 - Exceptuam-se do disposto no número anterior as transacções realizadas pelos intermediários financeiros:
No normal exercício da actividade de negociação de valores mobiliários por conta própria para que se encontrem autorizados nos termos da alínea b) do artigo 608.º e do artigo 609.º;
Mediante operações de contrapartida em qualquer das modalidades reguladas nos artigos 475.º e 477.º;
Através das operações correntes de contrapartida a que se refere o artigo 476.º, mas apenas quando e dentro dos limites em que o regulamento da CMVM, previsto no mesmo artigo, o consentir.
3 - Os intermediários financeiros deverão declarar à CMVM as ligações e vinculações económicas ou relações contratuais que tenham com terceiros e que, no desenvolvimento da sua actividade específica, de conta própria ou de conta alheia, possam suscitar conflitos de interesses com quaisquer clientes.
4 - Recebida a comunicação a que se refere o número anterior, a CMVM definirá as limitações a que deva, em consequência, sujeitar-se a actividade do intermediário financeiro e a forma de tornar públicas tanto essas limitações como, se for o caso, as ligações e vinculações económicas ou relações contratuais que as determinam.
Artigo 183.º — Transacções de conta alheia
1 - Nas transacções de conta alheia, os intermediários financeiros responderão perante os seus comitentes pela entrega dos valores mobiliários adquiridos e pelo pagamento do preço dos valores alienados.
2 - O intermediário financeiro que não revelar à outra parte o nome do seu comitente torna-se responsável pela execução do contrato, sem prejuízo do seu direito de exigir do comitente o que houver despendido com essa execução.
3 - Em tudo mais, os referidos intermediários, além das responsabilidades em que incorram pela falta de comprimento das obrigações estabelecidas no presente diploma e em outras disposições legais e regulamentares aplicáveis, ficarão sujeitos às que resultam dos contratos de mandato e comissão, tendo, do mesmo modo, contra os comitentes os direitos que desses contratos derivam.
4 - Salvo em caso de culpa grave, a responsabilidade do intermediário financeiro por negócio em que haja intervindo nessa qualidade prescreve decorrido um ano a partir da data em que o comitente tenha conhecimento da conclusão do negócio e dos respectivos termos.
Artigo 184.º — Obrigações gerais dos intermediários financeiros
1 - Além das demais que no presente diploma e em outras disposições legais e regulamentares aplicáveis se estabeleçam, constituem obrigações gerais dos intermediários autorizados a operar nos mercados secundários:
Certificar-se da existência, autenticidade, validade e regularidade dos valores mobiliários que junto deles sejam depositados ou registados;
Certificar-se da identidade, capacidade e legitimidade contratual dos seus comitentes e ainda, quando for caso disso, da autenticidade das assinaturas dos intervenientes nas operações que realizem;
Certificar-se da existência, validade, regularidade, negociabilidade e disponibilidade dos valores mobiliários em cuja negociação participem, e bem assim da autenticidade dos títulos que os representam, quando sejam titulados;
Executar com competência e diligência, em perfeita harmonia com as ordens recebidas e no melhor interesse do comitente, as operações de que forem encarregados, sobrepondo sempre os interesses do cliente aos seus próprios interesses, bem como aos dos demais clientes ou de terceiros que não devam legitimamente prevalecer sobre aqueles, e actuando, em todas as circunstâncias, de modo que o seu comitente e os demais contratantes não sejam induzidos em erro quanto ao objecto, condições ou circunstâncias da transacção;
Guardar segredo profissional de tudo quanto disser respeito às operações em que intervenham;
Não revelar os nomes dos seus comitentes, a não ser que a lei ou a própria natureza do negócio o imponham ou aqueles o hajam determinado ou autorizado por escrito;
Assegurar a adequada formalização e o pontual cumprimento e liquidação das transacções efectuadas;
Organizar e manter registos apropriados das operações realizadas e conservar em arquivo, pelo prazo de cinco anos, tanto esses registos como os documentos relacionados com as mesmas operações.
2 - O intermediário financeiro que entregar ao seu comitente ou a outro intermediário valores mobiliários falsos, extintos, irregulares, não negociáveis, deteriorados ou sem os direitos que lhes são inerentes, para além da responsabilidade criminal, contra-ordenacional ou disciplinar em que, consoante as circunstâncias, incorra, ficará obrigado a substituir esses valores por outros com as condições requeridas logo que se aperceba da irregularidade ou a substituição lhe seja solicitada pelos interessados, e responderá por todos os prejuízos que estes ou, se for o caso, os respectivos comitentes tenham, em consequência, sofrido.
Artigo 185.º — Proibições gerais
É proibido aos intermediários financeiros:
Realizar de conta própria, directamente ou por interposta pessoa, operações de bolsa ou, em geral, quaisquer operações de compra, venda ou troca de valores mobiliários, a não ser que se encontrem para o efeito autorizados pela legislação especial por que se rejam ou quando tiverem de responder, nos termos do presente diploma, por faltas dos seus comitentes ou, perante estes, por faltas das respectivas contrapartes, nas transacções efectuadas;
Tratando-se de corretores, associar-se com outros corretores para a execução de operações de bolsa;
Tomar os riscos das operações sobre valores mobiliários em que intervenham de conta alheia;
Recusar-se a aceitar e a executar, de conta dos interessados e em nome destes ou em nome próprio, consoante lhes for determinado, as ordens que recebam de quaisquer pessoas ou entidades para a negociação de valores mobiliários nos mercados em que estão autorizados a operar, desde que essas ordens lhes sejam dadas e, se for o caso, o cumprimento das obrigações que delas resultam para os ordenadores se mostre garantido, nos termos do presente diploma e das disposições que o regulamentem.
Artigo 186.º — Remuneração dos intermediários financeiros
1 - As comissões a que terão direito os intermediários financeiros pela sua intervenção na negociação de valores mobiliários serão por eles livremente fixadas.
2 - A CMVM poderá, todavia, sempre que o entenda necessário para assegurar a normalidade e equilíbrio do funcionamento dos mercados secundários, estabelecer, sob proposta ou com audiência prévia dos interessados e das entidades gestoras desses mercados, e tendo em conta, quando for o caso, a natureza dos valores a negociar:
Taxas máximas ou taxas fixas para as comissões relativas a transacções cujo montante não exceda um determinado limite ou que resultem da execução de decisões judiciais;
Normas de acordo com as quais essas comissões devam ser definidas.
3 - Todos os impostos e taxas incidentes sobre as operações realizadas de conta alheia pelos intermediários financeiros serão suportados pelos respectivos comitentes.
Artigo 187.º — Interconexão de mercados
1 - Tendo em vista os objectivos definidos, nomeadamente, nas alíneas c), d) e f) do n.º 1 do artigo 4.º, sempre que quaisquer valores mobiliários sejam negociáveis em mais de um mercado secundário, da mesma ou de diferente natureza, deverá existir entre os mercados em que tais valores se negoceiem um sistema de interconexão que assegure o oportuno fornecimento por cada um desses mercados aos restantes de uma informação adequada sobre as operações que nele se realizem.
2 - Quando não se encontrem definidos em outras disposições do presente diploma, competirá à CMVM estabelecer, com audiência prévia das entidades gestoras dos mercados em causa, ou aprovar, sob proposta delas:
O sistema de interconexão a adoptar;
O conteúdo e estrutura da informação necessária;
O período de tempo em que, após a realização das operações a que respeita, a informação tem de ser fornecida para garantir, em função das características específicas de cada mercado, a sua efectiva oportunidade e utilidade;
Os termos em que deva proceder-se, imediatamente e, se for o caso, diferidamente à sua divulgação.
3 - Conjuntamente com a informação referida nos números anteriores, será processada e divulgada, nas condições que a CMVM para o efeito determine ou aprove, a informação decorrente do disposto no n.º 3 do artigo 180.º
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